Foi ele! Todos dizem que foi ele! O culpado pelos quadrinhos terem se tornado mais bobinho foi o Batman! Pelo menos, foi este o herói que usaram de laranja para exemplificar todo o mal que as histórias em quadrinhos faziam aos jovens leitores e leitoras.

Não foi o único exemplo, mas foi o que ficou mais conhecido. Quem aqui nunca fez piadinha sobre Batman e Robin terem um caso? Piada velha e engraçada, né? Pois justamente uma suposta relação homossexual entre a dupla dinâmica serviu de exemplo dos “males” que os quadrinhos podiam causar. Assim julgavam os “donos da verdade” em meados da década de 1950.

É curioso, no entanto, como algo que foi apontado como mau exemplo se tornaria absurdamente escrachado nos anos seguintes. Se reclamavam que Batman não devia ter um caso mais colorido com Robin, nas edições seguintes as histórias da dupla dinâmica se tornariam muito mais, digamos, alegres. Muuuuuito alegres. Risonhas até.

Hoje, o Batman sombrio e carrancudo que remete a Era de Ouro dos Quadrinhos está mais próximo às suas origens. Naquela época, se o Batman sorrisse para um bandido é porque o meliante ia morrer. Encontrar com Batman em Gotham City era sinal de mau agouro.

Na Era de Prata, no entanto, Batman gostava mesmo era de viver a vida, usando seu uniforme azulzinho, indo e vindo com o Batmóvel, sempre ao lado de seu parceirinho não menos sorridente, o menino prodígio. Chegavam a sorrir mais que o Coringa. Aliás, Coringa? Quem é Coringa? Aquele psicopata que se divertia matando pessoas? Esquece! Não havia espaço pra pessoas problemáticas.

Com poucos vilões insanos para enfrentar, as aventuras de Batman tomavam outro rumo. Ficção Científica! Sim, eu sei, não tem nada a ver com as histórias urbanas de Batman. Mas a Ficção Científica era uma das grandes saídas para se publicar histórias menos sanguinolentas nos quadrinhos e o “Batman Feliz” não podia andar fora da moda, não é mesmo? É claro que, bem, ninguém queria admitir, mas monstros alienígenas eram uma excelente metáfora aos “vermelhos”, os comunistas, que eram os vilões do mundo real da época.

E nem adianta colocar a culpa no seriado Batman da década de 1960. Aquele clima pastelão era, acreditem, o mais próximo e fiel ao que os quadrinhos queriam transmitir. O personagem foi sim infantilizado ao extremo e isso se refletia em outras mídias. E, gostem ou não, foi graças a essa “saída do armário conceitual” que Batman sobreviveu durante esse conturbado período de sua carreira.

Mas, apesar de uma época de histórias divertidas (sim, no bom sentido do termo), de uma criatividade avassaladora, os censores uma hora iam cochilar e o bom e velho Batman poderia mostrar suas garras novamente. Praticamente no fim da Era de Prata, Robin deixaria seu alegre mentor pra trás, viraria adulto (não, não vou cair na tentação de dizer que “viraria hominho”) e partiria para a faculdade.

A saída daquele garoto de roupas coloridas da mansão foi sinal para Bruce Wayne também mudar radicalmente. Mudou-se para o centro urbano de Gotham City, morando em um luxuoso edifício. Voltou a se tornar mais sombrio (violento ainda não, mas se continha bastante). E até mesmo viu pesadelos como o Coringa retornarem mais insanos do que nunca.

Não conseguiu se livrar, de imediato, do modelito azulzinho que usou por tanto tempo. Vai ver que se acostumou com a cor mais alegre. Afinal, foram mais de uma década usando o mesmo tom. Mas já não era tão engraçado falar disso para ele. Não dava para achar graça de um personagem que voltou a ficar sério. Sorriso? Que sorriso? Ao final da Era de Prata, Batman voltou a ser carrancudo. E os bandidos voltaram a sussurrar: “Batman sorriu pra você? Boa sorte…”

Marcos Darkprata da casaBatman,DC Comics,RobinFoi ele! Todos dizem que foi ele! O culpado pelos quadrinhos terem se tornado mais bobinho foi o Batman! Pelo menos, foi este o herói que usaram de laranja para exemplificar todo o mal que as histórias em quadrinhos faziam aos jovens leitores e leitoras. Não foi o único exemplo,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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