Diferente da Marvel, que precisou nos acostumar aos seus personagens, a DC é dona de ícones atemporais da cultura POP como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha. Desde o primeiro filme de Superman, ainda em 1978, quando descobrimos que um homem poderia voar, nos perguntamos: “E os sete grandes”?

Quase quatro décadas depois, Liga da Justiça reúne pelo menos cinco deles e ainda introduz o Ciborgue, personagem que tomou o lugar do Caçador de Marte no hall de fundadores do grupo. Valeu a pena esperar? Sim.

Mulher Maravilha, que até então parecia um ponto fora da curva, acabou ditando a direção que a empresa tomaria e os filmes sombrios, com personagens amargurados e cheios de buracos nos roteiros ficaram para trás. Apesar de pegar o gancho deixado por Batman V. Superman, Liga da Justiça leva a história (e nossos heróis) para outro patamar.

Não sabemos o quanto a entrada de Joss Whedon, que sequer foi creditado, alterou a produção, até porque Zack Snyder já havia começado o processo que trouxe as cores de volta para o universo. Sim, temos muitas piadas, principalmente com o Flash, que serve como personagem orelha, introduzindo os recém-chegados neste universo de maravilhas.

Na verdade, por mais que o efeito da força de aceleração seja lindo e empolgante, ele acaba tendo mais tempo de tela do que deveria. Não que isso tire o protagonismo (ou as piadas) dos outros personagens, que também tiveram seus momentos ou nos entregue uma história rasa, permeada por humor escolar.

A caracterização é excelente. O Batman de Ben Affleck (uma das melhores versões do personagem) serve como fio condutor da história, A Mulher Maravilha de Gal Gadot é o coração do grupo e Jason Momoa volta a um arquétipo que conhece bem, dessa vez em versão aquática, e Ray Fisher interpreta um Ciborgue apagado que combina bem com um herói trágico em começo de carreira. Destaque para o moletom com capuz, roupa usada pelo personagem em suas primeiras aparições nos quadrinhos.

Temos belas cenas de ação, valorizada pela já clássica câmera lenta Snyderiana. Aliás, as Amazonas fetiche criadas para este filme e cenas com ângulos mais marotos podem irritar algumas fãs.

O CGI do Lobo da Estepe (que ficou parecendo uma estátua de gesso animada) e do Ciborgue deixaram a desejar e as Caixas Maternas não foram muito bem explicadas ou foram simplificadas ao extremo, mas ver um Tubo de Explosão, ouvir citações a “Darkseid” e “Novos Deuses”, criações do falecido Jack Kirby, sabendo que com os avanços da tecnologia dá pra fazer histórias críveis destes personagens.

O filme honra suas raízes e homenageia quase tudo que já foi feito com os personagens nos cinemas até então. Danny Elfman rearranjou o tema do Batman de 1989, homenageou o Superman de 1978 e ainda embutiu os temas das duas séries do Flash e parte do dos Vingadores.

Logo nos primeiros minutos a trilha nos presenteia com uma versão de Everybody Knows onde a voz sombria da cantora Sigrid nos lembra que o mundo ainda está de luto pela perda de seu maior herói, o que abre espaço para o ressurgimento do Lobo da Estepe, vilão que em sua primeira aparição só foi contido após uma união de todos os povos da terra.

Quando finalmente ouvimos a suingada Come Together de Gary Clark Jr e Junkie XL, nos damos conta de que acabamos de assistir um soft reboot. A Warner abandonou o tom grim and gritty de seus filmes e abriu espaço para histórias mais leves e aventurescas. Sem essa mudança seria impossível imaginar que este universo fosse o mesmo das vindouras aventuras de Shazam e Batgirl.

Para colocar a cereja no bolo, no final, o filme nos faz pensar em várias continuações, principalmente ao vermos uma cena pós-créditos inspirada num arco de histórias escrito nos anos 90 por Grant Morrison.

Se você tinha dúvidas sobre este filme, acredite, ele vale seu dinheiro. Se em 1978 a Warner nos fez acreditar que um homem voava, 2017 foi o ano em que ela nos lembrou que as lendas existem.

Liga da Justiça
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon e Zack Snyder
Direção de fotografia: Fabian Wagner
Trilha sonora: Danny Elfman
Elenco: Gal Gadot, Ben Affleck, Ezra Miller, Ray Fisher, Henry Cavill, Jason Momoa, Connie Nielsen, Amy Adams, Amber Heard, Diane Lane, Kiersey Clemons, J.K. Simmons, Ciarán Hinds, Jeremy Irons, Jesse Eisenberg
Produção: Warner Bros. Pictures, DC Comics
Distribuição nacional: Warner Bros

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/11/liga-da-justica.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/11/liga-da-justica-150x150.jpgAlexandre DassumpcaocinemaNós assistimosAmber Heard,Amy Adams,Ben Affleck,Chris Terrio,Ciarán Hinds,Connie Nielsen,Danny Elfman,Diane Lane,Ezra Miller,Fabian Wagner,Gal Gadot,Henry Cavill,J.K. Simmons,Jason Momoa,Jeremy Irons,Jesse Eisenberg,Joss Whedon,Kiersey Clemons,Liga da Justiça,Ray Fisher,Zack SnyderDiferente da Marvel, que precisou nos acostumar aos seus personagens, a DC é dona de ícones atemporais da cultura POP como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha. Desde o primeiro filme de Superman, ainda em 1978, quando descobrimos que um homem poderia voar, nos perguntamos: “E os sete grandes”? Quase...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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