Posts da Categoria ‘consciência e quadrinhos’

Dia Nacional do Fanzine e a importância de Rontani

Por Gazy Andraus | 12 setembro de 2012

Como se aproxima a próxima Fanzinada no dia 15 de setembro, a ocorrer na HQMIX Livraria, tecerei um pouco mais sobre esse Dia Nacional do Fanzine que gostaria de relevar, já que no evento discorrerei também acerca dessa comemoração.

Em meu texto anterior publicado no ImpulsoHQ, recebi alguns comentários de apoio e outros questionando adequadamente o fato de “Ficção” de Edson Rontani ser ou não o primeiro zine brasileiro. Fui lembrado por um leitor, Quiof, que houve outro fanzine chamado Cobra, o qual pode ter saído antes, conforme palavras do comentarista:

sim, O Cobra é pouco citado, o próprio Causo diz que é difícil precisar se esses realmente foram os primeiros, fica a curiosidade de ambos seriam ligados a FC. o Ficção do Rontani é o mais conhecido mesmo, já li em várias publicações, talvez você poderia discutir com o próprio Causo, clicando aqui.

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Dia Nacional dos Zines

Por Gazy Andraus | 22 agosto de 2012

A importância dos fanzines para o Brasil: 12 de outubro – celebrando o dia nacional dos zines.

Na década de 1980 os fanzines no Brasil faziam as vezes das publicações lacunosas de HQ de autoria nacional. Foi nessa época que principiei a conhecer as tais publicações paratópicas (segundo Zavan), e já em meados da década oitentista, iniciei minha participação pelo zine Barata, que durou mais de 20 anos publicando quadrinhos, contos e poesias de uma maneira experimental e inovadora, editado por um grupo de universitários de comunicação da cidade de Santos e capitaneado por Flávio Calazans.

Foi meu ingresso nas HQ adultas e nas publicações, afinal! Um marco em minha vida que me levou a caminhos de descobertas e ampliações: na área das experimentações artísticas dos quadrinhos e nas dos fanzines e suas implicações respectivamente (tanto ao que tange o acadêmico como o artístico).

Aprofundando-me nesse métier fui percebendo o que deixou rastro na história do zine e da HQ nacional no Brasil, pois aqui os fanzines se estabeleceram muito pela aproximação das histórias em quadrinhos, ainda que no mundo inteiro essas revistas independentes paratópicas abordem temas diversos, sejam por meio de artigos e/ou artes como HQ, ilustrações, contos, poesias, contestações etc.

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Prêmio IBAC: a HQ reconhecida

Por Gazy Andraus | 30 novembro de 2011

Um reconhecimento artístico aos quadrinhos através do nome do Prof. Waldomiro Vergueiro

Pela primeira vez o Prêmio IBAC Escola da Cidade edição 2011 que contempla Arquitetura, Cinema, Música e Artes Plásticas outorga na categoria de Artes as Histórias em Quadrinhos. Premiação ocorreu na quarta-feira, dia 23 de novembro, às 19h na Aliança Francesa do centro de São Paulo.

Uma honra muito grande e mais um reconhecimento da importância HQ, linguagem seminal, dentro do rol artístico. tanto o é, que eu fui convidado anos atrás a escrever uma coluna biográfica acerca das histórias em quadrinhos, o qual faço até hoje. Para conferir, clique aqui.

Para tal premiação houve uma comissão consultora, da qual também participei, e dos quatro nomes indicados a cada categoria, ficaram para a de artes plásticas a Editora Noovha America pela publicação das séries “Contando a Arte” (vencedora da categoria), Elvira Vernaschi e Sara Goldman-Beltz pelo livro “Exercícios da Emoção”, e Waldomiro Vergueiro pelos “muitos anos dedicados à pesquisa das histórias em Quadrinhos”.

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O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 3

Por Gazy Andraus | 29 abril de 2011

A experiência da elaboração da HQ (Metodologia)

Assim, quero elaborar um momento, como quando o faço geralmente sozinho (sem espectadores), e que se assemelharia a um concerto-solo, mas em vez de musical, eu desenharia, de acordo com o momentum, construindo uma história em quadrinhos, conforme eu me acostumei a realizar. Como exemplo, em 1990 eu realizei uma história em quadrinhos de três páginas intitulada “Sina” (fig. 4), cujos primeiros três quadrinhos foram deflagrados em minha mente ao ouvir uma música (em específico, “The unforgettable fire” de U2).

Para tal experiência, dessa vez, é óbvio que devo estipular uma metodologia supondo demonstrar o ato criativo de uma HQ improvisada (5 minutos como média, e 10 no máximo) ao público, para que percebam como pode se dar um ato criativo, que é um pouco similar ao que Nachmanovitch (1993) mencionou com relação ao impulso intuitivo e espontâneo realizado por alguns artistas, conforme narrei anteriormente nesse artigo.

Meu ato artístico se dá da seguinte maneira :
Abro a palestra do artigo (que teria que durar, no mínimo, 20 minutos ao todo, incluindo a parte prática), explicando os pontos principais, e em seguida faço a audição de uma música por mim pré-escolhida (na verdade, trechos de músicas que editei), enquanto me sento frente a um cavalete (pode ser um flip-shart) contendo folhas de papel do tamanho A-3, ou A-2.

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O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 2

Por Gazy Andraus | 20 abril de 2011

HQ fantástico-filosóficas
Não cabe nesse momento discutir o status artístico das histórias em quadrinhos. Isto tem sido relatado e estudado de diversas maneiras, incluindo em minha própria tese, na qual defendo os quadrinhos como parte do arcabouço artístico da humanidade (Andraus, 2006). Porém, é de se salientar que existem histórias em quadrinhos (HQ) para distintas faixas etárias, de distintos gêneros literários, e também, as mais comerciais, ou estritamente autorais.

O mesmo que ocorre no cinema e na literatura. As HQ que elaboro são mais raras ainda, estando classificadas como poéticas, ou ainda, como fantástico-filosóficas, que têm suas estruturas “compactadas” como um hai-kai, ou cujas mensagens trascendem uma lógica cartesiana simplificada, como se dá com os koans zen-budistas. A elaboração de minhas HQ (como ocorreu por exemplo com a já mencionada “Hesperornis – o pássaro do oeste”), se dá também, quase que exclusivamente, sob uma audição de músicas.

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O Processo criativo de uma HQ fantástico-filosófica – parte 1

Por Gazy Andraus | 15 abril de 2011

O Processo criativo na elaboração de uma HQ fantástico-filosófica: o sistêmico em contraponto ao fragmentado*

Resumo:
Embora pouco se divulgue, há diferenças no processamento da criação artística e o pensamento cartesiano em que áreas cerebrais distintas são acionadas. O ato criativo supõe interação mental envolvendo um cérebro ambi-hemisferial: direito (intuitivo e atemporal), e esquerdo (racional e temporal). Assim, elaborar uma história em quadrinhos (HQ) pressupõe um diferencial do de pensar e escrever um artigo.

Com base nas descobertas do processamento mental, aponto considerações e reflexões acerca do processo criativo, em especial nas HQ fantástico-filosóficas que realizo, baseando-me em De Gregori, Goswami e outros. Assim, como metodologia experimental, apresentei um ato artístico em que criei uma HQ ao som de música, que pode ser visto no vídeo abaixo:

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Yeshuah – assim em cima assim embaixo…

Por Gazy Andraus | 21 maio de 2010

Yeshuah – assim em cima assim embaixo: assim nos quadrinhos, assim na mente cósmica!

No ano de 2009 houve um lançamento na área dos quadrinhos autorais que se compara a um marco no Brasil: Yeshuah – assim em cima assim embaixo (fig. 1) de Laudo Ferreira (roteiro e arte) e Omar Viñole (arte-final).

Não é uma mera obra de ficção, nem de cunho religioso, ou de afronta ao cristianismo. É uma obra de autoria pessoal, de pesquisa meticulosa, de imposição pessoal, derivativa da máxima de Sócrates “homem, conhece-te a ti mesmo”, que Laudo impõe a si mesmo.

Nisso, compartilha com os outros sua porção pessoal do tema: a vida de Jesus Cristo.

Mas qual a relação dessa questão com a busca do auto-conhecimento? A maioria dos homens que trouxe à baila a busca da questão existencialista enfatizou que devíamos conhecer a nós mesmos para que pudéssemos continuar a singrar nesse caminho humano. Buscar a si mesmo implica em se aventurar nas profundezas de nossa própria psique, e isso pode ser feito principalmente na realização de trabalhos artísticos (ou científicos).

Explico-me: em qualquer uma das modalidades, está premente a aventura de mergulhar na pesquisa, de se inteirar naquilo que se faz, o que de certa forma condiz com o aforismo de Goethe de que aquilo a que aspiramos fazer, se o fizermos com coragem, a genialidade se associará a ele promovendo uma sorte de acontecimentos inesperados que auxiliarão na execução do pretendido, como se ajudados pelo universo.

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Camiño di Rato 3

Por Gazy Andraus | 1 março de 2010

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Camiño di Rato 3: a complexidade pela dualidade dos sentimentos (Fig.2)

A proliferação de publicações autorais com quadrinhistas nacionais têm aumentado numa escala vertiginosa de alguns anos para cá. Até a década de 1990, havia bastante instabilidade no mercado (por isso muitos fanzines), e os quadrinhos ainda eram pouco valorizados e reconhecidos.

Porém, apesar disto, ainda falta um bom percurso para que as HQ finalmente sejam tidas de igual pra igual como o é o cinema, por exemplo. Mas isto, ao que parece, é questão de tempo.

Até que isso ocorra de vez, ainda surgem também, em meio aos álbuns e graphic novels, revistas endereçadas a um público mais maduro, como a pequenina em formato mas grande em qualidade, Zine royale, editada pelo competente Jozz.

Além dessa, entre muitas outras dentro do movimento 4º Mundo, aparecem algumas que têm uma linha específica, como a Camiño di Rato, feita pelos uberlandenses Matheus Moura e Rosemário, com vários colaboradores quadrinhistas que também são pesquisadores da Nona Arte, como Edgar Franco, Alberto Pessoa, Gian Danton e este que voz escreve.

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 3

Por Gazy Andraus | 2 dezembro de 2009

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Figura 8

Nas páginas seguintes há uma mescla destas técnicas: foto, escultura e desenhos, mostrando o passeio surreal e metalinguístico do personagem num mundo “alternativo” em que ele também vê as páginas da HQ na qual ele vive, com desenhos acabados ou não, em passagens quadrinhizadas já vividas pelo personagem assombrado.

Caminhando perturbado, mas resignado, por fim, nosso herói reconhece, numa das pranchas da HQ do artista, seu quarto, e resolve “descer e entrar” nele, novamente (fig. 8).

Na página 45 surge mais um capítulo, mas também referenciado como 5o, que se chama “o circuito se fecha”:

Nesta página, um único e grande quadro mostra Jacquesfacques de costas na cama, despertando. Na página seguinte ele se depara com seu outro eu, e na página 46, repetem-se os 5 últimos quadros da página 8, e a p. 47 se mostra idêntica a p. 9, culminando na página 48 (fig. 9), que seria idêntica à 10ª. página não fosse por sua leitura espiralada até o centro da página, em escala reducional de quadros, como se estivesse repetindo todo o percurso já lido da HQ, aludindo a um destino cíclico (e espiralado?).

Comentários consideráveis:

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 2

Por Gazy Andraus | 25 novembro de 2009

Fig. 4-LeProcessus-Mathieu-p3

Figura 4

Antes de continuar a narrativa, deve ser lembrado que na página inicial desta HQ, no prólogo, o mecanismo de um relógio que é mostrado apresenta uma variação “ínfima”, que pode ter, como pergunta o texto no 6o. quadrinho, como se verá, uma influência no destino do personagem (fig. 4).

No capitulo 2, em meio ao trânsito “aéreo” surrealista de bicicletas sobre fios, o motorista vai conduzindo Jacquesfacques através de diversos recintos e locais, dentre os quais, ressalta-se na pág. 16, a sala onde se dão as cotações das bolsas de valores da cidade. Mas nesse caso, as “bolsas” estão em baixa (fig. 5), e são outras diferentemente das que são reconhecidas no mundo capitalista: aqui elas são a vontade, cotação (-) 8, lealdade (-) 0,3, sinceridade (-) 6, e por aí vai, numa crítica contumaz do autor às qualidades humanas, perdidas talvez em meio à burocratização da vida.

Afinal, Jacquesfacques chega ao destino: a usina dos sonhos, local que controla o único espaço vital que subsiste: o sonho. É mais uma crítica ao sistema social que cerceia os passos inusitados do destino do homem. Nosso personagem, que lá tinha uma consulta marcada, é confundido com outro, e não consegue se desvencilhar dos médicos que prontamente o operam (algo relacionado à mente).

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