Em 2012, o diretor Jordan Vogt-Roberts entrou na floresta para filmar um pequeno filme independente. Os Reis do Verão contava a história sobre um grupo de crianças armadas com nada mais do que uma curiosidade sem fim e as ilimitadas possibilidades da infância. Longe, finalmente, dos adultos que os desprezavam, construíram uma casa na árvore, nadaram em lagos, exploraram seu novo mundo e planejaram se esconder nele para sempre. Eles não precisavam de monstros e caos. Eles poderiam apenas sonhar.

Três anos mais tarde, Vogt-Roberts voltaria a explorar o mundo selvagem mais uma vez, desta vez com aproximadamente $ 185 milhões a mais em seus bolsos, alguns dos maiores atores do mundo ao seu lado e todos os recursos que ele poderia precisar para realizar suas fantasias mais selvagens.

Curiosamente, nenhuma das mais modernas técnicas de efeitos especiais, nenhum desses atores incríveis, intocados pelo grão e a sujeira de uma selva hostil, nem mesmo a visão deslumbrante de um macaco do tamanho de um edifício pode criar a mesma sensação de temor que aquelas crianças evocaram com apenas pura vontade e ilimitada imaginação.

Se não fossem os filmes clássicos que ele está puxando como ‘Platoon’ e obviamente, ‘Apocalypse Now’, Kong, que se passa durante os últimos momentos da Guerra do Vietnã, poderia facilmente ser confundido com um mais bonito, mais cine-letrado Transformers, obcecado em trazer um pouco mais do que a visão vazia de assistir grandes criaturas lutarem, enquanto seres humanos irritantemente ficam no caminho.

Mas entre toda essa ação monstruosa, que eventualmente vamos enfrentar, algo que deve ser suficiente para a maioria, há a tarefa inconveniente de povoar a história com pessoas reais. Aqui, eles fizeram a decisão completamente mal calculada de ir com a quantidade sobre a qualidade.

Em qualquer ponto deste filme, há pelo menos uma dúzia de personagens centrais, uma grande maioria dos quais estão lá apenas para garantir que Kong e os demais habitantes monstruosos da Ilha da Caveira tomem café da manhã a cada duas horas.

E depois temos Tom Hiddleston, que interpreta um tipo Bear Grylls chamado Conrad porque, você sabe, seu coração está cheio de escuridão. Ele é contratado pelo cientista misterioso de John Goodman, que reúne uma série de personagens para ajudá-lo a explorar a lendária Ilha da Caveira, como o guia de sobrevivência da expedição.

Formado por militares, o grupo é conduzido pelo tenente vivido por Samuel L Jackson, vários cientistas dispensáveis, John C Reilly (preso na ilha desde a Segunda Guerra Mundial e talvez o único que tem realmente algum tipo de divertimento), uma fotógrafa (desperdício de interpretação da parte da Brie Larson), e o obrigatório ator chinês, no caso a atriz Tian Jing.

Kong é o segundo filme da série ‘MonsterVerse’ que começou com Godzilla em 2014, que é um filme muito melhor do que a maioria dá crédito. É, em poucas palavras, tudo o que este não é: visionário, elegante, totalmente consistente e surpreendentemente filosófico. Novas espécies são descobertas todos os dias em nosso planeta, que é uma ideia assombrosamente humilhante.

Godzilla era inteligente o suficiente para explorar este tema. A humanidade passou uma eternidade se enganando em acreditar que está no topo da cadeia alimentar. Para um planeta que ainda não foi totalmente explorado, ainda que todos os seus mistérios tenham sido resolvidos, é tolice pensar o contrário.

Infelizmente, Kong é principalmente um espetáculo vazio. É lindo, não me interpretem mal, DP Larry Fong, mesmo tendo usado muito do visual de Vittorio Storaro em Apocalypse Now, até as matizes esfumaçadas, mas ainda assim seus visuais são de longe a melhor coisa sobre este filme. Especialmente nas sequências de ação, que são inegavelmente impressionantes.

Mas com o que apenas se qualifica como desenvolvimento de caráter para Kong, que deveria ter sido idealmente o número um na lista de personagens que precisavam ser transformados, o filme o faz parecer pouco mais do que uma besta temperamental que é usada demais a ponto de ser blasé.

Sua insistência em usar ele em praticamente todos os momentos cruciais do filme o rouba completamente de toda a majestade. Se os humanos tivessem sido mais interessantes, seus diálogos terríveis teriam dado conta do recado, mas não são.

Godzilla, por sua vez, é o exemplo de como retratar corretamente monstros nesses filmes. A ideia deve ser sempre usá-los com moderação, para lidar com a lenda, para criar suspense, e não usar o tempo todo e não dar profundidade aos outros personagens.
Este é o King Kong! Deveria ter rugido, deveria ter sido maravilhoso, imponente, impressionantemente maior do que tudo e ser de fato, um rei.

Eu nunca pensei que eu diria isso, mas se a subtrama romântica do filme de 2005 dirigido por Peter Jackson fosse removida do roteiro, seria um filme melhor do que Kong: A Ilha da Caveira.

Trailer:

Kong: A Ilha da Caveira
Direção: Jordan Vogt-Roberts
Roteiro: Max Borenstein, John Gatins e Dan Gilroy
Trilha Sonora: Henry Jackman
Fotografia: Larry Fong
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, Jason Mitchell, Corey Hawkins, Toby Kebbell, Tom Wilkinson, Thomas Mann, Terry Notary, John Goodman, John C. Reilly
Duração: 118 minutos
Produtoras: Legendary Pictures, Tencent Pictures
Distribuição nacional: Warner Bros. Pictures

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