Batman_103.jpgNa Era de Prata, tanto Batman quanto Bruce Wayne demonstravam ter grande popularidade entre os cidadãos de Gotham City. Ser homenageado por seus feitos era algo recorrente em histórias que visavam mostrar resumos de aventuras passadas do Homem-Morcego, sem que exatamente elas tivessem realmente sido publicadas. A quantidade de casos resolvidos, portanto, era bem maior do que o número de aventuras do personagem. Isso mesmo levando em conta que ele contava com três histórias em uma única edição de sua revista e mais uma aventura dentro da coletânea Detective Comics.

Em momentos onde esse tipo de história narrando o passado eram apresentados, era comum arrumar uma desculpa para explicar o surgimento de um determinado item de sua galeria de troféus, que guardava na Batcaverna. Muitas vezes eram objetos estranhos que em momento algum poderiam remeter a algum vilão ou criminoso. Levando-se em conta que essa era uma prática realizada desde a Era de Ouro, ou seja, de décadas atrás, podemos até mesmo concluir que a Batcaverna tenha se tornado uma espécie de Sucatão do Batman, tamanha era a quantidade de quinquilharias que ele levava.

Dizer que a história “Os Troféus Quebrados” são o cúmulo de se juntar porcaria na Batcaverna não seria tão estranho quanto o motivo que levou Batman a quebrá-los propositalmente.

Tudo começa quando Bruce Wayne é convidado para participar de um programa de TV e, durante a gravação, é atingido acidentalmente por um microfone que lhe fere o queixo. Acontece que, logo em seguida, será homenageado também pela mesma emissora, só que como Batman. E a máscara de Batman cobre o rosto de Bruce Wayne, exceto o queixo, que agora está ferido.

093 TORFÉUS QUEBRADOS AA preocupação de Batman agora está na estrutura do programa. Quando cada uma das autoridades relembrarem casos onde ele as ajudou, logo em seguida lhe oferecerão um presente. Para mostrar a reação do herói, a câmera irá dar um close em seu rosto. Batman então elabora um plano pra lá de estapafúrdio para que seu queixo ferido não o traia.

As homenagens são feitas pelo Rajá Vishtu, para o qual Batman recuperou seu precioso diamante de criminosos que invadiram sua festa. O Rajá lhe dá uma espada indiana de puro aço de Madagascar. Ao recebê-la, Batman deixa-a cair em um fio no chão do estúdio, apagando a iluminação. O juiz Albert Hagen, ao qual Batman salvou de ser assassinado lhe dá uma miniatura do herói, e ele a derruba contra um holofote, fazendo com que a iluminação fique intensa o suficiente para que seu rosto não apareça.

Por último o capitão Hobart, da Polícia do Porto, o agradece por sua ajuda contra piratas fluviais presenteando-o com uma espécie de bola com água, no mesmo estilo daquelas bolas que mostram cenas natalinas com neve, representando o momento em que capturou o submarino dos criminosos. Batman, novamente se fazendo desastrado, derruba o presente, contra a lente de uma câmera, fazendo-a distorcer sua imagem.

Mais absurdo do que o plano mirabolante (e uma total falta de consideração para com os presentes) foi a revelação de que ele se fez de desastrado para defender a identidade de seu melhor amigo. Todos sorriem e está tudo bem. Afinal, é o Batman! Tem quem acredite até mesmo que o melhor amigo é o Robin. O menino prodígio deve ter ficado indignado com a picaretagem, já que apenas ajudou durante as filmagens, em momento algum correndo qualquer tipo de perigo.

093 TORFÉUS QUEBRADOS BMas, ainda mais chamativo do que o plano e a explicação, é a resolução dos dois primeiros casos. No primeiro, Batman localizou o criminoso infiltrado na festa, pois ele fez um comentário diante uma zebra empalhada, dizendo que uma delas relinchou para ele em determinada ocasião. Porém, zebras não relincham, como os cavalos, mas emitem um som que é algo parecido com um latido. Já no segundo caso, um dos convidados se disfarçou como uma figura histórica que é destra e o cinto que usava estava colocado de forma como se fosse canhoto.

Ou seja: Batman não perdoa ignorantes! Se você não tem profundo conhecimento sobre a fauna e a história, nem mesmo suspeito vai ser, vai logo ganhando uma muqueta do homem morcego. Portanto, crianças, estudem! Só não percam a ingenuidade para engolirem a história de um herói ser desastrado o suficiente para esconder um corte no queixo.

Esta história foi publicada no Brasil pela Ebal, na revista Batman em Formatinho n° 12, de Maio de 1977.

Batman #103
DC Comics – Outubro de 1956
Escrita por Bill Finger | Desenhada por Dick Sprang

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