pequeno-principe-Mark-Osborne-6Animação tenta, mas passa longe do encanto da obra original

Uma das obras mais imortais já escritas, O Pequeno Príncipe ou Le Petit Prince (originalmente), foi publicado em 1943 nos EUA pelo escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry, que desapareceu um ano antes do lançamento da obra, em uma missão francesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Lembro-me muito bem que minha mãe sempre quis que eu praticasse a leitura desde cedo, e o primeiro livro que me recordo de ter sido obrigada a ler foi o que falava de um tal principezinho, mas talvez pela imaturidade e pelo meu comportamento muito agitado, nunca terminava a leitura da obra e optava por outros livros. Só vim terminar a ler este livro quando já tinha uns 11 anos, depois disso, li e reli inúmeras vezes desde então, e sempre há algo que eu não havia notado nas vezes anteriores e também absorvo alguma “nova lição”. Acredito que isso é próprio dos bons livros no geral.

pequeno-principe-Mark-OsborneOs ensinamentos do Pequeno Príncipe são atemporais, o livro existe há mais de 70 anos, é mais velho do que muitos de seus leitores e, ainda assim, continua a encantar gerações. A obra do escritor e ilustrador já foi traduzida para mais de 250 línguas e dialetos e sempre está na lista dos mais vendidos anualmente, vendendo em média, 300 mil exemplares ao ano; apenas no Brasil, vendeu em 2014 mais de 120 mil, uma quantia e tanto para um septuagenário!

A história é narrada por um piloto de avião (sim, assim como o autor) que por causa de uma pane pousou no meio do deserto do Saara a mil milhas de qualquer terra habitada, onde encontra um principezinho que faz um pedido um tanto quanto inusitado. Ao longo da obra o piloto e o garotinho formam laços (ou cativam um ao outro) e o pequeno príncipe conta ao aviador toda sua trajetória e o que o fez sair de seu pequeno planeta que era pouco maior que ele. Seus pertences? Apenas uma rosa, três vulcões na altura de seu joelho sendo que um estava inativo, mas, como ele dizia: “Quem é que pode garantir?”.

pequeno-principe-Mark-Osborne-5A obra conta com personagens icônicos e graciosos, além dos dois já mencionados, temos também o Rei, o Vaidoso, o Bêbado, o Homem de Negócios, o Acendedor de Lampião, o Geógrafo, e os mais encantadores, a Rosa, a Raposa e até a Serpente. Todos eles têm algo a ensinar e levaram o principezinho até o aviador.

O filme de Stanley Donen, lançado em 1974, homônimo ao livro e com ótima aceitação e até hoje é uma excelente adaptação que não deixa muito a desejar se comparado com o livro, o que geralmente acontece. Já o filme de 2015 do diretor Mark Osborne (Kung Fu Panda) divide opiniões.

Fui conferir com meus próprios olhos e levei pessoas comigo que já tinham visto o filme de 1974, outras que era o primeiro filme baseado na obra de Saint-Exupéry que estava prestes a assistir, outras que não tinham lido a sinopse do filme, ou sequer lido o livro, enfim, pessoas que divergiam bastante entre si.

pequeno-principe-Mark-Osborne-2Bom, para quem não sabe o filme que chegou nas telonas dos cinemas nesse ano é uma produção francesa, produzida pelos estúdios Onyx Films, Orange Studio e On Entertainment, e não traz uma transposição fiel do livro, como o filme de 74. A história é contada pelos olhos daquele piloto que sofreu a pane em seu avião, mas com um detalhe, ele já está bem idoso e debilitado (o que não me deixou confortável). Ele conhece uma garotinha bem nova que tinha uma rotina rígida imposta pela sua mãe, mas isso não soa familiar? Sim, já vimos essa fórmula funcionar de uma forma espetacular, foi em UP! Altas Aventuras. O diretor apostou novamente na combinação de idoso-criança para cativar todos os públicos, mas temo dizer que não funcionou.

O filme foi realizado com duas técnicas de animação: a digital em 3D por meio de computação gráfica, com o qual estamos acostumados e a mais tradicional “stop motion”, onde se gravam a cena quadro a quadro. A primeira sendo usada no presente (velhinho e garotinha) e a segunda ao contar a história do pequeno garotinho no meio do deserto do Saara.

pequeno-principe-Mark-Osborne-7Durante o início do filme, estava tudo bem fofo mesmo, a garotinha desobedecendo a mãe, fazendo amizade com o senhor excêntrico que tinha uma história inicialmente duvidosa, reaprendendo a ser criança com um senhor que nunca deixou de ser, mas como eu li por outros sites, o filme vale por tributo, mas se perde ao recriar clássico.

Nos primeiros 2/3 do filme foram meigos, faltava apenas um cheirinho de tutti-frutti, mas o diretor se perde na parte final, simplesmente não convence. A conclusão foi unânime de todas as pessoas que levei, com tantas características e conhecimentos acerca do filme, o final desapontou. O filme não é excepcional, mas doce, entretanto a última parte do filme, nos deixa “chateado”. Foi o que ouvi ao sair da sessão.

pequeno-principe-Mark-Osborne-3O filme não fala muito da serpente, ou dos vulcõezinhos do principezinho e foca bem pouco na história do garotinho em si, inclusive a própria personalidade do menino não fica clara pra quem nunca leu a obra, ele traz algumas cenas do pequeno príncipe sim, mas são poucas para um filme de 94 minutos e em suma, são cenas com as frases mais ‘impactantes’, como “O essencial é invisível aos olhos”, ou a explicação da raposa sobre o que é “cativar” ou até “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar” entre outras.

O diretor Mark Osborne declarou durante a abertura do Anima Mundi que a alegria dele é ver todos chorando. “Fiz com essa intenção mesmo de emocionar. A obra original tem esse poder de emocionar tantas pessoas do mundo todo. Nada me faz mais feliz do que ver todos chorando” ao meu ver, ele falhou nisso, não dá para se emocionar neste filme, simplesmente não.

pequeno-principe-Stanley-DonenSendo muito sincera, fiquei impressionada com a dublagem da Larissa Manoela conhecida por interpretar, entre outras personagens, a Maria Joaquina na versão brasileira da novela Carrossel transmitida pelo SBT, ela dubla a garotinha do filme e o trabalho dela, me surpreendeu, talvez mais do que o filme.

Quem assistiu ao filme de Stanley Donen (1974) com certeza se lembra daquele garotinho muito fofo e que cativava a todos ao dizer “não” (ao menos a mim), um filme completo, com as grandes citações, engraçado, leve e divertido, como no livro. De modo algum a animação de Mark Osborne pode ser comparada a este delicioso clássico que para mim, ainda é o melhor filme feito baseado em um livro tão lindo e tão complexo.

Fiquem com o trailer da animação de Mark Osborne :

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/09/pequeno-principe-Mark-Osborne-1.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/09/pequeno-principe-Mark-Osborne-1-300x205.jpgMarina CiconelicinemaNós assistimosAntoine de Saint-Exupéry,Le Petit Prince,Mark Osborne,O Pequeno PríncipeAnimação tenta, mas passa longe do encanto da obra original Uma das obras mais imortais já escritas, O Pequeno Príncipe ou Le Petit Prince (originalmente), foi publicado em 1943 nos EUA pelo escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry, que desapareceu um ano antes do lançamento da obra, em uma missão...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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