Depois de um longo especial de natal liberado em dezembro, a segunda temporada de Sense 8 teve os seus novos episódios liberados no começo de maio na Netflix e os fãs finalmente podem avançar na história dos Sensates que está cercada de mistérios.

Depois de uma primeira temporada lenta, mas que encantou o público pela sua beleza e qualidade técnica, e um último episódio de tirar o fôlego, a segunda temporada fica mais centrada em explicar e expandir. O positivo é que novos personagens são inseridos e novas perspectivas são adicionadas. O negativo é que o mistério se foi e agora temos apenas uma série de ação.

Metade da segunda temporada concentra-se em explicar a maioria dos segredos. Motivos, origens, objetivos. Tudo explicado. E quanto mais se explica, maior a coisa fica. Esqueça que temos apenas os 8 filhos de Angélica. A história agora é global e mais antiga do que se imaginava. Sim, a série aposta na diversidade das conexões.

Ok, mas diversidade e conexões no fundo sempre foi o conceito de Sense 8 certo? É uma série com engajamento e com profunda crítica a certos paradigmas sociais, mas o que fez a primeira temporada ser tão comentada foi justamente como os 8 sensates descobriam e aceitavam esse compartilhamento de sensações e emoções. Se isso fez a primeira temporada ser lenta, ao menos carregava emoção e profundidade aos personagens. Nessa segunda temporada isso se perde um pouco.

Como os 8 já se conhecem e tem a conexão a um ano, a série não foca nessas descobertas e sim qual é o grande objetivo de OPB, a organização por trás do Dr. Milton Bailey (Terrence Mann), ou Sussuros, e como outros Sensates conseguiram escapar da caçada. Sim, há outros grupos de Sensates espalhados pelo mundo. E como era de se esperar, nem todos são a favor do grupo de Will e cia. Aliás, a existência desses outros grupos fica tão evidente que descobrimos que Milton é conhecido por outro nome nada amigável.

A existência de outros grupos de Sensates trás para a série outra dinâmica. Agora ela é maior. Deixa de ser algo centrado e sim espalhado com várias possibilidades. A particularidade de que apenas por meio do contato visual faça você se conectar, trás possibilidades interessantes e engraçadas para o ritmo da história que começa a ganhar toques de intrigas políticas com megacorporações.

Outro direcionamento é dado para Jonas e Angélica. Os personagens também ganham novos planos de fundo (confusos às vezes), e tem a sua moralidade colocada à prova. Angélica oscila entre um ser doce e inocente para alguém que não liga para os próprios filhos e não mede as consequências de quanta dor eles irão sentir e Jonas percebe que uma nova posição dentro da OPB pode ser bem mais vantajosa do que ajudar o grupo de Angélica da primeira temporada.

Por coincidência ou não, agora fica muito mais clara a habilidade de cada um no grupo. Até mesmo Kala (Tina Desai) e Riley (Tuppence Middleton) podem mostrar como completam o grupo. Se na primeira temporada era estranho ver uma química e um DJ nesse grupo composto por hacker, policial, motorista, lutadora, bandido e ator que nos momentos chaves usaram suas habilidades como indivíduos para o bem do todo, nessa segunda, as personagens crescem em importância e atitude.

Infelizmente, são os únicos personagens que crescem. Centrada em perseguir e ser perseguido, a série abandona o seu elenco principal que está mais preocupado em suas histórias paralelas. Capheus agora assumiu o legado do pai e encara a política, Nomi Marks precisa de uma solução para voltar a sua vida já que agora ela é uma das pessoas mais procuradas dos Estados Unidos, Sun Bak precisa provar a sua inocência, Wolfgang precisa decidir se a vida de gangster em Berlim é o seu caminho e Lito luta para continuar a sua carreira.

Neste ponto vale o destaque para Miguel Ángel Silvestre, o intérprete de Lito Rodriguez, que está no centro de um dos pontos mais discutidos pela série: a causa LGBT e a luta pela tolerância. A série foi muito feliz ligando o personagem a Parada Gay em São Paulo e como isso representa um ato político. Seu discurso é sim um dos pontos altos da temporada. Detalhe para a frase “golpe nunca mais” com o símbolo da Vênus Platinada em um dos cartazes. Essa é só para brasileiro entender.

Continua sendo muito bonito ver o amor de Amanita por Nomi e como elas, junto com Lito e Hernando, proporcionam as cenas românticas mais sinceras e puras. Um romance para qual você torce que nada de errado. E não, não espere nenhuma cena sexual escandalosa entre eles. Para quem esperava orgias sensoriais e muito gemidos, essa segunda temporada pega bem leve e todas as cenas mais picantes são justificadas e até mesmo com um apelo visual plástico que faz você esquecer o ato e entender o que está por trás da situação: a conexão.

Lilly e Lana Wachowski junto com Michael Straczynski estão por trás de uma das séries mais importantes da atualidade, mas essa segunda temporada perde levemente o mistério e o engajamento pela intolerância por meio de belas imagens e situações complexas indo para o conhecido e batido enredo de conspirações de megaempresas farmacêuticas com direito a clichês de ficção científica como dominação mental e pílulas bloqueadoras.

Repito, Sense 8 é uma das séries mais importantes da atualidade, mas precisa retomar o caminho da primeira temporada. Agora é aguardar e torcer que o gancho deixado para a terceira represente essa direção.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/05/sense8.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/05/sense8-150x150.jpgRenato LebeaucinemaNós assistimosLana Wachowski,Lilly Wachowski,Michael Straczynski,Netflix,Sense 8Depois de um longo especial de natal liberado em dezembro, a segunda temporada de Sense 8 teve os seus novos episódios liberados no começo de maio na Netflix e os fãs finalmente podem avançar na história dos Sensates que está cercada de mistérios. Depois de uma primeira temporada lenta, mas...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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