Posts da Categoria ‘do fundo da estante’

Do fundo da estante: Crise de identidade

Por Bruno Garcia | 13 maio de 2010

Como eu já disse, trabalhei na HQMix Livraria um tempo atrás. Naquela época, entre madrugadas e telefonemas. Tentando juntar uma galera para fazer uma HQ, nos últimos dias de trampo que conheci o Renato, que acabou me chamando para escrever aqui.

Um tempo depois, mesmo já tendo acabado o trampo eu voltei lá. Meio que para fechar, meio que para conversar com o Gual e Dani. Fiquei por lá um tempão. A noite toda eu acho.

Sempre que estou por lá, passo os olhos pelas prateleiras, saboreando o que tem ali.

Muita coisa muito boa e que eu nunca li, nunca vou poder ler. Algumas que eu nem quero ler, outras eu nunca quis. Nem nunca vou querer.

Fã de comics que sou, sempre acabo nessa seção da livraria, sempre olhando mais uma lombada, procurando alguma coisa que eu goste, que me faça querer sentar e ler. Nessas encontrei Maus. E também crise de identidade.

A princípio nada ali parecia ser nada demais. Mais uma historinha da liga. Não gosto da liga. Nunca achei as histórias boas, dignas de nota.

Aí o autor foi lá e tirou a maior chatice de toda história da LJA: Os superpoderes monstruosos que a equipe reúne em seu elenco. Tirou e deixando pouca coisa. No fim a gente tem só a dúvida.

Começa com o Dibny, o homem elástico, um herói de segunda ou quinta categoria (depende da fase) perdendo a esposa. Pronto. Já não era mais a liga que eu conhecia, não era mais os Super Amigos. Trágico, meio preocupante, mas instigante.

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Do fundo da estante: O Homem sem Medo

Por Bruno Garcia | 23 abril de 2010

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Demolidor: O Homem sem Medo (ou aquele menino que era como eu ou você, mas sendo menos era mais)

Acho que a primeira coisa que eu lembro de Homem sem medo é a arte que John Romita Jr. E o fato de ser uma história de herói sem herói fantasiado. Pra mim iso oi bem bacana.

John Romita Jr. é com erteza alguém que eu penso muito quando pego um lápis para desenhar. Seu desenho é meio acadêmico, traço firme, bem representativo, mas possui um estilo inigualável.

As hachuras que ele usa com certeza são as mais fantátiscas que eu já vi: Peso, profundidade e sombra sem exageros, sem rabiscos (prestem atenção em como ele fez o céu noturno – Acho que ficaria ainda melhor preto e branco.). E uma capacidade de desenhar cenários que ainda acho estonteante, mesmo 14 anos depois de ler Homem sem medo pela primeira vez!

Ao mesmo tempo, ele não se furta de usar o pincel e tingir grandes áreas de preto, dar uma profundidade digna de Sin City quando é preciso. As cenasmais tenebrosas do gibi são tão carregadas que fico imaginando o quanto de nanquim ele num gastou ali, e o quanto num pesou cada pincelada. Romita Jr. definitivamente conquistou seu lugar no panteão dos grandes desenhistas, pelo menos no meu panteão.

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Do fundo da estante: O Cavaleiro das trevas (ou a suave brutalidade)

Por Bruno Garcia | 15 abril de 2010

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Uma das minhas mais antigas lembranças com quadrinhos é Cavaleiro das trevas, encadernado, em comemoração aos 50 anos do Batman, a Abril publicou. O gibi era um ano mais novo que eu, resistiu muito bem, pelo menos nos seus primeiros 18 anos.

Hoje ela tem que ficar num envelopinho, a encadernação cedeu. Guardo ela e mais algumas encadernações que desmontaram juntas, todas em envelopes num fichário. Me pareceu a única solução para não perder coisas maravilhosas e que dificilmente encontro novamente.

De algumas eu tenho um back up,  e Cavaleiro, quando quero ler, eu pego uma outra edição, de dez anos, lançada em fascículos.

No Brasil é até uma vantagem procurar pelos fascículos. As edições encadernadas foram, durante muito tempo, inferiores. E olha que as edições separadas vinham freqüentemente mutilados, obra de boas editoras. Mas, edições encadernadas, salvo exceções maravilhosas e lindas, eram bem pouco diferentes. Chegando algumas vezes a ser mais pobres (coisas eram suprimidas: capas, créditos, extras…)…

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Do fundo da estante: Moonshadow

Por Bruno Garcia | 20 janeiro de 2010

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Moonshadow foi uma das HQ`s que meu tio me deu quando decidiu dar embora sua coleção. Veio junto numa caixa que continha sandman`s, orquídea negra, os livros da magia e talvez mais algumas coisas, não tenho certeza.

Foi uma passagem de entrada para todo um novo universo de HQ`s que eu nunca tinha visto: tanto as ilustrações quanto os roteiros eram diferentes e novos pra mim. Ali definitivamente começou um novo período da minha jornada.

Me lembro de pegar todos e dar um boa olhada em todos aqueles gibis e simplesmente parar em Moonshadow: doze capítulos tos com aquela arte maravilhosa e o roteiro de JM Dematties que não m deixavam parar de ler nunca mais.

Tá voltamos ao começo: Eu abri o primeiro volume a era simplesmente maravilhoso! Quer dizer, era todo colorido e indefinido e meio hippie e de certa forma era eu escrito ali: Um moleque magrelo, de cabelo escorrido e que era o maior nerd literário de todos os tempos!

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Do fundo da Estante: MAUS

Por Bruno Garcia | 5 janeiro de 2010

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Esse dias eu li Maus. Havia muito tempo que eu ouvira falar dessa HQ, muito tempo mesmo. Nunca tinha lido, nunca tinha pegado um exemplar nas mãos.

Trabalhei, nos idos de outubro, na HQMix Livraria, ali na praça Roosevelt, foi bem bacana, se me permitem um parênteses: O Gual e a Dani são duas pessoas maravilhosas e apesar da correria que foi fazer tudo, foi lindo demais! Mas divago…

Aí tava por lá, e me apareceu o Maus ali na estante (em inglês – Que trabalho que deu pra ler os nomes das cidades polonesas em inglês!). Peguei e deixei ali, no canto, para ler quando desse. Entre uma coisa e outra, um telefonema e outro eu devorei aquele catatau que é a edição que reúne todo o material em um único volume.

Acho que o título foi uma das coisas que me deram curiosidade para ler, afinal que diabos é “Maus”? O meu conhecimento em alemão é menor que zero, pois seria só pensar um pouco, lembrar que inglês e alemão são línguas parentes, procurar um cognato e chegar a conclusão simples: Maus é Mouse, rato! Que óbvio (obrigado santíssimo Google e sua infinita sabedoria.)

E para quem não entendeu: Rato era como os nazistas caracterizavam os judeus, não era só xingar de rato (o que seria muito simples para o mestre da propaganda): A associação era física e simbólica! Uma caricatura clássica da época (que não encontrei por aqui e não estou a fim de entrar em site nazi para procurar) trazia um judeu contando dinheiro na mesma posição que um rato segura um grão quando come.

A associação como espoliador e ladrão não poderia ser mais clara! Uma exagerada nas feições judias tornava a coisa um tanto quanto mais “crível” e pronto: Judeus são iguais a ratos.

Coisifique, torne menos que humano, menos que gente, torne seu inimigo algo digno de uma morte cruel, digno de Auschwitz-Birkenau! Essa lição todos os líderes bélicos aprederam bem, não? Mas divago…

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