Posts da Categoria ‘hq que acontece’

Gênesis por Robert Crumb

Por Guilherme Kroll | 1 setembro de 2010

Recentemente Robert Crumb esteve no Brasil, na festa literária FLIP, em Paraty. No evento, ao lado de Gilbert Sheldon, o autor divulgava sua versão em quadrinhos de Gênesis, isso mesmo, o primeiro livro as Bíblia.

Lançado no Brasil pela Conrad em 2009, o álbum fez barulho exatamente por ser o amoral Crumb interpretando a Bíblia. Mas o quadrinhista, ícone da contracultura americana de quadrinhos underground desde os anos 60, não vai além do texto original ao transpô-lo para os quadrinhos. É o livro bíblico que vemos em narrativa gráfica, ipsis literis (uma tradução para o inglês de Robert Alter).

Ou seja, em Gênesis, Crumb perde uma de suas principais características que é a sua visão crítica e escrachada do mundo. Tal qual um artista plástico que faz retratos, Crumb foi pago para simplesmente para reproduzir algo e o fez. Com a maestria que só ele seria capaz de fazer, é verdade, mas ainda assim uma simples reprodução.

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Tarzan, de Joe Kubert

Por Guilherme Kroll | 28 julho de 2010

No começo do século XX o personagem Tarzan, do Edgar Ricer Burroughs, era bastante popular, assim como os quadrinhos publicados em tablóides. Não demorou para que se juntassem os dois, na arte do magnífico Hal Foster. Seu Tarzan é uma verdadeira obra prima e abriu caminho para que Foster publicasse sua maior criação: O Príncipe Valente.

Só que ao se dedicar ao seu personagem, Tarzan ficou renegado a autores de menor brilho, saltando de editoras para editoras até que em 1972 o editor da DC Comics, Carmine Infantino colocou o ótimo Joe Kubert à frente do personagem, o que resgatou a sua grandeza.

Muito tempo depois, a Dark Horse republicou as HQs de Kubert em encadernados. O primeiro deles é esse que a Devir colocou no mercado brasileiro: Tarzan – a origem do homem-macaco e outras histórias.

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Dez na área, um na banheira e ninguém no gol

Por Guilherme Kroll | 23 junho de 2010

Assinado por Allan Sieber, Caco Galhardo, Custódio, Fábio Moon e Gabriel Ba, Fábio Zimbres, Lelis, Leonardo, Maringoni, Osvaldo Pavanelli e Emílio Damiani, Samuel Casal e Spacca, Dez na área, um na banheira e ninguém no gol foi lançado pela editora Via Lettera às vésperas da copa do muno de 2002, e chamava atenção por ser divertido e trazer boas histórias.

O time era basicamente o mesmo que integrava edições da revista Front e trazia cartunistas renomados mesclados com jovens talentos na época. Hoje a maioria deles já tem um nome estabelecido no mercado.

As HQs brincavam com futebol, sendo muitas fazendo graça da inépcia dos quadrinhistas com a bola. Se fosse só isso, o álbum teria ficado na memória como uma boa antologia em quadrinhos sobre futebol.

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Policarpo em HQ

Por Camila Alam | 12 fevereiro de 2010

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Dando continuidade a série Grandes Clássicos em Graphic Novel, a editora Desiderata lança O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, com roteiro de Flávio Braga e desenhos de Edgar Basques.

Este cartunista gaúcho, acostumado com humor, ambienta com precisão o Brasil do século XIX em quadros aquarelados. São bem cuidadas as paisagens cariocas em tons pastéis e a indumentária é detalhada.

O roteiro de Braga se prende aos fatos principais do livro e extrai humor de cenas variadas, como quando o anti-herói se põe a chorar ao cumprimentar alguns visitantes, pois “é assim que fazem os tupinambás”.

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É tudo mais ou menos verdade

Por Camila Alam | 2 dezembro de 2009

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Nova compilação de Allan Sieber traz narrativas inspiradas na vida real

Para grandes cartunistas, a verdade é mais interessante que a ficção. Se aproveitada de maneira correta, a narrativa de um fato banal pode tornar-se interessante, engraçada, à maneira de Robert Crumb e Harvey Pekar. Inspirado por esses, e outros, o gaúcho Allan Sieber olha em volta em busca de observações cotidianas que o fazem refletir sobre uma boa história.

Sarcástico e inteligente, o humor de Sieber zomba conosco, aproveita as brechas sujas e incoerentes da sociedade para nos fazer rir. É, acima de tudo, atento a detalhes, às piadas prontas. Em seu novo livro, É tudo mais ou menos verdade, reúne histórias mais longas que as usuais tiras, algumas inéditas outras encomendadas e publicadas por diversos veículos. “Os pequenos detalhes bobos, quando contados de maneira interessante, se tornam interessante”, disse em conversa por telefone.

“Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional de Allan Sieber” é o subtítulo que entrega ao leitor o tom das narrativas. Mais como um observador, o cartunista vai cobrir eventos como o Fashion Rio, onde observa o backstage de desfiles, penetra em festas fashionistas e conta piadas que ninguém entende.

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Adaptações valem a pena?

Por Camila Alam | 25 novembro de 2009

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Eu tenho um pouco de pé atrás com adaptações de grandes romances para quadrinhos, principalmente quando são feitas voltadas para escolas, de maneira extremamente didática. Sei que muitos estudantes têm preguiça de ler os grandes clássicos. Eu mesma era uma dessas alunas e só li muitos romances depois de ter passado a adolescência.

A lista de adaptações é gigante e engloba bastante a literatura brasileira, aquela mais adotada pelas escolas. Editoras como a Escala Educacional ou Ática já possuem dezenas de títulos. Esta última acaba de lançar O Alienista, de Machado de Assis, O cortiço, de Aluísio Azevedo e O Guarani, de José de Alencar (R$ 22,90).

Muitas vezes, estas adaptações ao invés de funcionarem como complemento ao material didático, acabam por tomar o lugar do romance nas salas de aula. Será esta a maneira correta de utilizar os quadrinhos na escola?

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Tocaia

Por Camila Alam | 19 novembro de 2009

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Apaixonado por aviação e observador da vida na cidade, o jornalista e quadrinista Gilberto Maringoni mistura temáticas em Tocaia, lançamento que reúne quatorze histórias produzidas entre 1989 e 2002.

Bem humoradas ou aventureiras, as histórias de Maringoni são cheias de personagens curiosos, com diferentes estilos e trajetórias de vida. às vezes, faz de si mesmo o protagonista de suas histórias.

No conto que dá nome ao livro, um matador de aluguel espera o momento de entrar em ação, enquanto conversa com o leitor. Prepara-se para o ataque, em um quarto de hotel. Segue para o local combinado, sem sucesso.

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Balaiada

Por Camila Alam | 28 julho de 2009

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Histórias de um Brasil longínquo, normalmente reservadas aos livros escolares, tem sido inspiradoras para a criação de bons exemplares de histórias em quadrinhos.

Exemplos recentes são os álbuns Os brasileiros, de André Toral, que narra em pequenas histórias a saga indígena no Brasil colonial, ou O Cabeleira, de Leandro Assis e Hiroshi Maeda, biografia do personagem homônimo, um dos primeiros bandoleiros nordestinos, temido anos antes de Lampião.

São, em sua maioria, narrativas inspiradas em fatos verídicos que, ao serem transportadas ao universo dos quadrinhos, ganham aura de aventura e tornam-se atrativas mesmo a leitores pouco familiarizados com o estilo.

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A Cabeça é a Ilha

Por Camila Alam | 20 julho de 2009

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O ditado diz que é melhor rir do que chorar. E diz também que é mais fácil rir da desgraça alheia do que da nossa própria. No dos outros é refresco, lembram? Mas quem zomba do próximo, precisa primeiro saber zombar de si mesmo.  E isso é uma coisa que o carioca André Dahmer faz como ninguém.

Criador dos Malvados, série de tirinhas que ganhou fama na internet, e autoridade em humor negro, Dahmer expande o olhar sobre o sofrimento humano. Cria personagens cínicos, sarcásticos ou cruéis, que sofrem e se martirizam, por amor ou diversão. Entretanto, ao nos dar a contemplação patética da dor, cria também motivos para rir dela. E de nós mesmos. Porque, oras, todos sofremos.

Em seu último livro, A Cabeça é a Ilha (Ed. Desiderata, 152 págs, R$ 34,90) Dahmer reúne 238 tirinhas, uma compilação dos últimos dois anos de trabalho. Entre as séries estão algumas das preferidas de seu público, como Ulisses, Sara, A Sofrida, e Mini-Dahmer.

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Copacabana

Por Camila Alam | 3 julho de 2009

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“Copacabana é aquele bilhete que você, totalmente de ressaca, encontra no bolso da calça de manhã. O bilhete da garota com quem você trombou ontem numa festa. E você sabe que ela é encrenca (…)”.

Com estas palavras Mário Bortolotto apresenta o álbum Copacabana (Ed. Desiderata, R$40, 200 págs), desenhado por Odyr e roteirizado por Lobo, ambos remanescentes da revista Mosh. No livro, o submundo do famoso bairro carioca é tratado com sinceridade. Prostituição, drogas e crimes dão o tom da narrativa, apresentada em imagens em preto e branco, tão borradas e agitadas como as próprias personagens.

No enredo, a prostituta Diana é conhecida no calçadão do bairro. Usa o xaveco de sempre pra conseguir clientes. E diz pra mãe que é enfermeira. Labuta diária e forte, que se torna ainda mais dura quando ela se envolve, não diretamente, no assassinato de um gringo cheio da grana. Mas, no meio da confusão, ainda sobra tempo pro amor. Como ela consegue?

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