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	<title>Impulso HQ &#187; do fundo da estante</title>
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		<title>Do fundo da estante: Ás Inimigo – Um Poema de Guerra</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 10:51:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[do fundo da estante]]></category>
		<category><![CDATA[Ás Inimigo]]></category>
		<category><![CDATA[George Pratt]]></category>
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		<category><![CDATA[Hans Von Hammer]]></category>

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Um poema de Guerra (ou aquela recontagem daquele personagem daquele autor, sabe?).
Sabe aquele gibi que você tem, mas que não sabe quando foi lançado, quem comprou ou porque aquilo está na sua estante? Aquela que você namora anos antes de ler, e quando lê, não entende nada? Sabe aquela que você lê novamente quando adulto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17159" title="as_inimigo_01" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_01.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Um poema de Guerra (ou aquela recontagem daquele personagem daquele autor, sabe?).</p>
<p>Sabe aquele gibi que você tem, mas que não sabe quando foi lançado, quem comprou ou porque aquilo está na sua estante? Aquela que você namora anos antes de ler, e quando lê, não entende nada? Sabe aquela que você lê novamente quando adulto e não entende como nunca leu aquilo antes? Bem, assim foi para mim Ás Inimigo – Um Poema de Guerra.</p>
<p>Vamos começar do começo, sim? Eu não fazia idéia quem era aquele velhinho, não fazia idéia de quem era o Barão Vermelho (Não, não o do Cazuza) e nem entendia muito da primeira guerra quando li pela primeira vez isso aí. Devia ter por volta de doze ou treze anos, algo assim e simplesmente não gostei.</p>
<p>“Qual a graça? Tem um velhinho que fica falando, desenhos super confusos e um cara chatinho que é repórter mas não é repórter, e o que significa ‘ás inimigo’? Os caras publicam um gibi com erro de concordância! Prefiro o Aranha Escarlate”.</p>
<p><span id="more-17158"></span><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17160" title="as_inimigo_05" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_05.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>É, eu sei, é triste. Então depois disso o encadernado ficou lá, em casa, indo para lá e para cá, sem ninguém dar atenção. Guardado, amarelando.</p>
<p>Quando eu servi a pátria amada e estudei estratégias de combate antiaéreo e essa coisa toda, eu lembrei que tinha um gibi em casa que falava de um lance assim. Procurei no armário todo, e só encontrei porque o botão fazia um volume diferenciado (Aqui abro um parênteses para dar o braço a torcer para a Abril: a encadernação é linda, com papel de alta qualidade e vem com uma capa de plástico que tem um fecho com um botão, estilo uma capa de chuva. Acho que foi a encadernação mais competente que já vi na Abril).</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_07.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17161" title="as_inimigo_07" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_07.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>Aí o lance caiu feito pedra na barriga. Começou que quando eu peguei ele na mão eu entendi: Mula! É sobre um Ás, e ele é do exército Inimigo. Como você é burro! (É sério, me recordo desse pensamento ser exatamente assim. Deu para ouvir a ficha caindo). Aí eu fui passear pelas páginas daquele gibi tão bem encadernado. E George Pratt me ensinou um pouco mais sobre o que era ser um homem.</p>
<p>Cara, como foi incrível ler tudo aquilo. Eu tava de farda ainda, e li devagar, olhando os painéis, as cores usadas, o triplano, o sangue, a cena na trincheira eu demorei um tempão para seguir em frente. As pequenas citações, as aberturas de capítulos (provavelmente a segunda capa das edições originais) tudo aquilo fazia com que se expandisse a obra em níveis que não conhecia, nem em gibi nem em mim.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17162" title="as_inimigo_02" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_02.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Eu não sabia nada sobre Hans Von Hammer, não conhecia suas histórias originais, não conhecia o Barão Vermelho, e sabia só o que se aprende no colégio sobre a Primeira Guerra. E ainda sim aquilo calava fundo, ainda sim eu sabia que mesmo sem pisar num front oficial, com trincheiras e gás, eu iria travar a minha guerra, e eu tive ali a total noção de que apesar de ser menos feia de que a deles, a minha não seria menos brutal. Essa é claro a metáfora óbvia da obra, que todos temos as nossas guerras para travar, e que elas mudam a gente, e que uma vez que se pisou no front de batalha tudo o que se pode fazer e lutar com todas as nossas forçar, torcer para que nossos companheiros de batalhas não nos abandonem e que voltemos um dia para casa.</p>
<p>Acho que o niilismo de saber que mesmo que se ganhe, se perde, encerra a velha questão que é crescer, que é olhar para fora das suas própria trincheira e saber que mesmo que nunca venha o tiro, o gás ou as bombas fatais, só de estar ali não seremos mais os mesmos. Nem deveríamos ser.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17163" title="as_inimigo_04" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_04.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Moonshadow é mais bonitinho, e sua estrada para o despertar é mais lírica em um sentido mais romantico, devo admitir, mas Um Poema de Guerra funciona mais como um tapa na cara, muito mais próximo de como meu sargento tentava nos fazer amadurecer a fórceps e acho que isso talvez tenha falado mais diretamente comigo na época. A cena que Von Hammer conta que ainda vê, nas sombras, os inimigos tombados em batalha, descreve seus olhares e suas falas e conclui que não foram eles que perderam a guerra é absolutamente avassaladora.</p>
<p>Permanecer vivo e olhar por sobre os fossos com arames farpados e ver nada a não ser desolação, perder irmãos dos dois lados e ter de permanecer em pé, ter de permanecer lutando, ter de permanecer vivendo simplesmente por que a alternativa é ainda pior, bem, ainda estou para ver uma metáfora em quadrinhos tão forte para crescer, para amadurecer, para viver a guerra e tentar sobreviver do que essa. Sério, se tiver por aí, me mostrem.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_06.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17164" title="as_inimigo_06" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/01/as_inimigo_06.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a><br />
Ele me lembrou muito o seriado do Indiana Jones (alguém lembra disso?) no seu formato, esse recurso de pegar o personagem já velho, olhar como ele envelheceu, o que se tornou e ficar voltando para suas histórias de glória, mesclando seus pensamentos, trazendo um olhar maduro para reavaliar tudo. E o jovem soldado ali, tentando descobrir a chave da sobrevivência do outro, da sanidade do outro, isso é a melhor metáfora sobre humildade, sobre impotência, sobre limitação que há! Mesmo sobrevivendo à sua guerra pessoal há quem tenha feito antes e melhor!</p>
<p>As guerras são iguais, mas cada um luta a sua!</p>
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		<title>Do fundo da estante: O Reino do Amanhã</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 10:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[do fundo da estante]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Ross]]></category>
		<category><![CDATA[DC Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Marc Waid]]></category>
		<category><![CDATA[Reino do Amanhã]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu gosto muito de gibi de super herói. Desde criança e aparentemente gostarei sempre. Acho que é o lance de mais mitológico que eu sempre gostei. Certas liberdades que se tem quando se trabalha num mundo em que vestir um homem de colant, capa e cueca por cima da calça são muito grandes, as barreiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16821" title="reino_amanha_1" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_1.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>Eu gosto muito de gibi de super herói. Desde criança e aparentemente gostarei sempre. Acho que é o lance de mais mitológico que eu sempre gostei. Certas liberdades que se tem quando se trabalha num mundo em que vestir um homem de colant, capa e cueca por cima da calça são muito grandes, as barreiras se tornam muito elásticas. E olha que eu nem acho o Super-homem um grande personagem.</p>
<p>Mas aí meu velho comprou o Reino do Amanhã, e que coisa fantástica! Comecemos do começo: Que trabalho animal do Marc Waid e do Alex Ross. Um maravilhoso trampo mesmo. Na época eu nem entendi o lance direito, eram os anos 90 e eu estava completamente absorvido por todo aquele esquema dos gibis da época. Foi relendo, já com um pouco mais de senso que foi em caindo a ficha.</p>
<p>Comecemos com a riqueza de pesquisa do Marc Waid: De cara a gente tem Wesley Dodds, o PRIMEIRO Sandman, tendo visões de um apocalipse, mostrando uma guerra que irá devastar o mundo. Uma guerra de deuses, de anjos e de demônios, uma guerra que irá consumir o mundo em fogo. Enfim, o fim do mundo.</p>
<p><span id="more-16820"></span></p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16822" title="reino_amanha_3" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_3.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>Então somos convidados, através dos olhos de um pastor, a entrar nesse universo e nele caminhar, não voar, nem se dependurar em uma corda de seda, apenas caminhar entre os deuses. Nós somos ele, e ele nos representa ali. E acho que aqui a história faz a sua maior e mais bela sacada: Como mostrar o que os super-heróis podem representar? Mostrando exatamente isso: O que os supers podem significar na vida de uma pessoa comum!</p>
<p>É interessante lembrar que isso é dos anos 90, uma época em que todo mundo usa trabucos gigantes, mata a torto e a direito, ou seja: A droga de Era de Silicone (não sei se esse nome é oficial, mas sempre gostei do termo). Dentro daquele contexto, equipes de super-heróis coisas como o Youngblood e o Gen 13 eram considerados legais, e Batman, Super, Mulher maravilha e etc, coisas sem graça e ultrapassadas.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_6.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16823" title="reino_amanha_6" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_6.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a></p>
<p>Aí o Mar Waid parou, pensou e falou: Mas espere! Justiça, liberdade, igualdade e beleza estão ultrapassadas? Diversão, fantasia e bom humor estão FORA DE MODA? A gente tem que ser Dark para ser bom? ROB LIEFELD É UM GÊNIO DA RAÇA? Não, não, isso ta tudo errado, tem que estar. Chama aquele menino que curte fazer fotonovela, e vamos começar isso de novo.</p>
<p>Todo o lance da HQ é que aquilo é pura mitologia, e que é para isso que ela serve. O Super só é super se ele for capaz de mostrar que todos podem ser super. Os heróis da DC sempre serão coisas a se almejar ser, modelos mesmo. O Kal L, desde os anos 70, é o cara que sabe o que é bondade; o Bruce o que é vontade; a Diana o que é a força (para ficar apenas na santíssima trindade). Como diria o Emicida: Se o general fraquejar, o soldado vai ser o que? É simples assim. O Super tem que ser algo além, esse é a droga do NOME dele! O Batman não pode ser um assistente social, ele é o vingador! A Mulher Maravilha não é uma gostosa de tanga, ela é A amazona, ela é quase uma Deusa caminhando sobre a Terra.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16824" title="reino_amanha_4" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_4.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>Uma pausa para o contexto da história em si: Imagina que os heróis clássicos da era de ouro se sentiram, e com razão, inadequados no mundo dos super poderosos dos anos 90, então cada um deles ou se modificou, ou desencanou, ou se transformou: O Aquaman assume que era uma merda como super herói e vira Rei de TODOS os Oceanos da Terra, ou seja, manda em 70% do planeta.</p>
<p>Alan Scot monta uma cidade orbital, a Nova Oa, uma estação policial imensa, Batman está aleijado (anos 90, lembra?) e vigia Gotham como uma sombra comandando uma força de robos; O Flash entrou tanto dentro do Força de Velocidade que simplesmente não pode mais parar, e vigia a cidade de maneira onipresente (E se há mais de uma dimensão no mesmo espaço físico, é obvio que ele está em todas) é a extrapolação máxima da sua super velocidade; Diana fracassou em trazer a harmonia Amazônica para a terra dos homens (obviamente), então sobrou só a guerreira implacável.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_9.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16826" title="reino_amanha_9" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_9.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Esse é o contexto! Um bando de semi-heróis se capotam nas ruas enquanto os clássicos praticamente desapareceram.</p>
<p>É a partir disso que Waid parte para nos contar o próprio apocalipse! E como ele começa? Na pancadaria de uns caras? Quando o Magog (Quem!?) e sua trupe explode o Kansas? Quando morre o Sandman original? Não meu filho, começa como começará para os Cristãos: Como a segunda vinda do messias! É, chega uma hora que o Super se enche os picuá e resolve parar a palhaçada.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16831" title="reino_amanha_2" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_2.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>Aí a treta começa de verdade, e sabe por quê? Porque a volta dele é exatamente como está descrita no Apocalipse de João: Não mais como um cordeiro, pregando o perdão, mas como um general liderando um exército, marchando para a Guerra. Aqui reside uma ironia linda dessa história: Para quem conhece a teologia cristã, sabe que o anticristo não é um gótico cheio de maquiagem, mas um grande líder que se levantará, juntará um exército e prometerá paz, mas só trará guerra. E quem que faz isso? O SUPER! Ele tenta, claramente, a paz; mas a cada decisão fica mais clara que ele caminha para a guerra. E a guerra vem, e é implacável!</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16827" title="reino_amanha_5" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_5.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a></p>
<p>E quem é o Redentor? O General da Paz? Vocês querem mesmo saber? É o Batman. Desde o primeiro momento que ele aparece, Bruce está pronta pra guerra, em nenhum momento ele promete a paz, em nenhum momento ele promete nada. É a própria voz dos anos 90, niilista até o talo, em nenhum momento Kal El é uma inspiração, mas sim um problema a ser resolvido. E Bruce, muito mais inteligente, político e capaz que o Clark, consegue costurar tudo e põe tudo para PARAR o doido de azul com o S no peito!</p>
<p>Mas espere! Estou falando de uma guerra, de um monte de gente em colantes se capotando uns aos outros, e qual a diferença disso para o que a Image Comics faz? A diferença, meu amigo, é roteiro. Sim, porque aqui as lutas são acontecem quando são necessárias para a história, quando se justifica pelo roteiro. E não para mostrar um monte de gente em pouca roupa para excitar moleques de 13 anos.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16828" title="reino_amanha_7" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/12/reino_amanha_7.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a></p>
<p>O SUPER poderia capotar todo mundo? Bem, em teoria sim, mas e aí? Cadê a história, cadê a graça? É necessário tentar, levar a situações em que o homem mais poderoso da terra fique impotente, inseguro. É necessário por dois grandes amigos juntos, mas separados. Enfim, Reino do Amanhã tem história, o que é mais que se pode dizer da Image Comics.</p>
<p>Não vou me estender mais, não tem porque! A batalha, os meandros, as referências, o destino de alguns Heróis (Ajax, Capitão Marvel, Besouro Azul, Arqueiro, Canário, Rorshach [que caso vocês não lembrem, é da DC SIM!], e mais uma porrada deles.) tudo tem que ser lido em primeira mão dentro do Gibi. A narrativa é linda, a arte do Alex Ross é fantástica, como sempre! Acho que para finalizar, acho que a grande pergunta do gibi é: O que é um super-herói?</p>
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		<title>Do fundo da estante: Crise de identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 12:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[do fundo da estante]]></category>
		<category><![CDATA[Batman]]></category>
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Como eu já disse, trabalhei na HQMix Livraria um tempo atrás. Naquela época, entre madrugadas e telefonemas. Tentando juntar uma galera para fazer uma HQ, nos últimos dias de trampo que conheci o Renato, que acabou me chamando para escrever aqui.
Um tempo depois, mesmo já tendo acabado o trampo eu voltei lá. Meio que para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/abertura1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12399" title="abertura" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/abertura1.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Como eu já disse, trabalhei na HQMix Livraria um tempo atrás. Naquela época, entre madrugadas e telefonemas. Tentando juntar uma galera para fazer uma HQ, nos últimos dias de trampo que conheci o Renato, que acabou me chamando para escrever aqui.</p>
<p>Um tempo depois, mesmo já tendo acabado o trampo eu voltei lá. Meio que para fechar, meio que para conversar com o Gual e Dani. Fiquei por lá um tempão. A noite toda eu acho.</p>
<p>Sempre que estou por lá, passo os olhos pelas prateleiras, saboreando o que tem ali.</p>
<p>Muita coisa muito boa e que eu nunca li, nunca vou poder ler. Algumas que eu nem quero ler, outras eu nunca quis. Nem nunca vou querer.</p>
<p>Fã de comics que sou, sempre acabo nessa seção da livraria, sempre olhando mais uma lombada, procurando alguma coisa que eu goste, que me faça querer sentar e ler. Nessas encontrei Maus. E também crise de identidade.</p>
<p>A princípio nada ali parecia ser nada demais. Mais uma historinha da liga. Não gosto da liga. Nunca achei as histórias boas, dignas de nota.</p>
<p>Aí o autor foi lá e tirou a maior chatice de toda história da LJA: Os superpoderes monstruosos que a equipe reúne em seu elenco. Tirou e deixando pouca coisa. No fim a gente tem só a dúvida.</p>
<p>Começa com o Dibny, o homem elástico, um herói de segunda ou quinta categoria (depende da fase) perdendo a esposa. Pronto. Já não era mais a liga que eu conhecia, não era mais os Super Amigos. Trágico, meio preocupante, mas instigante.</p>
<p><span id="more-12398"></span></p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/061.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12400" title="06" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/061.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Daí só piora: Pouco a pouco visualizamos um cenário mais cinza, apesar das cores maravilhosas do desenho. A área cinza vai tomando conta de tudo. O primeiro a sentir o baque é o Flash, mas ninguém escapa.</p>
<p>Outro lance muito bom, muito bom mesmo: O centro da história é o segundo escalão. Em todos os aspectos. O azulão, a amazona e o morcego são coadjuvantes. Detalhes, símbolos potentes, mas de fora do eixo principal.</p>
<p>Então a gente começou com Sue Dibny, né? Um puta baque. Seco e aparentemente desnecessário, No entanto ela nos faz entender uma coisa: A morte existe e vai estar ali, à espreita, toda a história. Nunca esqueçam isso.</p>
<p>Lá pelas tantas, já fazendo um tempo e tanto de leitura, você tá envolvido, várias plots indo e vindo. Batman tá pirando nos assassinatos, você nem pensa nisso, tá tão chocado quanto o Flash com tudo que o Arqueiro Verde falou, com tudo o que tá rolando.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/091.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12401" title="09" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/091.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>E aí, vem do nada, o maior baque de todos: Jack Drake morre. Simples assim? Não, nunca é simples assim.</p>
<p>Pra quem não sabe Jack Drake é o pai biológico de Tim Drake, o Robin III (o melhor de todos!). E quando ele percebe que tem alguém na casa ele faz o que todo mundo faz numa situação dessas: Liga pro filho, ele é um super-herói, diabos.</p>
<p>No entanto, no meio do caminho, ele percebe que as coisas não são tão simples assim. O cara tá lá dentro e o Robin longe. Não vai dar tempo.  Ele faz então o que todo bom pai faz nessas horas: Se despede, diz que ama o Tim, que a culpa não é dele e que o ama e sempre amou muito. Foda né? Foda. E onde o Tim tá?</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/031.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12402" title="03" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/031.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><br />
No Batmóvel, do lado do Morcegão, ouvindo tudo e implorando, berrando com o Batman (Você entendeu certo: Robin dá uma ordem, aos berros e Batman obedece) para voltarem, para ele dar meia volta, para ele ajudar o pai, para Bruce não deixar o pai dele morrer também.</p>
<p>Não dá. Eles não conseguem. Chegam lá, apenas para ver Jack jogado no chão, caído, morto. Ali a gente entende a grandeza daqueles parceiros (O babaca que acabou com os dois naquele &#8220;A sedução do inocente&#8221; não entende NADA de amizade de verdade).</p>
<p>Nenhum deles se importa com identidades, com pose ou com nada: Robin, agora também órfão, chora copiosamente nos ombros de Batman, que mais do que ninguém entende o que ele está passando. A dor de ambos é tangível. Forte e sincera.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/081.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12403" title="08" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/081.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Dois orfãos</em></p>
<p>Toda essa sequência, todos esses eventos nos são mostrados em poucas páginas, mas o texto e a arte são tão fantásticos que isso grudou na minha mente. É com certeza a melhor e mais forte passagem do gibi, de longe! É o que me lembro quando penso nesse gibi. Aquilo doeu em mim. De verdade.</p>
<p>Parei cinco minutos para respirar, não dava para continuar de cara.</p>
<p>Respiramos? Estamos todos melhor agora? Podemos nos encaminhar para o final?</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/051.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12404" title="05" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/051.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Ok, vamos lá então.</p>
<p>Dali pro fim a gente segue meio anestesiado. Meio que &#8220;tudo bem, qualquer coisa agora, tudo bem&#8221;. Mas não: Meltzer deixa a cartada final, ainda forte o suficiente. O zap foi, mas ele guardou o sete copas na manga. Qual?</p>
<p>Tudo, tudo mesmo, não passou de um golpe da barriga da mulher do Eléctron. Como assim?  Ela inventou (e no processo, se tornou) um serial Killer que assassina familiares de heróis para que o Eléctron voltasse para ela. Genial E monstruoso.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/021.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12405" title="02" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/021.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Bruce dá o mote e Electron finaliza: Quem se beneficia quando a família de um mascarado é ferida? Os familiares de todos os outros.</p>
<p>É, eu fiquei assim também.</p>
<p>E pra quem acha que eu estraguei e contei tudo: O plot principal, a lição toda da HQ, o motivo da Crise de Identidade, essa eu deixei para a leitura. Porque têm certos prazeres em se descobrir coisas, que contando assim, não teria nem de longe a mesma graça.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/011.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12406" title="01" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/011.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a><strong></strong></p>
<p><strong>Crise de Identidade</strong><br />
Autores: Brad Meltzer e Rags Morales<br />
Publicou: Panini<br />
Onde achar: Nas livraria especializadas em qaudrinhos<br />
Quanto: Uns 30 conto, acho.</p>
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		<title>Do fundo da estante: O Homem sem Medo</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 12:07:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Matt Murdock]]></category>
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Demolidor: O Homem sem Medo (ou aquele menino que era como eu ou você, mas sendo menos era mais)
Acho que a primeira coisa que eu lembro de Homem sem medo é a arte que John Romita Jr. E o fato de ser uma história de herói sem herói fantasiado. Pra mim iso oi bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-12008" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/012.jpg" alt="01" width="398" height="600" /><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Demolidor: O Homem sem Medo (ou aquele menino que era como eu ou você, mas sendo menos era mais)</em></p>
<p>Acho que a primeira coisa que eu lembro de Homem sem medo é a arte que John Romita Jr. E o fato de ser uma história de herói sem herói fantasiado. Pra mim iso oi bem bacana.</p>
<p>John Romita Jr. é com erteza alguém que eu penso muito quando pego um lápis para desenhar. Seu desenho é meio acadêmico, traço firme, bem representativo, mas possui um estilo inigualável.</p>
<p>As hachuras que ele usa com certeza são as mais fantátiscas que eu já vi: Peso, profundidade e sombra sem exageros, sem rabiscos (prestem atenção em como ele fez o céu noturno &#8211; Acho que ficaria ainda melhor preto e branco.). E uma capacidade de desenhar cenários que ainda acho estonteante, mesmo 14 anos depois de ler Homem sem medo pela primeira vez!</p>
<p>Ao mesmo tempo, ele não se furta de usar o pincel e tingir grandes áreas de preto, dar uma profundidade digna de Sin City quando é preciso. As cenasmais tenebrosas do gibi são tão carregadas que fico imaginando o quanto de nanquim ele num gastou ali, e o quanto num pesou cada pincelada. Romita Jr. definitivamente conquistou seu lugar no panteão dos grandes desenhistas, pelo menos no meu panteão.</p>
<p><span id="more-12007"></span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-12016" title="07" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/071.jpg" alt="07" width="398" height="600" /></p>
<p>Não posso esquecer nunca do roteiro e da caracterização de tudo: A cozinha do inferno parece muito com o bairro em que cresci, tirando as escadarias de incêndio do lado de fora dos prédios. Tive muitas vezes a impressão de que veria o Demônio passando por cima da minha casa, se ficasse esperando até de noite.</p>
<p>Se eu esperasse, nas noites quentes, antes de ter de entrar para me deitar, e acordar pra um outro dia cheio de traquinagens, eu tinha certeza de que se prestasse atenção poderia vê-lo. Nunca ouvi-lo, nunca, mas talvez vê-lo de relance.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/042.jpg" alt="04" width="398" height="600" /></p>
<p>Eu me lembro e olhar para aquele moleque magrelo, cabelão na cara, inteligente, esforçado, meio nerd e pensar várias e várias vezes que aquele era um herói que eu poderia ser que todos nós poderíamos ser: Não era um bombado monstro, um ser completamente alienígena; Matt poderia ser eu ou você, ou aquele moleque esperto da rua de cima. Murdock era um dos meus, mesmo sendo completamente diferente de tudo que eu conhecia.</p>
<p>Ok, todos sabem que ele é cego, e acho que quase todos sabem o porquê. Mas acredito que poucos perceberam o que isso fez com ele, como isso modificou a dinâmica do personagem, Murdock sempre, sempre caminha na linha divisória entre o emocional e o racional. Stick diz isso: Ele é emocional demais, vai fazer cagada por causa disso.<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-12010" title="05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/05.jpg" alt="05" width="398" height="600" /></p>
<p>Mas é a sua emoção a flor da pele, sua capacidade de amar, de odiar, de sentir mágoa, gratidão e amizade que o fazem ser quem é. E se ele não sente medo, o que Matthew, mas sente é culpa: Pela morte do pai, pela Elektra se perder, por Karen Page, por Franklin; aparentemente ele tenta carregar todo o peso do mundo em suas costas, e não consegue aceitar que às vezes o fardo pesa. E como pesa!</p>
<p>Toda a história dele gira em torno disso: sua culpa, sua busca por redenção, sua vontade inabalável de consertar esse mundo, um mundo que o privou de tudo; um mundo que cada vez mais aperta o cerco sobre ele. Seu pai era um chacal da máfia, e ainda sim, (talvez ainda mais por isso) Murdock o ama.</p>
<p>Acho que esse amor, tão exacerbado, esse amor que faz ele jogar tudo para o alto, que o corrói quando pensa não estar a altura do que o pai queria para ele, esse amor o move. É inspirado em seu pai que ele faz sue uniforme, é de onde tira seu nome. Seu pai é quem ele queria ser.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-12011" title="10" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/101.jpg" alt="10" width="398" height="600" /></p>
<p>Outros heróis têm uma forte figura paterna, um modelo: Parker tem seu tio Ben, Bruce seu pai Thomas, Scott tem Xavier. As diferenças aqui é que de todos esses, Jack é quem passa mais longe da perfeição, de bom modelo: Muito mais para Rocky que para Papai sabe tudo. Jack é um perdedor, um lutador velho e acabado, um homem que vende sua alma em troco de um futuro melhor para Matt.</p>
<p>E o Vermelhão sabe disso, sabe de tudo: todos os erros, todas as falhas; sente o cheiro de álcool no suor do pai, sabe o que ele faz para a máfia, entende que ele é um lutador que não tinha nenhum futuro, e ainda sim tenta viver a altura das expectativas do pai, tenta sempre ser o melhor que pode. Se o mundo de Matt é negro, seu coração é tão vermelho quanto às cores que leva no peito.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="02" src="../wp-content/uploads/2010/04/021.jpg" alt="02" width="400" height="202" /></p>
<p>Sua intensidade não acaba no amor pelo pai: Quando conhece Elektra, ele se joga de cabeça dentro disso, quase morre uma dúzia de vezes em algumas páginas. Cada vez que escapa parece mais e mais apaixonado, a Ninja já sabe que não presta e que ele é um puta cara e até fala isso pra ele, mas quem disse que ele se importa? Seu coração pula, dança canta e rodopia quando sente o cheiro dela. Pra Ele isso basta.</p>
<p>Não sei quanto a outros leitores, mas para mim Frank Fez um IMENSO favor nessa Hq: Tirou o radar! Em nenhum momento Murdock usa aquela droga. Apenas seus outros sentidos; por uma grande sacada (talvez apenas porque planejava que esse fosse um telefilme) Miller nos poupa de uma muleta narrativa terrível: Um cego com radar. Não, tudo o que vemos é seu treinamento agindo, sua concentração monstruosa, sua disposição.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="08" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/082.jpg" alt="08" width="398" height="600" /></p>
<p>A ausência do radar apenas aumenta a presença de Dele nas páginas, nos joga na cara que aquela cara é cego, mas nem por isso inválido, que não enxerga, mas acaba vendo muito.</p>
<p>Há um outro fato que para mim torna a coisa tão querida: Murdock aqui é um ginasta soberbo, um lutador competente e apenas esboça coisas improváveis: Mas não é um ninja, não é “super” nada, ele é um homem, um homem disposto a levar suas crenças às ultimas conseqüências e esfregá-las no mundo.</p>
<p>Para mim o Demolidor sempre será uma mistura de atleta de parkour e boxeador. Essa é a representação que o torna mais querido.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-12013" title="09" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/092.jpg" alt="09" width="398" height="600" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Matt antes do Demolidor, mas já um Herói</em></p>
<p>Falho, deficiente, obstinado, culpado, grande, magnífico, lindo e forte. Cego. Esse é o demolidor que Frank e Romita Jr. me apresentaram quando eu tinha 10 anos, esse é o Demolidor que sempre carreguei por aí.</p>
<p>Não é todo personagem que te faz desejar, naquelas fantasias infantis e maravilhosas, não ver (cheguei a andar pela casa de olhos fechados, tentando sentir as paredes, tentando reconhecer as coisas pelos seus cheiros e sons).</p>
<p>E se todo super-herói é um símbolo, Murdock empata com o Batman em muitos aspectos, principalmente em sua busca por justiça. Mas tem a vantagem de, como ela, ser cego.</p>
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		<title>Do fundo da estante: O Cavaleiro das trevas (ou a suave brutalidade)</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 12:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Uma das minhas mais antigas lembranças com quadrinhos é Cavaleiro das trevas, encadernado, em comemoração aos 50 anos do Batman, a Abril publicou. O gibi era um ano mais novo que eu, resistiu muito bem, pelo menos nos seus primeiros 18 anos.
Hoje ela tem que ficar num envelopinho, a encadernação cedeu. Guardo ela e mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11895" title="06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/06.jpg" alt="06" width="398" height="600" /></p>
<p>Uma das minhas mais antigas lembranças com quadrinhos é Cavaleiro das trevas, encadernado, em comemoração aos 50 anos do Batman, a Abril publicou. O gibi era um ano mais novo que eu, resistiu muito bem, pelo menos nos seus primeiros 18 anos.</p>
<p>Hoje ela tem que ficar num envelopinho, a encadernação cedeu. Guardo ela e mais algumas encadernações que desmontaram juntas, todas em envelopes num fichário. Me pareceu a única solução para não perder coisas maravilhosas e que dificilmente encontro novamente.</p>
<p>De algumas eu tenho um back up,  e Cavaleiro, quando quero ler, eu pego uma outra edição, de dez anos, lançada em fascículos.</p>
<p>No Brasil é até uma vantagem procurar pelos fascículos. As edições encadernadas foram, durante muito tempo, inferiores. E olha que as edições separadas vinham freqüentemente mutilados, obra de boas editoras. Mas, edições encadernadas, salvo exceções maravilhosas e lindas, eram bem pouco diferentes. Chegando algumas vezes a ser mais pobres (coisas eram suprimidas: capas, créditos, extras&#8230;)&#8230;</p>
<p><span id="more-11893"></span><img class="aligncenter size-full wp-image-11896" title="07" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/07.jpg" alt="07" width="398" height="600" /></p>
<p>Me lembro muito claramente, o Cavaleiro das Trevas sempre ali: A capa preta com o Batman encarando de frente o Super Homem sempre foi uma imagem querida. Não sei vocês, mas eu sempre, sempre, sempre quis que alguém quebrasse o Azulão. E era melhor ainda que alguém fosse o próprio Morcego.</p>
<p>Folhear aquelas páginas cheias de imagem, telinhas de TV, muito nanquim , era de ouro e tons pasteis davam todo um novo aspecto sereno, cansado, maduro e ainda mais sombrio; aquilo me acompanhou anos. Poucos gibis conseguem se manter relevantes uma vida toda.</p>
<p>Pra aquele Batman era muito interessante, e como pra mim nunca houve o Batman do Adam West, o único Detetive que eu conhecia.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11897" title="09" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/09.jpg" alt="09" width="400" height="202" /></p>
<p>Com o Tim Wayne isso aconteceu de novo, o único Robin pra mim. Mesmo que a idéia do Frank, criando Carrie seja muito boa e bem compreensível para a época, eu prefiro o Tim. E seu Red Robin veio me provar correto. Mas divago&#8230;</p>
<p>O gibi é muito bom e nele Batman tem todos os seus 50 anos. A idéia era bem simples, e funcionou perfeitamente. O futuro tinha chego ao Cruzado Encapuzado, ficção científica se misturando ao tom pulp natural do Morcegão; uma freneticidade quase cibernética dos anos 80. Bruce Wayne era um Batman fenomenal aos seus 50 anos.</p>
<p>Vemos aqui o retrato do tempo também nos personagens: Esse Batman não era o Batman otimistas dos anos 60, e 70 mas sim de volta com o HomenMorcego da grande depressão.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11898" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/04.jpg" alt="04" width="398" height="600" /></p>
<p>Um desvio que perseguições forçaram às HQ’s. Aquele não era um homem que passeava mulheres vestidas de gato, comissários bigodudos e meninos prodígios. Um Robin estava longe e o outro estava morto; Selina está acabada; nenhum vilão fantasiado esperava por ele do lado de fora. Apenas o tempo.</p>
<p>O tempo fizera dele um ser solitário, isolado dentro de si e melancólico. Era um homem vencido. Mas o morcego não pode ser vencido. Nunca poderá, e essa é a grande verdade que aquelas histórias nos conta. Batman é uma lenda, um símbolo. Christopher Nolan sacou isso.</p>
<p>Batman nunca foi nem será sobre um homem fantasiado, mas sobre aquela vontade que todos temos de revidar tudo de ruim que acontece. O morcego é a vontade que existe em nós de lançar esse desafio de volta ao mundo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11899" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/01.jpg" alt="01" width="398" height="600" /></p>
<p>Mais um grande e inegável motivo para socar o Escoteiro com direito a flecha de kryptonita e saída maestral de cena (todo motivo é um bom motivo para isso).</p>
<p>Velho assim, Wayne decide voltar a ativa. Velho, cansado, fisicamente destruido. Mas resoluto, decidido, direto e as vezes brutal em sua busca, em seu sentimento de revide. Era essa a Sombra que aparecia e pairava sobre a cidade.</p>
<p>E se não ganhava do tempo nos punhos, ganhava com a mente. E esse era o seu maio desafio aqui: A grande pergunta o Batman é relevante ainda? Fora feita e apresentada. Batman demora um tempo, até apanha um pouco, mas é quando põe sua mente, quando o Detetive que Ras Al Guhl viu aflora, que ele vence e mostra o que é: uma idéia, um sonho, uma vontade, enfim, um símbolo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11900" title="08" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/04/08.jpg" alt="08" width="400" height="400" /></p>
<p>Um dos meus maiores amigos diz que temos de entender heróis fora da HQ, fora da visão resumida que se dá a gibi: Os caras que vestem cuecas por cima das calças são a nossa mitologia.</p>
<p>Uma mitologia moderna, pelos meios de transmissão modernas, mas ainda sim esse homens são heróis, brother eles são SUPER HERÓIS.</p>
<p><strong>Batman: Cavaleiro das Trevas</strong><br />
<strong>Frank Miller, Klaus Janson e Lynn Varley<br />
Editora:</strong> Várias, todo mundo já publicou esse aí.<br />
<strong>Onde achar:</strong> Praticamente qualquer lugar que venda quadrinhos do bom.</p>
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		<title>Do fundo da estante: Moonshadow</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 11:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[do fundo da estante]]></category>
		<category><![CDATA[George Pratt]]></category>
		<category><![CDATA[John Marc DeMatteis]]></category>
		<category><![CDATA[Jon J. Muth]]></category>
		<category><![CDATA[Kent Williams]]></category>
		<category><![CDATA[Moonshadow]]></category>
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		<description><![CDATA[
Moonshadow foi uma das HQ`s que meu tio me deu quando decidiu dar embora sua coleção. Veio junto numa caixa que continha sandman`s, orquídea negra, os livros da magia e talvez mais algumas coisas, não tenho certeza.
Foi uma passagem de entrada para todo um novo universo de HQ`s que eu nunca tinha visto: tanto as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_abertura.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10232" title="moon_abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_abertura.jpg" alt="moon_abertura" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Moonshadow foi uma das HQ`s que meu tio me deu quando decidiu dar embora sua coleção. Veio junto numa caixa que continha sandman`s, orquídea negra, os livros da magia e talvez mais algumas coisas, não tenho certeza.</p>
<p>Foi uma passagem de entrada para todo um novo universo de HQ`s que eu nunca tinha visto: tanto as ilustrações quanto os roteiros eram diferentes e novos pra mim. Ali definitivamente começou um novo período da minha jornada.</p>
<p>Me lembro de pegar todos e dar um boa olhada em todos aqueles gibis e simplesmente parar em Moonshadow: doze capítulos tos com aquela arte maravilhosa e o roteiro de JM Dematties que não m deixavam parar de ler nunca mais.</p>
<p>Tá voltamos ao começo: Eu abri o primeiro volume a era simplesmente maravilhoso! Quer dizer, era todo colorido e indefinido e meio hippie e de certa forma era eu escrito ali: Um moleque magrelo, de cabelo escorrido e que era o maior nerd literário de todos os tempos!</p>
<p><span id="more-10231"></span></p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10233" title="moon_1" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_1.jpg" alt="moon_1" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Tá, eu admito: eu nunca fui o maior nerd literário de todos os tempos, essa parte é um exagero de minha parte, mas me deixem generalizar e exagerar um pouco sim? Ou essa coluna vai acabar com um monte de &#8220;se não&#8221; e &#8220;se tirando em tais  e quais situações&#8221; o que torna tudo muito mais chato e pouco funcional! Mas divago&#8230;</p>
<p>E a coisa continuou, e como continuou! Moonshadow faz uma aventura épica pelo espaço sideral todo, encontrando raças e planetas e religiões e profetas e messias pela séria toda. Isso foi algo que me conquistou totalmente quando eu li Moonshadow: Essa riqueza desleixada de criar todo um universo e livros e etc e simplesmente tratar disso como a coisa mais natural do mundo.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10234" title="moon_2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_2.jpg" alt="moon_2" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Parece bobagem, mas quem já leu gibis de heróis conhece aquela página que recapitula tudo e torna a história bem ouço interessante.</p>
<p>Não, não tem em todas, mas  na época aquilo foi importante pra cacete pra mim, foi uma passo a frente pra mim!</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10235" title="moon_3" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_3.jpg" alt="moon_3" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Eu, assim como quase todos que leram fiquei encantado e assustado com os GL Doses! Que idéia genial: um monte de bolas luminosas que voam por aí espalhando o caos e simplesmente bagunçando as coisas! E eles tinham um Zoo! E era assim com meio que toda a estória: Tudo sendo meio aleatório e non-sense e me parecia que todas as escolhas serviam para trazer o clima certo,para transformar Moonshadow naquela maravilha altamente divertida e instigante que é cada um dos doze capítulos.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10236" title="moon_5" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_5.jpg" alt="moon_5" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Ok, Ira! Tenho que parar e mencionar esse ser. Ira é talvez o melhor coadjuvante de todos os tempos. Ira vai além de relutante, ele está lá contra a vontade e contra o seu gosto.</p>
<p>Desde o começo, nada o contenta. Nem o zoo, nem Moonshadow, nem ser soldado, enfim: Ele passa o tempo todo absolutamente contrariado, nenhuma vontade de estar ali e de fazer a porra da viagem para o despertar junto coma droga daquele moleque chato.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_6.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10238" title="moon_6" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_6.jpg" alt="moon_6" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Ele é como um irmão mais velho quando a gente tem cerca de treze anos: ele te detesta mas nem por isso vai te deixar morrer. Além da sua função na história tem o personagem em si: o chapéu, o rabinho de pompom, o enorme gosto por pornografia, os charutos e as bebidas.</p>
<p>Ele é um irmão mais velho de todos nós, aquele que meio que vira seu pai quando seu pai não está por ali, ou quando ela é uma enorme bola reluzente que não faz nenhum sentido.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10239" title="moon_7" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_7.jpg" alt="moon_7" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Devo admitir que não foi uma leitura que se abrir em frente aos meus olhos, eu tive de ler e ler e ler ate começar a sacar tudo, se é que saquei.</p>
<p>Até hoje em dia eu pego referencias novas, a cada leitura Moonshadow fica maior, com mais nuances, as tintas de Kent Williams ganham outros contornos, mais profundida e as cenas de JM DeMatties se aprofundam, bem como as referencias transparecem no texto, o subtexto aparece aos nossos olhos.</p>
<p>Uma vez me falaram que a gente tem que ler O Pequeno Príncipe várias vezes para pegar as várias nuances da história. Eu digo que Moonshadow é um pequeno príncipe dos quadrinhos, mas com mais aquarelas e um tanto maior. A cada leitura ele cresce, a cada leitura eu sei que eu sou, sempre fui e sempre serei Moonshadow. E você também.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_8.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10240" title="moon_8" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/moon_8.jpg" alt="moon_8" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>Dados da HQ</strong></p>
<p><strong>Moonshadow</strong><br />
<strong> Autores: </strong>John Marc DeMatteis (roteiro), Jon J. Muth (pinturas), Kent Williams (pinturas capítulos 6, 10 e 12) e George Pratt (pinturas capítulos 11 e 12).<br />
<strong>Editora:</strong> Globo<br />
<strong>Preço: </strong>Depende do sebo e da lábia<br />
<strong>Número de páginas:</strong> 32 por edição, 12 edições<br />
<strong>Data de lançamento:</strong> Dezembro de 1990 a Maio de 1991<br />
Vai ter que andar um pouco para encontrar.</p>
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		<title>Do fundo da Estante: MAUS</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 11:07:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Garcia</dc:creator>
				<category><![CDATA[do fundo da estante]]></category>
		<category><![CDATA[Art Spiegelman]]></category>
		<category><![CDATA[Auschwitz]]></category>
		<category><![CDATA[Birkenau]]></category>
		<category><![CDATA[Judeus]]></category>
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		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vladeck]]></category>

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Esse dias eu li Maus. Havia muito tempo que eu ouvira falar dessa HQ, muito tempo mesmo. Nunca tinha lido, nunca tinha pegado um exemplar nas mãos.
Trabalhei, nos idos de outubro, na HQMix Livraria, ali na praça Roosevelt, foi bem bacana, se me permitem um parênteses: O Gual e a Dani são duas pessoas maravilhosas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9808" title="maus_capa" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_capa.jpg" alt="maus_capa" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Esse dias eu li Maus. Havia muito tempo que eu ouvira falar dessa HQ, muito tempo mesmo. Nunca tinha lido, nunca tinha pegado um exemplar nas mãos.</p>
<p>Trabalhei, nos idos de outubro, na HQMix Livraria, ali na praça Roosevelt, foi bem bacana, se me permitem um parênteses: O Gual e a Dani são duas pessoas maravilhosas e apesar da correria que foi fazer tudo, foi lindo demais! Mas divago…</p>
<p>Aí tava por lá, e me apareceu o Maus ali na estante (em inglês – Que trabalho que deu pra ler os nomes das cidades polonesas em inglês!). Peguei e deixei ali, no canto, para ler quando desse. Entre uma coisa e outra, um telefonema e outro eu devorei aquele catatau que é a edição que reúne todo o material em um único volume.</p>
<p>Acho que o título foi uma das coisas que me deram curiosidade para ler, afinal que diabos é “Maus”? O meu conhecimento em alemão é menor que zero, pois seria só pensar um pouco, lembrar que inglês e alemão são línguas parentes, procurar um cognato e chegar a conclusão simples: Maus é Mouse, rato! Que óbvio (obrigado santíssimo Google e sua infinita sabedoria.)</p>
<p>E para quem não entendeu: Rato era como os nazistas caracterizavam os judeus, não era só xingar de rato (o que seria muito simples para o mestre da propaganda): A associação era física e simbólica! Uma caricatura clássica da época (que não encontrei por aqui e não estou a fim de entrar em site nazi para procurar) trazia um judeu contando dinheiro na mesma posição que um rato segura um grão quando come.</p>
<p>A associação como espoliador e ladrão não poderia ser mais clara! Uma exagerada nas feições judias tornava a coisa um tanto quanto mais “crível” e pronto: Judeus são iguais a ratos.</p>
<p>Coisifique, torne menos que humano, menos que gente, torne seu inimigo algo digno de uma morte cruel, digno de Auschwitz-Birkenau! Essa lição todos os líderes bélicos aprederam bem, não? Mas divago…</p>
<p><span id="more-9807"></span></p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9809" title="maus_01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_01.jpg" alt="maus_01" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Beleza, então a gente abre e tem aquela primeira página aterradora: Um menino reclama dos amiguinhos com o pai e ele manda ele se trancar num quarto sem comida com eles, e aí descobrir quem são seus amigos de verdade! @#&amp;*¨Quem fala isso para uma criança? Que pai é esse? Ele não está errado, mas que tabefe! A resposta virá logo: O pai, duro feito rocha, é um judeu polonês que sobreviveu a segunda guerra.</p>
<p>MAIS do que isso: O velho sobreviveu a Auschwitz-Birkenau! Pára tudo que eu quero descer: O véio sobreviveu a isso? E tá ali serrando uma tábua na maior? Eu mal consigo sobreviver a Sé as 18h, esse velho ganhou meu respeito.</p>
<p>E é daí pra frente que a coisa entorna: Um homem bem de vida, trabalhador, bem casado, negociante, vai vendo o cerco apertar, a ratoeira se armar e aos poucos começa se sentir um rato, a viver com ratos. O relato de Vladeck (o pai do autor, o sobrevivente) sobre a vida pré guerra, o amor dele por Anja (a mãe do autor, morta na época que ele escreveu isso) é assombroso pela realidade que ela contém: Ele não é um homem bonzinho, um santo!</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9810" title="maus_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_02.jpg" alt="maus_02" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Pelo contrário: é mesquinho, egoísta, implicante e racista contra negros! é um homem de verdade, com defeitos, com problemas, com dificuldades de adaptação e cheio de cicatrizes.</p>
<p>Existem algumas coisas de muito, muito bonitas nessa história em meio a tanto horror: O medo do autor de não diminuir, em não retratar com “suavidade” a realidade, a vontade de ser fiel e fazer um bom trabalho resgatando e preservar a memória de um pai que ele não ama, com o qual tem pouco contato e carinho e ainda sim admira profundamente.</p>
<p>O pai ao dar ao filho um relato que devia ser algo mais que doloroso, o relato de fatos que o desumanizaram, que o lezaram extremamente, o relato de atos que ele não se orgulha, de atos que ele fez porque tinha que fazer para sobreviver, porque não houve escolha!</p>
<p>Foi preciso força para sobreviver a isso, e foi preciso muito força para que ele se dispusesse a relembrar e contar tudo isso ao filho (é bonito também que ele prefere falar desse assunto a não ter o filho por perto, para ele é melhor relatar essa dor enorme a perder o pouco contato que tem com o único filho que ele tem). E por último o amor de Anja e Vladeck.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9811" title="maus_03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_03.jpg" alt="maus_03" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Tudo que esse homem fez pela esposa, tudo o que ele suportou e superou para que sua mulher também sobrevivesse é, no mínimo, heróico. é uma linda história de amor que dá os momentos mais líricos, mais sofridos e mais bonitos do livro todo.</p>
<p>Chorei profundamente ao ler tudo isso, chorei talvez porque aquela história que aprendemos na escola, aquela história que nos dá dados, que nos dá locais e estatísticas se tornou próxima e humana, demasiada humana naquelas páginas.</p>
<p>Não foi fácil concluir a leitura, ao mesmo tempo em que era impossível não ler aquilo até o fim. É uma idéia que de tão simples, tão óbvia de ser feita, só ganhou força com as imagens em preto e branco, com a antropomorfização dos povos ali retratados.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9812" title="maus_04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_04.jpg" alt="maus_04" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Os ratos retratados nos lembravam o tempo todo o processo todo que desembocou em Auschwitz-Birkenau, que resultou no Holocausto. Nunca entendi o revisionismo e a negação do mesmo, acho um crime terrível fingir que isso não aconteceu!<br />
E imagino como o Vladeck reagiria se alguém dissesse a ele que aquilo ali era tudo mentira, que tudo o que ele passou nunca aconteceu e que ele mentia! As tatuagens em seu braço, as tatuagens em sua memória são prova mais que suficiente para mim.</p>
<p>Maus ganhou o Pulitzer, recebeu reedições e se depender de seu criador nunca será um filme (alguém de bom senso). Maus entra em 10 de cada 10 listas de melhores quadrinhos da história (que não tratem apenas quadrinhos como superheróis ou infantis).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9813" title="maus_05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/01/maus_05.jpg" alt="maus_05" width="398" height="600" /></a></p>
<p>É um senhor livro, uma literatura documental visceral e fabulosa. Mas mais que tudo, maus é envolvente e tocante. Ratos, gatos, cães, porcos, sapos e peixes (cada um representando um povo) se mostram mais humanos que muitas pessoas de verdade que eu venho conhecendo nos últimos tempos.</p>
<p><strong>Maus</strong><br />
Autor: Art Spielgman<br />
Editora Cia das Letras<br />
Pode ser encontrado a partir de R$30,00<br />
296 páginas<br />
Preto e branco<br />
Fácil de encontrar</p>
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