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Eddie Berganza, editor da DC Comics
O recente escândalo Hollywoodiano e as velhas lembranças do mercado do entretenimento

Hollywood não é muito diferente da vida cotidiana de outras empresas. Muitas vezes, somos avisadas por outras mulheres (sororidade) que já passaram alguma situação com homens poderosos sobre as suas atitudes potencialmente perigosas dentro do nosso ambiente de trabalho. Infelizmente, apesar desse conhecimento geral, a política da empresa é ignorar fatos. E foi assim por muitos anos com Harvey Weinstein.

Depois de muitos indícios e fofocas que cercavam o poderosíssimo Harvey Weinstein, sobre os mais variados tipos de assédio praticado por ele (incluindo teste de sofá), o dono da The Weinstein Company e produtor de filmes como Shakespeare Apaixonado e Pulp.

No último dia 5 o jornal The New York Times publicou uma matéria alegando que o vencedor do Oscar, Harvey Weinstein, fizera pelo menos 8 acordos não divulgados com mulheres envolvendo "assédio sexual e contato físico indesejado".

Sharon Waxman, jornalista responsável pela matéria, chegou a ser procurada por alguns figurões para desencorajá-la a seguir em frente, entre eles Matt Damon e Russell Crowe, que já trabalharam com Harvey anteriormente em produções como Gênio Indomável (1997) e Mestre dos Mares (2003) respectivamente.

Apesar de contrariado, Weinstein foi desligado do quadro da companhia que fundou, segundo comunicado pelo NYT: “Os diretores da The Weinstein Company (...) determinam e informaram a Harvey Weinstein que seu vínculo de trabalho com a The Weinstein Company foi encerrado, de forma imediata". O produtor chegou a afirmar que defendia seu afastamento, sem desligamento, mas foi contrariado.

Assédio como parte do trabalho

O comportamento de Weinstein já virou até piada interna Hollywood. Em uma cena da série 30 Rock, Jenna Maroney diz que não teme ninguém na indústria e "inclusive já conseguiu afastar os assédios de Harvey Weinstein em três de cinco ocasiões". Seria cômico se não fosse trágico.

Com a exposição do caso, duas atrizes muito renomadas e idôneas manifestaram também terem sofrido assédio sexual de Harvey: Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow. Antes delas, atrizes menos conhecidas como Rosanna Arquette, Katherine Kendall, Dawn Dunning, Judith Godrèche, Ashley Judd e Rose McGowan já tinha declarado as atitudes infelizes de Weinstein.

O abuso de Gwyneth aconteceu quando ela tinha 22 anos e foi escalada para protagonizar o filme Emma (96). Antes do início das filmagens, ela foi chamada à suíte do produtor em um hotel em Beverly Hills e a atriz conta que ele colocou a mão em sua perna e sugeriu que eles fossem ao quarto fazer massagens. Brad Pitt (seu então namorado) teve de intervir. O galã sustentou a versão de Gwyneth.

Com Angelina não foi muito diferente. Weinstein a assediou em um quarto de hotel durante o lançamento de “Playing By Heart” no final dos anos 90: "Eu tive uma experiência ruim com Harvey Weinstein na minha juventude, e como resultado, escolhi nunca trabalhar com ele de novo e avisar a outras pessoas disso. Esse comportamento contra mulheres em qualquer área e em qualquer país é inaceitável".

Pelo Twitter, o pai do carinha-que-mora-logo-ali, Terry Crews, publicou que também já foi assediado pelo megaprodutor em uma festa de Hollywood: "Essa coisa toda com Harvey Weinstein está me dando stress pós-traumático. Por quê? Porque eu passei por algo assim! Minha esposa e eu estávamos em uma festa em Hollywood no ano passado quando um executivo veio e simplesmente agarrou meus órgãos sexuais", escreveu Crews.

“... Eu entendo e simpatizo com as mulheres que não falam nada por tanto tempo, mas Hollywood não é o único lugar em que isso acontece, e Harvey Weinstein não é o único predador no mundo. Espero que, ao ter contado essa história, eu o faça desistir desse tipo de coisa no futuro”, finalizou o ator.

O assédio na cultura do entretimento

Lamentavelmente, o caso de Harvey não é o primeiro, mas esperamos que seja um dos últimos. No mês passado, um apresentador do canal americano Fox News foi demitido depois de acusações de assédio. Em agosto, Eric Bolling foi denunciado pelo Huffington Post que afirmava que ela tinha mandado vários ‘nudes’ para três colegas de trabalho e após investigação interna, o canal prosseguiu com sua demissão.

O canal Fox tem histórico de assédio sexual em seus corredores, em julho de 2016, o fundador e diretor da Fox News, Roger Ailes, foi obrigado a deixar o cargo após ser acusado de assédio sexual, assim como fez o apresentador estrela da emissora, Bill O'Reilly, pelas mesmas razões. O diretor de programas do canal Fox Sports, filial do grupo 21st Century Fox, foi demitido, suspeito de comportamentos inadequados.

Fora das telas e dentro das páginas

A DC Comics também passou por uma saia justa com Eddie Berganza, que chegou a ser responsável pelas histórias do Homem de Aço. O editor foi acusado de assédio, inicialmente por Janelle Asselin, uma editora e escritora freelance que trabalhou na DC até 2011, e, apesar da denúncia dela e de outras pessoas relatando casos similares, depois de uma investigação interna, ele foi promovido: “Eu saí porque eles promoveram ele mesmo assim”, disse ela em um Tweet da época.

Depois de uma grande montanha-russa nesse caso, Berganza foi finalmente suspenso de suas atividades por algumas semanas, em seguida fora rebaixado de cargo. O editor não tem mais autorização para participar de convenções de quadrinhos, mas até o momento ele mantém seu cargo dentro da editora, mas agora como editor da linha Superman, não mais como diretor executivo.

Pouco tempo depois, a DC fez um anúncio oficial afirmando que “leva alegações de discriminação e assédio muito a sério, e investiga prontamente relatórios de má conduta e disciplina aqueles que violam os nossos padrões e políticas” e afirmou também rever suas políticas internas para aumentar a rigidez com casos do tipo.

Não devemos nos calar

Infelizmente, casos como o de Harvey Weinstein é um reflexo da sociedade triste em que vivemos. Quando um homem assedia uma mulher, o medo de denunciá-lo fala mais alto e ele sai ileso por muito tempo, por vezes nunca chega a receber uma punição adequada, como é o caso do editor da DC.

No Brasil, o assédio é crime desde 2001 quando foi estabelecida a pena de detenção de um a dois anos ao agressor. Segundo a legislação, a conduta é caracterizada quando alguém for constrangido "com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual", desde que o agente aproveite da sua condição de superior hierárquico.

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho) 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram algum tipo de assédio no ambiente corporativo, a dificuldade em denunciar atos que muitas vezes não geram provas ou testemunhas, dificulta a punição dos agressores, que costumam sair livremente assediando outras mulheres.

Apesar de ser muito mais difícil quando se trata de alguém poderoso, basta uma pessoa erguer a voz, uma denuncia. Quando a bomba explode e os estilhaços estão no chão é que se percebe que mais mulheres afirmam terem passado pela mesma situação repugnante. Não vamos esperar para recolhermos os nossos próprios cacos.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/Harvey-Weinstein-oscar.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/Harvey-Weinstein-oscar-150x150.jpgMarina CiconeliartigosHarvey Weinstein,Hollywood,Sharon Waxman,Terry Crews  Harvey Weinstein Rose McGowan Relato de Terry Crews Eddie Berganza, editor da DC Comics O recente escândalo Hollywoodiano e as velhas lembranças do mercado do entretenimento Hollywood não é muito diferente da vida cotidiana de outras empresas. Muitas vezes, somos avisadas por outras mulheres (sororidade) que já passaram alguma...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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