Bom, amigos… Gostaria de mais uma vez usar o Impulso HQ para falar do bom e velho jogo de RPG. Falar mais especificamente sobre um dos pilares (ou não) do jogo: o objetivo da aventura. Sim, em maior ou menor grau, existem objetivos em aventuras de RPG.

Na verdade, às vezes, são um monte de objetivos ao mesmo tempo, mas um deve ser fundamental: a DIVERSÃO. Acreditem, tem gente que estressa pacas jogando… é impressionante, mas, não raramente, acontece. Então, vamos lá.

O mestre/narrador do jogo tem todo o direito de se divertir e para isso deve criar suas aventuras e tramas mais baseados em “possibilidades” do que um roteiro fechado com tudo que acontecerá com os jogadores em detrimento de suas ações e decisões. Simples assim. Estou fornecendo a receita da felicidade pra narradores e jogadores, então, levem isso (e só isso) a sério durante uma partida com seus amigos.

Algum tempo depois daquela aventura de Gurps Supers (detalhada num texto anterior), fomos jogar Lobisomem, o Apocalipse. Storytelling repleto de ação e interpretação (nossos jogos eram assim), um cenário em que os lupinos, filhos de Gaia, se dedicam a combater monstros e ameaças a natureza.

O grupo inicial era composto por um lobisomem da Tribo dos Andarilhos do Asfalto de nome Kurt Wagner (um colega que acha o nome do mutante alemão muito maneiro, como se pode notar), um membro da Tribo dos Roedores de Ossos que era gordão e forte como um touro (tipo o Volstag o Volumoso das HQs do Thor) chamado Billy Joe Urso… Meu personagem era da Tribo Fianna, um jovem cujo algúrio (ou índole, pra facilitar) era ser um constante Guardião das Tradições.

Entre alguns conflitos entre nós mesmos, nas primeiras aventuras enfrentamos Servos da Wyrm (a entidade maligna suprema e antagonista máxima de Gaia), caçadores de licantropos (munidos com armas de prata, literalmente, até os dentes) e empresas poluidoras e expansionistas… Ou seja, o de praxe.

Lá pras tantas, um playboy-lobisomen-milionário-finlandês, que odiava sua herança lupina e não se transformava a menos que estivesse com sua vida por um fio entrou para a “Matilha”. Ele aderiu a crença em nosso Totem, o Wendigo, e passou a aventurar-se entre nós (gostando ou não).

Logo, estávamos em nossa base de operações, que era no Central Park em Nova York, quando soubemos que minha namorada, a filha do prefeito de Nova York fora seqüestrada e levada durante sua festa de aniversário por mercenários a serviço de um empresário do ramo do lixo tóxico (nunca disse isso ao narrador, mas sempre imaginei esse personagem como aquele vilão híbrido de homem e porco do desenho do Capitão Planeta). Assim, os quatro lupinos partiram em busca do objetivo de resgatar a donzela em perigo.

No caminho para a região selvagem (engraçado como a gente sempre ia pra locais assim, longe dos centros urbanos. Acho que se algum deles ainda existisse, o planeta não estaria superaquecido) pra onde ela foi levada, Kurt e Billy começaram a discutir feio pelo poder sobre a matilha. Quando finalmente chegamos às proximidades da caverna (que conveniente, não?) do inimigo, o clima tenso entre os dois descambou pra porradaria. Kurt era um mala, Billy Joe era um urso, ou seja, não tinha como dar certo muito tempo, né?

Enquanto isso (na sala da justiça! Brincadeira), meu jovem amigo finlandês e eu decidimos levar a missão a cabo, independente do “atrito” dos dois. A cena era, tipo, quando Wolverine e Dentes de Sabre se pegam pra valer e a gente deixando os dois e seguindo em frente, rumo a covil dos bandidos, convictos do plano que tínhamos em mente.

Jogamos essa aventura em 1996. Celular nessa época? O finlandês tinha (ele devia ser dono da Nokia! Ta explicado!). Usamos o telefone pra atrair a atenção dos caras, eu me transformei em Crinus (uma das formas que o lobisomem pode assumir. Aquela “fodástica, sabe?!”) na frente deles, que enlouqueceram (literalmente, pois isso causa delírios e insanidade em humanos de vontade fraca).

O jovem finlandês também tinha uma granada (natural, todo mundo deve andar com uma na Finlândia) e a usamos para por fim aos demais guardas no interior da caverna… Horas depois, estávamos de volta com minha garota sã e salva (mesmo que ela não conseguisse entender direito a razão de eu estar nu quando nos encontramos após a explosão).

A luta de Kurt e Billy? Terminou exatamente quando ouviram a explosão e descobriram que “os garotos” resolveram o caso. Assim, eu e meu amigo burguês e finlandês (ao mesmo tempo, como não?) recebemos as chaves da cidade de Nova York das mãos do prefeito!

E quanto ao objetivo da aventura? Simples: o narrador imaginou todos na luta para resgatar minha namorada, mas o “imprevisto” entre os jogadores desandou a coisa… Mas deu tudo certo, pois todo mundo se divertiu! E isso, como já afirmei, é o mais importante. Busque se divertir. Não leve tudo a ferro e fogo! Se você é o narrador do jogo, explore as possibilidades das escolhas dos jogadores. Se for um dos jogadores, divirta-se (mas faça isso sem precisar desrespeitar seus amigos). Divirta-se. Esse é o objetivo. Simples assim.

Dennis RodrigoartigosGurps Supers,Lobisomem,RPGBom, amigos... Gostaria de mais uma vez usar o Impulso HQ para falar do bom e velho jogo de RPG. Falar mais especificamente sobre um dos pilares (ou não) do jogo: o objetivo da aventura. Sim, em maior ou menor grau, existem objetivos em aventuras de RPG. Na verdade, às...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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