Ser parceiro mirim de um super-herói não é tarefa fácil. Fora as piadinhas do público sobre supostos envolvimentos com suas contrapartes adultas, segui-las nem sempre é uma tarefa das mais dignas. Isso SE o citado parceiro tivesse lá algum talento heroico. E a situação só tendia a piorar no caso do personagem ser apenas um… amigo do herói.

A estratégia de se usar um coadjuvante jovem que seguisse o herói era um recurso para, de certa forma, colocar o leitor dos quadrinhos dentro das histórias junto ao seu personagem favorito.

Jimmy Olsen ficou famoso como sendo o melhor amigo do Superman, e essa condição se deve mais a sua presença constante como personagem coadjuvante das aventuras do herói do que um ombro amigo ou mesmo algum tipo de confidente do homem de aço.

Sua importância, no entanto, era tanta a ponto do personagem ganhar sua própria revista, chamada Superman’s Pal Jimmy Olsen, em 1954, pouco antes do início da Era de Prata. Na série, um dos atrativos era virar Olsen literalmente do avesso, não só colocando-o numa série de situações pra lá de bizarras, como também o transformando das mais diversas (pra não dizer doentias) formas possíveis.

Curiosamente, uma dessas transformações deu a Jimmy super-velocidade, em uma história publicada um mês antes da estreia do herói velocista Flash, em 1956 (onde efetivamente iniciaram-se os anos prateados dos quadrinhos).

Uma das mais recorrentes transformações de Jimmy ocorreu em setembro de 1958, quando seu corpo se tornou maleável e ele se criou a identidade do herói Elastic Lad (Rapaz Elástico). Apesar do tom cômico da série, essa sua identidade de herói rendeu-lhe até mesmo um lugar como reserva dos heróis futuristas da Legião dos Super-heróis.

Outra mudança importante em sua vida foi sua identidade como o herói Pássaro Flamejante, sendo parceiro do herói Asa Noturna, outra identidade de ninguém menos que Superman. Dessa forma, desde que assumiu essa identidade, em janeiro de 1963, Olsen de fato se tornou um digno parceiro de herói, aqui defendendo a cidade kriptoniana de Kandor, em histórias que parodiavam outra dupla dinâmica, Batman e Robin, com um tom beirando a aventuras urbanas.

A revista de Jimmy Olsen teve uma durabilidade invejável para um título cômico que abordava histórias de um coadjuvante do Superman (que nem sempre aparecia nessas histórias), sendo descontinuada apenas em 1974.

Antes de seu fim, a revista contou com uma presença ilustre que tentou elevar suas vendas: o escritor e desenhista Jack Kirby, que acabara de vir da Marvel Comics, universo de heróis que ajudou a criar juntamente a Stan Lee. Kirby planejava criar um sub-universo com seus personagens, aproveitando ideias que introduziu na Marvel mas que não foram aproveitadas como desejava.

A revista de Jimmy Olsen, mais descompromissada que os demais títulos ligados ao homem de aço, serviu como um espécie de laboratório dessa nova empreitada e muitos dos personagens e conceitos do que seria conhecido como o Quarto Mundo de Kirby surgiram ali. O vilão Darkseid, um dos maiores inimigos do Superman, surgiu na edição 134 da revista, em novembro de 1970.

Para um personagem fadado a viver a sombra de um grande herói, o ruivo, sardento e bonachão Jimmy Olsen até que se beneficiou com essa amizade e mostrou que seu sucesso nos quadrinhos deveu-se ao simples fato de ser bem relacionado.

Marcos Darkprata da casaDC Comics,Jack Kirby,Jimmy Olsen,Superman,Superman’s Pal Jimmy OlsenSer parceiro mirim de um super-herói não é tarefa fácil. Fora as piadinhas do público sobre supostos envolvimentos com suas contrapartes adultas, segui-las nem sempre é uma tarefa das mais dignas. Isso SE o citado parceiro tivesse lá algum talento heroico. E a situação só tendia a piorar no...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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