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	<title>Impulso HQ &#187; caminho do artista</title>
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		<title>Caminho do artista: Mozart Couto</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 11:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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Auto retrato de Mozart Couto, feito especiamente para o Impulso HQ
Desde criança eu gostava de desenhar imagens em sequência formando uma história. Como ainda não sabia escrever, fazia os balões e pedia ao meu pai que escrevesse a história que eu ia ditando. Uma coisa curiosa: eu nunca desenhava os requadros. Acho que já vem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10859" title="mozart_couto_abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/mozart_couto_abertura.jpg" alt="mozart_couto_abertura" width="400" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Auto retrato de Mozart Couto, feito especiamente para o Impulso HQ</em></p>
<p>Desde criança eu gostava de desenhar imagens em sequência formando uma história. Como ainda não sabia escrever, fazia os balões e pedia ao meu pai que escrevesse a história que eu ia ditando. Uma coisa curiosa: eu nunca desenhava os requadros. Acho que já vem daí uma amostra de que nunca suportei me enquadrar em nada, apesar de ter tentado várias vezes.</p>
<p>Bom, eu sempre fui um “desenhador”, literalmente. Até jaleco de professor não escapava de minhas figuras. Foi muito engraçado esse fato. Uma vez eu desenhei no jaleco de um professor muito rígido que eu tinha, em plena aula. Ele estava virado de costas, passando a matéria, e eu peguei a barra do jaleco dele e fiz lá umas figuras enquanto os colegas “agavam” de rir.</p>
<p>Eu sempre achei que ele devia me detestar por isso e por outras coisas que eu aprontava nas aulas dele, mas me surpreendi quando um dia meu pai me contou que o encontrou na rua e ele falou muito bem de mim e disse que torcia muito para que eu me tornasse um artista, pois era natural aquilo em mim. Nessa época eu já produzia quadrinhos e ele ficou muito feliz ao saber disso.</p>
<p>Aos dezesseis anos, eu já tinha lido muitos quadrinhos. Quadrinhos infantis, Disney; Turma da Mônica: Muitos suplementos de jornais, com tiras diversas; Quadrinhos de Terror Nacionais, os “Heróis Marvel” e até alguns álbuns europeus que encontrava por acaso numa grande banca onde ia esporadicamente, por ser longe de minha casa. Até alguma coisa de mangá eu já tinha visto!</p>
<p><span id="more-10728"></span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10732" title="02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/023.jpg" alt="02" width="400" height="400" /></p>
<p>Isso no decorrer dos anos 60 e início dos 70! Mas meu quadrinho preferido era O Príncipe Valente! Meu pai era fã de Alex Raymond e sempre tentava me convencer de que o Flash Gordon era muito mais interessante que o cavaleiro da távola redonda, mas nesse ponto eu não me dobrava. A magia dos cavaleiros, aquela saga extraordinária, aquela busca pelo Graal, nunca deixaria de “brilhar” com muita magia  para mim. Inconscientemente eu me identificava com elementos que eram apresentados naquela saga e que me motivariam a criar minhas histórias por toda minha carreira.</p>
<p>Meu pai, que também desenhava, e era um grande músico, foi meu professor de desenho. E ele era “linha dura”. Perfeccionista, mas tranquilo e constante nas cobranças. Sabia quando elogiar e quando cobrar melhoras. E me ensinou a ter disciplina pra desenhar. Com dezessete anos eu já tinha um monte de quadrinhos na gaveta. E, mais ou menos nessa época, enviei uma HQ para a Editora Brasil América, a EBAL,achando que seria possível uma publicação. Claro que não deu em nada a não ser uma educada carta de resposta e cheia de estímulo para que eu continuasse.</p>
<p>O tempo foi passando e eu já estava com 19/20 anos até que, numa de minhas idas a uma banca de jornal, próxima de minha casa, notei duas revistas com capas diferentes meio que escondidas num canto da banca, Pedi ao jornaleiro para olhá-las e eram as duas primeiras edições de “Quadrinhos Eróticos” publicadas pela GRAFIPAR (Gráfica e Editora do Paraná).</p>
<p>Me surpreendi porque ali estavam publicados  desenhos de Claudio Seto, que eu já admirava há tempos, quando consegui alguns exemplares das revistas da “Maria Erótica”, do “Samurai” e de um outro personagem que eu mais gostava que era um pequeno garoto que dava aqueles saltos incríveis que eu via em alguns seriados japoneses na TV.</p>
<p>Conheci ali também novos autores, todos brasileiros, e fiquei muito empolgado ao ler nos rodapés de várias  páginas convites para que quadrinhistas amadores ou profissionais enviassem seus trabalhos para publicação! Fiz uma HQ nova e enviei.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10745" title="05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/053.jpg" alt="05" width="398" height="600" /></p>
<p>Foi recusada. Mas, a partir desse primeiro contato passei a receber cartas do Seto me orientando sobre várias coisas e poucos meses depois eu tinha minha grande chance de atuar como profissional. E “mandei ver”.</p>
<p>Produzi regularmente e as Hqs foram publicadas tendo boa aceitação desde o início, eu recebia muitas cartas de leitores comentando e elogiando meu trabalho e muitos desses leitores tornaram-se grandes amigos Foi um estímulo e tanto! Com o dinheiro que recebia montei um pequeno estúdio, com  todo o material necessário para desenho, e comprei um telefone (na época era bem caro pagar por uma linha telefônica!) para contatos mais diretos com meu editor. E assim foi minha caminhada pela GRAFIPAR.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10734" title="14" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/141.jpg" alt="14" width="398" height="600" /></p>
<p>Isso foi entre o final de 1979 até 1982/83. Nessa fase, eu produzi Hqs com personagens meus (todos nós tínhamos inteira liberdade para criar) como  “Jackal” (faroeste), que se tornou um companheiro de “Katy Apache”, uma das principais personagens do Seto.</p>
<p>Fiz uma HQ de ficção e fantasia com uma personagem feminina chamada “Hyania”; e uma coisa muito interessante aconteceu: como éramos estimulados a produzir HQ com “cara de Brasil”, me aventurei em fazer um personagem que fosse uma espécie de Conan brasileiro. Era um índio que dei o nome de UBAJARA (o senhor do arco).</p>
<p>E foi desenhando esse personagem que, pela primeira vez na vida, passei a  pesquisar não só os índios brasileiros, como a flora e os animais da nossa terra. Estava desenhando uma arara, quando parei, olhei e alguma coisa aconteceu ali, naquele olhar! Fui tomado por um encantamento por aquelas figuras, formas e cores tão características do Brasil, então  &#8211; ainda bem &#8211; começou a  “quebrar” em mim aquele estado de hipnose causado pela aceitação inquestionável de que só o que vem de fora é “bom e  bonito”.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10735" title="06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/063.jpg" alt="06" width="398" height="600" /></p>
<p>Em 1982 ou 83- não me recordo muito bem- a editora fechava as portas para os quadrinhos devido a problemas internos e uma época importantíssima de produção de vários quadrinhistas, todos jovens, talentosos ,cheios de garra e esperanças quase parou por completo.</p>
<p>Mas outras editoras e iniciativas foram aparecendo, tentando dar continuidade  à estruturação de um mercado de HQ no Brasil. E isso, graças a muitos quadrinistas que levavam projetos próprios e dos colegas até essas editoras e as convenciam a investir no que chamávamos HQB.</p>
<p>Cada vez mais apareciam novos autores, que encarnavam a figura destemida de um Dom Quixote verde e amarelo se batendo contra a força dos quadrinhos vindos dos EUA, mais baratos, de boa qualidade (nem sempre, né?) e, consequentemente, preferido pelas republicadoras tradicionais de quadrinhos no Brasil e por grande parte do público leitor. O tempo passou e essa luta não foi ganha por nós, já que, no mundo real as coisas são bem diferentes que no mundo dos quadrinhos.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10736" title="11" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/111.jpg" alt="11" width="398" height="600" /></p>
<p>Eu continuei enquanto foi possível. Depois da Grafipar, veio a D&#8217;Arte, do Rodolfo Zalla, (grande cara, que me deu muita força!)onde publiquei muitos trabalhos que agradaram bastante na época, entre eles, a série “A Casa dos Horrores”, e “Histórias de Bárbaros e Magos”.</p>
<p>Um pouco antes eu já havia publicado algo na Editora Vecchi, convidado a colaborar pelo Otacílio Barros, o OTA, conhecido cartunista e editor da revista MAD. Lembro-me que fiz uma HQ chamada “O Oculto”, e outra publicada, numa revista de Faroeste, onde um dos personagens principais tinha minha aparência física na época.</p>
<p>Depois, junto com o Franco de Rosa, que foi meu editor em algumas outras editoras que publicaram HQ nacional em São Paulo, pude colocar muitos projetos meus, alguns bem autorais, nas bancas e me tornar definitivamente um autor bem conhecido. Passada essa fase, veio uma bem irregular mas bem interessante onde cheguei a publicar quadrinhos em outra revistas, geralmente ligadas a esportes. Cheguei a fazer pequenas Hqs em cores que saiam numa revista sobre vôlei chamada SAQUE.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10737" title="03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/033.jpg" alt="03" width="400" height="400" /></p>
<p>Alguma ilustração para uma ou outra publicação fora do universo dos quadrinhos e até uma fase onde produzi várias hqs de dois quadrinhos por páginas, totalizando mais de 100 páginas por episódio, na editora NOBLET, onde consegui ter aprovado um projeto meu e publicar um “herói” que foi muito apreciado na época: HAKAN. Continuei também fazendo algumas ilustrações para revistas diversas fora da área de HQ até que veio a fase Européia.</p>
<p>Através do Júlio Emílio Braz, que foi meu parceiro em muitas Hqs de aventuras, inclusive HAKAN, fui apresentado a uma pessoa que começava um trabalho de agenciamento de quadrinistas para o mercado europeu. Eu já vinha estudando muito sobre quadrinhos europeus e era fascinado por eles!</p>
<p>A maioria dos meus estudos na época eram sobre  técnicas e estilos de autores europeus como se pode ver nesse post do meu <a href="http://blogdodesenhador.blogspot.com/2009/03/do-bau-14-aprendendo-novos-estilos.html">blog</a> algumas cópias de desenhos de Moebius e Serpieri. Tanto desse tipo de quadrinhos, mais de vanguarda na Europa, como os do estilo Franco-Belga (Tintin; Gaston Lagaffe; Asterix, Spirou) eu gostava muito.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10738" title="08" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/083.jpg" alt="08" width="398" height="600" /></p>
<p>Então, não foi muito complicado me adaptar à produção para o mercado Europeu. Devido ao alto nível de exigência, entrei numa nova fase da minha trajetória de quadrinista e, e penso que foi um processo de amadurecimento profissional e pessoal muito válido. Na Europa Foram publicados vários álbuns meus em parceria com o Júlio Braz que mostravam as aventuras de um grupo de índios brasileiros e tinha na simpática figura de Tambatajá (o nome foi simplificado para Tamba), criado pelo Júlio e desenhado por mim, o protagonista principal.</p>
<p>Vários outros trabalhos meus, individuais, alguns inéditos outros não, como “O Viajante”; “O Olho do Diabo”; “SexDroid” ( todos produzidos no Brasil depois, tendo o Franco como editor), foram publicados no estilo álbum de luxo europeu com direito a capa dura, cores e tudo o mais.</p>
<p>Uma grande parte de minha fase da produção de quadrinhos eróticos foi publicada na Alemanha como uma coleção erótica. Muita coisa saiu em Jornais e depois em álbuns. Foi uma fase muito interessante. Mas por vários motivos, inclusive pela entrada do entretenimento  eletrônico (games) em cena, o mercado de quadrinhos em vários países foi se tornando decadente, encolhendo, exceto no Japão onde o oposto ocorreu.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10739" title="10" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/102.jpg" alt="10" width="398" height="600" /></p>
<p>Nessa hora a coisa fica sempre mais complicada para os estrangeiros. E assim, “voltei ao Brasil”, sem nunca ter saído, para viver dos meus desenhos.</p>
<p>E a coisa é muito estranha porque é como se você tivesse mesmo isso pra fora, viver lá. Quando você volta não tem mais quase nenhum contato, não tem mais a mesma forma de desenhar, de pensar sobre o trabalho, é um recomeço quase que total. E foi aí, que o meu velho amigo Deodato me liga e pergunta se eu queria ajudá-lo a produzir quadrinhos para o mercado americano.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="07" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/073.jpg" alt="07" width="398" height="600" /></p>
<p>Eu, realmente, não sabia se daria certo. Estava meio perdido e até mesmo entrando em crise com relação a continuar a desenhar quadrinhos depois de tantos anos num tipo de atividade cheios de altos e baixos &#8211; mais “baixos” do que “altos”. Aceitei como um novo desafio e pela necessidade de sobrevivência, claro. Comecei dividindo com Deodato páginas da “Mulher Maravilha”, depois conseguiu desenhar um personagem antigo que foi “revivido”, o “Turok”.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10740" title="15" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/151.jpg" alt="15" width="398" height="600" /></p>
<p>Cheguei a fazer várias edições como desenhista, com arte-final do Emir Ribeiro, que também trabalhava comigo e Deodato, como finalista. Depois, dois alunos meus ( Teo Duarte e Daniel Campos, esse, desenhista da nova série do “ Leão Negro” de Cynthia Carvalho) passaram a  ajudar-me na finalização dos desenhos do mesmo personagem. Paralelamente, ajudei Deodato na época em que ele desenhou  hqs do Thor.</p>
<p>Depois Desenhei o número “0 “ da personagem “Glory”, de Rob Liefield. Fiz mais coisas avulsas e também um arco de histórias de um personagem Japonês, tipo Godzilla, o “Gamera”, que foi publicado pela Dark Horse. Essa foi a única vez que recebi  fortes elogios de um editor, algum retorno positivo sobre o tinha feito. Mas foi nessa época que eu me certifiquei que não era desenhista de Comics.</p>
<p>Eu fazia tudo com estremo sacrifício. Desconhecia muito sobre os autores, a não ser os mais conhecidos na época, no início da Image, etc; Não estava sabendo sobre o que tinha acontecido a muitos personagens, suas novas versões, novas vestimentas, etc, etc, etc&#8230;  Então, era impossível continuar fazendo uma coisa com a qual eu não me identificava e  não tinha muito interesse em me envolver inteiramente. E aí, conversando com colegas ilustradores, e com grande ajuda deles, timidamente, fui entrando no mundo da ilustração editorial.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10746" title="09" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/093.jpg" alt="09" width="398" height="600" /></p>
<p>No início, foi muito difícil me adaptar à ilustração didática. Antes, nos quadrinhos, era permitido abusar de desenhos de ação. Agora, o que importava era passar a informação bem clara, e nada de excessos nas ações ou expressões físicas dos personagens. De um autor-criador eu me vi um desenhista-interprete. As coisas são diferentes no caso da ilustração de livros para didáticos, romances, aventuras, etc. Essa sim é uma área onde se podem ter, ao mesmo tempo dois grandes prazeres: o da leitura e o de fazer “do modo como se gosta” as imagens.</p>
<p>Aos poucos, fui conseguindo outros clientes diferentes, fora da área editorial embora ainda atuando nela, tanto nas publicações para livros em geral como para aquelas dirigidas a venda em bancas, que foi a minha fase de produção para a Opera Graphica e a Escala, onde publiquei  meus livros de dicas de desenho  “Desenhando Arte Fantástica I e II” (Guerreiras) e o “Curso Desenhando com Mozart Couto”.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10742" title="13" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/132.jpg" alt="13" width="398" height="600" /></p>
<p>Além disso, tenho me dedicado muito, desde 1996, à arte digital. Tive que aprender quase tudo sozinho e foi uma aventura muito agradável, embora bem sofrida no início. Atualmente gosto demais de utilizar os diversos programas específicos para criação e edição de imagens, e descobri também o mundo do Software Livre, bastante promissor  e estimulante, cheio de novidades.</p>
<p>Descobri essa ferramenta   agradabilíssima que é a Mesa Gráfica e que cada vez me permite criar e experimentar mais e mais. Toda minha produção atualmente é digital. A maioria dela feita em Software Livre, usando mesa gráfica.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10744" title="mozart_couto_2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/mozart_couto_2.jpg" alt="mozart_couto_2" width="400" height="546" /></p>
<p>Os quadrinhos não foram abandonados totalmente. Tenho algum material inédito já pronto, e mais coisas em andamento. Algo na área de cursos sendo programado. Tenho planos para abordar nesse material desde a produção pelos meios tradicionais até as incrementações da obra na área digital.</p>
<p>Ainda não decidi exatamente como publicarei esse material, já que novas formas de veiculação têm aparecido e estou observando e aprendendo para escolher as melhores maneiras de utilizá-las. O que me interessa agora é ter maior controle sobre todo esse material, e, espero que tudo dê certo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10743" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/013.jpg" alt="01" width="400" height="400" /></p>
<p>Para finalizar, anuncio que a conclusão da Trilogia BIOCYBERDRAMA, que fiz em parceria com o escritor, desenhista, fanzineiro, Edgar Franco, arquiteto; PhD em Artes e multimedia com trabalhos bem arrojados nessa área,  já está na reta final dos detalhes de conclusão e deve  marcar minha volta aos quadrinhos breve.</p>
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		<title>Caminho do Artista: Érico San Juan</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 13:12:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
				<category><![CDATA[caminho do artista]]></category>
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		<category><![CDATA[editora Ática]]></category>
		<category><![CDATA[Edson Rontani]]></category>
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		<description><![CDATA[ 
foto: Custódio
Além da pamonha de Piracicaba, a cidade da pamonha tem cartunistas. Sou um deles. Cartunista, não pamonha.
Meu nome é Érico San Juan, cartunista há dezoito anos. Nascido, criado e rodado em Piracicaba.
Por incrível que pareça, esse nome não é um pseudônimo. Se me chamasse Don Juan, minha vida seria mais fácil em outro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6935" title="erico" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico.jpg" alt="erico" width="400" height="202" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>foto: Custódio</em></p>
<p>Além da pamonha de Piracicaba, a cidade da pamonha tem cartunistas. Sou um deles. Cartunista, não pamonha.</p>
<p>Meu nome é Érico San Juan, cartunista há dezoito anos. Nascido, criado e rodado em Piracicaba.</p>
<p>Por incrível que pareça, esse nome não é um pseudônimo. Se me chamasse Don Juan, minha vida seria mais fácil em outro departamento. Mas deixa pra lá.</p>
<p>Não nasci cartunista, como a maioria dos amigos de fé e irmãos camaradas. Quem nasceu desenhista foi um irmão de sangue, o Fábio. Na infância, eu enchia o saco do mano na mesa da cozinha, desenhando meus garranchos, enquanto ele tentava se concentrar na lição de casa.</p>
<p>Até os doze anos, produzi centenas de gibis com uma tal &#8220;Turma do Lup-Lup&#8221;. O nome foi emprestado de uma catarata explorada por Tio Patinhas e seus sobrinhos, num gibi comprado em 1982.<span id="more-6933"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_infancia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6937" title="erico_infancia" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_infancia.jpg" alt="erico_infancia" width="400" height="400" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Gibis feitos aos 10 e 12 anos</em></p>
<p>Outras influências definitivas foram as crônicas de Fernando Sabino, descobertas num volume da coleção Para Gostar de Ler, da editora Ática. E o Gênio do Crime, de João Carlos Marinho.</p>
<p>Em Piracicaba, desenhistas como Edson Rontani, que publicava charges do caipira Nhô Quim, antes e depois dos jogos do XV de Piracicaba. E Carla Guimarães, no suplemento infantil do maior jornal da terrinha. Ela criava personagens ao estilo Mauricio de Sousa.</p>
<p>Mal sabia eu que começaria a carreira de cartunista no mesmo suplemento, aos quinze anos. Com Rontani estrelando a última página do tablóide, numa seção de curiosidades ilustradas.</p>
<p>Na fase aborrecente, além de criar tiras de peixes para o suplemento infantil do jornal (natural, Piracicaba tem um rio&#8230;), conheci os fanzines, espécie de pais xerocados dos atuais blogs. Eram os anos 90.</p>
<p>Fui saindo da beira do rio e frequentando eventos do gênero. Editores, desenhistas, roqueiros e demais malucos de plantão trocavam idéias sobre tudo, ou quase.</p>
<p>Desse tempo, restam uma penca de amigos doutores, atuantes em universidades, que levam os quadrinhos mais a sério do que eu próprio. Restam também alguns fanzines que esses doutores ainda acham interessantes.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_zines.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6936" title="erico_zines" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_zines.jpg" alt="erico_zines" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Fanzine Só Uma?</em></p>
<p>O mais marcante desses zines foi o Só Uma?. Era um gibi formato &#8220;meio-ofício&#8221;, espécie de catálogo de quadrinhistas de todos os gêneros, com uma página cada. O cúmulo da loucura veio numa edição comemorativa de um ano do zine.</p>
<p>A capa trazia uma bandeira do Brasil estilizada, recortada, colada e coisada detalhe a detalhe. Tudo plastificado e cartonado. Cinquenta exemplares personalizados!!</p>
<p>Essa polivalência criativa veio da infância, desde os gibis do Lup-Lup. Combinava texto e desenho, observava todos os aspectos de um projeto, embalava tudo para consumo. E ainda arrumava espaço para dizer as coisas de um jeito especial, pessoal. Ser &#8220;só&#8221; desenhista ou &#8220;só&#8221; escritor não dava pé. E colocava mãos à obra.</p>
<p>Na adolescência, eu desenhava tiras, escrevia artigos sobre quadrinhos e inventava fanzines.</p>
<p>O tempo e a saída do casulo me trouxeram outras experiências relacionadas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_livros.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6940" title="erico_livros" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_livros.jpg" alt="erico_livros" width="400" height="202" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Participação nos livros Central de Tiras e Os Quinze de Piracicaba</em></p>
<p>A habilidade para projetos e o incentivo dos novos amigos me motivaram a produzir páginas e jornais de humor (projeto Rio), organizar exposições (PiraTiras, para o Salão de Humor de Piracicaba) e chamar artistas para desenharem a sua cidade (SketchCrawl).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_mad.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6941" title="erico_mad" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_mad.jpg" alt="erico_mad" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;Cartuns fotrográficos&#8221; na Revista MAD</em></p>
<p>Nos últimos dois anos, também produzi para revistas como a Mad (textos) e Monet (quadrinhos). E invisto num novo jornal de humor, o Caricaras.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/eric0_caricaras.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6942" title="eric0_caricaras" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/eric0_caricaras.jpg" alt="eric0_caricaras" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Capa do Jornal Caricaras</em></p>
<p>A capa do jornal é uma caricatura do leitor. Uma capa é diferente da outra, todas personalizadas. A distribuição do Caricaras é feita em festas e eventos. A cada seis meses pinta uma edição nova. Era pra ser uma edição só, já está na quinta. Também, quem não gosta de aparecer na capa de um jornal?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_dito.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6939" title="erico_dito" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/erico_dito.jpg" alt="erico_dito" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Tira Dito, o Bendito</em></p>
<p>No meio do rodamoinho, o gosto pela produção de tiras sobreviveu. Como o sonho de ser um Millôr Fernandes nunca me abandonou (um cara que escrevia &#8220;bem&#8221; e desenhava &#8220;mal&#8221;), em vários momentos os meus quadrinhos para jornal refletiram essa pretensão.</p>
<p>Em algumas séries de tiras, no entanto, deixei de viajar na maionese. Descobri haver um leitor do outro lado.</p>
<p>Dito, o Bendito foi a tira mais &#8220;pura&#8221; que fiz (e bota aspas nisso). O neguinho sambista-protagonista é um Zé Carioca sem bico de papagaio. Além do Jornal do Piracicaba, Dito saiu em coletâneas de tiras da Via Lettera (Central de Tiras) e da Imprensa Oficial de São Paulo (Os Quinze de Piracicaba).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2009/08/erico_pamonha.jpg"><img class="aligncenter" title="erico_pamonha" src="../wp-content/uploads/2009/08/erico_pamonha.jpg" alt="erico_pamonha" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Tira Um Pamonha de Piracicaba</em></p>
<p>Um Pamonha de Piracicaba é a tira mais recente, um produto do novo século. Feita em traço vetorial e utilizando o próprio autor como protagonista. Individualista e moderninha. A tira ganhou até prêmio num salão de humor em Santos, em 2008.</p>
<p>O que prova o óbvio: pamonha de casa não faz milagre&#8230;</p>
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		<title>Caminho do artista: Salvador Messina</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 12:49:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
				<category><![CDATA[caminho do artista]]></category>

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		<description><![CDATA[
Olá pessoal&#8230;a convite do Renato Lebeau, cá estou eu no Caminho do Artista, contando um pouco sobre os passos que me trouxeram até aqui.
Inicialmente, claro, fui um garoto devorador de tudo que era gibi, livro ilustrado e desenho animado&#8230; e depois tentava fazer minhas próprias histórias&#8230; desenhar era o meu ponto de fuga!   [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/1_sal_impulso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6391" title="1_sal_impulso" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/1_sal_impulso.jpg" alt="1_sal_impulso" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Olá pessoal&#8230;a convite do Renato Lebeau, cá estou eu no Caminho do Artista, contando um pouco sobre os passos que me trouxeram até aqui.</p>
<p>Inicialmente, claro, fui um garoto devorador de tudo que era gibi, livro ilustrado e desenho animado&#8230; e depois tentava fazer minhas próprias histórias&#8230; desenhar era o meu ponto de fuga!   Minha base, foi Disney, Maurício (Horácio na folhinha) e o Amigo da Onça.</p>
<p>Ressalto brevemente os grandes estalos quadrinhisticos que tive:  Asterix, meus olhos saltaram&#8230;quadrinho era a mais pura arte e inteligência! MAD, quadrinho era irreverência,  transgressão&#8230;(destaque para Don Martin) Metal Hurlant&#8230;quadrinho era viagem pura, lisérgico (destaque para Moebius).</p>
<p>Meu primeiro trabalho profissional aconteceu aos 15 anos, na 8º série, onde tínhamos aula de educação espiritual.  O padre que nos dava aula curtia os cartuns que eu fazia para ilustrar os trabalhos e me convidou para desenhá-los nas novas edições de seus 4 livros.</p>
<p><span id="more-6374"></span>Adorei fazer e ganhei um dinheirinho bom. Mas foi só!  Desenhar seria Hobby, &#8220;não era profissão&#8221;&#8230;eu seguiria o caminho da universidade para ser um promissor Arquiteto!  =(   Sim, sou formado arquiteto pela Fau/Usp, mas nunca exerci.  =)</p>
<p>No quarto ano resolvi prestar uma faculdade que tivesse mais a ver com o que eu gostava e entrei na Eca, onde comecei a me articular com pessoas que queriam fazer Quadrinhos ou Cinema de Animação. Lá filmei em super-8 (película 8mm) o meu trabalho de graduação na Fau, que foi um desenho animado refletindo a solidão do homem moderno na cidade grande.</p>
<p>Eu me inspirei bastante no claro-escuro do Spirit, de Will Eisner.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/2_tgi.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6392" title="2_tgi" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/2_tgi.jpg" alt="2_tgi" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>TGI-FAU   (story board)</em></p>
<p>Com isso conheci uma turma no cinema e começamos a desenvolver alguns projetos de animação. Durante 3 anos, com apoio da faculdade, (que nos dava sala e equipamento para animação)  e de verbas da Secretaria da Cultura (prêmio estímulo aos quais concorríamos) acabamos produzindo 3 curta-metragens: &#8220;Zabumba, Masp Movie e Rovena&#8221;.</p>
<p>O filme Masp Movie foi o que mais teve repercussão, participou de vários festivais e passava muito no Lanterna Mágica da TV Cultura. E ainda colaboravamos em curtas de outros alunos, como o &#8220;Frank Punk&#8221;, da Eliana Fonseca e Cao Hamburguer.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/3_masp_movie.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6393" title="3_masp_movie" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/3_masp_movie.jpg" alt="3_masp_movie" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Masp Movie (na foto, figuração: eu, de cachecol, no meio do Hamilton e do Sylvio, também autores)</em></p>
<p>Mais ou menos nessa época, participei da Revista &#8220;Brigitte&#8221;, quadrinho independente feito pelo pessoal da Fau, capitaneada pelo Newton Foot e Fábio Zimbres, com capa do Líbero.   Eu estava na fase &#8220;Moebius&#8221;&#8230;fiz duas historinhas de ficção fantástica.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/4_brigitte.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6394" title="4_brigitte" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/4_brigitte.jpg" alt="4_brigitte" width="400" height="400" /></a><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Brigitte</em></p>
<p>Voltando à animação,  no terceiro filme eu já estava &#8220;desanimado&#8221;, muito desenho para poucos segundos de história.  Então, para relaxar, eu comecei a fazer tiras de humor com um personagem que eu recentemente havia criado, o &#8220;RAN&#8221;.  Logo ele estava nas páginas do  Jornal do Campus, produzido no curso de jornalismo da Eca (86).</p>
<p>Nesse jornal estavam também tiras do Ruy Jobim, Rocco e Foot, que mais tarde chamaria o Ran como convidado em a sua revista Bundha 2, em 1987 (Press). Nesse mesmo ano, até hoje não sei como, fico sabendo que os editores do Caderno 2 (Estadão) estavam procurando o autor das tiras do Ran, pois queriam publicá-lo no Jornal. E lá fomos nós!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/5_bundha_e_jc.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6395" title="5_bundha_e_jc" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/5_bundha_e_jc.jpg" alt="5_bundha_e_jc" width="400" height="202" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Bundha</em></p>
<p>Nessa época, o Estadão estava querendo atrair leitores jovens e por isso editava uma página inteira do caderno de cultura com quadrinhos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6_caderno_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6396" title="6_caderno_2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6_caderno_2.jpg" alt="6_caderno_2" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Caderno 2</em></p>
<p>Foi graças a esses trabalhos que consegui uma vaga como animador e ilustrador no departamento de artes da TV Cultura, em 1989, no infantil &#8220;Rá-Tim-Bum&#8221;, dirigido pelo Fernando Meirelles.</p>
<p>Trabalhei com grandes animadores como Flavio Del Carlo, Arnaldo Galvão, Ridaut entre outros. Depois do cinema e quadrinhos, lá estava eu aprendendo sobre TV. Foi uma época maravilhosa&#8230;curti e aprendi muito, na TV tem muita gente trabalhando junto, departamento de artes, cenografia, figurino, produção, técnica e estúdio&#8230;todo mundo interagindo.</p>
<p>Uma pequena&#8230; micro&#8230; hollywood!  ^^  Depois que eu terminava meu trabalho, eu sempre descia ao estúdio para assistir as gravações.   Nessa época, fui convidado pelo Fernando Gonsales para participar no gibi “Niquel Náusea”, (admiro obra e autor ^^), na seção de cartuns temáticos.</p>
<p>Nesse gibi eu experimentei traços mais quadrados, angulosos&#8230;sei lá! eu queria fazer algo diferente do &#8220;Ran&#8221; . Na revista estavam também o Spacca, Foot, Negreiros e Duval.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/7_niquel_nausea.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6397" title="7_niquel_nausea" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/7_niquel_nausea.jpg" alt="7_niquel_nausea" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Níquel Nausea</em></p>
<p>Participei também de dois números da revista mix de quadrinhos &#8220;Aventura e Ficção&#8221; .. Essa revista, da Abril/jovem, que durou 2 anos, começou com um time de feras americano, John Buscema, Roy Thomas, John Byrne&#8230; a partir do numero 14 começou a mesclar um time de feras brasileiro, Mozart Couto, Watson Portela&#8230; e europeu, Milo Manara, José Ortiz&#8230;. E atenção aqui! foi uma honra participar dessa revista, emplaquei 2 histórias em dois números&#8230;acho que mais pela piração dos textos&#8230;pois minha técnica não chegava perto dos mestres supra citados.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/8_aventura_e_ficcao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6398" title="8_aventura_e_ficcao" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/8_aventura_e_ficcao.jpg" alt="8_aventura_e_ficcao" width="400" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Revista Aventura e Ficção</em></p>
<p>E o Ran continuava sua trajetória. &#8220;Skate Mania&#8221; (88), &#8220;Alegria&#8221; (89), ambas da Editora Abril, Jornal do Brasil (90), &#8220;mini cruzadas&#8221; e &#8220;risca aparece&#8221;(91),também da Abril.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/9_skate_mania.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6399" title="9_skate_mania" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/9_skate_mania.jpg" alt="9_skate_mania" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Revista Skate Mania</em></p>
<p>Vocês percebem que minha história nos quadrinhos é basicamente a história do Ran ?</p>
<p>As vezes eu digo: eu não faço quadrinhos, eu faço o Ran! E outra coisa&#8230;nessa trajetória, pela influência do trabalho voltado às crianças na TV Cultura e nas revistas da Abril, o Ran vai se tornando mais light, se focando também no publico infantil.   1991, pausa nos quadrinhos&#8230; monto meu estudio onde fazia free-lancers com ilustrações, logotipos, institucionais, desenhos para camisetas, embalagens&#8230;o que pintasse.</p>
<p>Trabalhei um tempo na &#8220;Giovana Baby&#8221;, desenhando em 2D seus bichinhos de pelúcia.   Em 1992 conheço a redação de um jornal erótico, o &#8220;Só para Maiores&#8221;, que ficava a poucas quadras de minha casa, e comecei a colaborar com tiras sobre o tema.</p>
<p>A brincadeira durou uns seis meses, mas foi o start para eu começar uma produção nessa temática: a &#8220;Eros Magia&#8221; http://saleiras-sal.blogspot.com    na foto o original de 91 e um ramake de 2007.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/10_eros_magia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6400" title="10_eros_magia" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/10_eros_magia.jpg" alt="10_eros_magia" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Eros magia</em></p>
<p>Em 1994 estava eu novamente na TV Cultura, animando e ilustrando para o &#8220;Castelo Rá-Tim-Bum&#8221;, dirigido pelo Cao Hamburguer.  Novamente um grande prazer pelo trabalho!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/11_castelo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6479" title="11_castelo" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/11_castelo.jpg" alt="11_castelo" width="400" height="202" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Castelo  (cenário principal)</em></p>
<p>Em 1996, volta o Ran em tiras na &#8220;Heróis do Futuro&#8221; pela Press, onde conheci o Marcio Nicolozi e o Rogério Vilela, depois passa para a &#8220;Comix book shop&#8221; (99 a 2001) e Calvin&amp;Cia (2001), um coletivo de tiras internacionais, com o Paulo Paiva e eu representando o Brasil.</p>
<p>E teve também a &#8220;Super Legal&#8221;, uma revista experimental, com histórias mais compridas, onde o Ran ciceroneava alguns convidados, entre eles, Márcio Baraldi, Aran, Max e Alê Abreu.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/12_comix_e_cia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6480" title="12_comix_e_cia" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/12_comix_e_cia.jpg" alt="12_comix_e_cia" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Comix e Cia</em></p>
<p>Em 1999 eu entro no mundo do Photoshop e da Internet&#8230; Um mundo novo para mim!   aprendo o que significa e-mail, começo a enviar &#8220;e-tirinhas&#8221; para todo mundo e nessa brincadeira reencontro velhos amigos de faculdade que estavam coordenando conteúdo para a AOL/Brasil (America On Line) e eles me convidam para montar uma seção de humor na página de diversões.</p>
<p>No primeiro mês de trabalho, fui procurado pelo pessoal de atendimento ao cliente. Eles queriam usar o Ran para se comunicar com os usuários. E lá fomos nós trabalhar em multi-nacional ^^  Ficamos lá por mais de 2 anos, até a AOL se retirar do Brasil.</p>
<p>Foi um trabalho bem pago em termos de tirinha, e uma grande experiência e oportunidade de trabalhar em uma mídia nova.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/13_aol.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6556" title="13_aol" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/13_aol.jpg" alt="13_aol" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;Central de Tiras&#8221; &#8211; </em><em>AOL   2003<br />
</em></p>
<p>Faoza, Orlandeli e eu resolvemos juntar um grupo de 20 tiristas e montar um livro coletivo.  A idéia era fazer uma &#8220;cena&#8221; em torno de tiras, não quadrinhos ou cartum ou ilustração&#8230;mas TIRAS! Hoje toda a moçada do livro está atuando na praça.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/14_central_de_tiras.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6557" title="14_central_de_tiras" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/14_central_de_tiras.jpg" alt="14_central_de_tiras" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Central de tiras</em></p>
<p>Em 2004  chega a vez dos Blogs.  Fácil de criar e atualizar e permitia grande interação com outros internautas&#8230;montei então meu primeiro &#8220;Universo Ran&#8221; (www.ran.nafoto.net)  Viciei&#8230; peguei todo material &#8220;engavetado&#8221; do Ran e dei um &#8220;upgrade&#8221; &#8230;rediagramei tiras,  melhorei textos, colorização&#8230;e comecei a produzir coisas novas também.</p>
<p>Com o tempo entro para uma lista de blogueiros convidados e depois passo a ganhar chamadas, links, na pagina de abertura do Fotoblog/UOL, o Universo Ran ganha mais visibilidade e reencontro antigos amigos/leitores ao mesmo tempo em que faço novos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/15_uol.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6558" title="15_uol" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/15_uol.jpg" alt="15_uol" width="400" height="202" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>UOL</em></p>
<p>Hoje (2009) sinto que os blogs começam a perder força para ferramentas como twiter e facebook&#8230;.vou seguindo a onda e levando meu trabalho adiante.   Paralelo a isso tudo, tenho feito ilustrações institucionais para empresas, especialmente na área de Direito.</p>
<p>Meu irmão advogado, Roberto Messina, tem um escritório especializado em Previdência Complementar, o MML, e resolveu apostar na linguagem de ilustrações nas apresentações que faz por todo o Brasil, para advogados, magistrados, promotores, e técnicos do segmento em que trabalha.  Ele desenvolve o tema das palestras, discutimos idéias e eu crio os cartuns ilustrativos.</p>
<p>Como resultado, as apresentações ficam mais claras, agradáveis, e vem  fazendo sucesso no meio.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/16_istitucionais.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6559" title="16_istitucionais" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/16_istitucionais.jpg" alt="16_istitucionais" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Institucionais</em></p>
<p>Bem&#8230;é isso aí!  É claro que houveram pedras no meio do caminho&#8230; tropeções&#8230; tombos&#8230;mas seguimos adiante. Percebo a necessidade de todos nós, cartunistas, quadrinhistas, animadores, unirmos nossos caminhos para pavimentarmos uma larga estrada. A estrada da Cultura Nacional.</p>
<p>Precisamos ocupar espaço em nossas bancas, livrarias, TVs, cinemas, camisetas&#8230; precisamos ser &#8220;nós mesmos&#8221; e não reflexo de outras culturas.   abração a todos! ^^</p>
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		<title>Caminho do Artista: Spacca</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 09:54:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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Saudações a todos&#8230;
Perdoem-me os leitores de IMPULSO HQ se vou gastar muito tempo falando da infância.
Mas é ela que realmente importa na minha formação, e até hoje volto a ela para verificar se estou no caminho certo.
Os primeiros desenhos &#8220;bons&#8221;, eu me lembro bem, foram aos 4 anos.
Antes disso eram só garatujas. E eu tinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/abertura1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6025" title="abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/abertura1.jpg" alt="abertura" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Saudações a todos&#8230;</p>
<p>Perdoem-me os leitores de IMPULSO HQ se vou gastar muito tempo falando da infância.</p>
<p>Mas é ela que realmente importa na minha formação, e até hoje volto a ela para verificar se estou no caminho certo.</p>
<p>Os primeiros desenhos &#8220;bons&#8221;, eu me lembro bem, foram aos 4 anos.<br />
Antes disso eram só garatujas. E eu tinha um talento com construção de castelos com blocos que se perdeu.</p>
<p>Mas foi num dia, havia uma obra em andamento na escola infantil (EMEI) onde minha mãe era diretora, e eu desenhei com habilidade os objetos da construção, tijolos, pá de pedreiro e coisas assim. Em pouco tempo eu já tentava desenhar personagens de desenho animado, dinossauros e monstros da TV.</p>
<p>Claro que eram toscos, mas eram melhores do que os meus colegas desenhavam. Se a professora pedia para a turma desenhar um cachorro, eu fazia um buldogue parecido com o desenho do Tom e Jerry, babando e com sinais de movimento nas patas.</p>
<p>Eu desenhava rápido e sempre fui vaidoso por isso. Minha facilidade natural era com expressões fisionômicas e desenho de animais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/1desenho_5anos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6027" title="1desenho_5anos" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/1desenho_5anos.jpg" alt="1desenho_5anos" width="400" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Amostra de desenho de criança</em></p>
<p><em><span id="more-6024"></span></em><br />
Também me identificava muito com HQ e desenho de humor.<br />
Não gostava dos desenhos &#8220;sérios&#8221; de heróis como o Fantasma ou cowboys.<br />
Eu não sabia escrever ainda, e pedia para minha mãe escrever alguma coisa com a &#8220;minha letra&#8221; (a caixa alta de cartum) para eu copiar.<br />
Meu pai também era desenhista desde criança, mas seguiu o caminho do desenho técnico.</p>
<p>Então eu via ele fazer alguns trabalhos em sua grande prancheta de 1,80 de largura, que possibilitava pontos de fuga bem afastados nos desenhos de perspectiva.</p>
<p>Eu era, como muita criança nos anos 70, bombardeado por desenhos e programas na TV.<br />
Era muita coisa.Se fizesse uma lista hoje do que eu via, só de Hannah-Barbera dava mais de 100 desenhos animados.</p>
<p>Adorava Johnny Quest, Scooby-doo, Corrida Maluca e muitos outros.<br />
Não havia mangá, que só conheci adulto. Mas eu via desenhos animados japoneses como A Princesa e o Cavaleiro.</p>
<p>Programas e séries de humor: Os Três Patetas, Abbott e Costello, os tipos de Chico Anísio e Trapalhões.<br />
Seriados de aventura: Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Viagem ao Fundo do Mar etc.</p>
<p>Também gostava muito de folhear enciclopédias e dicionários ilustrados;<br />
colecionei com meu pai os fascículos semanais da Enciclopédia Disney, Os Bichos e outras coleções da editora Abril.</p>
<p>Não posso exagerar a importância da Editora Abril na minha formação: até a revista Cláudia que minha mãe comprava tinha interesse, uma vez que na última página tinha a Supermãe do Ziraldo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/2patinhas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6028" title="2patinhas" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/2patinhas.jpg" alt="2patinhas" width="398" height="600" /></a><em>Imagem Disney</em></p>
<p>Das muitas influências nessa fase, três grandes autores se destacavam:<br />
Disney, Maurício e Monteiro Lobato.<br />
Essas três obras tiveram para mim o peso de mitologias.<br />
Hannah-Barbera também, mas os desenhos deste estúdio eram tão diferentes entre si, que não me davam a idéia de unidade do império Disney.<br />
Disney, para começar, tinha duas &#8220;cidades&#8221;: Disneylândia e Disneyworld.</p>
<p>Tinha toda a mitologia das HQs, tinha os clássicos do cinema, bastante valorizados, pois para rever um filme como Branca de Neve, numa época em que não havia VHS nem DVD, era preciso esperar oito anos até passar no cinema novamente.</p>
<p>Alguns filmes eu conheci somente por meio dos quadrinhos, como A Espada era a Lei.<br />
O Zorro de Walt Disney, seriado com o mesmo pai de Perdidos no Espaço mais jovem (Guy William), era um dos seriados preferidos.</p>
<p>Nos programas semanais da Disneylândia, de vez em quando mostravam<br />
&#8220;making-ofs&#8221; com os animadores transformando uma bailarina num hipopótamo ou avestruz para o filme &#8220;Fantasia&#8221;.<br />
A idéia de trabalhar com desenho foi nascendo vendo esses programas.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/3mauricio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6029" title="3mauricio" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/3mauricio.jpg" alt="3mauricio" width="400" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Maurício de Sousa</em></p>
<p>O mundo de Maurício de Sousa possuía qualidades semelhantes às do Mundo Disney.<br />
Uma grande galeria de personagens e pequenos mundos, como a Turma da Rua, a Mata, a Pré-História.</p>
<p>E histórias que também apareciam em vários veículos, gibis mensais, jornal e anúncios de TV, além de bonecos e merchandising, capas de caderno etc.<br />
As histórias seriadas do Horácio na Folhinha eram grandes aventuras, meio soturnas e dramáticas comparadas ao padrão mais light que se adotou depois.</p>
<p>O fato dele ser brasileiro tornava mais fácil de realizar o sonho de fazer<br />
algo como Walt Disney.<br />
(Tive o prazer de ilustrar por dois anos a mesma &#8220;Folhinha&#8221;, em 1988-90).</p>
<p>E eu tinha, aos 8 &#8211; 10 anos, uma galeria de personagens (obviamente,<br />
parecidos com o que eu lia: uma dupla de amigos, um cientista, alguns<br />
pré-históricos, uma bruxa etc).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/4aventura.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6030" title="4aventura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/4aventura.jpg" alt="4aventura" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Aventura no museu</em></p>
<p>Já o Sítio do Picapau Amarelo diferia de Disney e Maurício porque não<br />
possuíam uma versão desenhada padronizada.<br />
Parecia que o importante era o texto, e os desenhistas variavam (apesar do meu favorito ser o André Le Blanc).</p>
<p>Isso me dava a esperança (esta bem mais fácil de realizar) de um dia fazer uma HQ ou desenho animado com a obra do Lobato.<br />
(Hoje esse projeto virou outra coisa: uma biografia do Lobato mostrando a briga dele com o Getúlio Vargas para descobrir petróleo).</p>
<p>Lobato, além de ser um grande humorista e contador de histórias, também passa um espirito cético e científico, questionador que marca muito quem tem a sorte de conhecê-lo na idade certa.</p>
<p>Era comum ver que uma mesma história podia ser contada em filme, livro, quadrinhos ou desenho animado.<br />
Quando um filme me empolgava e eu sabia ser uma adaptação, procurava conhecer o livro ou mesmo desenhar eu mesmo a adaptação para quadrinhos (nunca terminada).</p>
<p>Os clássicos de Júlio Verne eu conheci, ora como livro, ora como HQ (&#8220;Vinte mil léguas submarinas&#8221;), ora em filme (&#8220;A volta ao mundo em 80 dias&#8221;), e eu ficava comparando as versões.</p>
<p>Tinha um seriado com Mr.Magoo (muito estranho, nesse seriado ele enxergava bem) em que ele, como se fosse um ator de teatro, encenava clássicos como &#8220;Os Três Mosqueteiros&#8221;, &#8220;Sherlock Holmes&#8221; , &#8220;Moby Dick&#8221;, &#8220;Frankestein&#8221;etc.</p>
<p>Aqui vai uma amostra de uma HQ começada, em que dois personagens meus &#8220;interpretam&#8221; os papéis de Phileas Fogg e passepartout, de &#8220;A volta ao mundo em 80 dias&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/5volta_ao_mundo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6031" title="5volta_ao_mundo" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/5volta_ao_mundo.jpg" alt="5volta_ao_mundo" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>A volta ao mundo</em></p>
<p>No &#8220;fim da infância&#8221; a obra de Goscinny e Uderzo ampliou meus horizontes.<br />
Na quarta série, uma amiga de classe que era &#8220;crente&#8221;, Isabel, me emprestou um exemplar de Asterix.</p>
<p>Fiquei fascinado. Ao mesmo tempo, a Folha aos domingos publicava um caderno de quadrinhos (incluindo a HQ nacional &#8220;Os Bandeirantes&#8221; de Moretti e Nicoletti, bastante responsável por eu estar hoje desenhando quadrinhos históricos) com &#8220;Asterix e Cleópatra&#8221; e &#8220;Asterix entre os Helvéticos&#8221;.</p>
<p>Comecei a comprar a cada dois meses um álbum do Asterix nas bancas, editado então pela Cedibra.<br />
Conheci então um novo patamar de qualidade. Em Asterix o desenho de humor encontra o desenho anatômico e real.</p>
<p>Aos 13 anos, comecei um estudo sistemático de desenho de anatomia.<br />
Ganhava no aniversário e natal livros de desenho da coleção &#8220;Walter Foster&#8221; e os FANTÁSTICOS livros de Jayme Cortez, A Arte do Desenho e A Arte da Ilustração.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6jaymecortez2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6033" title="6jaymecortez2" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6jaymecortez2.jpg" alt="6jaymecortez2" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Jayme Cortez</em></p>
<p>Estes livros eram coletâneas de artistas brasileiros, organizadas de modo didático, mostrando os esboços, a pesquisa, a arte final, as reduções etc.<br />
Se hoje eu faço &#8220;making-ofs&#8221; nos meus álbuns, a inspiração vem dai. Quero deixar para o eventual leitor iniciante de desenho o que eu ganhei do Jayme Cortez.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6jaymecortez1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6032" title="6jaymecortez1" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/6jaymecortez1.jpg" alt="6jaymecortez1" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Jayme Cortez</em></p>
<p>Outro nome brasileiro importante: José Lanzelloti.<br />
Ele ilustrou duas coleções de livros de folclore que eu via no parque infantil da minha mãe; uma era mais infantil, com histórias contadas pelo palhaço Arrelia.</p>
<p>Havia um &#8220;mapa das lendas brasileiras&#8221; que eu não cansava de olhar, e que inspiraram os mapas que eu costumo colocar nos meus livros (assim com o mapa inicial de Asterix, que eu cito no álbum &#8220;Debret&#8221;).<br />
Havia outra de Histórias, Costumes e Lendas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/7lanzelloti.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6034" title="7lanzelloti" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/7lanzelloti.jpg" alt="7lanzelloti" width="400" height="400" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Lanzelloti</em></p>
<p>Na pré-adolescência, entrei em contato com a revista MAD, que mexeu muito com a minha cabeça, com os meus valores. Primeiro, pelo tom satírico, já um pouco mais adulto; depois, pelo formidável time de desenhistas, do quase realista Mort Drucker, aos escrachados Aragonés e Don Martin.</p>
<p>Foi na MAD que notei os cartunistas brasileiros, como a ilustradora Mariza, Luscar e Nani, e soube da existência do Salão de Humor de Piracicaba.</p>
<p>E ao mesmo tempo &#8211; meados dos anos 70 &#8211; a Folha começa a publicar o tablóide Folhetim, e na página final, Angeli, Laerte, Glauco e Nilson.<br />
Começa aí a vertente do humor político, que acabou dando na minha carreira de chargista na Folha de S.Paulo, de 1985 a 1995.</p>
<p>Carreira boa, bastante visibilidade, fiz bons amigos&#8230; mas hoje duvido da importância que aquilo tinha como &#8220;conscientização política&#8221;, como eu imaginava.</p>
<p>Num certo momento, tudo me cansou: me senti desenhando pouco, apressado e mal-feito, e o assunto política se tornando cada vez mais sem graça. Caí fora.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/8charge.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6035" title="8charge" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/8charge.jpg" alt="8charge" width="400" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Charge FSP</em></p>
<p>No dia em que comecei na Folha, conheci Fernando Gonsales.<br />
E quando ele resolveu fazer o gibi &#8220;Niquel Náusea&#8221;, na época do boom dos quadrinhos na Chiclete e Circo, eu fui convidado desde o primeiro número, assim como Newton Foot.</p>
<p>A revista reunia tiras publicadas na Folha e HQs mais longas do Fernando, como as do profeta Vostradeis.</p>
<p>Nós, os convidados, fazíamos&#8230; o que desse na telha.<br />
Liberdade total. e havia uma grande sintonia entre a gente, creio que pelas influências comuns, como Barks e Canini.</p>
<p>Outros colaboradores da Níquel eram Duval e Negreiros.<br />
Eu colaborei em todos os números, com HQs e cartuns, nos 7 anos que durou a revista.<br />
Minhas HQs não tinham personagem fixo, e eu experimentava estilos diferentes, mas tudo feito com a mão às vezes pesada do cartunista. Teve momentos interessantes, mas era uma produção irregular, com altos e baixos.</p>
<p>A cabeça e o traço de cartunista, e o desenho ainda muito impaciente,  às vezes estragavam uma boa idéia com piadas deslocadas.<br />
Tive em algumas HQs o prazer da parceria com o jornalista Heinar Maracy.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/9niquel.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6036" title="9niquel" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/9niquel.jpg" alt="9niquel" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Historia da Níquel Náusea<br />
</em></p>
<p>Voltando no tempo novamente, um programa de TV aos domingos &#8211; História do Desenho Animado &#8211; me colocou, ainad criança, em contato com o professor de desenho Ismael dos Santos, referência famosa no ensino de desenho na Lapa em São Paulo. Foi no seu &#8220;Núcleo de Arte&#8221; que eu, aos 15 anos, entrei em contato com profissionais da área de publicidade.</p>
<p>Eu cursava uma escola técnica de desenho no Brás, o Carlos de Campos. E o ilustrador Brasílio me indicou para ocupar a vaga de ilustrador na agência de publicidade Young e Rubicam (1979).</p>
<p>Apesar do meu desejo de trabalhar em animação e HQ, peguei o trabalho, mais para pegar experiência técnica para depois fazer o que eu queria.</p>
<p>Como fui perceber muito tempo depois, ganhei muito mais do que isso: a experiência de fazer storyboard (durante 04 anos na Young e por muitos anos depois, como freelance) me adestrou na linguagem do cinema e na arte narrativa, o queseria muito importante para os quadrinhos; além disso, tinha o treino diário de receber pedidos das duplas de criação, o que te dá tarimba de negociar e conversar com clientes, para saber o que eles querem e resolver problemas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/10storyboard.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6037" title="10storyboard" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/10storyboard.jpg" alt="10storyboard" width="398" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Storyboard</em></p>
<p>Saí da publicidade e fui para a produtora de desenho Briquet Filmes, em<br />
1983-84.<br />
Num vácuo de profissionais na Briquet, mesmo estagiando desempenhei função de animador e intervalador (aliás uma lacuna na minha carreira; nunca fui assistente de ninguém).</p>
<p>Animei o personagem Bond Boca de uma propaganda de antisséptico bucal, e mais algumas coisas.<br />
Senti falta, para o meu desenvolvimento, de recursos para testar a animação a lápis antes de ir para o ar &#8211; não tínhamos nem um VHS para fazer o &#8220;pencil-test&#8221;.</p>
<p>Apesar de terem reconhecido o meu trabalho e de ocupar (talvez indevidamente) uma posição &#8220;senior&#8221; aos 20 anos, eu sentia muita frustração com o resultado, e com a falta de estrutura para testar as animações, corrigir os erros e progredir.</p>
<p>E des-animei. Parti para o free-lance e abri uma empresa.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/11bondboca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6038" title="11bondboca" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/11bondboca.jpg" alt="11bondboca" width="400" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Bond Boca</em></p>
<p>Durante muitos anos me dediquei a clientes diversos, tanto na área editorial &#8211; jornais, livros e revistas &#8211; com institucional: comunicação com funcionários, cartilhas, campanhas etc.</p>
<p>Um projeto se arrastava de longa data. Era um filme animado, ou HQ, sobre Santos-Dumont.<br />
Passei décadas tentando elaborar o roteiro, juntando referências, comprando livros e estudando a cidade de Paris à distância.</p>
<p>Foi nos anos 90 que me dei conta de que meu traço, excessivamente simplificado pelo desenho de cartum, não daria conta de uma HQ mais elaborada.</p>
<p>Além das HQs que fiz na revista &#8220;Niquel Náusea&#8221;,  fiz outras na revista Front, com roteiro de Marcelo de Andrade (&#8220;Página 2&#8243;, Front #7) e Orlandeli (&#8220;Justa causa&#8221;, Front #8). Gostei das experiências, mas por serem muito esporádicas, não me conduziam à maturidade que só a constância e a disciplina podem alcançar.</p>
<p>Foi uma boa crise. Me dei conta de que fazia falta não ter sido assistente de um outro ilustrador ou cartunista.<br />
E já perto dos 40 anos, fiz de conta que era um arte-finalista dos meus mestres, e copiei desenhistas que possuíam aquiloque me faltava.</p>
<p>Alguns mestres são muito difíceis e ainda me inspiram como alvo, não sei se alcançável: Alex Toth, por exemplo.</p>
<p>Entre nós, Colin e Laerte eram boas fontes de estudo. Mas Laerte eu evitei; ali já tinah uma síntese resolvida de cartum e quadrinho clássico, e eu queria fazera minha síntese pessoal.</p>
<p>Fui buscar &#8220;preparo físico&#8221; nos quadrinhos de &#8220;bang-bang&#8221;, pois numa HQ de Velho Oeste o desenhista encontra desafios parecidos com os que eu enfrentaria em Santô, como arquitetura, cavalos, paisagem, roupas de época e tratamento em branco e preto da luz.</p>
<p>As paisagens de Carl Barks também serviram de referência para várias cenas de Santô.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/12_santosdumont.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6039" title="12_santosdumont" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/12_santosdumont.jpg" alt="12_santosdumont" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Cena de Santô</em></p>
<p>Para a parte do roteiro (abrindo um parênteses: nasci desenhista, mas precisei aprender de modo consciente a criar piadas e roteiros; demorou para aprender a linguagem dos cartuns, não fui como o João Monatanaro que aos 12 anos tem uma visão adulta de cartum. Eu só consegui criar cartuns e charges já perto dos 20 anos)&#8230;</p>
<p>Voltando. Para desenvolver o roteiro de Santô, eu me inspirei em Barks, em Gino d&#8217;Antonio (A História do Oeste &#8211; série monumental de 70 episódios de 94 páginas), Tardi (desenho também).</p>
<p>E principalmente cineastas. Aprendi muito vendo making-ofs de filmes<br />
preferidos como De Volta para o Futuro, Indiana Jones e outros.</p>
<p>Vou concluir a narrativa desta trajetória por aqui. Digo apenas que desde 2004 os quadrinhos são a coisa principal que faço; que ainda estou aprendendo, pois a tarefa é árdua e é preciso resgatar e estudar muita coisa boa que foi feita no século XX, e ainda me espanto por estar tendo a chance de juntar numa mesma atividade tanta coisa que gostei ao longo do tempo: as enciclopédias da infância, os álbuns de Asterix, o interesse por história e cultura brasileira&#8230;</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/12_santos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6040" title="12_santos" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/07/12_santos.jpg" alt="12_santos" width="398" height="600" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Capa de Santô</em></p>
<p>Estou muito curioso para ver no que isto tudo vai dar.</p>
<p>Depois de Santô, Debret, D.João e Jubiabá, vou adaptar agora As Barbas do Imperador de Lília M.Schwarz, que trata do D.Pedro II.</p>
<p>Meu interesse é aprender, fazer, melhorar e passar a bola pra frente, vamos ver se alguns leitores se estimulam a fazer HQs e animações, como eu fui motivado pelos artistas que me mostraram o caminho.</p>
<p>abs<br />
sp</p>
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		<title>Caminho do artista: Xalberto</title>
		<link>http://impulsohq.com/caminho-do-artista/caminho-do-artista-xalberto/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 12:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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Seria Xalberto um alien?
Qualquer criança de escola sabe que Pelucidar é um mundo no centro da Terra ( Edgar Rice Borroughs, in “Tarzan no centro da Terra”) e também que Xalberto é um cartunista que se notabilizou por criar histórias estranhas, que não parecem deste mundo.
Recentemente, uma equipe de pesquisadores dinamarqueses da área da paranormalidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_abertura.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5163" title="xalberto_abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_abertura.jpg" alt="xalberto_abertura" width="400" height="400" /></a></p>
<p><strong>Seria Xalberto um alien?</strong></p>
<p>Qualquer criança de escola sabe que Pelucidar é um mundo no centro da Terra ( Edgar Rice Borroughs, in “Tarzan no centro da Terra”) e também que Xalberto é um cartunista que se notabilizou por criar histórias estranhas, que não parecem deste mundo.</p>
<p>Recentemente, uma equipe de pesquisadores dinamarqueses da área da paranormalidade concluiu que o autor brasileiro de HQs Xalberto não é mesmo deste mundo. Chegaram a esta conclusão insólita, examinando detalhadamente cada pormenor surrealista entre tantos concebidos e desenhados pelo artista, principalmente da fase de sua série “Contos de Nenhum Lugar”!</p>
<p>Somente um ser que já tenha percorrido outras dimensões, universos paralelos ou realidades alternativas pode referir-se com tanta familiaridade a nomes como Orotifácia do Lancinante, Apostrofôncio Compassivino, ou Cadestral Pimpipinante.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_abertura_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5164" title="xalberto_abertura_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_abertura_02.jpg" alt="xalberto_abertura_02" width="400" height="400" /></a></p>
<p><span id="more-5135"></span>Os estudiosos submeteram a certidão de nascimento do estranho cartunista a uma fotografia Kirlian e surgiu uma frase críptica, em alfabeto desconhecido. Consultando um tradutor de linguagens  alienígenas que trabalhou na Área 51, descobriram então que a frase diz: “Natural de Nenhum Lugar”.</p>
<p>Ora, então os estudiosos concluíram que: ou Xalberto não existe ( não tendo efetivamente nascido de  mulher), ou ele não é deste mundo. Optaram, um pouco aleatoriamente, pela viabilidade da segunda hipótese.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_06.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5222" title="xalberto_06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_06.jpg" alt="xalberto_06" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Tentando ainda dirimir a dúvida, colheram novas opiniões, como a  de Eric Fon Trêniquem, resdespeitado escritor- hoteleiro, conhecido mundialmente por seus dois principais livros: “Eram os deuses agnósticos”? e “De volta às bestrelas”. O literato afirmou estar certo de que Xalberto é descendente da raça de Atlântida e que tal origem não pôde ser revelada no âmbito exotérico devido a motivos de segurança, daí a necessidade de um código (Nenhum Lugar seria uma referência velada à Atlântida).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5217" title="xalberto_01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_01.jpg" alt="xalberto_01" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Outra celebridade consultada foi o quadracríptico de histórias- em- quadrinhos Jalberto Moyacirne, que achou incrívelmente plausível tal hipótese. Aliás, segundo o teórico, só o fato do desenhista não ser deste planeta explicaria  Xalberto ter dedicado toda a sua vida às histórias- em -quadrinhos e ter ganho tão poucos prêmios na área, ou mesmo nunca ter sido citado em livros sobre o assunto, a não ser na categoria de “entre outros”.</p>
<p>Apresentaremos, em seguida, alguns exemplos da enigmática arte Xalbértica, em desenhos extraídos do livro “Contos de Nenhum Lugar”, ditado por Massao Ohno, que &#8211; por sua vez &#8211; parece ser um simples nissei bem-sucedido, mas trata-se verdadeiramente de um alienígena procedente de Alfa-Centauri.</p>
<p>Em suas futuras memórias, Massao revelará o porquê dos discos-voadores virem de tão longe para ficarem somente seguindo aviões ou praticarem a abdução em mulheres feias. Ainda segundo Massao, os alienígenas nunca disseram “ leve-me ao seu líder”!</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5218" title="xalberto_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_02.jpg" alt="xalberto_02" width="400" height="202" /></a></p>
<p>Observação: Os OVNIs do filme “O bandido da luz vermelha” e de “O dia em que a Terra parou” são falsos, mas aquele fotografado por George Adamsky, assim como  o E.T. de Varginha&#8230; bem, estes são verdadeiros!</p>
<p>Apesar da origem alienígena de Xalberto (somente hoje aqui revelada), sua fixação intensa pela linguagem dos quadrinhos conduziu-o através de uma carreira, neste nosso planeta Terra, que já dura mais de três décadas.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5221" title="xalberto_05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_05.jpg" alt="xalberto_05" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Assim, Xalberto voou no Balão (primeira revista de HQ “udigrudi” brasileira) com outros famosos mestres ascensionados dos quadrinhos nacionais, publicou seus Contos de Nenhum Lugar em álbum próprio – todo em papel couchê &#8211; sendo este o segundo álbum de HQs “de autor” brasileiro (Editora Massao Ohno), lançou Íncaro, histórias daquele que voou (seu segundo álbum) também pela Editora Massao Ohno , co-editou a revista Divina Comédia (juntamente com Gualberto Costa, pela Editora Press), criou e desenhou o “fanzine” O Outro Menino do Rio (que o Marcati imprimiu em sua antiga e pequena impressora) e mais recentemente lançou o álbum O Paulistano da Glória através da Via Lettera (em parceria com Sian e Bira Câmara), que recebeu um HQ Mix, na categoria homenagem, em 2004.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5219" title="xalberto_03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_03.jpg" alt="xalberto_03" width="400" height="202" /></a></p>
<p>Escreveu perto de 100 roteiros aprovados e publicados dos personagens Disney, pela Editora Abril.</p>
<p>Fez parte da revista Crás (tentativa da editora Abril de publicar HQs nacionais) com a série Olimpo. Publicou também a mesma série (Olimpo) no suplemento de quadrinhos da Folha de São Paulo da fase antiga, nos anos 70.</p>
<p>Ilustrou durante cerca de três anos para a revista Visão. No jornalismo, publicou regularmente por mais de um ano no jornal Estado de São Paulo.</p>
<p>Iniciou, em dupla com Paulo Caruso, a série de tiras “As Mil e Uma Noites”, alternando-se com este, no jornal Lira Paulistana.</p>
<p>Publicou mais e mais histórias em quadrinhos na Inter Quadrinhos, Ataque, Carbono 14, Gripho, Cerol, etc.; ilustrações em diversos house-organs (Itaú, Banco Auxiliar), revistas eróticas (Chic, Status e Privê) e revistas técnicas (Plásticos e Embalagens). Escreveu algumas histórias para a revista Recreio (fase antiga).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5220" title="xalberto_04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/06/xalberto_04.jpg" alt="xalberto_04" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Publica quadrinhos atualmente (quando permitem, ainda) na revista Front.</p>
<p>E, como já foi aqui sugerido, deixou até Alfred E. Newman enojado na revista MAD&#8230; na qual publica até hoje. Numa média de, digamos, um número sim, três números não.</p>
<p>Afinal, nem mesmo os aliens são de ferro! Robert Downey Jr., sim! Xalberto é feito do elemento 18, aquele que Bob Lazar diz ter sido sintetizado na Área 51 e é o responsável pela propulsão dos discos-voadores!</p>
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		<title>Caminho do artista: Will</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 12:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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Era uma vez&#8230;

Como invariavelmente acontece com todos aqueles que vão ter uma relação profissional com os quadrinhos meu contato com a nona arte também teve início antes mesmo de eu aprender a ler. Graças à Angelo Agostini, minha mãe introduziu os quadrinhos na minha vida.
No começo ela lia para mim histórias dos personagens Disney, principalmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4761" title="abertura1" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura1.jpg" alt="abertura1" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>Era uma vez&#8230;<br />
</strong></p>
<p>Como invariavelmente acontece com todos aqueles que vão ter uma relação profissional com os quadrinhos meu contato com a nona arte também teve início antes mesmo de eu aprender a ler. Graças à Angelo Agostini, minha mãe introduziu os quadrinhos na minha vida.</p>
<p>No começo ela lia para mim histórias dos personagens Disney, principalmente Mickey, um pouco depois, quando eu já sabia ler, passei para a Turma da Mônica (Maurício de Souza). Logo em seguida vieram, Flash Gordon (Alex Raymond), Mandrake, Fantasma (Lee Falk), The Spirit (Will Eisner) e, é claro os super-heróis, com mais destaque para o Batman. Também descobri que queria ser desenhista bem cedo, aos 7, 8 anos.</p>
<p>Passava meus dias copiando quadrinhos e cheguei até a criar um personagem naqueles primeiros anos. Depois de tudo acabei virando mesmo ilustrador. Minha primeira influência foi o Ziraldo, depois eu passei a admirar o traço do Orlando. Criar um estilo meu demorou um pouco, fui &#8220;bebendo&#8221; aqui e ali. Hoje as pessoas identificam no meu trabalho atual influências do Gendy Tartakovsky (Laboratório de Dexter, Samurai Jack, Clone Wars), e de Danny Phanton, o que é verdade, eu gosto bastante deste estilo.</p>
<p><span id="more-4756"></span>Me inspiro e admiro os trabalhos do Darwyn Cooke, do Carlos Meglia, que infelizmente faleceu ano passado, gosto do que o Spacca vem fazendo atualmente nas adaptações e também dos trabalhos do Gabriel Bá e do Fabio Moon. Circular por esse universo me fez conhecer e respeitar muita gente que tem trabalhos fabulosos, tenho a maior sorte do mundo de hoje em dia ser amigo de um monte de caras talentos, vez ou outra me deixo levar e referencio algum autor.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/091.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4768" title="091" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/091.jpg" alt="091" width="400" height="202" /></a><strong></strong></p>
<p><strong>Então os quadrinhos&#8230;</strong></p>
<p>Em 1999, já trabalhando profissionalmente na área há 10 anos, me deparei com um um curso ministrado pelo Álvaro de Moya a Cláudia Levy e o Eloyr Pacheco. Era um curso para aprofundar a linguagem dos quadrinhos com um monte de caras feras vindo pra conversar com a gente, tinha o Laerte, o Fernando Gonzales, Jal, Gual, Luís Gê, Líbero, até o Jerry Robinson apareceu num dia.</p>
<p>Enxerguei a oportunidade de inserir as hq&#8217;s no meu trabalho de ilustração mas também de sair da condição de mero leitor. Neste momento aconteceu algo que eu não esperava, ali eu conheci muitas pessoas que, como eu, queriam fazer quadrinhos, foi neste curso que eu conheci dois caras que viriam a fazer parte do Subterrâneo lá na frente, o Samuel Bono e o Paulo Mansur. Foi onde eu &#8220;botei&#8221; realmente meu &#8220;pé na estrada&#8221;. A partir daí comecei a frequentar o ambiente, conhecer as pessoas e a entender como funcionava esse universo.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/052.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4762" title="052" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/052.jpg" alt="052" width="400" height="400" /></a></p>
<p><strong>Subterrâneo</strong></p>
<p>Minha trajetória passa obrigatoriamente pelo Subterrâneo. Em 2004 eu fazia parte de um grupo que se reunia na Oficina Cultural Oswald de Andrade aqui em Sampa. No começo a gente tentou algo na internet era o site ZineVirtual, que até ganhou alguma notoriedade no meio, porém, chegou o momento em que alguns de nós queriam ver e ter algo impresso.</p>
<p>Como a grana sempre é um problema a ideia básica era produzir alguma coisa com baixo custo. Foi assim que, numa folha de A4 com umas dobras diferentes nasceu o Subterrâneo. O fanzine sempre funcionou como uma ferramenta para divulgação do nosso trabalho, é leitura rápida, é pra conhecer mesmo o que cada um faz. Depois de um tempo lançamos umas edições especiais, já foram 5 ao todo, com histórias mais longas explorando mais os personagens.</p>
<p>Vale lembrar que, em 2007 ganhamos o HQMIX de Melhor Fanzine e agora fomos indicados novamente na categoria Publicação Independente Especial. O Subterrâneo ajudou a tornar conhecido o meu personagem, o Sideralman. Ele surgiu em 2001, antes do fanzine, foi no meio de uma conversa com o Paulo Mansur e o Klebs da Impacto Quadrinhos.</p>
<p>Foi uma dessas conversas que todos nós sempre temos quando nos encontramos por aí. Basicamente suas histórias são feitas esteriotipando o conceito do super-heroi, é clichê pra divertir. Comecei a publicá-lo no Subterrâneo nº 0 e foi até o nº 19. Em 2007 lancei uma revista com três histórias do personagem, incluindo a origem com participação do Bucha do Samuel Bono.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/032.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4766" title="032" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/032.jpg" alt="032" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Teve também uma hq de duas páginas publicada na revista Mundo dos Super-Heróis nº 8, por ocasião da entrevista que eles fizeram comigo. A última história publicada dele foi na Tempestade Cerebral nº4 e é nessa revista que eu pretendo publicar a próxima que vai ter roteiro do Cadu Simões. O Sideralman continua vivendo no fotolog Gazeta de Nova Luz (http://fotolog.terra.com.br/gazetadenovaluz).</p>
<p>Tem muitos amigos que de vez em quando me presenteam com uma pin-up do personagem, isso gera uma conversa intensa, muita gente comenta o traço, o estilo que este ou aquele desenhista fez, eu coloco o desenho na galeria no site do personagem (http://www.e-ideias.com.br/sideralman.htm)  e assim ele se mantém ativo e na lembrança das pessoas. É muito interessante observar a força que ele ganha cada vez que isso acontece.</p>
<p>Eu editei o Subterrâneo A4 até a edição número 9, passei a bola para o Marcos Venceslau, que é o editor até hoje. Quando foi pra sair o primeiro especial, em 2005, eu meio que já fui editando e organizando, como já trabalho com projetos gráficos, diagramação e edição o processo foi natural e daí pra frente assumi a edição de todos os especiais. Atualmente temos 30 edições do Subterrâneo A4, um poster em A3 e cinco especiais com mais um a caminho.</p>
<p>Agora estou publicando um novo personagem no Subterrâneo é o Demetrius Dante, o detetive do absurdo, ainda está muito no começo mas acho que tem potencial.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/012.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4763" title="012" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/012.jpg" alt="012" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>Design gráfico também nos quadrinhos</strong></p>
<p>O segundo passo dentro dos quadrinhos foi quando eu comecei a participar de outras publicações não só como desenhista, mas atuando também nos bastidores, fazendo projetos gráficos, editoração e produção gráfica.</p>
<p>Foi o caso de A Mosca no Copo de Vidro e outras histórias. Idealizada pelo Eloyr teve a história principal desenhada pelo Caio Majado (Conseqüências), na qual eu desenhei duas páginas porque o roteiro pedia uma mudança de estilo, foi bem interessante de fazer. Foi com esta edição que eu misturei meu trabalho de produção visual com quadrinhos e, para grande surpresa nossa a publicação ganhou o HQMIX de Melhor Prozine em 2007.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/081.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4767" title="081" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/081.jpg" alt="081" width="400" height="202" /></a></p>
<p>Participei na produção gráfica das revistas F.D.P (Leonardo Santana) onde criei também o logo do persongem, Bigorna Quadrinhos (Eloyr Pacheco), Tempestade Cerebral nº4 (Alex Mir) e a menina dos olhos de 2008, a coletânea Prática de Escrita &#8211; Histórias em Quadrinhos.</p>
<p>Esse álbum nos foi proposto pelo Silvio Alexandre em nome da Univesidade Cruzeiro do Sul como parte do projeto que eles tem de fomento à leitura utilizando os vários meios possíveis, os quadrinhos são um deles. A edição reuniu 39 autores do Quarto Mundo, entre roteiristas e desenhistas, com 21 hqs fazendo um apanhado da produção nacional desde 2002.</p>
<p>Participei da edição juntamente com o Edu Mendes (Garagem Hermética) e o Daniel Esteves (Nanquin Descartável), eles fizeram a pesquisa das hq&#8217;s e eu criei o projeto gráfico e diagramei. Também colaborei na criação do personagem Escorpião de Prata (http://fotolog.terra.com.br/escorpiaodeprata), de novo com o Eloyr Pacheco e participei de duas edições da Front, a de nº 19 foi minha primeira participação, comecei com o pé direito, fiz capa, uma hq, com roteiro do Leonardo Santana, e uma ilustração.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/061.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4765" title="061" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/061.jpg" alt="061" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Na Front Especial &#8211; 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, participei com hq, de novo com roteiro do Leo Santana e uma ilustração. Publiquei uma hq na revista independente Grande Clã nº 2, foi a primeira história em parceria com a Mônica, minha esposa. É uma história que fala da criação do mundo mas partindo da premissa dos índios Tapuias, um quadrinho totalmente diferente daquilo que eu venho fazendo.</p>
<p>Ainda misturando design e quadrinhos fiz a produção visual de uma das edições da revista Prismarte, a edição Conspirações que teve trabalhos do Antonio Eder, Gian Danton, Lorde Lobo entre outros, também publiquei uma hq, de novo com roteiro do Léo Santana. Tem algumas coisas que fiz que ainda não apareceram mas em breve espero poder falar delas.</p>
<p>Quando eu olho pra isso, que não é muita coisa se a gente for pensar bem, percebo que à minha atuação com quadrinhos acabou se incorporando também o meu lado designer gráfico, não dá pra escapar afinal eu continuo trabalhando com isso&#8230; todo mundo está careca de saber que viver só de quadrinhos no Brasil é complicado. Acho que quando se fala em carreira e trajetória uma coisa que a gente não pode esquecer é&#8230; e aí eu quero citar uma frase do meu amigo Laudo&#8230; &#8220;não podemos tropeçar no ego&#8221;&#8230; é fácil e quando acontece alguma coisa se perde.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/042.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4764" title="042" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/042.jpg" alt="042" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>Quarto Mundo</strong></p>
<p>Uma coisa que me deixa muito contente com tudo isso é que eu estou podendo vivenciar e participar de um momento em que acontece um fato relevante para os quadrinhos nacionais que é Quarto Mundo. Oficialmente o coletivo apareceu em 2007, no 5º FIQ &#8211; Festival Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte/MG, no entanto essa ideia de união e ajuda começou mais ou menos um ano antes quando o Cadu Simões (Homem-Grilo), Leonardo Melo (Quadrinhópole) e o André Caliman (Avenida) se conheceram na frente de uma das Fest Comix e montaram uma banquinha para vender suas revistas.</p>
<p>Depois houve uma nova banca durante a entrega do 23º Prêmio Angelo Agostini, em fevereiro de 2007, aí com mais autores participando. Uma coisa levou a outra e quando vimos, onde houvesse um evento de quadrinhos lá estavam os independentes. Outro fator importante para a consolidação do coletivo foi, primeiro, A Menor Livraria do Mundo e depois a HQMIX Livraria, ambas empreendimentos comandados pelo Gual e pela Dani.</p>
<p>Sempre perguntam se o Quarto Mundo é uma editora&#8230; não!! Não somos uma editora.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/022.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4769" title="022" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/022.jpg" alt="022" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Não publicamos ninguém, cada autor é responsável pelo seu próprio trabalho, desde a concepção até a impressão, não existe nenhum tipo de interferência editorial no trabalho de ninguém. Outra coisa importante de se dizer é, mesmo com a nossa organização é preciso que o autor se mexa, ele precisa se inserir nas atividades do Quarto Mundo.</p>
<p>Existem vários núcleos de trabalho dentro do movimento aos quais o membro pode e deve aderir. Pra quem ainda não conhece pode acessar o blog (http://4mundo.com) lá tem bastante informação sobre as publicações, os autores, uma agenda de eventos além de quadrinhos online para leitura.</p>
<p>Temos também um fórum, o Quinto Mundo, que é aberto ao público. É bom lembrar que ganhamos coletivamente os prêmios HQMIX de Contribuição do Ano e o Troféu Jayme Cortez pelo mesmo motivo, além do que, alguns membros individualmente também ganharam prêmios e reconhecimento.</p>
<p>O Quarto Mundo não é o único movimento de quadrinhos independente no Brasil mas nós estamos tentando fazer uma parte do todo que precisa ser feito. Para resumir, as intenções e objetivos do coletivo são: ampliar e consolidar um mercado interno de quadrinhos, por meio do aumento da produção, ações mais efetivas e diretas na divulgação, uma distribuição dirigida e aprofundar o debate sobre as próprias bases nas quais o movimento está sendo erguido.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/071.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4770" title="071" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/071.jpg" alt="071" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Para finalizar quero agradecer ao Renato Lebeau pela oportunidade de falar um pouco sobre o meu trabalho e também sobre outras coisas em que estou envolvido. Acredito firmemente que iniciativas como esta do Impulso HQ sempre vão ajudar na prosperidade dos quadrinhos nacionais e propiciar às pessoas o conhecimento do fato de que existe uma grande produção de quadrinhos feita de forma independente e de qualidade sendo feita dentro do país.</p>
<p>Sua divulgação presta um grande serviço a todos os autores que querem ver seu trabalho reconhecido e apreciado e ajuda muito a furar a bolha para a consolidação de um mercado verdadeiro para as histórias em quadrinhos nacionais.</p>
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		<title>Caminho do artista: Marcio Baraldi</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 12:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
				<category><![CDATA[caminho do artista]]></category>
		<category><![CDATA[Marcio Baraldi]]></category>

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Como todo cartunista que se preza eu já nasci desenhando, com o cartum na ponta do dedo! Desde pequeno era um moleque muito espevitado, que não parava quieto um minuto, que não dava sossego, enfim um moleque quase insuportável. Coisa de ariano.
Roubava espaguete na despensa da cozinha e jogava na privada, pegava os tubos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura_caminho_baraldi.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4463" title="abertura_caminho_baraldi" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura_caminho_baraldi.jpg" alt="abertura_caminho_baraldi" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Como todo cartunista que se preza eu já nasci desenhando, com o cartum na ponta do dedo! Desde pequeno era um moleque muito espevitado, que não parava quieto um minuto, que não dava sossego, enfim um moleque quase insuportável. Coisa de ariano.</p>
<p>Roubava espaguete na despensa da cozinha e jogava na privada, pegava os tubos de pasta de dente e “pintava” as paredes da casa, quebrava vidraça da casa dos vizinhos, transbordava o tanque de lavar roupa e alagava a lavanderia, entre outras maloqueiragens infantis.</p>
<p>Minha pobre mãe, a saudosa Dona Carmela, desesperada com minhas estripulias, me trancava num grande galinheiro no fundo do quintal, na esperança de ter um pouco de sossego. Eu, junto aos galináceos, abria o berreiro até que nossa piedosa vizinha, a também saudosa Dona Isaura, viesse interceder pela minha libertação. Era minha advogada de defesa, que Deus a tenha!</p>
<p><span id="more-4462"></span><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4464" title="02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/02.jpg" alt="02" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Além das prisões, foram muitas e muitas surras de chinelo e cinta, os “musts” pedagógicos da época.</p>
<p>Até que um dia Dona Carmela teve a sábia idéia de me dar gibis, papel e canetinhas hidrográficas e&#8230;milagre!!! O Marcinho se acalmou!</p>
<p>Passei a desenhar compulsivamente. Ficava horas quieto na mesa da cozinha, enchendo cadernos e mais cadernos com casinhas, bichinhos, solzinhos e afins. Os primeiros gibis que eu vi eram da Mônica, Pererê, Gasparzinho, Disney e similares. Na seqüência descobri os super-heróis, aí passei a desenhar monstros, naves espaciais, robôs e claro, super-heróis aos montes!!!</p>
<p>Como ainda não sabia ler, enchia o saco da minha mãe para me ensinar tal ciência.Dona Carmela, pacientemente me deu uma base para ler os tão adorados gibis.Rapidinho aprendi  a matéria e passei a devorar todos os gibis que via pela frente.Fiquei tão viciado no negócio, que chegou uma hora em que minha mãe simplesmente me proibiu de lê-los, temendo que tais práticas desviassem seu lindo filho do caminho das virtudes.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4465" title="03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/03.jpg" alt="03" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Mas esse vício acabou tendo um lado bom: ao entrar na escola, com seis anos, já sabia ler e escrever perfeitamente e virei o melhor aluno da classe.Era aquele aluno que a professora escalava toda hora para ler a cartilha em voz alta lá na frente da classe.</p>
<p>Eu, nessa época já bem carinha de pau, ia com o maior orgulho, e de quebra ainda fazia uns desenhos na lousa.Sentia que ali nascia um pequeno astro, suburbano, mas um astro, oras! Na escola meu temperamento continuava o mesmo, beijava as meninas e brigava com os meninos.Volta e meia voltava todo rasgado para casa.</p>
<p>Uma vez tomei uma surra homérica de três moleques grandes do ginásio(eu ainda estava no primário) e jurei que um dia seria rico e poderoso e me vingaria de todos.Não consegui nada disso até hoje!&#8230;</p>
<p>Aos onze anos comecei a trabalhar duro.Advindo de uma família proletaríssima de metalúrgicos do ABC paulista, neto de imigrantes italianos durangos até a medula,não me restou outra saída senão buscar um ganha-pão,ou ao menos um ganha-migalhas,para ajudar no lar. Assim, passei pelos seguintes honrosos ofícios, na ordem cronológica: fiz e vendi pipas na feira, fui flanelinha, levantei pinos num boliche, distribui folhetos de propaganda nas casas e entreguei roupas numa lavanderia por vários anos.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4466" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/04.jpg" alt="04" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Apesar do precoce fardo em meu púbere ombrinho, era um garoto muito alegre e otimista.Estudava de manhã, trabalhava a tarde e sonhava com um futuro melhor 24 horas por dia.</p>
<p>E não tardou para o sonho começar a se realizar!Com 15 anos comecei a trabalhar como chargista no sindicato dos Químicos do ABC.Pra falar a verdade comecei como um faz-tudo na imprensa: diagramava e pestapava (ainda era época do paste-up) o jornal, fazia as charges, as tirinhas, e os títulos à mão!</p>
<p>Às vezes, quando o redator não estava, acabava escrevendo alguma matéria de emergência também. De quebra fazia cartazes, artes para camisetas, adesivos,cartilhas em quadrinhos, e o que mais encomendassem.Não tinha feito curso nenhum, aprendi tudo na raça, errando e acertando.E graças a Deus, sempre acertei muito mais do que errei!</p>
<p>Isso foi na metade dos anos 80, o Brasil estava saindo da famigerada ditadura e voltando para a democracia.Havia um clima muito gostoso no ar! Todos os movimentos populares estavam saindo da toca e querendo reconquistar seus espaços.Com isso havia trabalho aos montes para mim.Eu era procurado para desenhar cartilhas e charges para todos os movimentos que se pode imaginar: negros, mulheres, aposentados, estudantes, índios, GLS,ecológicos,etc,etc,etc.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4467" title="05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/05.jpg" alt="05" width="400" height="400" /></a></p>
<p>Comecei a trabalhar como um doido e construí uma carreira muito sólida e bonita,da qual muito me orgulho!</p>
<p>Nesse período, li zilhões de livros de História e autores importantes (Marx, Proudhon, Kardec, Freud, Roberto Freire, Camus, etc..) e produzia a milhão!!!</p>
<p>Paralelamente a isso ainda arrumava tempo pra fazer algumas estripulias extra-curriculares: escrevi e encenei peças de teatro,toquei baixo em bandas de rock,fiz vídeo, grafite e locução de rádio e ainda me formei Desenhista Projetista na ETE Lauro Gomes, uma puta escola em São Bernardo.</p>
<p>Aproveitei o embalo e na virada da década, entrei na Faculdade de Artes Plásticas.Prestei na São Judas, Belas Artes e FATEA ,passei em nono,sétimo e terceiro lugar respectivamente. Isso sem nunca ter feito cursinho.Acabei escolhendo a FATEA, que era em Santo André,a quinze minutos de casa.</p>
<p>Foi um período muito bonito: muitas novidades, ótimos professores, lindas namoradas!Eu era feliz(na bruma de uma hora bêbada) e sabia disso!Mas eu também era o “the boy with the thorn in his side”e não conseguia me acomodar em lugar nenhum, precisava continuar crescendo,buscando mais, e por isso corria, corria, corria&#8230;</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/06.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4468" title="06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/06.jpg" alt="06" width="400" height="400" /></a></p>
<p>De quebra ainda escrevia poemas, como este:</p>
<p>“Então me traga agora<br />
o mapa de um novo mundo,<br />
revele os segredos<br />
de um corpo moribundo.<br />
Sempre mergulhado em desespero,<br />
a esperança é uma agulha num palheiro.<br />
Já não me basta o meu próprio mal?”</p>
<p>Ou este:</p>
<p>“Essa dor gritante,<br />
que dói a cada instante,<br />
que cresce a cada vida.<br />
É a dor que a gente pediu,<br />
do tamanho exato<br />
da nossa ferida.”</p>
<p>Nessa altura do campeonato eu já tinha uns quinze empregos e trabalhava de segunda a segunda. Gostava de entrar numa banca e contar quantas revistas tinham desenhos meus.</p>
<p>Cheguei a publicar numas vinte ao mesmo tempo.Eis algumas das revistas nas quais desenhei e ou ainda desenho até hoje: Internacional(erótica), Fiesta,Brazil, Abusada, Panther, Private, Rock Brigade, Roadie Crew, Rock Forever, Comando Rock, Dynamite, Valhalla, Metalhead, Tattoo, Tatuagem Arte e Comportamento, Tatuadores, América Economia, Caros Amigos, Playstation, Visão Espírita, Espiritismo e Ciência, UFO,MAD, Porrada, Tralha, Níquel Náusea, Paranoya, Mil Perigos, Cabelos e Cia, Sem Fronteiras, Revista do Timão, Nação tricolor, Raça Corinthiana, Negro 100%, Raça, Esotérica, Antenada, TopTeen, Sci-Fi News, OK Magazine, Elas e Elas, Melhor Idade, Vivaleve, MP3 World, Estação Criança, Arquitetura e Construção, e muuuuuuitas mais!</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/07.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4469" title="07" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/07.jpg" alt="07" width="400" height="200" /></a></p>
<p>Amigos me ligavam surpresos e diziam: “-Cara, vi trocentas revistas na banca com desenhos seus!Você não dorme, não?!?”.</p>
<p>Uma das minhas editoras, Laura Bacellar, me escreveu num prefácio certa vez: “Tenho um palpite que o Marcio não dorme.Ele deve entrar numa câmara hiperbárica ,respirar um gás verde energizante e sair de lá pulando e rabiscando tudo que vê pela frente!”.Ela acertou em cheio!!!</p>
<p>Depois dessa fase, eu descobri o prazer de publicar livros com coletâneas dos meus trabalhos.Já tinha acumulado tantos quadrinhos e cartuns que dava pra eu lançar umas duas dúzias de livros.E assim eu fiz.</p>
<p>Pra começar, lancei três livros com charges dos sindicatos onde sempre trabalhei: “ConstruRINDO o Sindicato!”, dos Bancários do ABC, “A fórmula do Riso” e “Cidadania: Eu quero uma pra viver!”, ambos dos Químicos do ABC.</p>
<p>Gostei tanto da brincadeira que a partir de 2002 passei a lançar religiosamente um ou mais livros todo ano. Em 2002, lancei numa paulada só “Moro num país TropíCAOS!” e “Todas as cores do Humor”, em 2003 lancei “Roko-Loko e Adrina-Lina”, em 2004 “Roko-Loko e Adrina-Lina atacam novamente”, em 2005 “Tattoo Zinho”, em 2006 “Roko-Loko-Born to be Wild!”, em 2007 “Humortífero”, em 2008 “Vale-Tudo” e agora em 2009 vou lançar “Roko-Loko-Hey Ho,Let´s Go!”.</p>
<p>Empolgado com a brincadeira, criei e lancei em 2005 o vídeo-game “Roko-Loko no Castelo do Ratozinger”, o primeiro game 100% nacional para adolescentes. Encartado em várias revistas especializadas, o game ultrapassou a tiragem de 500 mil cópias vendidas.Animado,aproveitei pra lançar uma nova edição do game, com duas novas fases e um DVD contendo o making-of do game ,com participação de músicos do Sepultura, Angra e outras bandas.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/08.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4470" title="08" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/08.jpg" alt="08" width="400" height="200" /></a></p>
<p>Lancei também quatro camisetas e quatro bonecos diferentes, dos meus personagens.</p>
<p>Quase) tudo isso está disponível para compra no meu site: www.marciobaraldi.com.br, deixem de ser pão-duros e dêem um passadinha lá!</p>
<p>Também arrumei tempo para escrever matérias para um monte de revistas de rock e cultura pop, além de sites como Bigorna.net e Whiplash.net. Apresentei o programa Domingo Show, na AllTV e fui repórter e dono do quadro fixo “Balde do Baraldi” no programa Banca de Quadrinhos, no Canal São Paulo.</p>
<p>Dei mais de uma centena de entrevistas em revistas, sites, programas de TV(SuperPop, Vitrine, Metrópolis, Ione Borges, Rock Forever, Sleevers, Stay Heavy, HQ Além dos Balões, Live In, TV Corsário, TV Rock, MetalSplash, HQ e Cia, Swing com Syang, Clip Gospel, Amaury Júnior, Leitura Dinâmica, Jornal da Band, MTV, etc), rádios e jornais.</p>
<p>Meu trabalho foi tema de uma meia dúzia de mestrados. Já ganhei vinte prêmios (dois Herzogs,nove Agostinis, e vários outros por aí).</p>
<p>Já ganhei flores, bombons, livros, discos e calcinhas de presente de fãs maravilhosas.</p>
<p>Sou brasileiro com muito orgulho, roqueiro até a medula, só voto na esquerda, só transo de camisinha. Aguardo ansiosamente o dia em que a Humanidade toda será vegetariana, em que não haverá mais guerras, miséria ou violência, e a Terra será um mundo de paz, equilíbrio e progresso em todos os sentidos: tecnológico, moral e espiritual.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/09.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4471" title="09" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/09.jpg" alt="09" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Aguardo o dia em que só usaremos fontes de energia não-poluentes e o abominável petróleo será apenas uma triste lembrança de nosso passado.Aguardo o contato com nossos irmãos Extraterrestres, que com certeza, já passaram pela fase atrasada na qual estamos hoje.</p>
<p>Enfim, aguardo o futuro de braços e cabeça abertos, exatamente como profetiza essa maravilhosa canção de Lulu Santos,um clássico do rock pensante e humanista:</p>
<p>“Eu vejo a vida<br />
Melhor no futuro<br />
Eu vejo isso<br />
Por cima de um muro<br />
De hipocrisia<br />
Que insiste<br />
Em nos rodear&#8230;</p>
<p>Eu vejo a vida<br />
Mais clara e farta<br />
Repleta de toda<br />
Satisfação<br />
Que se tem direito<br />
Do firmamento ao chão&#8230;</p>
<p>Eu quero crer<br />
No amor numa boa<br />
Que isso valha<br />
Pra qualquer pessoa<br />
Que realizar, a força<br />
Que tem uma paixão&#8230;</p>
<p>Eu vejo um novo<br />
Começo de era<br />
De gente fina<br />
Elegante e sincera<br />
Com habilidade<br />
Pra dizer mais sim<br />
Do que não, não, não&#8230;</p>
<p>Hoje o tempo voa amor<br />
Escorre pelas mãos<br />
Mesmo sem se sentir<br />
Não há tempo<br />
Que volte amor<br />
Vamos viver tudo<br />
Que há pra viver<br />
Vamos nos permitir&#8230;”</p>
<p>(“Tempos Modernos”,Lulu Santos)</p>
<p>Muito obrigado pela atenção. Sucesso e saúde a todos!</p>
<p>Grande abraço.</p>
<p>Marcio Baraldi</p>
<p>Entrevista realizada em 5/5/2009.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Caminho do artista: Laudo Ferreira Jr.</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 12:25:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
				<category><![CDATA[caminho do artista]]></category>
		<category><![CDATA[clube da esquina]]></category>
		<category><![CDATA[Laudo]]></category>
		<category><![CDATA[subversivos]]></category>
		<category><![CDATA[Tianinha]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Caixão]]></category>

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		<description><![CDATA[
O início
Desenho desde muito pequeno. Para falar a verdade, não me recordo quando comecei a desenhar, com que idade, mas a lembrança primeira que tenho é de já rabiscar algo que se assemelha quadrinhos.
Meus primeiros contatos profissionais, digamos assim, foram no início de 1983 através do Franco De Rosa para a extinta editora Press. Essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura_laudo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4387" title="abertura_laudo" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/abertura_laudo.jpg" alt="abertura_laudo" width="398" height="600" /></a><strong></strong></p>
<p><strong>O início</strong></p>
<p>Desenho desde muito pequeno. Para falar a verdade, não me recordo quando comecei a desenhar, com que idade, mas a lembrança primeira que tenho é de já rabiscar algo que se assemelha quadrinhos.</p>
<p>Meus primeiros contatos profissionais, digamos assim, foram no início de 1983 através do Franco De Rosa para a extinta editora Press. Essa editora na época, vinha na esteira da Grafipar de Curitiba e tinha feras como Mozart Couto, Shima, Colin, Watson Portela, Seabra, Ofeliano, e tantos outros artistas do primeiro time, produzindo vários gêneros de quadrinhos, principalmente terror, erótico e ficção-científica. Lá produzi muito quadrinho erótico e um pouco de terror.</p>
<p>Tive a honra também de desenhar roteiros de caras como Júlio Emílio Braz. Foi um período de plenas descobertas. A cada instante, a cada carta (como não morava em São Paulo na ocasião, a coisa era via ECT mesmo, nem se imaginava o advento do e-mail) trocada. Com O Franco, foi o pontapé inicial. Um cara que vez ou outra nos cruzamos em eventos de quadrinhos, o qual tenho grande admiração e respeito.</p>
<p>Em 1986, um pouco antes ou um pouco depois, a Press fechou as portas. A nossa velha e conhecida crise (a coisa não é de hoje, não!!!). Com o término da editora, muita gente se viu “órfão”, sem ter onde publicar. Eu, iniciante, começando a conhecer a “coisa”, com certeza era um desses.</p>
<p>Morava, conforme disse nesse período, na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo, lá eu era muito ligado a um centro cultural aonde o seu dono, Luiz Carlos Cascaldi, promovia exposições, recitais de poesia, shows e principalmente teatro, o qual era intimamente ligado. Participava ativamente produzindo cenários para peças e cartazes, chegando a fazer exposições de desenhos.</p>
<p><span id="more-4377"></span>Foi através dele que lancei meus dois primeiros trabalhos em quadrinhos “Balada para o futuro” e “Hugo Terrara”, respectivamente em 1987 e 1988. Nesse período descobri as revistas que o mestre Rodolfo Zalla e sua editora D-Arte publicavam, “Mestres do Terror” e “Calafrio”. Lá além de ter a oportunidade de voltar a ler material de caras que me faziam a cabeça como Mozart Couto, Colonnesse, Colin, Shima, e outros, havia em suas publicações algo que me chamou muito a atenção imediatamente, uma secção aonde era divulgado fanzines e revistas independentes de todo Brasil.</p>
<p>Foi nessa que, muito devagar, comecei a me corresponder com gente de todo pais, fanzineiros, desenhistas, roteiristas, trocando fanzines pelas minhas duas primeiras publicações, “Balada para o futuro” e “Hugo Terrara”.</p>
<p>Em pouco tempo, era um tal de colaborar com fanzines da Bahia, de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, São Paulo, era muito bom. Na minha casa, houve um período que recebia uma média de 20, 30 cartas  por dia. Fiz grandes amizades nesse período, como Emir Ribeiro, Edgard Guimarães, Edgar Franco, Flávio Calazans, Gazy Andraus, Daniel HDR, Henry Jaepelt, Denílson Rosa Reis, um monte de caras, e a maioria ainda são amigos, mesmo que distantes mas estamos sempre nos falando.</p>
<p>É desse período, alguns trabalhos como a hq “O duelo”, publicada pelo editor independente Edgard Guimarães e a série de tirinhas “A voz do louco” que muita gente do Brasil conheceu meu trabalho.</p>
<p>Esse pique foi até início dos anos 90 quando me mudei para São Paulo e aí, aquela coisa de se profissionalizar, o tempo vai ficando escasso e consequentemente curto para produzir colaborações.</p>
<p>Mas esse período de intensa participação no movimento fanzineiro, foi fundamental para conhecer gente bacana, bonita, aprender muito, muito, pois os fanzines antes de qualquer coisa foram uma vitrine para gente saber as quantas andava nossos trabalhos e que caminho seguir.</p>
<p><strong>Zé do Caixão</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/ze_do_caixao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4388" title="ze_do_caixao" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/ze_do_caixao.jpg" alt="ze_do_caixao" width="400" height="400" /></a></strong></p>
<p>Em 1993, procurei o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, para propor-lhe um projeto em quadrinhos, transpor para as hq’s seu personagem Zé do Caixão. O Mojica sempre teve seu trabalho ligado à Nona Arte, sua revista “O estranho mundo de Zé do Caixão” publicada entre final dos anos 60 e início dos 70, já havia se tornado um clássico das hq’s nacionais e tinha lá, o grande Nico Rosso encabeçando os artistas que produziam as histórias. Imbuído dessa referência, achava que nada mais correto que levar o próprio personagem do Mojica para as hq’s.</p>
<p>Em nosso primeiro encontro, passamos um dia inteiro conversando em sua produtora na época no bairro do Ipiranga, aqui em São Paulo. Nessa nossa primeira conversa, fiquei completamente por dentro do que era o personagem, além de ficarmos amigos e nossa amizade por sinal, perdura até hoje. Tenho um carinho enorme pelo velho Mojica, Grande figura, grande cara!!!!</p>
<p>Em 1996, pela Editora Nova Sampa lancei “À meia-noite levarei a sua alma”, adaptação em quadrinhos do filme homônimo do Mojica. Como ele mesmo havia proposto quando lhe propus desenhar o Zé do Caixão: ”Então comecemos pelo “começo”, desenhando a primeira aparição do Zé!”.</p>
<p>Na ocasião, esse lançamento, como era de se esperar teve muita divulgação, jornal, tv, rádio. Uma sessão de autógrafos no Espaço Unibanco de Cinema, aqui em São Paulo, abarrotada de gente, Carla Camuratti, Miranda, os caras do Sepultura, uma pá de gente mesmo. Claro, todos foram por causa do Mojica, mas os quadrinhos foram nessa!</p>
<p>Nesse período conheci o Omar Viñole, por intermédio de um amigo comum, Marcos Pereira (o Dark Marcos hoje em dia), roteirista e pesquisador de quadrinhos. Como estava atrás de um arte-finalista para trabalhar comigo na hq seqüência, “Esta noite encarnarei em teu cadáver”, ele me foi apresentado.</p>
<p>Ficamos amigos rapidamente e eu fã do seu trabalho. Iniciamos os trabalhos nessa hq e acabamos estendendo a outros trabalhos e algum tempo depois, montamos nosso estúdio, o Banda Desenhada e estamos até hoje juntos. Mais que sócios, parceiros, grandes amigos. É fundamental dizer que trabalhar com o Omar esses anos todos, muito ajudou na melhora de meu traço, do meu desenho. O Omar é um tremendo artista e ninguém melhor que ele conhece cada detalhe, cada coisa do meu desenho, da minha forma de contar uma história em quadrinhos.</p>
<p>Com o Mojica, fora essas duas hq’s longas ( a segunda, “Esta noite encarnarei em teu cadáver” ficou inédita todo esse tempo e deverá ser publicada esse ano pela Editora Via Lettera), produzimos algumas hq’s curtas do personagem que foram publicadas em coletâneas como “The Brazilyan Heavy Metal” e “Horror Show”. Ganhei o prêmio HQ Mix em 1997 de Melhor Graphic Novel Nacional de 96.</p>
<p>Embora achasse na ocasião, que meu trabalho tivesse muito, muito, que aprender para produzir terror, fiquei conhecido durante um tempo como “desenhista do Zé do Caixão” e até hoje, muita gente me liga a esse período. Isso foi legal e foi ruim ao mesmo tempo, pois especificamente no nosso “meio” de quadrinhos, existe uma tendência a te marcarem por esse ou por aquele motivo, quando na maioria das vezes, é o trabalho seu que está em evidência, óbvio. Mas nada tão danoso assim. O tempo passa e as coisas mudam e isso com certeza, ficou pra trás.</p>
<p><strong>Subversivos</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/revista_subversivos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4389" title="revista_subversivos" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/revista_subversivos.jpg" alt="revista_subversivos" width="400" height="400" /></a></strong></p>
<p>André Diniz foi um cara que conheci no início dos anos 90 em um desses eventos de quadrinhos. O cara é mais ou menos uns dez anos mais novo que eu, mas logo de cara fiquei fã do seu trabalho, e depois quando nos conhecemos, ficamos grandes amigos. Houve uma empatia imediata pois ele pensava muito parecido comigo na forma de contar em quadrinhos, por mais que em alguns casos, os assuntos não sejam de interesse dele ou meu, pensamos parecidos.</p>
<p>E isso nos ligou muito. Até hoje. Passamos muitas horas, muitas, ao telefone e pessoalmente conversando. Foi com ele, inclusive, que voltei a tomar gosto pela leitura de livros, algo que havia sido intenso em minha adolescência, finalzinho dos anos 70, início dos 80, chegando a escrever lá, meus continhos e poesia e que havia abandonado por esse ou aquele motivo. Voltei, como disse, na ocasião, a descobrir o prazer de uma boa leitura, de um bom livro, não importa qual assunto for.</p>
<p>Em 1999, ele me propôs armarmos nossa primeira parceria nos quadrinhos, a seqüência de um trabalho seu lançado algum tempo antes, “Subversivos”. Esse novo trabalho juntamente com outra parceria que estava armando com o mestre Flávio Colin, seria o pontapé inicial de sua editora, a Nona Arte.</p>
<p>Esse trabalho foi muito importante para mim, pois marcou uma ruptura com uma linha de desenho que fazia até então, o acadêmico. Optei por contar uma hq com um traço solto, meio cartum, sem requadro em muitas páginas, sem compromisso com fotografia, nada, a não ser o lápis e o papel.</p>
<p>Além de passar a trabalhar melhor na concepção visual de um personagem, estudando seu perfil e seu caminho dentro da história. No período de produção dos desenhos desse trabalho, passava muito tempo com o Diniz ao telefone falando sobre o perfil dos personagens dessa hq nossa. Tremendo aprendizado!</p>
<p>“Subversivos: companheiro Germano” é um trabalho que até hoje guardo um tremendo carinho e do qual gosto muito. E Diniz, até hoje é um dos meus melhores parceiros nos quadrinhos.</p>
<p><strong>A loira Tianinha</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tianinha.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4390" title="tianinha" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tianinha.jpg" alt="tianinha" width="398" height="600" /></a></strong></p>
<p>Desde a época da Editora Press, lá no início dos anos 80  e mesmo em meados dos 90, produzi muito quadrinho pornô. Início de muita gente. Porém chega um momento no nosso trabalho que cansa, não há mais interesse, principalmente artístico e claro, financeiro.</p>
<p>O editor Licínio Rios, foi um amigo e profissional com quem trabalhei em revistas como “Sexy”, “Hustler” e “Pesca &amp; Cia.” como ilustrador e o qual<br />
me deu uma aula de como trabalhar dentro do mercado editorial. Licínio, embora tivesse um ar de quem estava de saco cheio de tudo, era uma pessoa muito dadivosa, generosa e principalmente fiel à seus colaboradores. Eu tive a honra de ser um deles. E foi com ele que dei um tremendo passo nos quadrinhos e no gênero erótico.</p>
<p>Ainda em 2000, o Licínio era editor da revista “Sexy”, o qual fora um dos criadores também. Na ocasião, eu já trabalhava com ele ilustrando a “Sexy”. Ele me chamou para uma reunião falando de uma nova proposta editorial da casa, uma versão menor e com preço mais em conta da “Sexy” a revista se chamaria “Sexy Total” (hoje, só “Total”). Uma das idéias do diretor da editora, era que a revista fechasse com uma história em quadrinhos.</p>
<p>Licínio propôs que ao invés de histórias avulsas, fossem criados personagens que intercalassem histórias no decorrer das edições e que queria eu como desenhista dessa série de hq’s. Propôs a criação então de três personagens: um negro saradão e bem “servido” chamado Polaco, um carinha descolado e pegador chamado Maninho e uma “falsa” loira, meio várzeana, com raiz do cabelo preta e tudo chamada Tianinha. Esse trio encabeçaria a série de hq’s para a nova revista.</p>
<p>Fui para o estúdio, trabalhei nos estudos desses personagens e na semana seguinte em uma nova reunião apresentei minhas idéias para cada. Os caras estavam em cima da idéia original do Licínio, porém com a Tianinha a coisa foi diferente, ao invés da loira burra,  falsa e varzeana que o Licínio pedia, apresentei-lhe uma loira autêntica, estilosa, gostosa e muito descolada. “Garanto para você que é o que os seus leitores vão querer ver!” Argumentei com Licínio, que comprou a idéia.</p>
<p>E em agosto de 2000, saía a primeira edição da “Sexy Total” apresentando esses personagens, inclusive a loira Tianinha, uma gostosona, safada, louca por sexo, que morava com seus amigos em um bairro da periferia, mas doida pra se dar bem.</p>
<p>Ao término da primeira “temporada”, o próprio Licínio veio me procurar dizendo que estava querendo cancelar a série, pois ele mesmo não era fã de hq’s, porém estava fazendo uma pesquisa junto aos leitores vendo quais as secções da revista que mais caiam no agrado e se as hq’s estivessem caído no gosto do leitor, a série continuaria, caso contrário. Bem, nove anos se passaram e a Tianinha está aí até hoje e com um tremendo número de fãs.</p>
<p>Só em 2002, que a série de hq’s passaria a ter somente a Tianinha como protagonista. Curiosamente, durante um bom tempo, eu via a produção das hq’s da loira como um trabalho, um quadrinho erótico, já que por norma da editora, os quadrinhos não poderiam conter cenas explícitas de sexo, um trabalho legal de se fazer e bem remunerado.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tianinha_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4391" title="tianinha_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tianinha_02.jpg" alt="tianinha_02" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Existia ainda nesse período uma certa imposição por parte dos editores do assunto para cada hq. O que acontecia então eram histórias da Tianinha transando com motoboys, entregadores de pizza, cowboys de rodeios, e por aí vai. Era visível que a idéia de quadrinhos eróticos dos editores estava parada há muitos anos atrás. Porém a partir de 2004 principalmente pela internet comecei a perceber que a Tianinha tinha um bom número de fãs.</p>
<p>Carinhas que acompanhavam suas hq’s e que gostavam da postura da personagem e tudo mais. A partir daí, juntamente com o Dark Marcos (que era roteirista até então) e o Omar, resolvemos tomar as rédeas definitivamente da personagem e contar suas histórias do jeito que queríamos, logicamente respeitando a proposta editorial.</p>
<p>A partir de então comecei a enxergar a personagem bem diferente, algo meio autoral. Ao passo que a editora passou a me dar total liberdade na criação das histórias, sem intervir em nada. Essa noção da popularidade da personagem veio se confirmar em 2005 quando lançamos uma edição especial da “Total” só com hq’s da Tianinha, na verdade, uma coletânea de suas melhores histórias publicadas até então.</p>
<p>A resposta veio um mês depois de seu lançamento com o número de vendas, 25 mil exemplares, aproximadamente. Para editora uma venda normal para uma edição da “Total”, mas para quadrinhos, não. Segundo informação da época, juntamente coma revista “Contos bizarros” uma edição especial de quadrinhos da revista “Super interessante”, foram as mais vendidas, inclusive superando Mônica e Homem-Aranha. No ano seguinte, lançamos mais duas edições especiais agora só com histórias inéditas e repetindo o número de vendas nas bancas.</p>
<p>Atualmente a Tianinha continua sua série, “Sacanagens da Tianinha” publicada na revista “Total”. Já passamos o número de cem hq’s e suas histórias, há muito perderam a coisa de ser somente quadrinhos eróticos.</p>
<p>Há a curiosidade de muitas histórias publicadas, a personagem nem aparecer nua ou aparecer na cama ou em algum outro lugar com esse ou aquele personagem transando, hoje não é o fundamental em suas histórias, O bacana: a editora entende isso e respeita meu processo de criação e eu, entendo o que tem que conter suas histórias. No ano passado, a loira ganhou mais um título, “Tianinha ilimitada” para publicação na revista “Sexy Premium”.</p>
<p>O Licínio Rios infelizmente veio a falecer em 2004, senão me engano. Na ocasião já não estava mais na editora, trabalhava em outra revista, eu colaborava nessa nova casa com ele. Sempre lembro com muita saudade desse amigo, que muito me ensinou e principalmente o que pensaria ele hoje se estivesse vivo ou seja lá aonde estiver, de tudo isso que aconteceu com a Tianinha.</p>
<p>Eu sei que há muita gente que torce o nariz para esse tipo de publicação, mesmo eu afirmando não se tratar de quadrinho pornô, na sua forma, vendo inclusive com certo preconceito e se tratar de arte menor. Mas aí está um aprendizado que a Tianinha me trouxe em todos esses anos que desenho, que crio suas histórias: assumir e gostar dela, a personagem, como ela é e como ela deve ser e à partir daí só melhorar suas histórias.</p>
<p>Não tenho censo de julgar sua postura e consequentemente encaminha-la para algo mais moralmente de acordo com que se espera. Nada disso, ela é assumidamente uma personagem descolada, safada, preocupada com outros valores, muito distantes do Laudo, criador, porém ela é minha personagem e com ela eu vivo há nove anos, como disse, criando suas histórias, e é em mim que ela “confia” o andamento de seu mundo. Pode parecer um papo meio maluco, mas é a verdade, a verdade dentro de uma realidade virtual que é onde vive a personagem.</p>
<p>O grande número de fãs e leitores da Tianinha não está nos quadrinhos. O público que consome suas histórias são caras que gostam de ler histórias descompromissadas, irreverentes, de uma mina normal, gostosa, bonita, mas normal, que é possível encontrar a qualquer momento em qualquer lugar. E enquanto der e eu puder, a Tianinha terá suas histórias contadas.</p>
<p><strong>Clube da Esquina</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/clube_da_esquina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4392" title="clube_da_esquina" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/clube_da_esquina.jpg" alt="clube_da_esquina" width="400" height="200" /></a></strong></p>
<p>Em 2007 e 2008 levei um projeto ousado mas de grande estima e carinho de minha parte: “Histórias do Clube da Esquina”. Adaptação para os quadrinhos do livro homônimo do escritor, letrista e compositor Márcio Borges, mineiro e parceiro de Milton Nascimento e Lô Borges.</p>
<p>A música desses caras foi fundamental para toda uma geração do qual eu faço parte. Minha cabeça foi feita, embalada, ao som das canções e discos desses caras. Obras como o disco “Clube da Esquina”, “Minas” do Bituca e “Via Láctea” do Lô, foram fundamentais para minha formação intelectual e de ver a vida e as coisas. Um dado momento em 2006 resolvi que seria bacana homenageá-los e tudo que significavam com um projeto em quadrinhos.</p>
<p>E como diz o ditado, quando você quer o universo conspira a favor, acabei conhecendo o fotógrafo Juvenal Pereira, amigo da turma do Clube da Esquina, ou melhor, membro do clube e fotógrafo do disco antológico de 1972. Conhecemos-nos numa loja de cd’s aqui no bairro da Pompéia em São Paulo, onde moro e logo ficamos bons amigos, dividindo papos, experiência, cervejas e é claro, Clube da Esquina.</p>
<p>Juvenal foi quem levou o projeto diretamente às mãos do Márcio Borges e consequentemente ao Milton. Eu na ocasião estava tremendamente receoso, pois por uma ignorância de minha parte, julgava que eles, ícones da Música Brasileira e das artes nacionais, passariam batido com a questão, Clube da Esquina em quadrinhos. Ledo engano. Márcio e todos os membros do querido Clube, abraçaram a idéia completa e foi de Márcio que partiu a idéia de adaptar seu livro para os quadrinhos e essas hq’s depois seriam levadas ao site do Museu Clube da Esquina que estava em construção na época.</p>
<p>Trabalhar com as histórias desses mineiros fundamentais, foi algo tremendamente enriquecedor. Foi trabalhar com emoção, do vivido para o que era contado e principalmente fazer o leitor, novo e velho, fã e não fã da música deles, perceberem momentos pequenos ou não, de emoção. Acredito ter chegado próximo a isso, sem falsa modéstia, pois a obra foi feita com base em puro amor, aos mineiros e aos quadrinhos. Enfim, Márcio aprovou, Bituca aprovou e muita gente, fãs e não fãs aprovaram.</p>
<p><strong>4º Mundo, HQ Mix Livraria e muitos outros quadrinhos</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/revolucao_russa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4393" title="revolucao_russa" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/05/revolucao_russa.jpg" alt="revolucao_russa" width="400" height="400" /></a></strong></p>
<p>Nesse período acontecia uma coisa interessantíssima chamada 4º Mundo. Um coletivo de autores, editores, de todo o país que se agrupou para uma auto-ajuda. Fui ver uma palestra em 2007 do Cadú Simões (o cara que esboçou a idéia do coletivo), do desenhista Will e do editor e roteirista Alex Mir (amigo de alguns anos) juntamente com o Omar e o que nós vimos lá, muito nos chamou a atenção.</p>
<p>Não é preciso aqui, eu me estender falando sobre o 4º Mundo, pois a história dele até aqui já é de conhecimento de muitos. Mas aquela coisa toda, o vigor dessa rapaziada, o senso da amizade, do respeito mútuo, não importando inclusive o gênero de quadrinhos que se faça, a simplicidade de todos, me ganhou completamente. Aos poucos fui me entrosando com a turma até chegar mais perto e consolidar a amizade, a parceria. O sonho. Fundamental. Embora minha atuação dentro do coletivo não seja tão intensa como o trabalho pede, há minha total disponibilidade sempre que possível e o principal, minha fidelidade a todos.</p>
<p>Vale dizer que na convivência com alguns membros do grupo que são aqui de São Paulo, novas coisas me foram apresentadas, não apenas no quesito quadrinhos, traços, mas no vigor e vontade de fazer.</p>
<p>Caras novos e extremamente talentosos como Jozz, Cadú Simões, Alex Mir, Gil Tokyo, e Daniel Esteves de quem sou grande fã pela sua pessoa e trabalho, sinceridade em estado bruto, e da velha guarda como o fera indiscutível Will, me trouxeram um novo vigor. Estar próximo ao frescor jovem sempre é uma boa brisa revigorante. Um tremendo alimento. Um clube de amigos, querendo algo em comum. Muito parecido com aquele “outro” clube.</p>
<p>Importante também e fundamental nessa história é o Gualberto e a Daniella, proprietários da HQ Mix Livraria, centro aglutinador de tudo isso. Lançamentos de quadrinhos, bate-papos, convivência, novas amizades se fazendo. Algo fabuloso que está acontecendo e que sem dúvida fez história nas histórias em quadrinhos nacionais.</p>
<p>Nessa efervescência toda, o ano de 2008 foi extremamente produtivo para mim. Nunca publiquei tanto quadrinho. Acredito que essa tal força revigorante causou a energia para isso. “Café Espacial”, “Hangar”, “Quadrinhópole” foram algumas publicações que participei, além de publicações via editoras como “História do Brasil em quadrinhos” da Editora Europa e “Revolução Russa”, “Elogio da loucura” e “Inconfidência mineira” em parceria com o velho compadre André Diniz, para a Escala Educacional, e “Depois da Meia-Noite” uma mini-série que lancei dentro de umselo independente  que criei juntamente com o Omar, o Quadro Imaginário. Fora as hq’s mensais da Tianinha.</p>
<p><strong>Adiante</strong></p>
<p>Vivo um momento muito produtivo. E tenho a honra e a sorte de poder participar, colaborar de certa forma, de uma fase tão boa e produtiva para os quadrinhos nacionais. Vejo todo esse tempo de estrada, desde lá em 83 até hoje, realmente como um aprendizado.</p>
<p>Ainda vislumbro muita coisa a ser feita. Sempre novas possibilidades de se contar histórias. Buscar novos traços, novas perspectivas de imagens. Lembro que quando finalizei o “Subversivos: companheiro Germano” gostei imensamente do resultado obtido.</p>
<p>Não naquela coisa de “olha como sou bom”, mas sim que naquele momento, eu havia descoberto dentro de meu trabalho e de minha cabeça que há infinitas possibilidades de se desenhar uma hq. Infinitos assuntos.</p>
<p>É só querer, pois tá tudo aí. Basta aquietar a mente, não tropeçar em armadilhas do ego e só deixar aquela coisinha que alimenta os sonhos da gente acompanhar na nossa trajetória.</p>
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		<title>Caminho do Artista: Dedo Zuka</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 18:03:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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Originalmente esse post era para ser uma entrevista com Dedo Zuka, quadrinhista independente que na época do 25º Ângelo Agostini, distribui para os presentes a sua HQ em forma de rolo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3493" title="dedo_01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/dedo_01.jpg" alt="dedo_01" width="400" height="400" /></p>
<p>Originalmente esse post era para ser uma entrevista com Dedo Zuka, quadrinhista independente que na época do 25º Ângelo Agostini, distribui para os presentes a sua HQ em forma de rolo.</p>
<p>A intenção da entrevista seria focar para a experimentação do artista em criar histórias em quadrinhos em formatos não convencionais e a sua inclinação para assuntos políticos, que estão presentes em suas obras.</p>
<p>Durante o processo e com o envio do texto do próprio Dedo. Percebemos que funcionaria melhor o post se ele fosse uma “trajetória do artista” escrita pelo próprio quadrinhista, afinal, nada melhor do que ele para saber quais foram os pontos chaves de sua carreira e que definiram como ela é hoje.</p>
<p>O texto a seguir foi escrito por Dedo Zuka, e o Impulso HQ agradece pela colaboração e pela idéia de abrir um novo espaço para o quadrinhista nacional, esperamos em breve ter outras trajetórias aqui postadas no site.<br />
<strong><br />
Caminho do Artista: Dedo Zuka</strong><br />
<strong><br />
Origem nome:</strong><br />
Dedo Zuka (com maiúsculo ou minúsculo, tanto faz) é uma homenagem a Tezuka Osamu, aquele que nasceu em Takarazuka, no Japão. Quando Fujiko Fujio (autor de Super-Dínamo/Doraemon) iniciou a carreira, ele assinava como Ashizuka Fujio em homenagem a Tezuka, isso também está em Manga Michi (uma autobiografia disfarçada de Fujiko Fujio) em que surge Ashizuka Shigemichi.</p>
<p><span id="more-3492"></span>Se você for ver os mangás vira e mexe aparece algum personagem chamado Tezuka (como em Prince of Tenis), fico pensando se também não seria homenagem. Em tempo: &#8220;Te&#8221; quer dizer &#8220;mão&#8221;, &#8220;Ashi&#8221; é &#8220;pé&#8221;, &#8220;Takara&#8221; é &#8220;tesouro&#8221;. Já &#8220;zuka&#8221; é como &#8220;agrupamento&#8221; ou &#8220;morada&#8221;, &#8220;Arizuka&#8221; por exemplo quer dizer &#8220;formigueiro&#8221;.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3494" title="dedo_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/dedo_02.jpg" alt="dedo_02" width="398" height="600" /><strong></strong></p>
<p><strong>Conhecendo Gual</strong><br />
Fiz uma oficina de quadrinhos com Gual no final de 2001 no Itaú cultural.<br />
Engraçado que lá pelo 2° dia soube que era para o público até os 17 anos &#8211; eu já tava com 19, mas disseram que não havia problema. Não que eu não tenha feito nada de quadrinhos até então, mas considero aquele evento como decisivo.</p>
<p>Daquele evento eu e mais 2 pessoas fizemos um fanzine que acabou parando no 2° ou 3° número mas foi bem divertido. Não me lembro se foi 1 ou 2 anos depois mas reencontrei o Gual no Itaú Cultural numa das variações da Jam Session do Teshugo Preto que ele tava promovendo.</p>
<p>É impressionante como ele lembra das pessoas e ele me disse que ficaria muito orgulhoso se eu seguisse o caminho dos quadrinhos. Relembrar isso é estimulante.</p>
<p>Então eu tava carregando a empolgação inicial que ganhei da oficina de 2001. No fanzine fiz uma história um pouco baseada no universo de Senhor dos Anéis (que tinha estreado naquela época) e assinei como Dedo Máximo, que era para soar meio misterioso pois naquela história tinha umas coisas tipo &#8220;foice perfeita&#8221;, &#8220;espada da vida&#8221; e &#8220;espada da morte&#8221; de fazer o leitor pensar o que seria (agora fico até encabulado por ter sido uma fase<br />
passada mas lá vai: a foice perfeita era uma lâmina que acabava completando uma volta completa formando um círculo e não o formato de gancho como das foices normais, a espada da vida fechava as feridas ao invés de abrir, o contrário da espada da morte, e por fim Dedo Máximo se referia ao sinal de &#8220;joinha&#8221; com o polegar que defini como minha<br />
assinatura).</p>
<p>Mas em 2003 ou 2004 queria passar da simples empolgação para um passo adiante. Até tirei o Máximo do meu pseudônimo pois sabia que comparando com outros não tinha nada de máximo e humildemente seria apenas o Dedo&#8230;</p>
<p>Foi aí que vi um chamado aos artistas para participar das atividades da &#8220;Integração sem Posse&#8221;, que era uma série de atividades que artistas contemporâneos estavam promovendo no Edifício Prestes Maia (Região da Luz, São Paulo), ocupado pelos sem-teto.</p>
<p>Bom, era uma muvuca de artistas tentando fazer atividades lá para chamar a atenção da sociedade para os sem-teto: tinha artistas plásticos, grafiteiros, atores/atrizes, fotógrafos, etc.</p>
<p>Acho que a maior repercussão na mpidia conseguida foi quando em 2007 conseguiram levar o teatrólogo Zé Celso para lá.</p>
<p>Bom, vi aquele chamado e sabia que eu devia me apresentar a eles como &#8220;artista&#8221; embora não me considerasse um ainda. Com o que poderia ajudá-los? Alguns ofereciam oficinas de arte para os sem-teto, mas seria muita pretensão oferecer oficina de quadrinhos.<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-3495" title="dedo_03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/dedo_03.jpg" alt="dedo_03" width="398" height="600" /></p>
<p>Assim, eu faria quadrinhos falando dos sem-teto ou da pobreza, e quando tava imprimindo o trabalho senti uma emoção. É, foi interessante, via o papel sair devagar da impressora enquanto pensava &#8220;é com isso que passarei a me apresentar como artista&#8221; Engraçado que quando saiu nem tava tão bom e tive de reimprimir, mas não esqueço aquele momento.</p>
<p>Foi a partir daí que meu trabalho foi se definindo. Acontece que eu tinha feito apenas uns garranchos no computador como rascunho para levar a esse grupo de artistas. Não escaneado pois não tinha scanner, digitado para facilitar a leitura e imprimido para ter várias cópias e procurar um possível desenhista.</p>
<p>Para minha surpresa ao invés de se oferecerem para desenhar, os artistas lá gostaram e disseram que eu devia continuar naquela linha. Daí entrei numa situação que me encontro até hoje: meu trabalho fica no intermediário entre agradar os quadrinistas, os artistas plásticos e um pessoal mais da sociologia.</p>
<p>Não vou dizer que foi melhor, mas é um caminho interessante em comparação com o caminho tradicional dos fanzineiros de fazerem um material que tenta alcançar os traços dos ídolos de comics/mangá, se aperfeiçoarem naquele tipo de enredo e para passarem a conviver só com os quadrinistas do gênero.</p>
<p>Nada contra esse caminho, mas para os novatos, deixo o conselho de pensarem bem: é aquela história de achar que melhorar<br />
é ficar cada vez mais especializado num estilo, eu não segui esse caminho, não fiz por exemplo a escolha pelo mangá para conseguir imitar cada vez melhor os ídolos do mangá.</p>
<p>Ao invés de incorporar o tipo de humor dos mangás, fiquei mais livre para refletir sobre meu senso de humor e minhas influências.<br />
De repente os novatos estão jogando fora algo que também ficaria bom se desenvolvido.<br />
Já tentei definir meu trabalho como &#8220;experimental&#8221;, mas não é um termo que me satisfaz, pois o meu trabalho é simplesmente o resultado de necessidades: da necessidade de passar a mensagem com limitações técnicas de desenho.</p>
<p>Creio que quase todo quadrinista já deparou com essa dificuldade: numa hora imaginar um tema que podria ser legal e não conseguir inventar nenhuma história para ela, ou de ter um história mas não saber o que desenhar, ou de ter um desenho legal mas não saber em que história colocar. Encontrar um equilíbrio é difícil, muitas vezes acontece de pensarmos muito num aspecto e acabar não conseguindo fazer outros.<br />
Eu encontrei o meu equilíbrio entre esses elementos, e agora que domino um pouco mais do processo de transformar uma idéia em história completa, pretendo fazer coisas mais sofisticadas em parceria com outros artistas, pois é chato pedir para outros desenharem só passando uma vaga idéia e faltando definir um monte de coisas.</p>
<p>Dependendo do que você aborda, já é quase automático definir o cenário ou os personagens. Como vira e mexe abordo questões complicadas, muitas vezes demoro muito só para definir essas coisas aparentemente simples.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3496" title="dedo_04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/dedo_04.jpg" alt="dedo_04" width="398" height="600" /><br />
<strong>Influências</strong></p>
<p>Minha primeira influência (ainda criança) foi Ziraldo. Feliz ou infelizmente não fiquei encantado por traços muito complexos. Nessa fase mais adulta, André Dahmer foi essencial, sem ele não teria explorado os quadrinhos da forma que explorei.</p>
<p>Mas após esse estímulo passei a olhar outras referências como Henfil, Samanta Floor, e tudo o mais que a gente achar interessante isoladamente, como alguns trabalhos do Pasquim, dos fanzines independentes, e até algumas ilustrações, pinturas e outros (sejam arte contemporânea, xilogravura, desenhos de computador, etc).</p>
<p>Como norte, quero algum dia fazer trabalhos como de Joe Sacco ou Art Spigelman.</p>
<p>Além desses que a gente busca incorporar, a gente também vai definindo os que fazem contraste com os nossos trabalhos. Por exemplo, de Gazy Andraus não vejo o que incorporar, mas me inspiro no jeito como ele tenta colocar nos quadrinhos o que ele chama de fantástico-filosófico. Eu eu tento colocar algo como satírico-sociológico.</p>
<p>É muito diferente: o que ele produz tem poucas palavras até por influência do haikai, enquanto que o meu tem muito texto&#8230; mas vejo um esforço parecido.</p>
<p>Já do Latuff, Bira Dantas, Baraldi, etc, também identifico que temos em comum uma tentativa de levar os temas da militância social, mas nossos estilos são diferentes. Eu não uso (até por limitação do traço) a caricaturização e sou menos maniqueísta.</p>
<p>Mas maniqueísmo é uma questão de escolha: tem uns trabalhos maniqueístas que adoro, mas é como eu disse, admiro Sacco e Spigelman, e nas obras deles o bem e o mal não são tão preto no branco. Tanto que em Maus, do Spigelman, tem os gatos e ratos, mas não necessariamenete um representando o bem e outro o mal.</p>
<p>Alías, só para comentar: no Dahmer o mal é extremamente mal, não tem o lado extremamente do bem para contrabalançar, então é uma outra variável do maniqueísmo. Já na Samanta Floor é o contrário e não existe o lado mal.</p>
<p>Pode não ser bem um maniqueísmo mas tem uma simplificação aí, uma simplificação que nao pode entrar nas séries-reportagens do Sacco. Imagine ele falando da Palestina dessa maneira?</p>
<p>Meu universo é assim: quando trato de fatos e pessoas, se aproxima mais de Sacco. É o que tentei com a série &#8220;Mensagem a Obama&#8221;. Mas quando se trata de abstrações e personagens fictícios, está aberta àquela variável de maniqueísmo do Dahmer. Em Crise e Guerra deixei os planejadores da guerra tão maus quanto os Donos do Mundo de Dahmer. E do mesmo modo posso deixar bem caricatos os jornalistas golpistas da série Arrevista.</p>
<p>Tem momentos que misturo um pouco as coisas: personagens da Arrevista interagindo com<br />
situações e pessoas reais, mas quase sempre respeitando esse critério de não maniqueizar ou caricaturizar muito as situações reais. Só abro exceções quando me parece muito óbvio por exemplo que Bush é ruim ou que Israel fez ataques covardes. Mas vejam só: mesmo assim tem gente que reclamou do que falei de Israel, então tomo cuidado.</p>
<p>Olhando para trás, tinha me aproximado de abordar o real para poder colocar minha crítica nela, mas outro dia vi uma dos Malvados (Dahmer):</p>
<p>&#8220;Assassinos! Vamos matar todos eles&#8221; e o malvadinho com uma arma na mão.<br />
Achei aquilo perfeito como mensagem para os líderes mundiais. É genérico, não fala de que lado se refere, e dá o recado. Se eu tivesse simplificado dessa maneira a questão da Palestina teria me dado menos dor de cabeça!</p>
<p>Conseguir colocar os pormenores dos interesses de um lado e outro é trabalhoso. Sacco consegue, mas eu não tenho tanto talento quanto ele!</p>
<p>Mas por outro lado, as pessoas parecem muito cabeças-duras então tem coisas que me sinto quase no dever de dar nome a alguns bois. Só pode ser cabeça-dura! Inúmeros artistas de ficção-científica fizeram verdadeiras obras-primas contra a guerra e a favor da preservação da natureza. Gerações cresceram vendo isso e mesmo assim falam da necessidade<br />
armamentista e de não precisarem combater a mudança climática!</p>
<p>Deve ter criado um paradoxo na cabeça delas: precisa aparecer o vilão dessas histórias para eles se lembrarem? Tipo aparecer o Galactus para sugar recursos naturais para aí lembrarem disso? Ou acontecer uma explosão que nem dos mangás de Katsuhiro Otomo para serem contra a guerra?</p>
<p>É a maior loucura, mas aquele final de Watchmen tem todo sentido: as pessoas só acordarem quando uma ameaça que julgavam fictícia aparecer. Alexandre, o Grande, conseguiu unir povos pois mexeu na imaginação deles e colocou o sonho de uma grande nação. O que Ozymandias conseguiu é também mexer no imaginário das pessoas para deixarem de lado um confronto nuclear.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3497" title="dedo_05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/dedo_05.jpg" alt="dedo_05" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>Público</strong></p>
<p>Algum público existe&#8230; Para colocar numa categoria, seria a dos temas sociais, mas dentro dela o público do Dahmer não é o do Baraldi ou Bira, que não é o exatamente o mesmo do Latuff, que não é o mesmo do Sacco. Pelo que converso por aí, o meu público também não é exatamente o mesmo deles.</p>
<p>De qualquer forma, não encontrei ainda um nicho da qual poderia tirar meu sustento, tô tentando procurar e constatando que meu quadrinho ou tem de mudar ou tem de encontrar um cantinho engraçado, pois algumas publicações que procurei e que não publicam quadrinhos parecem ter entendido mais da minha proposta do que as que publicam e já esperam uma coisa no esquema a que estão acostumados, ou seja, charge, caricatura, cartum.</p>
<p>Eu acho graça dessa situação, quem está acostumado com quadrinhos, reclama que tem muito texto e pede mais sintetização através da imagem. Quem não está, é mais aberto para a densidade do texto e e reclama que faltou explicar melhor tal detalhe (o que exigiria ainda mais texto).</p>
<p>Quando uso citações, por exemplo: teve gente que achou absurdo, teve gente que achou<br />
legal. Mas na hora H o que preciso é de quem tope publicar, e como quem entende não publica quadrinhos e quem não gostou não colocaria no meio dos quadrinhos já existentes, fico sem espaço apesar de haver gente dizendo que gostou muito. Um dos meus orgulhos é que às vezes vou para passeatas e atos e distribuo meus quadrinhos em forma de panfleto.</p>
<p>Os panfletos dos outros, de puro texto são logo jogados no chão, e os meus o pessoal guarda. É ai que está a minha chance, mas precisaria que o meio editorial perceba.</p>
<p>Dedo Zuka</p>
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