Tal qual uma banda de abertura antes da atração principal (e, no caso, a atração principal trata-se do terceiro longa-metragem do Homem de Ferro), um novo longa de animação da Marvel dá as caras mostrando uma visão um tanto peculiar. Trata-se de Homem de Ferro: A Batalha Contra Ezekiel Stane.

A grande diferença está na ambientação com estilo dos animes, os desenhos animados japoneses. Não se trata, no entanto, em se mostrar uma “versão anime” de personagens da Marvel. Muitos personagens estão ali como, hoje, o grande público conhece: Homem de Ferro, Máquina de Combate, Pepper Potts, Nick Fury, Gavião Arqueiro, Viúva Negra… todos eles com abordagem mais ocidental do que oriental. Isso não tira o fato evidente de que o traço da animação já tem o jeitão dos desenhos japoneses.

Muitos reconhecerão o estilo oriental no que se refere ao ritmo dessa animação. Mesmo recheada de sequências de ação (por vezes excessivamente vertiginosas), a história tem seus momentos, digamos, contemplativos. Batalhas nas quais os oponentes se atacam em longas sequências em câmera lenta, monólogos filosóficos do vilão, ambientação de impacto com uma opressiva inexistência de trilha sonora (bem avessa às produções cinematográficas – mesmo de animação – americanas). Todos esses detalhes do gênero estão ali, incomodando quem não curte e agradando quem acompanha. Isso também é visto no que tange a tecnologia mostrada.

A ameaça já revelada no título nacional, Ezekiel, é praticamente um garoto psicopata e perturbado que se destaca como vilão da produção. Não é exclusividade da animação, pois Ezekiel (ou Zeke) já deu as caras nos quadrinhos, chegando a ser muito mais sanguinário do que sua versão animada. Filho de Obadiah Stane (sim, o principal vilão do primeiro filme do Homem de Ferro, que também surgiu nos quadrinhos), tem como desculpa vingar a morte do pai, ao qual culpa Tony Stark pelo feito.

Não se trata, no entanto, de amor a suas raízes, mas apenas pano de fundo para que ele demonstre seu lado sádico totalmente desprovido de sentimentos. Aliás, Ezekiel parece viver sua própria realidade, não respeitando o mundo a sua volta. Esse desprezo é tão destacado que parece se estender até mesmo ao espectador (ou a paciência deste).

A aventura mostra a reação de Tony Stark quando Ezekiel decide atacá-lo, levando-o a um estado de desespero diante de alguém que pode ter conhecimento tecnológico maior do que ele. De fato, a armadura usada pelo vilão é uma espécie de mistura de biologia e tecnologia que está além de apenas tecnologia empregada por seu rival.

Diante de uma ameaça que o supera, Homem de Ferro é obrigado até mesmo a desafiar seus amigos da SHIELD, que tentam fazer com que ele não piore ainda mais a situação. Nesse ponto, a história toma boa parte de seu enredo dedicado a perseguir Stark como se ele fosse um contraventor da lei. Para capturar Stark, Nick Fury recruta outras duas estrelas do Universo Marvel: Gavião Arqueiro e Viúva Negra, em suas versões mais cinematográficas (e que se tornaram oficiais nos quadrinhos atuais).

Mas a presença que mais destoa do universo tecnológico e de espionagem do Homem de Ferro sem dúvida nenhuma é o Justiceiro. Nem mesmo nos quadrinhos é comum juntar esses dois personagens, simplesmente pelo fato de suas ambientações serem tão diferentes. Não que isso não fosse possível, mas é claramente diferenciado do contexto. No entanto, acaba sendo a participação mais divertida de toda a história, o que se mostra intencional devido ao destaque para o dublador (no original) pelo ator Norman Reedus, o Daryl da série Walking Dead.

Apesar do visual da produção tornar o Justiceiro aparentemente mais novo do que os leitores de quadrinhos estão acostumados, boa parte de seu cinismo está ali, o que faz combinar perfeitamente com a ironia de um Tony Stark, ainda que esta versão do milionário inventor não seja exatamente tão carismática quanto suas versões mais conhecidas.

Com reviravoltas estranhas durante toda a história (descambando até mesmo para algo que lembre a produção japonesa Akira), vale como item de colecionador e fã incondicional do Homem de Ferro, pela curiosidade em ver um anime da Marvel, algo que já foi feito com outros personagens pela mesma produtora responsável por este, a Mad House. Ou como “sala de espera” antes do filme, propriamente dito.

Homem de Ferro – A Batalha Contra Ezekiel Stane
Sony Pictures – Marvel
Direção: Hiroshi Hamasaki
Roteiro: Brandon Auman
90 min.
R$ 39,90

Marcos DarkcinemaNós assistimosA Batalha Contra Ezekiel Stane,Brandon Auman,Hiroshi Hamasaki,Homem de Ferro,Marvel,Sony PicturesTal qual uma banda de abertura antes da atração principal (e, no caso, a atração principal trata-se do terceiro longa-metragem do Homem de Ferro), um novo longa de animação da Marvel dá as caras mostrando uma visão um tanto peculiar. Trata-se de Homem de Ferro: A Batalha Contra Ezekiel...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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