086 Gardner Fox AQuando falamos em “reformar”, não há ninguém melhor para o trabalho do que aquele que ajudou a construir o projeto inicial. Afinal, ninguém melhor do que a pessoa que realmente sabe onde estão as bases a serem reformadas e até mesmo onde estão os detalhes embutidos de cada detalhe do original.

E foi uma incumbência parecida que foi dada ao escritor Gardner Francis Fox que, de tão importante, acabou sendo um dos principais nomes envolvidos na formação inicial da Era de Prata. Fox, aliás, já era um nome importante mesmo nas fundações da Era anterior, a de Ouro.

No início dos anos 1950, Gardner Fox, que já tinha larga experiência com quadrinhos, se revezava em estilos que iam do faroeste até ficção científica, para a editora DC Comics. Revistas como Mystery in Space e Strange Adventures, por exemplo, já eram de seu domínio, pois abordava a ficção científica, gênero que dominava. E foi nas páginas da primeira que desenvolveu as aventuras do personagem espacial Adam Strange.

086 Gardner Fox BCriado um ano antes pelo editor Julius Schwartz, Strange era apenas mais um personagem de uma história curta de ficção e nem mesmo inspirava confiança de histórias vindouras. Nas mãos de Fox, no entanto, as aventuras do personagem fizeram sucesso e se estenderam por sete anos.

A perseguição da censura sobre os quadrinhos (provocada por Frederic Whertam) levou Julius Schwartz a reformular toda sua linha de personagens e um dos convocados para a tarefa foi o talentoso Gardner Fox.

Em Fevereiro de 1960, Fox recriou um conceito que ele mesmo havia criado, juntamente com o desenhista Sheldon Mayer) na Era de Ouro: a Sociedade da Justiça. A ideia da reformulação seguiria a mesma linha da ideia original: reunir, em um grupo, os principais heróis da editora. E foi assim, auxiliado pelo desenhista Mike Sekowsky, nas páginas da edição 28 da revista The Brave and The Bold, que nascia a Liga da Justiça.

Poucos meses depois, o grupo ganharia sua própria revista. Com o tempo, introduziria novos personagens no grupo, muitos deles as novas reformulações da época, como o Arqueiro Verde. O novo sucesso dos quadrinhos foi tamanho que a parceria com Sekowsky durou oito anos, sendo que o próprio Fox saiu do título poucos meses depois de seu parceiro.

086 Gardner Fox ENo ano seguinte, Fox reformularia outro de seus personagens que havia criado na Era de Ouro: o Gavião Negro, juntamente com o desenhista Joe Kubert. Novamente, a direção das histórias sustentaria o sucesso que levariam o personagem a ganhar sua própria revista pouco tempo depois.

Em setembro de 1961, com o desenhista Carmine Infantino, criaria uma das histórias mais importantes do reformulado universo DC: O Flash de Dois Mundos. O roteiro foi desenvolvido através de uma ideia do editor Julius Schwartz e mostrava o Flash da Era de Prata (Barry Allen) indo parar em uma espécie de universo paralelo onde o Flash era outro personagem, Jay Garrick. Já aposentado, Garrick era, por acaso, o Flash que atuava na Era de Ouro (detalhe, personagem criado, também, por Gardner Fox). A partir de então, havia a explicação sobre o que aconteceu com os heróis do universo DC da Era de Ouro. Eles pertenciam a um universo paralelo, a chamada Terra 2, onde os herói haviam atuado em outra época.

086 Gardner Fox FO mais curioso dessa história, era que Barry Allen conhecia Jay Garrick, pois ele, em seu mundo, era um personagem de quadrinhos, criados por um tal de… Gardner Fox! Com o tempo, houve a explicação que os eventos da Terra 2 de alguma forma invadiram os sonhos do escritor Gardner Fox e ele os transcreveu para as histórias em quadrinhos.

A onda de reformulação de Fox não parava e nos meses seguintes, ele reapresentou o personagem Elektron (Atom, no original), com uma nova roupagem de um personagem de mesmo nome na Era de Ouro. Mas também criou personagens novos, como o vilão Doutor Luz, nas páginas da Liga da Justiça. Por esses trabalhos iniciais, recebeu o Alley Awards (prêmio organizado basicamente por fãs de quadrinhos) como melhor escritor, em 1962.

O Alley Awards ainda iria parar em suas mãos várias vezes nos anos seguintes. Uma das mais notórias premiações foi para a história onde a Sociedade da Justiça (da Era de Ouro) se encontrava com a Liga da Justiça (da Era de Prata) em um momento que se tornou uma tradição para os super-heróis da DC e trouxe, pela primeira vez, o conceito de “Crise” entre dois universos. Pouco depois, Fox expandiria o conceito de multiverso, apresentando a então chamada Terra 3, onde as versões dos heróis na verdade eram vilões que dominaram a Terra.

086 Gardner Fox CEm 1964, criou a personagem Zatanna. De certa forma, era uma espécie de reformulação do personagem mágico Giovanni Zatara, que surgiu na revista Action Comics 1 (a mesma onde foi apresentado o Superman pela primeira vez). A ligação entre os dois personagens, no entanto, não estava dentro da regra de terras paralelas. Zatanna, na verdade, era filha de Zatara.

Satisfeitíssimo como os roteiros de Fox, o editor Julius Schwartz o designou para dar uma nova roupagem (mas não exatamente reformulação) para o universo de um dos personagens mais notórios da DC: o Batman. Basicamente, Fox não mexeu no personagem. De certa forma, ainda era o mesmo personagem da Era de Ouro (apesar de, posteriormente, ser apresentada sua versão da Terra 2). Junto ao desenhista Sheldon Moldoff, o escritor preferiu dar uma nova chance para alguns vilões do personagem, como o Charada e o Espantalho.

Em 1966, com o desenhista Murphy Anderson, trouxe de volta o personagem Espectro para a Era de Prata. E, no ano seguinte, junto ao desenhista Carmine Infantino, ainda trabalhando no mundo de Batman, traria a filha do Comissário Gordon, Bárbara, que se tornaria posteriormente a Batgirl.

Para ter um significativo abatimento no imposto de renda e aconselhado por seu agente literário, Gardner Fox doou muitos de seus roteiros originais, quadrinhos e correspondências para a Universidade de Oregon, que veio a se tornar um dos mais ricos acervos dessa arte naquela instituição.

086 Gardner Fox DEm 1968, parou de receber trabalhos pela DC Comics (para quem escreveu cerca de 1500 histórias desde a Era de Ouro), uma vez que a editora adotou a política de não pagar os benefícios para seus colaboradores mais antigos. Ainda assim, fora do mundo dos quadrinhos, escreveu vários livros em estilos como ficção científica, espada e magia, espionagem, policial, fantasia, romance, faroeste e ficção histórica.

O escritor John Broome, ainda trabalhando para a DC, homenagearia Fox ao criar um novo Lanterna Verde que seria mais conhecido por sua identidade civil do que por seu codinome: Guy GARDNER.

Ainda que mais voltado para a literatura, Fox não se afastou totalmente dos quadrinhos. Na década de 70 chegou até mesmo a escrever para a principal concorrente da DC, a Marvel, principalmente em revistas que apresentavam coletâneas de terror. Desse período, destaca-se sua curta temporada escrevendo a revista a Tumba de Drácula e reaproveitando uma ideia original de Roy Thomas ao trazer para os tempos atuais o super-herói indígena Lobo Vermelho.

Gardner Fox faleceu na véspera de Natal do ano de 1986, mas seu legado para a indústria de quadrinhos e o gênero de super-heróis é inegável e reconhecido por vários meios até os dias de hoje, rendendo até mesmo a homenagem e a premiação (póstuma) por fãs e profissionais da área. Deu a principal estrutura e rumo para a Era de Prata, utilizando a mesma competência e talento que serviram de guia para sua histórias da Era de Ouro.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/08/destaque_gardner_fox.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/08/destaque_gardner_fox-300x295.jpgMarcos Darkprata da casaAlley Awards,DC,Era de Ouro,Era de Prata,Gardner Fox,Julius SchwartzQuando falamos em 'reformar', não há ninguém melhor para o trabalho do que aquele que ajudou a construir o projeto inicial. Afinal, ninguém melhor do que a pessoa que realmente sabe onde estão as bases a serem reformadas e até mesmo onde estão os detalhes embutidos de cada detalhe...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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