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	<title>Impulso HQ &#187; consciência e quadrinhos</title>
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		<title>Prêmio IBAC: a HQ reconhecida</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 11:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[IBAC]]></category>
		<category><![CDATA[Milton Gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[Waldomiro Vergueiro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um reconhecimento artístico aos quadrinhos através do nome do Prof. Waldomiro Vergueiro
Pela primeira vez o Prêmio IBAC Escola da Cidade edição 2011 que contempla Arquitetura, Cinema, Música e Artes Plásticas outorga na categoria de Artes as Histórias em Quadrinhos.  Premiação ocorreu na quarta-feira, dia 23 de novembro, às 19h na Aliança Francesa do centro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-22513" title="ibac_04" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_04.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Um reconhecimento artístico aos quadrinhos através do nome do Prof. Waldomiro Vergueiro</em></p>
<p>Pela primeira vez o <a href="http://www.ibacbr.com.br/index.php?dir=premioibac&amp;pag=edicao2011" target="_blank">Prêmio IBAC Escola da Cidade </a>edição 2011 que contempla Arquitetura, Cinema, Música e Artes Plásticas outorga na categoria de Artes as Histórias em Quadrinhos.  Premiação ocorreu na quarta-feira, dia 23 de novembro, às 19h na Aliança Francesa do centro de São Paulo.</p>
<p>Uma honra muito grande e mais um reconhecimento da importância HQ, linguagem seminal, dentro do rol artístico. tanto o é, que eu fui convidado anos atrás a escrever uma coluna biográfica acerca das histórias em quadrinhos, o qual faço até hoje. Para conferir, <a href="http://www.ibacbr.com.br/?dir=artigos&amp;pag=013" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<p>Para tal premiação houve uma comissão consultora, da qual também participei, e dos quatro nomes indicados a cada categoria, ficaram para a de artes plásticas a Editora Noovha America pela publicação das séries “Contando a Arte” (vencedora da categoria), Elvira Vernaschi e Sara Goldman-Beltz pelo livro “Exercícios da Emoção”, e Waldomiro Vergueiro pelos “muitos anos dedicados à pesquisa das histórias em Quadrinhos”.</p>
<p><span id="more-22512"></span><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-22514" title="ibac_03" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_03.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a></p>
<p>Estes dois últimos receberam a menção honrosa e Waldomiro proferiu algumas palavras esclarecendo que só o fato de terem sido indicadas, as HQ agradecem o reconhecimento de tal importante premiação em prol à cultura brasileira (e mundial)!</p>
<p>O ator Milton Gonçalves que pela segunda vez é convidado de cerimônia da premiação, após a fala de Waldomiro ainda se sentiu impulsionado a dizer que as HQ tiveram suma importância em sua formação na infância e juventude, numa época em que a cabeça das pessoas era mais limpa, segundo sua fala, citando alguns clássicos dos quadrinhos do século passado, como Tereré e Príncipe Valente, o que também veio demonstrar a força e influência que as HQ tiveram na formação mental e cultural educativa na maioria dos brasileiros, não importando sua raça, credo e formação atual profissional!</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-22515" title="ibac_02" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/11/ibac_02.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p>É assim que esse importante evento vem somar outros que cada vez mais dialogam e trazem os valores importantes da Nona Arte, que demorou muito a ter tais talentos reconhecidos e agora começa a colher uma justa recompensa!</p>
<p>Parabéns a todos que trabalham os quadrinhos e também ao Professor Waldomiro Vergueiro cujo reconhecimento espelha os quadrinhos e todos que respeitam essa belíssima arte, como o ilustríssimo ator Milton Gonçalves!</p>
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		<title>O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 3</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Apr 2011 12:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[De Gregori]]></category>
		<category><![CDATA[Goswami]]></category>
		<category><![CDATA[Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Nachmanovitch]]></category>
		<category><![CDATA[Rohden]]></category>

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		<description><![CDATA[
A experiência da elaboração da HQ (Metodologia)
Assim, quero elaborar um momento, como quando o faço geralmente sozinho (sem espectadores), e que se assemelharia a um concerto-solo, mas em vez de musical, eu desenharia, de acordo com o momentum, construindo uma história em quadrinhos, conforme eu me acostumei a realizar. Como exemplo, em 1990 eu realizei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18598" title="gazy_fig_04" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_04.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a></p>
<p><strong>A experiência da elaboração da HQ (Metodologia)</strong></p>
<p>Assim, quero elaborar um momento, como quando o faço geralmente sozinho (sem espectadores), e que se assemelharia a um concerto-solo, mas em vez de musical, eu desenharia, de acordo com o momentum, construindo uma história em quadrinhos, conforme eu me acostumei a realizar. Como exemplo, em 1990 eu realizei uma história em quadrinhos de três páginas intitulada “Sina” (fig. 4), cujos primeiros três quadrinhos foram deflagrados em minha mente ao ouvir uma música (em específico, “The unforgettable fire” de U2).</p>
<p>Para tal experiência, dessa vez, é óbvio que devo estipular uma metodologia supondo demonstrar o ato criativo de uma HQ improvisada (5 minutos como média, e 10 no máximo) ao público, para que percebam como pode se dar um ato criativo, que é um pouco similar ao que Nachmanovitch (1993) mencionou com relação ao impulso intuitivo e espontâneo realizado por alguns artistas, conforme narrei anteriormente nesse artigo.</p>
<p><strong>Meu ato artístico se dá da seguinte maneira :</strong><br />
Abro a palestra do artigo (que teria que durar, no mínimo, 20 minutos ao todo, incluindo a parte prática), explicando os pontos principais, e em seguida faço a audição de uma música por mim pré-escolhida (na verdade, trechos de músicas que editei), enquanto me sento frente a um cavalete (pode ser um flip-shart) contendo folhas de papel do tamanho A-3, ou A-2.</p>
<p><span id="more-18597"></span>Munido de canetas grossas, passo a “sentir” a audição de uma música (previamente por mim escolhida), e por fim elaboro a(s) página(s), com os esboços principais . Geralmente meu processo criativo se dá dessa maneira, deixando posteriormente o trabalho de arte-final com mais paciência e tempo. Mas no processo inicial, a idéia (roteiro) vai surgindo junto das imagens que vou esboçando, impulsionadas pela audição de música, conforme descrevi no exemplo da HQ “Sina”.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="448" height="364" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/k3d_xuog7Uk?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="448" height="364" src="http://www.youtube.com/v/k3d_xuog7Uk?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Considerações</strong></p>
<p>Assim, com minha apresentação e realização em 10 minutos da HQ (desde o início da audição musical à finalização do processo, no máximo), terá o público presenciado um fato distinto, podendo melhor refletir posteriormente, lendo este meu artigo, bem como a bibliografia nele referenciada.</p>
<p>Esta modalidade de trabalho vem ao encontro de uma nova postura, não tão racional e distante (conforme atestam ser possível Nachmanovitch, Jung, Rohden e Goswami), e também não menos intuitiva, que confere legitimidade ao subjetivismo, que já é aceito na própria ciência, face às questões da física quântica, em que o próprio pesquisador se apercebe como fator preponderante da medição de uma partícula microatômica: é seu olhar que vai considerar o momentum da medição, ou seja, há influencia subjetiva, e não meramente objetiva, como queria o homem da ciência clássica.</p>
<p>Ademais, coloca-se em pauta, à guisa de pré-conclusão, a questão teórica das variantes criativas visualizadas por Goswami (2008), e na questão do hemisfério direito e esquerdo do cérebro, atestada por De Gregori (1999), de forma mais a provocar o público, a que perceba em si mesmo a possibilidade e o potencial inerente, muitas vezes “adormecido”, por um uso minimizado de suas faculdades e funções mentais, ou ainda, a que tenha a percepção do diferencial entre a atividade racional (fragmentada) e a artística (sistêmica), tomando minha atuação como exemplo para reflexão.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18599" title="gazy_fig_11" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_11.jpg" alt="" width="455" height="202" /></a></p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong><br />
Livros e Biografias:<br />
ANDRAUS, Gazy. AS Histórias em Quadrinhos como informação imagética integrada ao ensino universitário. Tese de doutorado. USP: São Paulo, 2006. “Hesperornis-o Pássaro do Oeste publicada na revista Camiño di Rato, n. 1, Uberlândia:  Grito Prods, segundo semestre de 2008.<br />
ANDRAUS, Gazy. “Hesperornis-o Pássaro do Oeste”. Camiño di Rato. n. 1, Uberlândia:  Grito Prods, segundo semestre de 2008.<br />
BELLO, Susan. In Pintando sua alma &#8211; método de desenvolvimento da personalidade criativa. Brasília: Ed. UnB,1998.<br />
DE GREGORI, WALDEMAR. Os poderes dos seus três cérebros. São Paulo: Pancast, 1999.<br />
GOSWAMI, Amit. Criatividade quântica. São Paulo: Aleph, 2008.<br />
FEYNMAN – A LÂMPADA DA NANO. Scientific American Brasil. Gênios da Ciência: n. 4. São Paulo: Duetto Editorial, s/d.<br />
MIREAULT, Bernie. “Safecracker” in OTTAVIANI ET AL. Two- fisted science. Ann Arbor, MI: G. T. Labs, 2001, p. 68.<br />
MOORE, Alan. Argumentos. Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Câmara Municipal de Amadora, Devir. Amadora: setembro de 2002.<br />
NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo: o poder da improvisação na vida e na arte. São Paulo: Summus, 1993.<br />
PARKER, Alan. The Wall. EUA/United Kingdom, 1982.<br />
PINKER, Steven. Como a Mente Funciona. São Paulo: Companhia das Letras.1998.<br />
ROHDEN, Huberto. Filosofia da Arte. Rio de Janeiro/São Paulo: Freitas Bastos, 1966.<br />
TREVISAN, Armando. Como apreciar a arte. Porto Alegre: AGE, 2002.</p>
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		<title>O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 2</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2011 11:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Carl G. Jung]]></category>
		<category><![CDATA[De Gregori]]></category>
		<category><![CDATA[fantástico-filosófica]]></category>
		<category><![CDATA[Goswami]]></category>
		<category><![CDATA[Graham Wallas]]></category>
		<category><![CDATA[Pinker]]></category>
		<category><![CDATA[Processo criativo]]></category>

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		<description><![CDATA[HQ fantástico-filosóficas 
Não cabe nesse momento discutir o status artístico das histórias em quadrinhos. Isto tem sido relatado e estudado de diversas maneiras, incluindo em minha própria tese, na qual defendo os quadrinhos como parte do arcabouço artístico da humanidade (Andraus, 2006). Porém, é de se salientar que existem histórias em quadrinhos (HQ) para distintas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18591" title="gazy_fig_05" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_05.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><strong>HQ fantástico-filosóficas </strong><br />
Não cabe nesse momento discutir o status artístico das histórias em quadrinhos. Isto tem sido relatado e estudado de diversas maneiras, incluindo em minha própria tese, na qual defendo os quadrinhos como parte do arcabouço artístico da humanidade (Andraus, 2006). Porém, é de se salientar que existem histórias em quadrinhos (HQ) para distintas faixas etárias, de distintos gêneros literários, e também, as mais comerciais, ou estritamente autorais.</p>
<p>O mesmo que ocorre no cinema e na literatura. As HQ que elaboro são mais raras ainda, estando classificadas como poéticas, ou ainda, como fantástico-filosóficas, que têm suas estruturas “compactadas” como um hai-kai, ou cujas mensagens trascendem uma lógica cartesiana simplificada, como se dá com os koans zen-budistas. A elaboração de minhas HQ (como ocorreu por exemplo com a já mencionada “Hesperornis &#8211; o pássaro do oeste”), se dá também, quase que exclusivamente, sob uma audição de músicas.</p>
<p><span id="more-18590"></span>Isso pode ocorrer diferentemente a cada autor, em cada um de seu próprio metiér: na criação artística, por exemplo, de uma HQ, é possível gerir o afazer de maneira similar ao processamento racional de gerenciar um projeto racional. Mas também há a possibilidade de a história em quadrinhos ter sido criada com enfoque mais pendente ao intuitivo e menos racional (os quadrinhos do gênero super-heróis são do primeiro caso, e os poéticos estariam no segundo).</p>
<p><strong>Processos criativos</strong><br />
Teorias sobre o processamento criativo têm surgido, tendo Graham Wallas sido o pioneiro, descrevendo em seu livro The art of thought de 1926, as etapas do processo criativo (Goswami, 2008):</p>
<p>1-Preparação (reunião de fatos e ideias sobre uma questão formulada); 2-Incubação (deixar as idéias fluirem sem se preocupar), 3-Iluminação ou insight (perceber um momento-chave, eureka, um “ah-há!”, como resolução da questão), 4-Verificação ou manifestação (etapa final, para por em prática o achado, avaliando e verificando o desenvolvimento da resposta).</p>
<p>Para tentar discutir um pouco mais a questão do processo criativo, e não encerrar como algo passível de apenas uma resposta ou um modelo, ainda que o de Wallas tenha sido constantemente usado até hoje, exponho aqui um novo aporte trazido pelo físico indiano, Amit Goswami (2008), que abordando a questão da criatividade, discute se ela se atribui a poucas pessoas, ou se é inerente ao ser humano. Além disso, ele atualiza as teorias criativas, ao tecer paralelos do processo criativo com a dinâmica imprevisível da física quântica e os saltos dos elétrons.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_07.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18592" title="gazy_fig_07" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_07.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p><strong>O físico situa três parâmetros teóricos sobre a criatividade, quais sejam:</strong><br />
1-A perspectiva material realista e a classe mecanicista de teorias da criatividade;<br />
2-A perspectiva organicista e a classe organicista de teorias da criatividade e<br />
3-A metafísica idealista monista e a classe idealista de teorias da criatividade.</p>
<p><strong>Para a primeira situação, Goswami coloca que:</strong><br />
A mente é uma máquina newtoniana, um epifenômeno do cérebro, completamente determinado por causas locais antecedentes, e sua dinâmica é algorítmica. A continuidade causal é suposta no comportamento humano, limitando o que a criatividade pode representar. Por exemplo, a criatividade não pode ser algo realmente novo, porque todas as coisas atuais são determinadas por coisas que já existiam.</p>
<p>Isto descrito faz lembrar a operacionalidade do cérebro triuno descrito por De Gregori (1995), em que, no caso desta, equivaleria ao hemisfério esquerdo cerebral, como supremacia, já que nesse hemisfério só ocorrem atividades já pré-reconhecidas anteriormente.<br />
Já para a segunda situação, Goswami (2008) descreve que:</p>
<p><em>Os fenômenos humanos como a criatividade e os fenômenos vinculados aos organismos, em geral, devem abranger mais do que explicações causais e mecanicistas. Eles precisam ter objetivo. Além do impulso de causa antecedente, a criatividade precisa da força do objetivo. Assim, ela é vista em relação ao que é denominado teleologia &#8211; causa final.</em></p>
<p>Nesta segunda, ao que parece, o hemisfério esquerdo conta um pouco mais com a atividade do “obscuro” direito, mas mais da porção central (responsável pela ação pragmática), já que a criatividade aqui se orienta por um objetivo final, uma intenção prática.<br />
E por fim, à terceira opção, ele dá que:</p>
<p>A criatividade é, em sua essência, um fenômeno de consciência (o self) que descontinuamente manifesta possibilidades realmente novas (não manifestadas anteriormente) do domínio transcendente, e não pode ser explicada apenas pela mecânica da matéria. Às vezes, refere-se à criatividade, como o casamento entre o céu e a terra, um casamento que acontece no âmbito de nossa subjetividade. (&#8230;)</p>
<p>Assim, na perspectiva idealista, o universo é criativo, porque a consciência é criativa. Há transcendência na criatividade, porque a consciência é transcendente. A evolução do universo que vemos, da matéria para a vida até a autoconsciência, é considerada como a manifestação do objetivo criativo da consciência.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18593" title="gazy_fig_03" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_03.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p>Nesta última, o hemisfério direito (criativo, intuitivo) do cérebro viria com uma parte maior de atividade em primeira instância que o hemisfério esquerdo (racional, lógico e linear).</p>
<p>Longe de esmiuçar as propostas de Goswami (2008), ele descreve que há tentativas de integração das três maneiras &#8211; assim como verificou De Gregori (1999) com relação ao funcionamento do cérebro triuno -, mas até agora frustradas, inclusive tendo ocorrido em congressos debates a respeito da questão da criatividade.</p>
<p>Pouco antes dessa visão (teoria) de Goswami, Rohden (1966, 18-19) busca colocar a filosofia da arte como uma visão universal manifestada em ação individual. Para Rohden, o artista é um agente que emprega sua visão (teoria), intuindo, visualizando ou sentindo a presença do Universal-Infinito em todos os individuais-Finitos. Ou seja, o artista se torna capaz de ultrapassar os limites do mero intelecto (ego) e expressar uma realidade ulterior, univérsica. É interessante que se assemelha à concepção de Carl G. Jung, que afirmou:</p>
<p><em>O Artista não é uma pessoa dotada de livre arbítrio que persegue seus próprios objetivos, mas alguém que permite à Arte realizar seus propósitos através dele. Como ser humano, ele pode ter humores, desejos e metas próprias, mas como Artista ele é “homem” num sentido mais sublime &#8211; ele é um homem coletivo &#8211; alguém que carrega e molda a vida psíquica inconsciente da humanidade. (apud BELLO: 1998, 189)</em></p>
<p>Assemelha-se também ao que De Gregori (1999) constatou, quando nos primórdios da civilização, a racionalidade ainda estava dividindo um espaço, menor até, com a intuição universal. Para o pesquisador, os sábios da antiguidade utilizavam muito o hemisfério direito, e por isso “recebiam” informações tidas atualmente como místicas, mas que em realidade seriam informações diretas em que se conectavam como o cosmo, passando pelos seus hemisférios direitos (criativos, intuitivos, não lineares, sistêmicos, enfim), sem que pudessem geri-las racionalmente, como se faz na atualidade, em que o hemisfério esquerdo (racional e linear: fragmentado) tomou um desenvolvimento exacerbado. Mas, mais do que esclarecer, esses aportes teóricos aqui descritos demonstram a fragilidade do conhecimento humano em face de questões ainda complexas e sem muita possibilidade de dedução por insuficientes pesquisas empíricas:</p>
<p>Há a possibilidade de as tomografias computadorizadas trabalharem mais acirradamente a questão, pois na atualidade há novas descobertas em andamento, principalmente ao medirem o pensamento dos religiosos, ou dos praticantes de meditação (muitas vezes confirmando a teoria de De Gregori). Há um outro exemplo interessante na ciência: o físico Richard Feynman, que era conhecimento pelo seu humor e habilidade de abrir cofres (fig. 3), chegou a experimentar pintar quadros para compreender a diferença da experiência artística, tão destoante da científica (fig. 3a).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_03a.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18594" title="gazy_fig_03a" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_03a.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a>Fig. 3a: O físico Feynman pintando. Fonte: Scientific American Brasil. Gênios da Ciência: Feynman – a lâmpada da nano. n. 4. São Paulo: Duetto Editorial, p. 77, s/d.</p>
<p>Porém, neste artigo, prefiro atiçar o leitor, a que se aperceba pleno de potencialidade e a que saiba que pode usar sua criatividade, não importa como, e isso dependerá de seu histórico de vida. Mas igualmente, advirto que há realmente um diferencial no cotidiano e no uso de nossas mentes: ao elaborar idéias racionalmente, e escrevê-las em palavras (fonéticas), estarei incorrendo num pensamento em primeira instância extremamente lógico, racional e linear. Já, quando elaboro, por exemplo, desenhos “soltos” (e isso pode ou não requerer certo grau de alfabetismo icônico, ou seja, de aprendizado básico da técnica do desenho), percebo que minha mente traz idéias “rápidas” que se mesclam instantaneamente.</p>
<p>Isso me é muito mais claro ao realizar desenhos que são direcionados por uma idéia principal, criativa, e que vem no mesmo instante que os executo (muitas vezes utilizando palavras junto), mas com base numa audição musical. A propósito: a música parece realmente trabalhar em nossas mente de forma a criar idéias e momentos únicos. Pinker (1998) disse que não há explicação lógica para a utilização da música. Ele a classificou como um coquetel de prazer.</p>
<p>Ora, é bem provável que, justamente, a função da música (como da arte em geral) seja a de manutenção do equilíbrio mental, já que De Gregori (1999) advertiu que o ser humano não tem usado de forma equilibrada as três partes do cérebro (hemisfério esquerdo: racional; direito, criativo e porção central reptiliana, pragmática).</p>
<p>Assim, a música, as artes em geral, e os quadrinhos (como parte integrante das artes) são necessários ao equilíbrio de um ser humano criativo: que tanto os cria, como os absorve como espectadores.</p>
<p>No meu caso, já tendo inclusive percebido que o processo criativo é “quântico”, e já tendo experienciado situações criativas, não só na elaboração artística de desenhos e de histórias em quadrinhos, bem como na elaboração de jogos de palavras (trocadilhos), e até mesmo no esporte &#8211; já fui praticante de basquete amador, e pude sentir, em determinados períodos, processamentos incrivelmente rápidos de movimentos, em que meu corpo se ajustava durante um jogo, por exemplo, realizando manobras rápidas, que me traziam sentimentos e sensações criativas e prazerosas. O mesmo ocorre ao desenhar ou escrever um artigo, mas somente quando eu começo a obter uma fluição no desenvolvimento do trabalho (racional ou artístico). Porém, no elaborar artístico, o “pensar” me parece ser muito mais complexo, sistêmico, dinâmico e “misturado” (em que a noção de tempo se perde, como se fosse algo extremamente rápido).</p>
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		<title>O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 1</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 11:59:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[Charles Darwin]]></category>
		<category><![CDATA[fantástico-filosófica]]></category>
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O Processo criativo na elaboração de uma HQ fantástico-filosófica: o sistêmico em contraponto ao fragmentado* 
Resumo:
Embora pouco se divulgue, há diferenças no processamento da criação artística e o pensamento cartesiano em que áreas cerebrais distintas são acionadas. O ato criativo supõe interação mental envolvendo um cérebro ambi-hemisferial: direito (intuitivo e atemporal), e esquerdo (racional e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_08.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18584" title="gazy_fig_08" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_08.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p><strong>O Processo criativo na elaboração de uma HQ fantástico-filosófica: o sistêmico em contraponto ao fragmentado* </strong></p>
<p><strong>Resumo:</strong><br />
Embora pouco se divulgue, há diferenças no processamento da criação artística e o pensamento cartesiano em que áreas cerebrais distintas são acionadas. O ato criativo supõe interação mental envolvendo um cérebro ambi-hemisferial: direito (intuitivo e atemporal), e esquerdo (racional e temporal). Assim, elaborar uma história em quadrinhos (HQ) pressupõe um diferencial do de pensar e escrever um artigo.</p>
<p>Com base nas descobertas do processamento mental, aponto considerações e reflexões acerca do processo criativo, em especial nas HQ fantástico-filosóficas que realizo, baseando-me em De Gregori, Goswami e outros. Assim, como metodologia experimental, apresentei um ato artístico em que criei uma HQ ao som de música, que pode ser visto no vídeo abaixo:</p>
<p><span id="more-18583"></span> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="451" height="366" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/k3d_xuog7Uk?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="451" height="366" src="http://www.youtube.com/v/k3d_xuog7Uk?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>O criar artístico e racional</strong><br />
As descobertas atuais da ciência, principalmente no que concerne à área cognitiva tem modificado a maneira de ver e de pensar o cérebro (a mente). Além disso, a própria mudança paradigmática da ciência clássica para a quântica destronou uma visão tida como objetiva e cartesiana excludente, para outra subjetiva e probabilística de uma realidade, que afeta a humanidade (Andraus, 2006). Com isso, têm surgido novas maneiras de se encarar a(s) realidade(s) e o ensino tem também se modificado. Buscam-se novas competências e transformações. O filme Pink Floyd “The Wall” (Parker, 1982) mostrou bem como a educação linear e opressora escondia uma subjetividade e um conteúdo emocional latente e mal trabalhado.</p>
<p>Isto tudo, atualmente, pode ser percebido pela maneira de se verificar como funciona a mente: nosso cérebro, composto principalmente pelo réptil, límbico e neocórtex, e subdividido em hemisfério esquerdo e direito guarda assombros que nunca antes puderam ser verificados, e graças à tomografia computadorizada (cuja tecnologia provém da ciência quântica) vai destrinchando conhecimentos amplos. O hemisfério esquerdo, antes tido como dominante, deixa de ter tal denominação e é visto agora como parte integrante (e integradora) do hemisfério direito (antes tido como obscuro), que se mostra essencial, pois traz o novo, a criatividade, a intuição, o pensamento religioso, que é decodificado e nomeado pelo esquerdo. De Gregori (1999) completa tais informações expondo que há também a parte central (cérebro réptil), pragmática, que operacionaliza tudo (fig. 1).</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18585" title="gazy_fig_01" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_01.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a></p>
<p>O autor sugere que o uso equilibrado das três funções é o ideal para uma vida ampla. As experiências e pesquisas atuais atestam tal veracidade: mas há muito ainda que descobrir. Como, por exemplo, a leitura dos fonemas, que se dá principalmente no hemisfério esquerdo, enquanto que as imagens no direito (incluindo a leitura de ideogramas).</p>
<p>As histórias em quadrinhos são feitas principalmente por imagens. A união dos desenhos dos quadrinhos, com a lógica cartesiana de sua estrutura mais os textos fonéticos, podem corroborar numa ativação diferenciada do cérebro, do que aquela que pertinente ao texto per si.</p>
<p>Porém, o que aqui está em pauta é reconhecer, graças a esses desvelamentos científicos, a diferença no processamento racional (fragmentado) e intuitivo (sistêmico). Ambos hemisférios têm diversas áreas de atuação e operacionalização, mas um ou outro hemisfério pode ter mais ativação em determinadas áreas próprias, de acordo com os estímulos (hipertrofiando partes, e atrofiando outras).</p>
<p>Ao escrever um texto científico, por exemplo, a escrita fonética, mais o processamento racional mental, provavelmente incidem num uso muito alto das áreas pertinentes à lógica e à razão (hemisfério cerebral esquerdo). Isto não quer dizer que não haja criatividade, pois as “descobertas” que vão surgindo durante o elaborar das pesquisas são prenhas de criatividade. Porém, ao elaborar uma obra artística – quer seja pintura, poesia, vídeo arte ou história em quadrinhos, por exemplo, a operacionalização mental pode se dar distintamente.</p>
<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_06.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18586" title="gazy_fig_06" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_06.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Nachmanovitch menciona essa questão acerca do processamento criativo de certos artistas:</p>
<p style="text-align: left;"><em>‘As artes plásticas criaram uma tradição de “automatismo”; pintores como Wassily Kandinsky, Yves Tanguy, Joan Miro e Gordon Onslow Ford encararam suas telas sem nenhum tema preconcebido, apenas permitindo que as cores e formas fluíssem de um impulso intuitivo e espontâneo do inconsciente. Nas improvisações, séries de pinturas que constituíram a base para grande parte da arte do século XX, Kandinsky traça estados de espírito e transformações na forma como lhe ocorriam’. (NACHMANOVITCH, 1993: 20-21)</em></p>
<p>Na atualidade há a possibilidade de se averiguar como se dá esse processo na mente por pesquisas em que a tomografia computadorizada acuse o processamento dos atos. Porém, não há registro conhecido oficial de que os quadrinhos (ou “banda desenhada”, como são conhecidas as histórias em quadrinhos em Portugal) tenham sido aferidos, conquanto sua leitura e incidência mental.</p>
<p>Alan Moore explica a questão da leitura das imagens em contraposição aos textos, elucidando que o governo americano já investigou o fenômeno:</p>
<p><em>‘Da forma como eu compreendo a divisão entre o lado esquerdo do cérebro, e o lado 	direito, e 					em termos muito gerais, a metade esquerda lida com o racional, a linguagem, a articulação de frases. A metade direita lida com o irracional, o inconsciente. Pode ser que a palavra seja a unidade de conta da metade esquerda, e a imagem seja a unidade de conta da metade direita. E há  realmente  algo de único na maneira  como a banda desenhada combina palavras com a imagem. Eu sei que foram feitos testes no Pentágono, para apurar a forma de transmitir a informação de um modo mais directo e eficaz, de forma a que essa informação fosse retida, e concluíram que essa forma é a banda desenhada. Não é o texto sem imagens, nem o texto ilustrado. Penso que isso se deve ao facto de a banda desenhada apelar simultaneamente às duas metades do cérebro. Há pessoas que não sabem ler banda desenhada. E a explicação que dão para não saber ler banda desenhada é que não sabem por onde começar – se pelo texto, se pela imagem. Se fizermos a mesma pergunta a qualquer leitor de banda desenhada, ele não saberá dizer por onde começa. É uma leitura simultânea’ (MOORE, 2002: 8).</em></p>
<p><em><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18587" title="gazy_fig_02" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2011/04/gazy_fig_02.jpg" alt="" width="457" height="455" /></a></em></p>
<p>É sabido que Charles Darwin, conforme se utilizava cada vez mais do cérebro racional, com o passar dos anos percebeu-se menos sensível às artes:</p>
<p><em>‘Darwin preocupou-se com a diminuição de sua sensibilidade artística nos últimos anos. Darwin concluiu que a atrofia vinha da unilateralidade de sua atividade científica. Concluiu que é uma perda de felicidade, pois prejudica também o caráter moral, debilitando a parte excitável da natureza humana’ (TREVISAN,2002:19).</em></p>
<p>Como autor, e após terminar a tese de doutorado pude comprovar (tendo me tornado cobaia involuntariamente de mim mesmo) que isso é pertinente: usei tanto de racionalidade que acabei diminuindo minha vontade de criação artística.</p>
<p>Ainda assim, e apesar dessa sobrecarga em meu processamento racional, vez ou outra, ao criar HQ, principalmente após esse período, pude perceber mais nitidamente a diferença de processamento mental entre o pensar racional e o quântico-artístico.</p>
<p>Como exemplo, quando elaborei a HQ “Hesperornis-Pássaro do oeste” (fig. 2), verifiquei durante o processo, que os “saltos” mentais eram diferentes, e que as lógicas outras, das de uma narrativa linear. Ao terminar a elaboração de HQ, fui constatando diferenciais no processamento para elaborá-la diferentemente de outro mais lento e esmiuçado que se dá ao elaborar um artigo científico (como este que estou ora redigindo).</p>
<p><em>*Texto reeditado a partir de sua publicação e apresentação no Para o II Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual – FAV UFG &#8211; Poéticas Visuais (2009).</em></p>
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		<title>Yeshuah – assim em cima assim embaixo&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 12:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
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Yeshuah – assim em cima assim embaixo: assim nos quadrinhos, assim na mente cósmica!
No ano de 2009 houve um lançamento na área dos quadrinhos autorais que se compara a um marco no Brasil: Yeshuah – assim em cima assim embaixo (fig. 1) de Laudo Ferreira (roteiro e arte) e Omar Viñole (arte-final).
Não é uma mera [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12621" title="capa" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/capa.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p><strong>Yeshuah – assim em cima assim embaixo: assim nos quadrinhos, assim na mente cósmica!</strong></p>
<p>No ano de 2009 houve um lançamento na área dos quadrinhos autorais que se compara a um marco no Brasil: Yeshuah – assim em cima assim embaixo (fig. 1) de Laudo Ferreira (roteiro e arte) e Omar Viñole (arte-final).</p>
<p>Não é uma mera obra de ficção, nem de cunho religioso, ou de afronta ao cristianismo. É uma obra de autoria pessoal, de pesquisa meticulosa, de imposição pessoal, derivativa da máxima de Sócrates “homem, conhece-te a ti mesmo”, que Laudo impõe a si mesmo.</p>
<p>Nisso, compartilha com os outros sua porção pessoal do tema: a vida de Jesus Cristo.</p>
<p>Mas qual a relação dessa questão com a busca do auto-conhecimento? A maioria dos homens que trouxe à baila a busca da questão existencialista enfatizou que devíamos conhecer a nós mesmos para que pudéssemos continuar a singrar nesse caminho humano. Buscar a si mesmo implica em se aventurar nas profundezas de nossa própria psique, e isso pode ser feito principalmente na realização de trabalhos artísticos (ou científicos).</p>
<p>Explico-me: em qualquer uma das modalidades, está premente a aventura de mergulhar na pesquisa, de se inteirar naquilo que se faz, o que de certa forma condiz com o aforismo de Goethe de que aquilo a que aspiramos fazer, se o fizermos com coragem, a genialidade se associará a ele promovendo uma sorte de acontecimentos inesperados que auxiliarão na execução do pretendido, como se ajudados pelo universo.</p>
<p><span id="more-12620"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12622" title="fig_2" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_2.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 2</em></p>
<p>Laudo legitima esta busca ao explorar de forma pessoal uma investigação sobre a vida de um dos maiores (senão o maior) filósofos e espiritualistas que já caminharam sobre a Terra (junto a Moisés, Buda, Gandhi e mais uns poucos). Essa busca implica na subjetividade a que Laudo submete para apreciar sua visão de Cristo, mas não sem mesclá-la com fontes nos Evangelhos da Bíblia, e mais, nos apócrifos.</p>
<p>Nestes últimos, por mais que a Igreja negue sua validade, há uma força e pungência mais poderosas do que o que se encontra muitas vezes no Novo Testamento.</p>
<p>Em minha própria busca por conhecer a espiritualidade, cheguei a ler vários livros do filósofo e educador Huberto Rohden, que também foi fonte de pesquisa para Laudo. Este autor falecido na década de 1980 tentava explicar as metáforas bíblicas para que o complexo humano deixasse a infância do desconhecimento para singrar na adolescência e quiçá maturidade espiritual, tal qual a máxima a que aludi no começo atribuída àquele filósofo grego que preferiu tomar a cicuta do que negar seus ideários conscienciosos.</p>
<p>Quanto a Rohden, a Igreja não estava de acordo com seus libelos e o fez com que se afastasse. Não sem antes de deixar e continuar um legado enorme de livros acessíveis em que, de forma didática, explicava como o mundo e as vias espirituais funcionam, através de metáforas com a matemática, tendo conhecido Einstein, inclusive.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12623" title="fig_3" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_3.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 3</em></p>
<p style="text-align: left;">Podemos comparar Rohden, como a versão mais recente brasileira do padre francês científico Teilhard de Chardin (há ainda o italiano radicado no Brasil Pietro Ubaldi, cuja obra pode ser encontrada na Internet, e o educador brasileiro contemporâneo Ruy Cezar do Espírito Santo). Estes quatro têm similaridades em suas verves educativo-espirituais.</p>
<p>Mas foi num dos livros de Huberto Rohden que descobri os apócrifos e uma das frases atribuídas a Cristo que, feliz, reencontrei também no trabalho de Laudo (á pagina 134 de seu álbum):</p>
<p>Quem procura, não deve parar até encontrar. E, quando encontrar ficará estupefato, e quando estupefato, ficará maravilhado. E então terá domínio sobre todas as coisas (ou ‘domínio sobre o Universo’, na versão de Rohden).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12624" title="fig_4" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_4.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 4</em></p>
<p>Foi quando encontrei essa magnífica assertiva na seqüência de páginas de Yeshuah (fig. 2) que vi quão a fundo foi esse autor de HQ nacional nas buscas para a elaboração de seu álbum: a começar pelos nomes de pessoas e lugares mantidos no original (com glossário ao final), além de um texto introdutório riquíssimo e perfeito para o trabalho, da pesquisadora Júlia Bárány Yaari, que descreve com propriedade acerca dos papiros de Nag Hammadi, bem como os apócrifos e contextualiza a versão histórica desses achados para o mundo religioso e cristão.</p>
<p>Ao fim do álbum, a bibliografia confirma as bases de Laudo, que tal qual Alan Moore o fez em sua obra “Do Inferno” mostra como uma obra artística se iguala a um trabalho cartesiano acadêmico: só que os de Moore e Laudo trazem os desenhos aliados ao texto. E que desenhos!</p>
<p>A capacidade criativa na elaboração dos personagens calcados na fisionomia dos semitas, os trajes, a arquitetura e geografia&#8230;está tudo lá em Yeshuah, além de uma caricaturização mais próxima do real, com um relevo no preto que destaca a força imagética da arte (figs. 3 a 5): lembro assim que os desenhos alimentam nosso hemisfério direito (criativo, intuitivo), enquanto que a seqüência linear e os textos fonéticos nos ativam o esquerdo racional do cérebro.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12625" title="fig_5" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_5.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 5</em></p>
<p style="text-align: left;">Isso nos faz imaginar realmente que estamos nos eventos que se sucedem no álbum&#8230;a influência da arte de Laudo, é claramente em alguns momentos da diagramação poética, baseada em Will Eisner (fig. 6), mas tendo seu diferencial, porque Laudo não é amador, mas sim profissional com estilo próprio.</p>
<p>Aliás, eu conheço sua arte desde a década de 1980 quando publicávamos ambos, através da coeditoria de Edgard Guimarães em seu IQI – Informativo de quadrinhos Independentes (atual QI), nos fanzines&#8230;ou seja, Laudo foi mais um que fez carreira e experimentações na área ampla e irrestrita do rico universo dos fanzines nacionais (fig. 7). Pois naquela época ninguém imaginaria poder publicar uma obra como essa de agora.</p>
<p>E passaram-se mais de 2 décadas para que seu intento se realizasse. A fé de Laudo tem mesmo a ver com o tema de seu álbum! O que comprova que uma obra de arte como esta é realmente atemporal. O autor já alertou que finaliza a segunda parte (vindo a seguir a terceira), numa trilogia que, quase certo, será uma das melhores obras em conjunto da HQ Brasileira de todos os tempos!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_6.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12626" title="fig_6" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_6.jpg" alt="" width="455" height="455" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 6</em></p>
<p>E que isso não iniba ninguém, pois que continue a abrir portas para que os autores brasileiros sejam finalmente reconhecidos em seus trabalhos, como esse Yeshuah, e que expandam os limites e estilos (como o gênero Fantasia-Filosófica, do qual eu e Edgar Franco, além de outros, compartilhamos).</p>
<p>Yeshuah não é para simples deleite ou entretenimento. Isto também é possível em sua leitura. Porém, creio que Laudo quis passar algo mais para nossas mentes hemisferiais direitas (aquela da intuição/criatividade). Ele quis que sentíssemos como seria presenciar a vida de Yeshuah naqueles tempos iniciais da marcha consciencial humana&#8230;e conseguiu! Aliado a isso, trouxe também uma mensagem simples: expandam suas mentes e (re)criem junto!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-12627" title="fig_7" src="http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2010/05/fig_7.jpg" alt="" width="455" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 7</em></p>
<p style="text-align: left;">A vida de Cristo não foi apenas uma passagem, mas sim uma mudança paradigmática para aquela época. E que repercute até hoje. E isto a obra explora e mostra!</p>
<p>O mais interessante desse trabalho autoral de Laudo, é que ele não apologiza a igreja e nem a religião, mas simplesmente destaca a vida de um homem consciente que andou na Terra&#8230;mas que, como se vê nos quadrinhos, aprendeu com outros povos, inclusive com orientais, a desenvolver seu potencial mental&#8230;potencial esse em que o filho de Deus teimava em repetir a todos que poderíamos fazer igual&#8230;e não é que Laudo, à sua maneira, o fez, e agora nos repassa?</p>
<p>Gazy Andraus; São Vicente, fevereiro/maio de 2010.</p>
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		<title>Camiño di Rato 3</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 11:57:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
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Camiño di Rato 3: a complexidade pela dualidade dos sentimentos (Fig.2)

A proliferação de publicações autorais com quadrinhistas nacionais têm aumentado numa escala vertiginosa de alguns anos para cá. Até a década de 1990, havia bastante instabilidade no mercado (por isso muitos fanzines), e os quadrinhos ainda eram pouco valorizados e reconhecidos.
Porém, apesar disto, ainda falta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11150" title="Fig-2-capa-1" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-2-capa-1.jpg" alt="Fig-2-capa-1" width="398" height="600" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Camiño di Rato 3: a complexidade pela dualidade dos sentimentos (Fig.2)<br />
</em></p>
<p>A proliferação de publicações autorais com quadrinhistas nacionais têm aumentado numa escala vertiginosa de alguns anos para cá. Até a década de 1990, havia bastante instabilidade no mercado (por isso muitos fanzines), e os quadrinhos ainda eram pouco valorizados e reconhecidos.</p>
<p>Porém, apesar disto, ainda falta um bom percurso para que as HQ finalmente sejam tidas de igual pra igual como o é o cinema, por exemplo. Mas isto, ao que parece, é questão de tempo.</p>
<p>Até que isso ocorra de vez, ainda surgem também, em meio aos álbuns e graphic novels, revistas endereçadas a um público mais maduro, como a pequenina em formato mas grande em qualidade, <a href="http://zineroyale.wordpress.com/">Zine royale</a>, editada pelo competente Jozz.</p>
<p>Além dessa, entre muitas outras dentro do movimento <a href="http://www.4mundo.com/">4º Mundo</a>, aparecem algumas que têm uma linha específica, como a Camiño di Rato, feita pelos uberlandenses Matheus Moura e Rosemário, com vários colaboradores quadrinhistas que também são pesquisadores da Nona Arte, como Edgar Franco, Alberto Pessoa, Gian Danton e este que voz escreve.</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-11146"></span><img class="aligncenter size-full wp-image-11151" title="Fig_1-FFeroz" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig_1-FFeroz.jpg" alt="Fig_1-FFeroz" width="400" height="400" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Fêmea Feroz</em><em><em> </em>(Fig.1)</em></p>
<p>A revista lembra algumas similares da década de 1990, como a efêmera Fêmea Feroz (fig. 1), que prometia publicar HQ criativas, mas só durou o primeiro número. Porém, Matheus Moura tem obtido apoio da Lei Rouanet e não mostra sinais de parar: ao contrário, já recontactou alguns dos colaboradores assíduos para o quarto número da revista, pretendendo algumas mudanças a partir dali, mas não no enfoque escolhido pela Camiño&#8230;</p>
<p>Neste meu texto, eu analiso o recente terceiro número, que está oficialmente lançado no dia 27 de fevereiro de 2010 na livraria HQMix, em São Paulo.</p>
<p>Apesar de colaborador, tento manter um olhar crítico de leitor, e no caso, leitor adulto aberto a diferentes possibilidades. Inclusive, a esta minha coluna de Consciência e Quadrinhos costumo relacionar os quadrinhos à questão de mente humana. Pois bem: ouço de alguns autores (bem como de leitores e críticos) que uma boa história em quadrinhos é aquela que “conta uma boa história”.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-11152" title="Fig-3-capa2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-3-capa2.jpg" alt="Fig-3-capa2" width="398" height="600" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Rato “punk”<em><em>, </em></em>desenho de autoria de D. Ramirez<em><em> </em>(Fig.3)</em></em></p>
<p>Mas isso é limitação: seria o mesmo que se afirmar que uma boa literatura é aquela que sempre conta uma história em narrativa tradicional ou prosa&#8230;e como ficam as poesias, os poemas hai-kais? Contam “história” de outra maneira, elíptica e diferente de um roteiro-padrão. E não deixam de ser literatura por isso. Nos quadrinhos (bem como nos filmes de curta-metragem) também há essa possibilidade. Quadrinho não é sempre uma narrativa tradicional!</p>
<p>A revista Camiño di Rato traz autores que também se servem dessa possibilidade de um quadrinho experimental que grassava nos zines.</p>
<p>Porém, à primeira lida, tive uma impressão ambígua, e tanto negativa: passou-me que muitas das HQ fazem apologia de um destino malfadado e pessimista. Porém, eu não a havia lido inteira. Decidi-me, então, passar à revista a leitura, e constatei algumas conclusões novas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-11153" title="Fig-4-Soter-Bentes-" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-4-Soter-Bentes-.jpg" alt="Fig-4-Soter-Bentes-" width="398" height="600" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Bloco de Pedra(fig. 4)</em></p>
<p>Primeiro, é mister lembrar que a arte reflete a psique do ser humano, no estado em que se encontra. Assim, o que quer que façamos na vida, especialmente a arte, o conteúdo expõe metaforicamente o andor de nosso ser interno.</p>
<p>Portanto, num mundo cheio de problemas e questões que a humanidade não sabe resolver (ou colabora para criar), é natural a insatisfação e dissabores que grassam nas respostas artísticas. A Camiño, porém, intercala humor e reflexão, que muitas vezes não é fácil a digestão.</p>
<p>A começar pela capa de Shimamoto (fig. 2) mostrando um rato que acabou de vencer a luta contra um gato (que não aparece, exceto por sua cauda metonímica). A última capa (fig. 3) também tem outro desenho de autoria de D. Ramirez (um rato “punk”).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-11154" title="Fig-5a-Deinomos" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-5a-Deinomos.jpg" alt="Fig-5a-Deinomos" width="398" height="600" /><img class="aligncenter size-full wp-image-11155" title="Fig.-5-Deinomos" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig.-5-Deinomos.jpg" alt="Fig.-5-Deinomos" width="398" height="600" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>“Deinomos” (fig 5 e 5a)</em></p>
<p>As duas HQ coloridas que se estampam nas contra-capas mostram uma arte diferente de Soter Bentes, num belo colorido: um humor ameno e bem interessante.</p>
<p>Destaque para a última HQ “Bloco de Pedra” e sua diagramação, em especial o “grito” emoldurante da personagem no quadrinho final: esta HQ traz uma mistura entre a arte dos desenhos e o texto, que nesse caso estão muito bem balanceados, trazendo a informação inteligentemente: a imagética completa a fonética e vice-versa (fig. 4).</p>
<p>Outra HQ, “Lenda” (esta de Rosemário) mostra, tal qual a minha HQ “Deinomos” (fig 5 e 5a) , numa interessante coincidência, em que o ser humano é passível de falhas, embora tenhamos sido levados a pensar que fomos feitos à semelhança de um ser superior (que em primeira instância, seria “perfeito”).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-11156" title="Fig-6-Edgar-franco" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-6-Edgar-franco.jpg" alt="Fig-6-Edgar-franco" width="398" height="600" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>“O Ideal Transumano” de Edgar Franco (fig. 6)</em></p>
<p>A mais alinear é a HQ “O Ideal Transumano” de Edgar Franco (fig. 6). Mas assim como eu, ele traz um texto como co-leitura da HQ, expondo uma metodologia diferenciada nessa sua HQ, que traz imbricamentos de várias áreas científicas, mas que obviamente também conceitua a preocupação no complexo humano, levando-nos à reflexão.</p>
<p>Depois vem a “pesada” “Navalha” de Al Greco (fig. 7), com influências do pintor expressionista Edvard Munch (fig. 8), e sua tela “Puberdade” (de 1894). É uma HQ muda lúgubre, que remete aos pintores não só expressionistas, como simbolistas. Remeteu-me a Henry Fuseli e sua pintura The Nightmare, 1781 (fig. 9), em que um íncubo aparece deitado sobre uma donzela adormecida (esta pintura já foi mencionada por Alan Moore numa das seqüências da série Monstro do Pântano).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-11158" title="Fig-7-Navalha-Rosemario" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-7-Navalha-Rosemario.jpg" alt="Fig-7-Navalha-Rosemario" width="398" height="600" /><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>“Navalha” de Al Greco (fig. 7)</em></p>
<p>A HQ “Shii (morte)” de Matheus e Shima trazem a apoteose de o que é a arte de viver – mesmo na morte! Gonçalo Jr. e Bira Dantas trazem a mais tragicômica das HQ (fig. 10), em 12 páginas revelando no último quadrinho uma imagem que sintetiza o ser-estar dos cidadãos na sociedade, e como cada qual leva a vida pela ótica de seu próprio umbigo (a história nos faz perceber, em meio a uma arte caricatural e hilária a razão trágica de o porque o ser humano é o que é&#8230;).</p>
<p>Na revista ainda aporta um interessante texto do cientista social (e poeta) Gustavo H. Ferreira&#8230;é um artigo profuso e um pouco prolixo no começo, mas necessário para que ele pudesse traduzir o que costuma estar hermético em nossos íntimos. É um texto filosófico, rico, esclarecedor, dos paradoxos a que nos submetemos na vida, e quase nunca paramos para refletir sobre questões como vida, cultura e o que se entende por “alternativo”.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="Fig-8-Munch-Puberdade" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-8-Munch-Puberdade.jpeg" alt="Fig-8-Munch-Puberdade" width="398" height="600" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>“Puberdade” (1894), de Edvard Munch (fig. 8 )</em></p>
<p>Ele cita até dois exemplos, o Radiohead, banda que disponibiliza suas faixas gratuitamente na Internet e um local alternativo em Uberlândia, o “Goma”. Tudo isso, para concluir que o tal alternativo está como que engessado no mercantilismo social do qual tenta se “alternativar”, não tendo como escapar. Um texto pródigo em reflexão!</p>
<p>G. Danton e G. Silveira trazem a ficcional (mas metafórica) “Caninos brancos”, criando seres que são mesclas entre o “bicho-papão” e um bicho de pelúcia, que são sempre caçados, até que um dia, um de seus algozes modifica seu olhar sobre os bichos.</p>
<p>“Erros” de Vinicius Posteraro parece confirmar a mensagem da HQ “Lenda” de Rosemário, em que o ser humano tem mais semelhança com um arremedo defeituoso do que com uma criação correta da natureza; e “Frígida” De M. Moura e Rosemário imbrica em mais uma das situações desprezíveis quando o ser humano não exerce de forma construtiva suas qualidades.</p>
<p>Além dessas, há mais um pouco de humor, para mudar o aspecto, com HQ de Beto Martins e tiras de Henrique Magalhães (sendo agraciado agora no mesmo dia 27 de fevereiro de 2010, com o prêmio Angelo Agostini “Mestres do Quadrinho Nacional”, junto a Franco de Rosa e Rodval Mathias), Jimmy Ruis, Edgard Guimarães e os editores-autores da revista.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="Fig-9-fuseli_nightmare" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-9-fuseli_nightmare.jpg" alt="Fig-9-fuseli_nightmare" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>The Nightmare (1781) de Henry Fuseli (fig. 9)</em></p>
<p>Finalizam a Camiño uma HQ de Alberto Pessoa pondo em pauta a questão do fascínio pela violência em filmes, e “Zíper” (de Rosemário) numa brincadeira “inocente”, possível graças à linguagem cinematográfica e quântica dos quadrinhos.</p>
<p>No todo, os aspectos “pesados” que detectei na revista (tragédias, tendências suicidas, necrofilia e violência) são aspectos que realmente chamam a atenção. Porém, ao mesmo tempo, podem levar a reflexões: por que estas criações? Por que singrar por estes caminhos? É devido a gostos dos artistas? Ou talvez preocupações que os afligem, que os acometem, como acometiam Van Gogh e Edvard Munch, tal qual como aparecem em algumas das HQ retratadas?</p>
<p>Eu mesmo, com a HQ poético-filosófica “Deinomos” coloco em pauta a que tipo de evolução aludimos: se o homem descende dos dinossauros, não podemos exterminar o instinto animal (pois genético)?</p>
<p>Somos dinossauros em potencial nesse salto de tempo da natureza? Ou aquilo a que aludiu o biólogo Maturana, como sendo o “amor”, seria uma natural conseqüência da própria evolução da vida&#8230;a qual ainda não alcançamos? Pois sabe-se que o número de genes entre homens e ratos é igual (cerca de 30 mil), embora a ciência pensasse antes haver uma enorme diferença.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="Fig-10-Gonçalo-e-Bira" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-10-Gonçalo-e-Bira.jpg" alt="Fig-10-Gonçalo-e-Bira" width="398" height="600" /><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>HQ tragicômica de Gonçalo Jr. e Bira Dantas (fig. 10)</em></p>
<p>Mas sabe-se também agora, que não é a quantidade, mas sim, os genes responsáveis pela diferença e a expressão deles em proteínas (especialmente no cérebro) que nos diferencia dos ratos, embora sejamos todos mamíferos&#8230;eis talvez porque os idealizadores da revista tiveram a ideia “inconscientemente” do título dela, apesar de parecer um tanto quanto agressivo, e que tem singrado por uma linha próxima (mas com diferenças) da extinta “Mandala’ (antes Tyli-Tyli) publicada pela fantástica editora “Marca de Fantasia” de Henrique Magalhães.</p>
<p>Nela, Henrique publicava HQ e textos com os principais autores da linha Fantasia-Filosófica (como Edgar Franco, Calazans, e mesmo Rosemário e  Al Greco), tendo sido pioneiro em editar uma revista de quadrinhos exclusivamente a essa temática.</p>
<p>De toda maneira, antes de finalizar este estudo exploratório (e sobre a consciência) sobre o número 3 da “Camiño di Rato”, ainda é possível se apontar duas questões, que refleti:<br />
O conjunto das HQ (mais textos) que fazem a revista demonstra, apesar da dureza de algumas, um empenho em cada autor, e nos editores, de montar um conjunto coeso e pungente, e não algo aleatório e impensado.</p>
<p>Não são trabalhos fáceis de se fazer, tanto dos autores como editores, e todos merecem atenção por parte da leitura, para que se perceba a complexidade envolvida, tal como eu percebi numa leitura atenta.</p>
<p style="text-align: center;"><img title="Fig-11-Barata-web" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Fig-11-Barata-web.jpg" alt="Fig-11-Barata-web" width="398" height="600" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>extinto fanzine Barata (fig. 11)</em></p>
<p>A segunda questão seria uma possibilidade por mim aventada agora: talvez essa revista pudesse sofrer uma “mutação”, causando reflexos no seu nome, como aconteceu com a Tyli-Tyli, para outro título (ou subtítulo) que trouxesse mais foco ao entendimento de seu conteúdo&#8230;algo como “O gene da ratiferença”, ou similar.</p>
<p>Mas essa idéia foi mais uma ponderação pessoal, e talvez não tenha a ver com a proposta corrente da revista, que pode ter esse tom dual de entendimento: um conteúdo forte e arrebatador, lembrando inclusive a força que havia no fanzine extinto “Barata” (fig. 11), editado por Calazans, e que estreou muitos dos quadrinhistas que são reconhecidos na atualidade.</p>
<p>Aliás, a revista “Camiño di Rato” também tem uma “toca” para se esconder/aparecer na Internet. Basta acessar o blog ToKa di Rato, <a href="http://tokadirato.blogspot.com/">clicando aqui</a>.</p>
<p>Gazy Andraus; São Vicente, fevereiro de 2010.</p>
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		<title>A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 3</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 11:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[Marc-Antoiune Mathieu]]></category>
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Figura 8
Nas páginas seguintes há uma mescla destas técnicas: foto, escultura e desenhos, mostrando o passeio surreal e metalinguístico do personagem num mundo “alternativo” em que ele também vê as páginas da HQ na qual ele vive, com desenhos acabados ou não, em passagens quadrinhizadas já vividas pelo personagem assombrado.
Caminhando perturbado, mas resignado, por fim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-8-LeProcessus-Mathieu-trechop44.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8864" title="Fig. 8-LeProcessus-Mathieu-trechop44" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-8-LeProcessus-Mathieu-trechop44.jpg" alt="Fig. 8-LeProcessus-Mathieu-trechop44" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 8</em></p>
<p>Nas páginas seguintes há uma mescla destas técnicas: foto, escultura e desenhos, mostrando o passeio surreal e metalinguístico do personagem num mundo “alternativo” em que ele também vê as páginas da HQ na qual ele vive, com desenhos acabados ou não, em passagens quadrinhizadas já vividas pelo personagem assombrado.</p>
<p>Caminhando perturbado, mas resignado, por fim, nosso herói reconhece, numa das pranchas da HQ do artista, seu quarto, e resolve “descer e entrar” nele, novamente (fig. 8).</p>
<p>Na página 45 surge mais um capítulo, mas também referenciado como 5o, que se chama “o circuito se fecha”:</p>
<p>Nesta página, um único e grande quadro mostra Jacquesfacques de costas na cama, despertando. Na página seguinte ele se depara com seu outro eu, e na página 46, repetem-se os 5 últimos quadros da página 8, e a p. 47 se mostra idêntica a p. 9, culminando na página 48 (fig. 9), que seria idêntica à 10ª. página não fosse por sua leitura espiralada até o centro da página, em escala reducional de quadros, como se estivesse repetindo todo o percurso já lido da HQ, aludindo a um destino cíclico (e espiralado?).</p>
<p><strong>Comentários consideráveis: </strong></p>
<p><span id="more-8863"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-9-LeProcessus-Mathieu-p48.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8865" title="Fig. 9-LeProcessus-Mathieu-p48" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-9-LeProcessus-Mathieu-p48.jpg" alt="Fig. 9-LeProcessus-Mathieu-p48" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 9</em></p>
<p>Nesta HQ, existem as idéias do “eterno retorno”, do déja vù, do conceito da ciência fractal (o pedaço mínimo faz, em junção aos outros, o todo), as questões da psicanálise e dos sonhos, as imbricações quânticas e da lei da relatividade do passado, presente e futuro, e mundos (universos) paralelos, que atualmente são bastante divulgados pelos cientistas contemporâneos como possibilidades muito viáveis&#8230;</p>
<p>A idéia de um alter ego como esse é estranha à primeira vista e pouco plausível, mas parece inevitável que acabemos por aceitá-la, pois essa idéia tem sustentação em observações astronômicas.<br />
(&#8230;)<br />
Os cientistas têm discutido a existência de pelo menos quatro tipos diferentes de universos paralelos. O ponto-chave não é discutir se o multiverso existe, mas quantos níveis ele possui. (TEGMARK,  Max.  O jogo de espelho dos Universos Paralelos. In  Scientific American Brasil,  ano 2, n. 13, junho de 2003, São Paulo: Ediouro, Segmento-Duetto Editorial Ltda.).</p>
<p>Lembrando também que as HQ são os únicos veículos que permitem ao leitor uma visualização simultânea do passado, presente e futuro: enquanto seus olhos (as fóveas centrais) miram o quadro presente, suas visões periféricas fazem a varredura (subliminar) dos quadros já lidos e daquelas que o serão, de cada página lida.</p>
<p>Ao que parece, o autor também brinca com este conceito, e o repercute na metalinguagem e na espiral (principalmente da última página do álbum).<br />
É uma história extremamente criativa e complexa em sua estrutura (cuja essência remonta também ao filme Matrix, cuja realidade é relativa), que põem em pauta principalmente as questões do livre-arbítrio e destino, na qual se critica também a mesmice dos paradigmas mentais e a perda dos valores humanos.</p>
<p>E para finalizar, o autor causa um estranhamento ao inserir dois 5os. Capítulos repetidos: qual o motivo desta “repetição”?</p>
<p>Como eu afirmei, principalmente pela qualidade estética, gráfica e reflexiva, (pois nos faz pensar as  realidades e a consciência) os trabalhos desse autor francês (fig. 10) merecem urgentemente ser publicados também no Brasil.</p>
<p>Alguma editora se habilita[4]?</p>
<p>Gazy Andraus, (gazya@yahoo.com.br; http://tesegazy.blogspot.com/ )<br />
doutor em ciências da comunicação pela ECA/USP; professor da FIG-UNIMESP, membro do Observatório de HQ da USP e do INTERESPE – Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação, bem como autor de HQ fantástico-filosóficas.</p>
<p>São Vicente, dezembro de 2002 (atualizado em 2009)</p>
<p>____________________________</p>
<p><strong>Nota de Rodapé:</strong></p>
<p>4 &#8211; Site para conhecer mais acerca de Marc-Antoine Mathieu, <a href="http://pagesperso-orange.fr/cicla/div/marc-antoine_mathieu.html">clique aqui</a>. Além disso, veja um álbum diferente “Dieu in personne”, outra obra interessante de Mathieu, <a href="http://www.editions-delcourt.fr/aller_plus_loin/dossiers_bd/interview_de_marc_antoine_mathieu_pour_dieu_en_personne">clique aqui</a>.</p>
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		<title>A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 2</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 10:58:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Jacquesfacques]]></category>
		<category><![CDATA[Julius Corentin]]></category>
		<category><![CDATA[Le Processus]]></category>
		<category><![CDATA[Marc-Antoiune Mathieu]]></category>

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Figura 4
Antes de continuar a narrativa, deve ser lembrado que na página inicial desta HQ, no prólogo, o mecanismo de um relógio que é mostrado apresenta uma variação “ínfima”, que pode ter, como pergunta o texto no 6o. quadrinho, como se verá, uma influência no destino do personagem (fig. 4).
No capitulo 2, em meio ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-4-LeProcessus-Mathieu-p3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8852" title="Fig. 4-LeProcessus-Mathieu-p3" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-4-LeProcessus-Mathieu-p3.jpg" alt="Fig. 4-LeProcessus-Mathieu-p3" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 4</em></p>
<p>Antes de continuar a narrativa, deve ser lembrado que na página inicial desta HQ, no prólogo, o mecanismo de um relógio que é mostrado apresenta uma variação “ínfima”, que pode ter, como pergunta o texto no 6o. quadrinho, como se verá, uma influência no destino do personagem (fig. 4).</p>
<p>No capitulo 2, em meio ao trânsito “aéreo” surrealista de bicicletas sobre fios, o motorista vai conduzindo Jacquesfacques através de diversos recintos e locais, dentre os quais, ressalta-se na pág. 16, a sala onde se dão as cotações das bolsas de valores da cidade. Mas nesse caso, as “bolsas” estão em baixa (fig. 5), e são outras diferentemente das que são reconhecidas no mundo capitalista: aqui elas são a vontade, cotação (-) 8, lealdade (-) 0,3, sinceridade (-) 6, e por aí vai, numa crítica contumaz do autor às qualidades humanas, perdidas talvez em meio à burocratização da vida.</p>
<p>Afinal, Jacquesfacques chega ao destino: a usina dos sonhos, local que controla o único espaço vital que subsiste: o sonho. É mais uma crítica ao sistema social que cerceia os passos inusitados do destino do homem. Nosso personagem, que lá tinha uma consulta marcada, é confundido com outro, e não consegue se desvencilhar dos médicos que prontamente o operam (algo relacionado à mente).</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-8851"></span><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.5-LeProcessus-Mathieu-trechop16.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8853" title="Fig.5-LeProcessus-Mathieu-trechop16" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.5-LeProcessus-Mathieu-trechop16.jpg" alt="Fig.5-LeProcessus-Mathieu-trechop16" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 5</em></p>
<p>Em meio a várias passagens, surgem elementos espirais: jogos, desenhos etc, como que para demonstrar um padrão, tal qual o da ciência fractal.</p>
<p>No capítulo seguinte (fig. 6), vemos Jacquesfacques despertar em seu apartamento, que, encafifado com a ausência do teto, se pendura na parede e verifica que sua visão se estende até os outros apartamentos, em uma configuração similar aos quadrados do xadrez, numa perspectiva visual infinita (ele está num sonho).</p>
<p>Enquanto isso, de volta à sala onde foi operado, surge o mesmo personagem, mas de pijama, e avisa aos médicos que era ele que deveria ter sido operado e não seu outro eu, que se encontra ainda preso à cama.</p>
<p>Estabelecida a explicação, os médicos mostram por uma escotilha, os sonhos do paciente e dizem que agora é tarde: eles já o perderam no sonho.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-6-LeProcessus-Mathieu-p24.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8854" title="Fig. 6-LeProcessus-Mathieu-p24" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-6-LeProcessus-Mathieu-p24.jpg" alt="Fig. 6-LeProcessus-Mathieu-p24" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 6</em></p>
<p style="text-align: left;">No 4o. capítulo, enquanto Jacquesfacques caminha por cima dos vãos dos apartamentos, ele vai passando por quartos em que são demonstradas cenas já passadas na própria HQ (e talvez cenas “futuras”). Na caminhada ele encontra pessoas que o aconselham a ter cuidado ao se encontrar com o “vortex”, e também se depara com um serviço de informações, e um bibliotecário além de uma vasta biblioteca. Travam diálogo, e o bibliotecário descreve em que posição ele se encontra no setor (como se estivesse demonstrando o posicionamento de uma estrela em um mapa celeste abobadado).</p>
<p>De repente, despenca outro personagem (Jacquesfacques também de pijama) que derruba vários livros. Embora o outro Jacquesfacques se surpreenda, ele é reprimido pelo bibliotecário, por causa da bagunça causada (é como se o bibliotecário não tivesse feito distinção dos dois outros personagens, encarando-os como um só).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7a-MarcAMathieu-HQ1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8855" title="Fig. 7a-MarcAMathieu-HQ1" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7a-MarcAMathieu-HQ1.jpg" alt="Fig. 7a-MarcAMathieu-HQ1" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 7</em></p>
<p style="text-align: left;">Enfim, o que caiu, retorna para cima, e o outro se despede do bibliotecário e sai, seguindo as indicações a ele dadas. Mas enquanto anda novamente por sobre os muros divisórios dos apartamentos, ele começa a ver uma distorção, até que as paredes parecem se encurvarem como numa espiral: Jacquesfacques acabara de encontar o vórtex (que sinaliza ser um meio para outro universo paralelo)&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7b-MarcAMathieu-HQ2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8856" title="Fig. 7b-MarcAMathieu-HQ2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7b-MarcAMathieu-HQ2.jpg" alt="Fig. 7b-MarcAMathieu-HQ2" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 7b</em></p>
<p style="text-align: left;">E no quinto capítulo ele é engolido pela espiral arquitetônica. A página 37, que abre o capítulo, e se intitula “O infra-sonho ou a ultra-realidade” merece destaque, pois é mais uma ousadia editorial: o autor concebeu a espiral numa concepção gráfica destacada da página (é difícil imprimir um tipo de página assim, pois requer facas especiais nas máquinas industriais gráficas). Assim quando o leitor puxa a página, a espiral se abre num buraco central, vazando até a folha seguinte do álbum, onde surge uma imagem diferente: em vez de desenho, o autor se utilizou de areia e de esculturas do personagem, numa foto impressa. Na mesma espiral, “correm” os quadrinhos da HQ até sumirem de vista (fig. 7ª, 7b, 7c).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7c-MarcAMathieu-HQ3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8857" title="Fig. 7c-MarcAMathieu-HQ3" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-7c-MarcAMathieu-HQ3.jpg" alt="Fig. 7c-MarcAMathieu-HQ3" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 7c</em></p>
<p style="text-align: left;">Continua no próximo post&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 11:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Foucault]]></category>
		<category><![CDATA[Franz Kafka]]></category>
		<category><![CDATA[Julius Acquefacques]]></category>
		<category><![CDATA[L´Origin]]></category>
		<category><![CDATA[Le Processus]]></category>
		<category><![CDATA[Magritte]]></category>
		<category><![CDATA[Marc-Antoiune Mathieu]]></category>
		<category><![CDATA[O Processo]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Figura 1
A múltipla realidade paralela da existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1
Neste último 6º. FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em Belo Horizonte no mês de outubro de 2009, havia um autor francês que acabou não vindo ao evento. O que foi uma pena, pois o trabalho de Marc-Antoiune Mathieu, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-1-MarcAMathieu-HQ.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8843" title="Fig. 1- MarcAMathieu-HQ" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-1-MarcAMathieu-HQ.jpg" alt="Fig. 1- MarcAMathieu-HQ" width="398" height="600" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 1</em></p>
<p><strong>A múltipla realidade paralela da existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1</strong></p>
<p>Neste último 6º. FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em Belo Horizonte no mês de outubro de 2009, havia um autor francês que acabou não vindo ao evento. O que foi uma pena, pois o trabalho de Marc-Antoiune Mathieu, cujo nome apareceu na primeira lista desse último FIQ, é um dos melhores que já vi no cenário da BD (HQ, como são conhecidas na França) contemporânea, em matéria de criatividade, em meio a tanta falta de originalidade generalizada pelo mundo.</p>
<p>Além disso, seus trabalhos trazem em pauta uma crítica à burocratização, em específico na obra “Le Processus” (com o personagem principal Julius Corentin Acquefacques, prisioneiro dos sonhos).</p>
<p>Pois senão, vejamos o que este, um de seus vários álbuns, tem a nos dizer.</p>
<p>“Le Processus [1] ”  (fig. 1) é uma obra em narrativa seqüencial dividida em 5 partes, mais um prólogo, dividido da seguinte maneira:</p>
<p>0) Prólogo;<br />
1) A intrusão fatal;<br />
2) A usina dos sonhos;<br />
3) O pesadelo do teto;<br />
4) Em busca do sonho perdido;<br />
5) O infra-sonho ou a ultra-realidade [2];</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-8842"></span><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-2-Magritte-Issonaoeumcachimbo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8844" title="Fig. 2-Magritte-Issonaoeumcachimbo" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-2-Magritte-Issonaoeumcachimbo.jpg" alt="Fig. 2-Magritte-Issonaoeumcachimbo" width="400" height="400" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 2</em></p>
<p style="text-align: left;">O autor Mathieu tem uma série de vários álbuns, sendo que este é o quinto deles. Ele tece, em cada uma de suas obras uma história fechada, utilizando-se muito de metalinguagem e sobreposições dos tempos presente-passado e futuro (relatividades). Num dos outros álbuns da série (L´Origin), o personagem em foco, Julius Acquefacques, se depara com uma biblioteca que possui livros contendo episódios na forma de HQs das vidas de todas as pessoas.</p>
<p>Na pesquisa ele se depara com o livro que descreve sua vida, e a metalinguagem vem à tona enquanto ele dialoga com o bibliotecário, ao segurar e ler o livro que traz impresso em suas páginas a reprodução da mesma página em que o leitor está lendo. A certa altura, a cena se reproduz em outra página do álbum, como em um dèja-vu. O autor ousa também na concepção gráfica da HQ, “vazando” um quadrinho aberto, que sugere a metalinguagem, no momento em que o personagem aponta para a página anterior, dizendo que o fato já ocorreu.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-3-LeProcessus-Mathieu-p12.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8845" title="Fig. 3-LeProcessus-Mathieu-p12" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-3-LeProcessus-Mathieu-p12.jpg" alt="Fig. 3-LeProcessus-Mathieu-p12" width="398" height="600" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 3</em></p>
<p style="text-align: left;">É um trabalho que conceitualiza as questões do livre-arbítrio e o “maktub”  (está escrito) justamente numa obra “escrita” com textos e imagens na forma de história em quadrinhos. A liberdade de criação do autor faz com que a HQ seja o único veículo que pode permitir [3] tal jogo metalinguístico &#8211; quase como a pintura “Isto não é um cachimbo” de Magritte  (fig. 2), e as incursões filosóficas propostas por Foucault.</p>
<p>Neste álbum “Le Processus”, não ocorre diferente: no primeiro capítulo, Julius Acquefacques, convivendo num mundo apinhado de gente, “trabalhadores-padrão”, como saídos do livro “O Processo”  de Franz Kafka, e num sistema altamente racionalizado, como as engrenagens de um relógio, vê seu mundo se transformar quando acorda no chão de seu quarto, e, antes de sair pela manhã de seu apartamento-padrão, se depara consigo mesmo novamente de pijama deitado em sua cama.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-3a-LeProcessus-Mathieu-p16.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8846" title="Fig. 3a-LeProcessus-Mathieu-p16" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Fig.-3a-LeProcessus-Mathieu-p16.jpg" alt="Fig. 3a-LeProcessus-Mathieu-p16" width="398" height="600" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Figura 3a</em></p>
<p style="text-align: left;">Ambos Julius “paralelos” dialogam, mas logo um deles (o que ia sair) toma o veículo de condução: uma bicicleta com um motorista, que é conduzida entre os prédios por um sistema de cabos nos quais passeiam as bicicletas! (fig. 3 e 3a)</p>
<p style="text-align: left;">Continua no proximo post&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">_________________________</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Notas de Rodapé:</strong></p>
<p style="text-align: left;">1 &#8211; Julius Corentin Acquefacques, prisonnier des rêves- Le Processus de Marc-Antoine Mathieu. Tournai, Belgique: Guy Delcourt Productions, 1993.<br />
2 &#8211; E ainda mais uma surpresa.<br />
3 &#8211; Veja nos comentários finais deste artigo.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px;">Além disso, seus trabalhos trazem em pauta uma crítica à burocratização, em específico na obra “Le Processus” (com o personagem principal Julius Corentin Acquefacques, prisioneiro dos sonhos).<br />
Pois senão, vejamos o que este, um de seus vários álbuns, tem a nos dizer.</p>
<p>“Le Processus ”  (fig. 1) é uma obra em narrativa seqüencial dividida em 5 partes, mais um prólogo, dividido da seguinte maneira:</p>
<p>0) Prólogo;<br />
1) A intrusão fatal;<br />
2) A usina dos sonhos;<br />
3) O pesadelo do teto;<br />
4) Em busca do sonho perdido;<br />
5) O infra-sonho ou a ultra-realidade</p>
<p>O autor Mathieu tem uma série de vários álbuns, sendo que este é o quinto deles. Ele tece, em cada uma de suas obras uma história fechada, utilizando-se muito de metalinguagem e sobreposições dos tempos presente-passado e futuro (relatividades). Num dos outros álbuns da série (L´Origin), o personagem em foco, Julius Acquefacques, se depara com uma biblioteca que possui livros contendo episódios na forma de HQs das vidas de todas as pessoas.</p>
<p>Na pesquisa ele se depara com o livro que descreve sua vida, e a metalinguagem vem à tona enquanto ele dialoga com o bibliotecário, ao segurar e ler o livro que traz impresso em suas páginas a reprodução da mesma página em que o leitor está lendo. A certa altura, a cena se reproduz em outra página do álbum, como em um dèja-vu. O autor ousa também na concepção gráfica da HQ, “vazando” um quadrinho aberto, que sugere a metalinguagem, no momento em que o personagem aponta para a página anterior, dizendo que o fato já ocorreu.</p>
<p>É um trabalho que conceitualiza as questões do livre-arbítrio e o “maktub”  (está escrito) justamente numa obra “escrita” com textos e imagens na forma de história em quadrinhos. A liberdade de criação do autor faz com que a HQ seja o único veículo que pode permitir  tal jogo metalinguístico &#8211; quase como a pintura “Isto não é um cachimbo” de Magritte  (fig. 2), e as incursões filosóficas propostas por Foucault.</p>
<p>Neste álbum “Le Processus”, não ocorre diferente: no primeiro capítulo, Julius Acquefacques, convivendo num mundo apinhado de gente, “trabalhadores-padrão”, como saídos do livro “O Processo”  de Franz Kafka, e num sistema altamente racionalizado, como as engrenagens de um relógio, vê seu mundo se transformar quando acorda no chão de seu quarto, e, antes de sair pela manhã de seu apartamento-padrão, se depara consigo mesmo novamente de pijama deitado em sua cama.</p>
<p>Ambos Julius “paralelos” dialogam, mas logo um deles (o que ia sair) toma o veículo de condução: uma bicicleta com um motorista, que é conduzida entre os prédios por um sistema de cabos nos quais passeiam as bicicletas! (fig. 3 e 3a)</p></div>
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		<title>Do Inferno e a consciência</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 10:28:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gazy Andraus</dc:creator>
				<category><![CDATA[consciência e quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[A Small Killing]]></category>
		<category><![CDATA[Alan Moore]]></category>
		<category><![CDATA[Brought to Light]]></category>
		<category><![CDATA[Coleridge]]></category>
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		<category><![CDATA[Do inferno]]></category>
		<category><![CDATA[Eddie Campbell]]></category>
		<category><![CDATA[Goffredo Telles Junior]]></category>
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		<category><![CDATA[Nubor Facure]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Zarate]]></category>
		<category><![CDATA[Raul Marino]]></category>
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		<category><![CDATA[V de Vingança]]></category>
		<category><![CDATA[Waldemar De Gregori]]></category>
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		<category><![CDATA[Whitechapel]]></category>

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		<description><![CDATA[
figura 01: Do inferno, de Alan Moore e Eddie Campbell
Do Inferno de Alan Moore para os quadrinhos adultos: uma mente autoral a serviço da expansão da consciência
Você já ouviu falar em Whitechapel? É uma igreja em Londres. Ela foi projetada por Hawksmoor para ter uma aparência aterradora e solene, de acordo com as tradições pagãs [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/011.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6149" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/011.jpg" alt="01" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>figura 01: Do inferno, de Alan Moore e Eddie Campbell</em></p>
<p><strong>Do Inferno de Alan Moore para os quadrinhos adultos: uma mente autoral a serviço da expansão da consciência</strong></p>
<p>Você já ouviu falar em Whitechapel? É uma igreja em Londres. Ela foi projetada por Hawksmoor para ter uma aparência aterradora e solene, de acordo com as tradições pagãs dos antigos arquitetos dionisíacos.</p>
<p>E em Tomas Hobbes, o único pensador, antes de seu amigo Coleridge, a sugerir que certos símbolos afetam de forma sutil a mente humana. Você já ouviu falar neles?</p>
<p>Pois estas asserções acima são excertos de um diálogo entre dois personagens, na obra Do inferno, escrita pelo consagrado e polêmico autor de Histórias em Quadrinhos (HQ) inglês Alan Moore, e desenhada por Eddie Campbell (fig. 1).</p>
<p><span id="more-6136"></span>Tal diálogo está no terceiro quadrinho, do capítulo dois, p. 44, do primeiro volume de uma obra dividida em 4 tomos, já editada (e reeditada) no Brasil. Se você nem imagina do que se trata, tente assistir ao filme homônimo que passou pelos cinemas brasileiros (“From Hell”) com o ator Johnny Deep, já lançado em DVD (mas, é óbvio, pouco se aproxima da HQ em complexidade).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/021.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6163" title="02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/021.jpg" alt="02" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Capa de A Small Killing</em></p>
<p>Em primeiro lugar, da época vitoriana, em plena Londres lúgubre, surge uma deformidade alcunhada de homem-elefante, a qual se encontra pessoalmente com (adivinhe quem!) Jack, o estripador. Mas no filme, que é baseado nesta obra de narrativa literário-imagético-dramático-ficcional-realista, muitos detalhes não puderam ser mostrados, só visíveis no álbum roteirizado por Alan Moore e excelentemente desenhado por Eddie Campbell (num estilo hachuriado em preto e branco que lembra os desenhos daquele período retratado).</p>
<p>Nos quatro volumes em quadrinhos, que contam de uma forma aterradoramente realística a convivência de uma Londres conturbada com um homem que assassinava mulheres com requintes de um cirurgião dissecando cadáveres, cujas motivações se encontram além da moralidade ou da imoralidade (a bem dizer de uma quase amoralidade), permeando cultos sacros e iniciações maçônicas, fica-se estarrecido com os limites a que podem chegar os ditames de uma mente humana.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/02a.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6164" title="02a" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/02a.jpg" alt="02a" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Página de A Small Killing</em></p>
<p>A bem dizer, cada um dos quatro volumes traz um apêndice detalhado por Alan Moore, que afere um tom documental único à obra, aferindo um ponto à parte para esta monumental saga, que, na contra-capa de seu quarto e último tomo descreve motivações afinadas inclusive com a física quântica, onde se percebe que o homem não é apenas um corpo, mas sim uma energia ondulatória.</p>
<p>Numa incrível associação, Moore conseguiu unir estes paralelos quânticos à motivação de Jack, o vulgo estripador, lembrando bastante a visão que tem Goffredo Telles Junior da probabilidade quântica da inteligência humana em seu livro O Direito Quântico.</p>
<p>Muito complexo, mas também instigador é o roteiro que nos presenteia o autor, que já contribuiu com o universo das HQ com as obras V de Vingança, Watchmen, a saga ecológica do Monstro do Pântano, e o álbum freudiano incrivelmente ainda inédito no Brasil A Small Killing, um dos melhores trabalhos de Moore, com desenhos de Oscar Zarate (fig. 2 e 2a).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/031.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6165" title="03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/031.jpg" alt="03" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Capa de Brought to Light</em></p>
<p>O roteirista britânico também se envolveu com outro trabalho Brought to Light (fig. 3 e 3a) já recolhido pelo governo norte-americano, e que denunciava atividades escusas da CIA pelo orbe inteiro, promovendo guerras internas e externas, tráfico de armas e drogas, corrupção etc&#8230;tudo o que faria Tio Sam corar até sua alma de vergonha (e ter câncer, segundo uma HQ do álbum)!</p>
<p>O mesmo autor que, por motivos óbvios tem seu visto negado nos Estados Unidos, e um estado de perene desafeto com a rainha e seus súditos&#8230;um autor, que acima de tudo faz valer o significado real da palavra arte, que do latim (ars) significa modo autêntico de ser e agir, e consequentemente revalida sua consciência autoral.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/03a.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6166" title="03a" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/03a.jpg" alt="03a" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Página de Brought to Light</em></p>
<p>Enfim, àqueles que não conhecem nada sobre a histórica época vitoriana, eu sugiro que leiam a obra. Àqueles que nada sabem sobre Jack o estripador, eu sugiro que folheiem os quadrinhos de Alan Moore, que ao final de cada tomo desfila suas pesquisas meticulosas e licenças poéticas para a criação da obra-prima. Àqueles que pouco sabem que as HQ servem como veículo informacional que alia o conhecer ao prazer, eu sugiro que leiam estes tomos.</p>
<p>Enfim, a todos que desconhecem que uma história em quadrinhos pode ser algo mais adulto ainda que um livro, e mais científico que uma monografia (de uma maneira quântica, e que afeta diferentemente a mente humana), sugiro que corram seus olhos nestas pérolas desenhadas&#8230;e é bem provável que suas mentes jamais serão as mesmas novamente.</p>
<p>Moore não é apenas um autor, um roteirista: mas tem uma mente inquieta, pesquisadora, inquiridora, que trabalha fundamentalmente os dois hemisférios cerebrais conforme ele mesmo metaforizou na sua obra Do inferno, num diálogo entre o cocheiro e o médico (vulgo Jack), em que este lhe explica que o cérebro humano tem dupla função hemisferial (fig. 4).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/041.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6167" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/041.jpg" alt="04" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Página de Do inferno</em></p>
<p>Tal fato não é invenção de Moore, mas encontra respaldo nas mais atuais pesquisas do cérebro, com vários pesquisadores confirmando, dentre os quais destaco os que usei em minha tese, como Waldemar De Gregori, Nubor Facure, Raul Marino (deste último pode-se ouvir entrevista em rádio recente: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/caminhos-alternativos/2009/06/27/FE-E-CRENCA-TEM-RESPOSTAS-NO-CEREBRO-RECEITA-DE-SOPAO-LIGHT-O-SEGREDO-DA-LONGEVIDAD.htm ).</p>
<p>Como se vê: para alguns artistas das HQ, esta arte serve como metáfora da busca do saber real, da manutenção e ampliação da consciência, como demonstra ser o caso de Alan Moore.</p>
<p>Gazy Andraus  &#8211; atualizado em julho de 2009.</p>
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