Posts da Categoria ‘caminho do artista’
Por Renato Lebeau | 11 fevereiro de 2010

Auto retrato de Mozart Couto, feito especiamente para o Impulso HQ
Desde criança eu gostava de desenhar imagens em sequência formando uma história. Como ainda não sabia escrever, fazia os balões e pedia ao meu pai que escrevesse a história que eu ia ditando. Uma coisa curiosa: eu nunca desenhava os requadros. Acho que já vem daí uma amostra de que nunca suportei me enquadrar em nada, apesar de ter tentado várias vezes.
Bom, eu sempre fui um “desenhador”, literalmente. Até jaleco de professor não escapava de minhas figuras. Foi muito engraçado esse fato. Uma vez eu desenhei no jaleco de um professor muito rígido que eu tinha, em plena aula. Ele estava virado de costas, passando a matéria, e eu peguei a barra do jaleco dele e fiz lá umas figuras enquanto os colegas “agavam” de rir.
Eu sempre achei que ele devia me detestar por isso e por outras coisas que eu aprontava nas aulas dele, mas me surpreendi quando um dia meu pai me contou que o encontrou na rua e ele falou muito bem de mim e disse que torcia muito para que eu me tornasse um artista, pois era natural aquilo em mim. Nessa época eu já produzia quadrinhos e ele ficou muito feliz ao saber disso.
Aos dezesseis anos, eu já tinha lido muitos quadrinhos. Quadrinhos infantis, Disney; Turma da Mônica: Muitos suplementos de jornais, com tiras diversas; Quadrinhos de Terror Nacionais, os “Heróis Marvel” e até alguns álbuns europeus que encontrava por acaso numa grande banca onde ia esporadicamente, por ser longe de minha casa. Até alguma coisa de mangá eu já tinha visto!
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Tags: A Casa dos Horrores, Alex Raymond, BIOCYBERDRAMA, Conan, Cynthia Carvalho, D'Arte, Daniel Campos, Dark Horse, Deodato, Ebal, Edgar Franco, Editora Brasil América, Editora Vecchi, Emir Ribeiro, Escala, Flash Gordon, Franco de Rosa, Glory, Godzilla, Grafipar, HAKAN, Histórias de Bárbaros e Magos, HQ, Hyania, Júlio Emílio Braz, Katy Apache, Maria Erótica, Marvel, Mozart Couto, mulher maravilha, NOBLET, Opera Graphica, OTA, Otacílio Barros, quadrinhos, Quadrinhos Eróticos, Rodolfo Zalla, Samurai, SAQUE, Teo Duarte, Turok, UBAJARA
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Por Renato Lebeau | 28 agosto de 2009
foto: Custódio
Além da pamonha de Piracicaba, a cidade da pamonha tem cartunistas. Sou um deles. Cartunista, não pamonha.
Meu nome é Érico San Juan, cartunista há dezoito anos. Nascido, criado e rodado em Piracicaba.
Por incrível que pareça, esse nome não é um pseudônimo. Se me chamasse Don Juan, minha vida seria mais fácil em outro departamento. Mas deixa pra lá.
Não nasci cartunista, como a maioria dos amigos de fé e irmãos camaradas. Quem nasceu desenhista foi um irmão de sangue, o Fábio. Na infância, eu enchia o saco do mano na mesa da cozinha, desenhando meus garranchos, enquanto ele tentava se concentrar na lição de casa.
Até os doze anos, produzi centenas de gibis com uma tal “Turma do Lup-Lup”. O nome foi emprestado de uma catarata explorada por Tio Patinhas e seus sobrinhos, num gibi comprado em 1982. (mais…)
Tags: Érico San Juan, editora Ática, Edson Rontani, fanzine, Gênio do Crime, João Carlos Marinho, Mauricio de Sousa, Pamonha de Piracicaba, Piracicaba, Turma do Lup-Lup, XV de Piracicaba
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Por Renato Lebeau | 7 agosto de 2009

Olá pessoal…a convite do Renato Lebeau, cá estou eu no Caminho do Artista, contando um pouco sobre os passos que me trouxeram até aqui.
Inicialmente, claro, fui um garoto devorador de tudo que era gibi, livro ilustrado e desenho animado… e depois tentava fazer minhas próprias histórias… desenhar era o meu ponto de fuga! Minha base, foi Disney, Maurício (Horácio na folhinha) e o Amigo da Onça.
Ressalto brevemente os grandes estalos quadrinhisticos que tive: Asterix, meus olhos saltaram…quadrinho era a mais pura arte e inteligência! MAD, quadrinho era irreverência, transgressão…(destaque para Don Martin) Metal Hurlant…quadrinho era viagem pura, lisérgico (destaque para Moebius).
Meu primeiro trabalho profissional aconteceu aos 15 anos, na 8º série, onde tínhamos aula de educação espiritual. O padre que nos dava aula curtia os cartuns que eu fazia para ilustrar os trabalhos e me convidou para desenhá-los nas novas edições de seus 4 livros.
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Por Renato Lebeau | 15 julho de 2009

Saudações a todos…
Perdoem-me os leitores de IMPULSO HQ se vou gastar muito tempo falando da infância.
Mas é ela que realmente importa na minha formação, e até hoje volto a ela para verificar se estou no caminho certo.
Os primeiros desenhos “bons”, eu me lembro bem, foram aos 4 anos.
Antes disso eram só garatujas. E eu tinha um talento com construção de castelos com blocos que se perdeu.
Mas foi num dia, havia uma obra em andamento na escola infantil (EMEI) onde minha mãe era diretora, e eu desenhei com habilidade os objetos da construção, tijolos, pá de pedreiro e coisas assim. Em pouco tempo eu já tentava desenhar personagens de desenho animado, dinossauros e monstros da TV.
Claro que eram toscos, mas eram melhores do que os meus colegas desenhavam. Se a professora pedia para a turma desenhar um cachorro, eu fazia um buldogue parecido com o desenho do Tom e Jerry, babando e com sinais de movimento nas patas.
Eu desenhava rápido e sempre fui vaidoso por isso. Minha facilidade natural era com expressões fisionômicas e desenho de animais.

Amostra de desenho de criança
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Por Renato Lebeau | 25 junho de 2009

Seria Xalberto um alien?
Qualquer criança de escola sabe que Pelucidar é um mundo no centro da Terra ( Edgar Rice Borroughs, in “Tarzan no centro da Terra”) e também que Xalberto é um cartunista que se notabilizou por criar histórias estranhas, que não parecem deste mundo.
Recentemente, uma equipe de pesquisadores dinamarqueses da área da paranormalidade concluiu que o autor brasileiro de HQs Xalberto não é mesmo deste mundo. Chegaram a esta conclusão insólita, examinando detalhadamente cada pormenor surrealista entre tantos concebidos e desenhados pelo artista, principalmente da fase de sua série “Contos de Nenhum Lugar”!
Somente um ser que já tenha percorrido outras dimensões, universos paralelos ou realidades alternativas pode referir-se com tanta familiaridade a nomes como Orotifácia do Lancinante, Apostrofôncio Compassivino, ou Cadestral Pimpipinante.

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Por Renato Lebeau | 5 junho de 2009

Era uma vez…
Como invariavelmente acontece com todos aqueles que vão ter uma relação profissional com os quadrinhos meu contato com a nona arte também teve início antes mesmo de eu aprender a ler. Graças à Angelo Agostini, minha mãe introduziu os quadrinhos na minha vida.
No começo ela lia para mim histórias dos personagens Disney, principalmente Mickey, um pouco depois, quando eu já sabia ler, passei para a Turma da Mônica (Maurício de Souza). Logo em seguida vieram, Flash Gordon (Alex Raymond), Mandrake, Fantasma (Lee Falk), The Spirit (Will Eisner) e, é claro os super-heróis, com mais destaque para o Batman. Também descobri que queria ser desenhista bem cedo, aos 7, 8 anos.
Passava meus dias copiando quadrinhos e cheguei até a criar um personagem naqueles primeiros anos. Depois de tudo acabei virando mesmo ilustrador. Minha primeira influência foi o Ziraldo, depois eu passei a admirar o traço do Orlando. Criar um estilo meu demorou um pouco, fui “bebendo” aqui e ali. Hoje as pessoas identificam no meu trabalho atual influências do Gendy Tartakovsky (Laboratório de Dexter, Samurai Jack, Clone Wars), e de Danny Phanton, o que é verdade, eu gosto bastante deste estilo.
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Por Renato Lebeau | 21 maio de 2009

Como todo cartunista que se preza eu já nasci desenhando, com o cartum na ponta do dedo! Desde pequeno era um moleque muito espevitado, que não parava quieto um minuto, que não dava sossego, enfim um moleque quase insuportável. Coisa de ariano.
Roubava espaguete na despensa da cozinha e jogava na privada, pegava os tubos de pasta de dente e “pintava” as paredes da casa, quebrava vidraça da casa dos vizinhos, transbordava o tanque de lavar roupa e alagava a lavanderia, entre outras maloqueiragens infantis.
Minha pobre mãe, a saudosa Dona Carmela, desesperada com minhas estripulias, me trancava num grande galinheiro no fundo do quintal, na esperança de ter um pouco de sossego. Eu, junto aos galináceos, abria o berreiro até que nossa piedosa vizinha, a também saudosa Dona Isaura, viesse interceder pela minha libertação. Era minha advogada de defesa, que Deus a tenha!
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Tags: caminho do artista, Marcio Baraldi
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Por Renato Lebeau | 5 maio de 2009

O início
Desenho desde muito pequeno. Para falar a verdade, não me recordo quando comecei a desenhar, com que idade, mas a lembrança primeira que tenho é de já rabiscar algo que se assemelha quadrinhos.
Meus primeiros contatos profissionais, digamos assim, foram no início de 1983 através do Franco De Rosa para a extinta editora Press. Essa editora na época, vinha na esteira da Grafipar de Curitiba e tinha feras como Mozart Couto, Shima, Colin, Watson Portela, Seabra, Ofeliano, e tantos outros artistas do primeiro time, produzindo vários gêneros de quadrinhos, principalmente terror, erótico e ficção-científica. Lá produzi muito quadrinho erótico e um pouco de terror.
Tive a honra também de desenhar roteiros de caras como Júlio Emílio Braz. Foi um período de plenas descobertas. A cada instante, a cada carta (como não morava em São Paulo na ocasião, a coisa era via ECT mesmo, nem se imaginava o advento do e-mail) trocada. Com O Franco, foi o pontapé inicial. Um cara que vez ou outra nos cruzamos em eventos de quadrinhos, o qual tenho grande admiração e respeito.
Em 1986, um pouco antes ou um pouco depois, a Press fechou as portas. A nossa velha e conhecida crise (a coisa não é de hoje, não!!!). Com o término da editora, muita gente se viu “órfão”, sem ter onde publicar. Eu, iniciante, começando a conhecer a “coisa”, com certeza era um desses.
Morava, conforme disse nesse período, na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo, lá eu era muito ligado a um centro cultural aonde o seu dono, Luiz Carlos Cascaldi, promovia exposições, recitais de poesia, shows e principalmente teatro, o qual era intimamente ligado. Participava ativamente produzindo cenários para peças e cartazes, chegando a fazer exposições de desenhos.
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Tags: caminho do artista, clube da esquina, Laudo, subversivos, Tianinha, Zé do Caixão
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Por Renato Lebeau | 25 março de 2009

Originalmente esse post era para ser uma entrevista com Dedo Zuka, quadrinhista independente que na época do 25º Ângelo Agostini, distribui para os presentes a sua HQ em forma de rolo.
A intenção da entrevista seria focar para a experimentação do artista em criar histórias em quadrinhos em formatos não convencionais e a sua inclinação para assuntos políticos, que estão presentes em suas obras.
Durante o processo e com o envio do texto do próprio Dedo. Percebemos que funcionaria melhor o post se ele fosse uma “trajetória do artista” escrita pelo próprio quadrinhista, afinal, nada melhor do que ele para saber quais foram os pontos chaves de sua carreira e que definiram como ela é hoje.
O texto a seguir foi escrito por Dedo Zuka, e o Impulso HQ agradece pela colaboração e pela idéia de abrir um novo espaço para o quadrinhista nacional, esperamos em breve ter outras trajetórias aqui postadas no site.
Caminho do Artista: Dedo Zuka
Origem nome:
Dedo Zuka (com maiúsculo ou minúsculo, tanto faz) é uma homenagem a Tezuka Osamu, aquele que nasceu em Takarazuka, no Japão. Quando Fujiko Fujio (autor de Super-Dínamo/Doraemon) iniciou a carreira, ele assinava como Ashizuka Fujio em homenagem a Tezuka, isso também está em Manga Michi (uma autobiografia disfarçada de Fujiko Fujio) em que surge Ashizuka Shigemichi.
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