099 OS TRÊS SUPERMOSQUETEIROS AHoje em dia, quando autores de ficção falam sobre viagem no tempo, regem várias regras sagradas nesse sub-gênero. Nunca se pode alterar um fato passado, pois ele pode ter óbvias consequências no futuro (ou não se pode ou se DEVE, no caso de tentativa de evitar um futuro apocalíptico, por exemplo). Ainda há aqueles que acreditam que não se pode encontrar com sua própria contraparte no passado (tipo… você não pode se encontrar com você no passado, entendeu?), pois se isso acontecesse (ou acontecer… ou tiver acontecido… ah, tudo isso é muito complicado) pode haver uma espécie de colapso espaço temporal que pode acabar com a própria existência.

Complicado, não? É por isso que os autores do passado mandavam essas regras às favas e esculachavam com fluxo temporal mesmo. Na verdade, abusavam até demais, alterando tão intensamente em fatos passados, sem se importar com o que poderia acontecer com o futuro.

Um dos maiores culpados por atrocidades contra o tempo era o doutor Carter Nichols, especialista em viagens temporais que tinha como grandes comparsas Batman e Robin, sempre que a dupla dinâmica era encarregada de ser inserida em algum período histórico, salvando personalidades do passado (e dane-se o que os livros de História regiam) ou mesmo em passados fictícios (afinal, ELES também são fictícios), mudando radicalmente o rumo de obras literárias (e dane-se se você estudou determinada obra para fazer uma prova).

099 OS TRÊS SUPERMOSQUETEIROS BCom essas viagens no tempo, o Doutor Nichols sempre tinha alguma novidade para a imprensa, relacionada a grandes mistérios do passado. Uma dessas novidades foi a verdadeira identidade do Homem da Máscara de Ferro. Novidade tão impactante que chamou a atenção até mesmo do Superman. Na verdade, o herói sabia que Nichols já havia feito experimentos desse tipo envolvendo Batman e Robin. Por isso, procura a dupla dinâmica para… se oferecer em ajudar nessa viagem ao passado (e dane-se a ética do super-herói para a linha temporal, mesmo porque, dane-se que, na época, ele tinha poder suficiente para ele mesmo voar em supervelocidade e ir ao passado).

O trio de heróis é enviado por Nichols a trezentos anos no passado e, juntos, ajudam os três mosqueteiros a desvendarem o mistério do Homem da Máscara de Ferro. Se antes apenas a dupla dinâmica era páreo para resolver problemas que, afinal, eles sabiam como terminava, imagine com um Superman utilizando seus poderes ao máximo para surpreender personagens da literatura.

Chegava a ser covardia. Superman estava tão à vontade enfrentando inimigos muito abaixo do que costumava enfrentar, que chega a tomar o lugar do Conde Ferney, que foi salvo de utilizar a máscara de ferro pelo resto de seus dias. Ainda assim, o homem de aço teve algumas surpresas pelo caminho, como o fato de não poder descobrir, de cara, quem estava atrás da máscara, já que havia chumbo em sua composição, o que o impedia de utilizar sua visão de raios-x. Por fim, descobrem que o chanceler do rei, Bourdet, é o grande vilão por trás da tortura do pobre Ferney.

099 OS TRÊS SUPERMOSQUETEIROS CA história recorre a uma corruptela do que o próprio Alexandre Dumas fez no passado. Afinal, como trama principal da terceira parte dos seus Três Mosqueteiros, Dumas se valeu do mistério real do Homem da Máscara de Ferro (que, dizem, na verdade era de veludo) que se tornou um segredo ligado até mesmo a teorias conspiratórias (conspiratórias para o reinado da época, é claro). Portanto, nada como utilizar e distorcer um fato do passado, se valendo ainda dos personagens criados por Dumas, também no passado.

A lambança temporal é tamanha, que sequer os mosqueteiros se lembram de Batman e Robin, já que a dupla dinâmica já havia feito essa viagem antes (graças ao mesmo doutor Nichols) e os auxiliado. Mas esse tipo de incongruência é algo muito comum nessa época. Afinal de contas, da mesma forma que os heróis pouco se importavam com o tempo, os autores de quadrinhos da época pouco se importavam com a cronologia de seus próprios heróis.

World’s Finest Comics #82
DC Comics – Maio de 1956
Escrita por Edmond Hamilton | Desenhada por Dick Sprang
Publicada no Brasil pela Ebal, em Batman & Super-Homem (Invictus) n° 40 e Superamigos n° 12

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/04/jhg6zfd9.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/04/jhg6zfd9-300x228.jpgMarcos Darkprata da casaDC Comics,Dick Sprang,Edmond Hamilton,World’s Finest ComicsHoje em dia, quando autores de ficção falam sobre viagem no tempo, regem várias regras sagradas nesse sub-gênero. Nunca se pode alterar um fato passado, pois ele pode ter óbvias consequências no futuro (ou não se pode ou se DEVE, no caso de tentativa de evitar um futuro apocalíptico,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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