Posts da Categoria ‘consciência e quadrinhos’

Yeshuah – assim em cima assim embaixo…

Por Gazy Andraus | 21 maio de 2010

Yeshuah – assim em cima assim embaixo: assim nos quadrinhos, assim na mente cósmica!

No ano de 2009 houve um lançamento na área dos quadrinhos autorais que se compara a um marco no Brasil: Yeshuah – assim em cima assim embaixo (fig. 1) de Laudo Ferreira (roteiro e arte) e Omar Viñole (arte-final).

Não é uma mera obra de ficção, nem de cunho religioso, ou de afronta ao cristianismo. É uma obra de autoria pessoal, de pesquisa meticulosa, de imposição pessoal, derivativa da máxima de Sócrates “homem, conhece-te a ti mesmo”, que Laudo impõe a si mesmo.

Nisso, compartilha com os outros sua porção pessoal do tema: a vida de Jesus Cristo.

Mas qual a relação dessa questão com a busca do auto-conhecimento? A maioria dos homens que trouxe à baila a busca da questão existencialista enfatizou que devíamos conhecer a nós mesmos para que pudéssemos continuar a singrar nesse caminho humano. Buscar a si mesmo implica em se aventurar nas profundezas de nossa própria psique, e isso pode ser feito principalmente na realização de trabalhos artísticos (ou científicos).

Explico-me: em qualquer uma das modalidades, está premente a aventura de mergulhar na pesquisa, de se inteirar naquilo que se faz, o que de certa forma condiz com o aforismo de Goethe de que aquilo a que aspiramos fazer, se o fizermos com coragem, a genialidade se associará a ele promovendo uma sorte de acontecimentos inesperados que auxiliarão na execução do pretendido, como se ajudados pelo universo.

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Camiño di Rato 3

Por Gazy Andraus | 1 março de 2010

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Camiño di Rato 3: a complexidade pela dualidade dos sentimentos (Fig.2)

A proliferação de publicações autorais com quadrinhistas nacionais têm aumentado numa escala vertiginosa de alguns anos para cá. Até a década de 1990, havia bastante instabilidade no mercado (por isso muitos fanzines), e os quadrinhos ainda eram pouco valorizados e reconhecidos.

Porém, apesar disto, ainda falta um bom percurso para que as HQ finalmente sejam tidas de igual pra igual como o é o cinema, por exemplo. Mas isto, ao que parece, é questão de tempo.

Até que isso ocorra de vez, ainda surgem também, em meio aos álbuns e graphic novels, revistas endereçadas a um público mais maduro, como a pequenina em formato mas grande em qualidade, Zine royale, editada pelo competente Jozz.

Além dessa, entre muitas outras dentro do movimento 4º Mundo, aparecem algumas que têm uma linha específica, como a Camiño di Rato, feita pelos uberlandenses Matheus Moura e Rosemário, com vários colaboradores quadrinhistas que também são pesquisadores da Nona Arte, como Edgar Franco, Alberto Pessoa, Gian Danton e este que voz escreve.

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 3

Por Gazy Andraus | 2 dezembro de 2009

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Figura 8

Nas páginas seguintes há uma mescla destas técnicas: foto, escultura e desenhos, mostrando o passeio surreal e metalinguístico do personagem num mundo “alternativo” em que ele também vê as páginas da HQ na qual ele vive, com desenhos acabados ou não, em passagens quadrinhizadas já vividas pelo personagem assombrado.

Caminhando perturbado, mas resignado, por fim, nosso herói reconhece, numa das pranchas da HQ do artista, seu quarto, e resolve “descer e entrar” nele, novamente (fig. 8).

Na página 45 surge mais um capítulo, mas também referenciado como 5o, que se chama “o circuito se fecha”:

Nesta página, um único e grande quadro mostra Jacquesfacques de costas na cama, despertando. Na página seguinte ele se depara com seu outro eu, e na página 46, repetem-se os 5 últimos quadros da página 8, e a p. 47 se mostra idêntica a p. 9, culminando na página 48 (fig. 9), que seria idêntica à 10ª. página não fosse por sua leitura espiralada até o centro da página, em escala reducional de quadros, como se estivesse repetindo todo o percurso já lido da HQ, aludindo a um destino cíclico (e espiralado?).

Comentários consideráveis:

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 2

Por Gazy Andraus | 25 novembro de 2009

Fig. 4-LeProcessus-Mathieu-p3

Figura 4

Antes de continuar a narrativa, deve ser lembrado que na página inicial desta HQ, no prólogo, o mecanismo de um relógio que é mostrado apresenta uma variação “ínfima”, que pode ter, como pergunta o texto no 6o. quadrinho, como se verá, uma influência no destino do personagem (fig. 4).

No capitulo 2, em meio ao trânsito “aéreo” surrealista de bicicletas sobre fios, o motorista vai conduzindo Jacquesfacques através de diversos recintos e locais, dentre os quais, ressalta-se na pág. 16, a sala onde se dão as cotações das bolsas de valores da cidade. Mas nesse caso, as “bolsas” estão em baixa (fig. 5), e são outras diferentemente das que são reconhecidas no mundo capitalista: aqui elas são a vontade, cotação (-) 8, lealdade (-) 0,3, sinceridade (-) 6, e por aí vai, numa crítica contumaz do autor às qualidades humanas, perdidas talvez em meio à burocratização da vida.

Afinal, Jacquesfacques chega ao destino: a usina dos sonhos, local que controla o único espaço vital que subsiste: o sonho. É mais uma crítica ao sistema social que cerceia os passos inusitados do destino do homem. Nosso personagem, que lá tinha uma consulta marcada, é confundido com outro, e não consegue se desvencilhar dos médicos que prontamente o operam (algo relacionado à mente).

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1

Por Gazy Andraus | 19 novembro de 2009

Fig. 1- MarcAMathieu-HQ

Figura 1

A múltipla realidade paralela da existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1

Neste último 6º. FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em Belo Horizonte no mês de outubro de 2009, havia um autor francês que acabou não vindo ao evento. O que foi uma pena, pois o trabalho de Marc-Antoiune Mathieu, cujo nome apareceu na primeira lista desse último FIQ, é um dos melhores que já vi no cenário da BD (HQ, como são conhecidas na França) contemporânea, em matéria de criatividade, em meio a tanta falta de originalidade generalizada pelo mundo.

Além disso, seus trabalhos trazem em pauta uma crítica à burocratização, em específico na obra “Le Processus” (com o personagem principal Julius Corentin Acquefacques, prisioneiro dos sonhos).

Pois senão, vejamos o que este, um de seus vários álbuns, tem a nos dizer.

“Le Processus [1] ”  (fig. 1) é uma obra em narrativa seqüencial dividida em 5 partes, mais um prólogo, dividido da seguinte maneira:

0) Prólogo;
1) A intrusão fatal;
2) A usina dos sonhos;
3) O pesadelo do teto;
4) Em busca do sonho perdido;
5) O infra-sonho ou a ultra-realidade [2];

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Do Inferno e a consciência

Por Gazy Andraus | 22 julho de 2009

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figura 01: Do inferno, de Alan Moore e Eddie Campbell

Do Inferno de Alan Moore para os quadrinhos adultos: uma mente autoral a serviço da expansão da consciência

Você já ouviu falar em Whitechapel? É uma igreja em Londres. Ela foi projetada por Hawksmoor para ter uma aparência aterradora e solene, de acordo com as tradições pagãs dos antigos arquitetos dionisíacos.

E em Tomas Hobbes, o único pensador, antes de seu amigo Coleridge, a sugerir que certos símbolos afetam de forma sutil a mente humana. Você já ouviu falar neles?

Pois estas asserções acima são excertos de um diálogo entre dois personagens, na obra Do inferno, escrita pelo consagrado e polêmico autor de Histórias em Quadrinhos (HQ) inglês Alan Moore, e desenhada por Eddie Campbell (fig. 1).

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O olhar quadrinhístico – parte 02

Por Gazy Andraus | 30 abril de 2009

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Parte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner

Os “espaços” entre uma cena e outra da realidade que nossos olhos vêem; os espaços do entreolhar, das piscadelas, os “vãos” desses momentos são os mesmos que existem entre os quadrinhos desenhados…nós transportamos nossa realidade nas páginas decupadas de uma história em quadrinhos!

Creio que consegui unificar a complexidade da questão, resumindo a importância das HQ e as situando como parte integrante de nossa existência: elas são metaforizações do que nossos olhos vêem. Talvez por isso tal obviedade gritante até então não tenha sido ainda codificada, já que está bem à frente de nosso nariz!

Mas, às vezes, como na HQ semi-abstrata do autor espanhol Rubéns, não conseguimos enxergar além de nossos narizes!
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O olhar quadrinhístico – parte 01

Por Gazy Andraus | 24 abril de 2009

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Parte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner

Muitas vezes, o óbvio não salta à mente humana, o que pede um trabalho árduo de investigação, até que, após ter-se dado inúmeras voltas, alcança-se o objetivo que se configura, em todo o caso, imprevisível.Mas atinge-se com outros olhos, outra roupagem: é como se o sacrifício da procura tivesse sido necessário.

Pode-se rememorar uma passagem bíblica, a do filho pródigo, que, desejoso de conquistar sua “liberdade” e desbravar o incógnito, se lança ao mundo afastando-se de sua família. Após circunvoluções com novas experiências (boas e más), eis que retorna ao lar, revigorado, saudoso, mas como que renascido.

Porém, talvez este “filho pródigo” jamais tivesse amadurecido para a vida, se não realizasse o ímpeto de sua alma, desbravando o que seu íntimo lhe pedira anteriormente. Seu pai, compreendendo isso, não obstaculizou, pois sabia ser uma etapa fundamental para seu crescimento!

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Além do coração e do raciocinius – parte 3

Por Gazy Andraus | 3 fevereiro de 2009

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Fig 1: Trecho da HQ “Terminal” de Flávio Calazans, contendo as leis da robótica de Isaac Asimov. Esta HQ faz parte do álbum “Guerra das Idéias”, de Calazans, lançado pela Editora Marca de Fantasia (http://www.marcadefantasia.com.br/albuns.htm), em 2001.

Conforme relatei anteriormente, em maio de 2003, um fato me chamou a atenção no noticiário da TV: um trabalhador da Bahia se recusou a cumprir sua função, ao não derrubar uma casa que fora construída em terreno particular, mantendo esperançosa a família que ali residia e chorava do lado de fora, aguardando o desfecho da situação.

Pois bem, em face ao ocorrido, havia escrito um texto (“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius!”), colocando em paralelo uma frase de Henry David Thoreau, retirada de seu livro Desobediência Civil (mas citada em uma história em quadrinhos adulta, na extinta revista Krypta).

Tracei o acontecido, e a noticiada prisão do trabalhador, que atendia pelo nome de Amilton dos Santos, quando, uns 10 dias depois, uma segunda notícia me reverberou nos ouvidos: a de que ele foi elevado à categoria de “herói”, pois a prefeitura de Salvador, sensibilizada (e pressionada pela população), evitou a demolição das casas, adquirindo o terreno, e por fim, prometendo entregar aos moradores as escrituras.

Escrevi, na época, um segundo texto (“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius! Não! Não enquanto eu estiver batendo pela Vida, pois assim me disse a Sra. Esperança!”), renovando as esperanças na humanidade, face ao ocorrido, e alertando que ações isoladas muitas vezes trazem conseqüências enormes (como se respalda na física fractal e a teoria do efeito borboleta).

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Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius! – parte 2

Por Gazy Andraus | 18 dezembro de 2008

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Figura 01

“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius!
Não! Não enquanto eu estiver batendo pela Vida, pois assim me disse a Sra. Esperança!”

O fato que aconteceu anteriormente (dia 02 de maio de 2003), em Salvador na Bahia, quando um trabalhador se recusou a derrubar uma casa para reintegração de posse, teve um desfecho inusitado!

Eu, sensibilizado que estava, havia escrito um texto a respeito, apropriando-me do trecho do livro “Desobediência Civil” de Henry David Thoreau, que havia servido de abertura para uma HQ (história em quadrinhos) de cunho instigador, publicada na década de oitenta no Brasil (a HQ “Arrependa-se, Arlequim!” Disse o Sr. Tiquetaque”).

Parecia que Amilton, o funcionário “desobediente” apenas protelou o inevitável. Mas eis que novo informe me chegou em 15 de maio, pelo noticiário televisivo, trazendo ainda algumas informações que não haviam sido divulgadas antes, e que delineiam novo rumo aos acontecimentos.

Então, vejamos: a casa que seria derrubada, estaria acompanhada de mais outras 9 famílias (o noticiário não deixou claro se equivale ao número de casas), pois todas estavam numa área possuída por outro(s) dono(s).

Informaram ainda que um engenheiro, o dono do terreno, no qual estava construída a casa em enfoque (que pertencia à família da merendeira Telma Santos) ganhara uma ação iniciada há 24 anos, que consistia na reintegração de posse.

Esta era a razão da demolição da casa, no dia 02 de maio de 2003, por ordem judicial. Foi dito ainda que o tratorista contratado para fazer o serviço, “Amilton dos Santos não teve coragem de avançar nem sob ameaça de prisão”.

Desta forma, porque “ele está obstruindo a ação da justiça e em face disso”, estava sendo “preso em flagrante delito”, como esbravejou um dos “burocratas” para a câmera. No primeiro noticiário, termina aí o relato, deixando em aberto que brevemente outro tratorista substituiria o desobediente funcionário…ou seja, ele havia dado uma esperança temporária à família desesperada.

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