40065Na Era de Prata, os quadrinhos tiveram que se adaptar para suas histórias ficarem mais amenas e não escandalizar o frágil “sentimento” dos censores. Para tanto, os autores eram obrigados a sempre darem um “jeitinho” em seus roteiros. Da mesma forma, personagens também eram vistos tomando atitudes que fariam qualquer censor pensar sobre aquela história… mas permitindo que se passasse batido. Isso porque essa limitação com as histórias ao invés de podar a criatividades dos escritores e desenhistas, acabavam por formar novas regras aos quais eles se mostravam tão ou mais criativos para se adaptar.

A história “O Feiticeiro”, com o personagem das selvas Congo Bill é um exemplo de como um “herói” (no caso, um aventureiro) pode ser tão picareta quanto o mais safo dos malandros. Afinal, a lei da selva era atacar malandragem… com mais malandragem.

090-O-FEITICEIRO-ACongo Bill foi criado na Era de Ouro, em 1940, para a revista Mor Fun Comics e depois migrou suas aventuras para a Action Comics, revista que tinha como carro chefe as histórias do Superman. A história aqui abordada foi publicada, no Brasil, no mesmo esquema de “mix” de histórias, sendo apresentada pela Ebal na revista Batman Bi, onde Congo Bill fazia parte do elenco secundário de histórias do título.

Suas histórias contavam as aventuras do personagem título em meio a terras selvagens da África. Era auxiliado por Janu, o menino das selvas, que foi criado na selva após perder seus pais e passou a seguir Congo Bill como um parceiro. Uma mistura de Mowgli com Robin que se mostrava muitas vezes mais civilizado e com mais juízo do que o próprio herói principal.

090-O-FEITICEIRO-BNa história, uma tribo africana se preocupa com a debandada dos animais, que fugiam do avanço da construção de uma nova estrada. Crocodilos, macacos, elefantes… vários animais fugiam em um misto de fúria e medo, ameaçando destruir tudo em seu caminho. Aproveitando a situação estava um médico-feiticeiro chamado Bwanda que prometia proteger a tribo… para manter seu status perante o chefe local. Alegando ter poderes mágicos obtidos em uma fonte próxima ao local, trazia certa desconfiança ao jovem Janu.

090-O-FEITICEIRO-CPara a surpresa de Janu, o próprio Congo Bill aparece alegando também ter obtido poderes mágicos ao ter sido obrigado a beber da mesma fonte após ter sido abatido por uma terrível febre. Em seguida, ocorre uma verdadeira batalha de “feiticeiros” tendo Congo Bill sempre se mostrando superior a Bwanda.

Quando crocodilos invadem a tribo, Bwanda não consegue deter seu avanço… mas Congo Bill sim. Quando vários macacos pulam enfurecidos das árvores, Bwanda não consegue debandá-los… mas Congo Bill sim. Quando uma manada de elefantes está prestes a destruir a tribo, sequer o feiticeiro tem coragem de detê-los… mas Congo Bill consegue novamente.

1Diante de tantas vitórias, a Bwanda só resta sair pela tangente e declarar que sua, digamos, “bateria de magia” está descarregada. Para voltar à velha forma, ele corre para a suposta fonte mágica que mantém seus poderes. Congo Bill e Janu o seguem e descobrem a fonte (que de mágica não tem nada) e destroem a mesma, deixando Bwanda que não entende porque Congo Bill destruiria a fonte de seus próprios poderes mágicos.

Acontece que, mais picareta do que Bwanda, Congo Bill também tinha lá sua cota de picaretagem. O que ele fez acreditarem ser magia (inclusive o ingênuo e crédulo Janu), na verdade foi uma série de aplicações de seus conhecimentos da fauna local. Para deter os crocodilos ele simplesmente ofereceu comida, escondida entre um galho “mágico”, para o chefe do bando. Os outros, que seguiam o líder pelo o olfato, desviaram seu caminho. Os macacos debandaram, pois Congo Bill sabia que seus hábitos incluíam manter um integrante como “sentinela” para avisar os demais de perigo. O aventureiro jogou uma lança “mágica” que, na verdade, quebrou o galho onde estava a sentinela. Com o grito devido ao susto, os demais interpretaram como sinal de perigo e debandaram. Já os elefantes, bastou identificar uma fêmea grávida e… simplesmente chegar perto dela. Os demais, que a protegiam, acabaram por se deter e finalmente partir.

wwcongobillPara Congo Bill, não bastava ser aventureiro… tinha que ser mais charlatão do que o mais charlatão da tribo. Quanto ao seu próprio ceticismo, com o qual desmitificou toda a magia para Janu… bem… quem diria que ele um dia iria se tornar um enorme gorila chamado Congorilla, quando utilizou um amuleto mágico para transferir sua mente para o animal. E isso ainda na Era de Prata… que tanto se adaptava aos novos conceitos daquele período, a ponto de tocar até na fé de seus próprios personagens.

Action Comics #221
DC Comics | Outubro de 1956
Escrita por Jack Miller | Desenhada por Howard Sherman

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/02/wwcongobill1.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/02/wwcongobill1-300x232.jpgMarcos Darkprata da casaAction Comics,Congo Bill,DC Comics,Era de Prata,Howard Sherman,Jack MillerNa Era de Prata, os quadrinhos tiveram que se adaptar para suas histórias ficarem mais amenas e não escandalizar o frágil 'sentimento' dos censores. Para tanto, os autores eram obrigados a sempre darem um 'jeitinho' em seus roteiros. Da mesma forma, personagens também eram vistos tomando atitudes que fariam...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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