Recentemente a DC Comics anunciou que irá zerar a numeração de suas revistas numa iniciativa com objetivo de projetar a Editora e seus personagens rumo a um tipo de modernidade, com heróis até então tradicionais dotados agora de ares mais modernos e audazes. De fato, a medida soa como uma certa cisão com o passado em nome de um futuro promissor a ser alcançado. O que se pode esperar disso?

A DC é detentora de heróis que são verdadeiros sinônimos de tradição no segmento, mas sua decisão editorial referida acima está longe de ser a primeira vez que opta por renovar seus personagens, tornando-os modernos ou, quiçá, “ultimates”.

O termo “ultimate”, hoje comum e legitimamente associado aos bem sucedidos quadrinhos da Marvel, parece descrever com exatidão esse “movimento”, vide, por exemplo, o trabalho de Mark Millar em títulos como Ultimate X-Men e The Ultimates (Os Supremos no Brasil), mas se pararmos para pensar, a DC fez verdadeiras versões “ultimates” de seus personagens há muito tempo, nos idos do final da década de 1950, quando reimaginou heróis como Flash, Lanterna Verde e a própria Sociedade da Justiça, cujo conceito fora reinterpretado como a Liga da Justiça.

A verdade é que a DC vem tentando se modernizar logrando sucesso de vendas, deixando de amargar o segundo lugar para a Casa das Ideias, que parece triunfar graças a prática de histórias em quadrinhos modernas.

Antes, o diferencial da Marvel se concentrava na humanidade de seus personagens, mas, justiça seja feita, os Campões da DC desceram de seus pedestais desde sagas como Crise de Identidade (Brad Meltzer e Rags Morales, 2004) e até mesmo, pasmem, antes disso. De fato, isso não é tudo para o sucesso de um título hoje em dia.

A imagem da Liga da Justiça ilustrada pelo mestre Jim Lee é algo que nos permite refletir, ainda mais tendo sido divulgada em paralelo ao anúncio do “reboot”. Mas retornemos um pouco no tempo para considerar a trajetória da Liga, que pode ser perfeitamente entendida como um signo, um baluarte da própria DC Comics.

Após Crise de Identidade (2004) o universo DC se viu humano e sensível e os editores viram que aquilo parecia bom. Depois de uma Crise para enxugar (ou viabilizar) arranjos cronológicos, a Liga (e naturalmente a própria DC) tenta se reestruturar, mas depositar tanto sobre os ombros da equipe (criativa – Brad Meltzer e Ed Benes – e heróica – os super-heróis) era demais.

Não obstante, o “estilo” do autor (advindo da “literatura” propriamente dita) chegou a atribuir certa “ineficácia” ao super-grupo segundo alguns. Argumento injusto ou não, a atual formação, composta por muitos ex-Novos Titãs e herdeiros do legado de grandes heróis (cortesia do britânico James Robinson e do desenhista Mark Bagley), é consequência e resposta a essa “mal sucedida” reestruturação. Ainda assim, a imagem de Lee da provas contra o êxito da equipe criativa citada há pouco.

Que o desenhista Jim Lee e o talentoso multiescritor Geoff Johns assumam o título nem chega a ser novidade, pois boatos sobre essa exata parceria correram a internet pouco de antes de Meltzer e Benes se confirmarem no título que reúne os principais heróis da editora. Agora isso está em vias de se concretizar.

A imagem e o anúncio de que as revistas serão zeradas sugerem que tradição e modernidade se chocarão em prol do futuro… Exatamente como a DC fez em circunstâncias anteriores. Não é diferente do saldo de Crise nas Infinitas Terras e Zero Hora em meados de 1980 e 1990 respectivamente.

Os personagens presentes, repare, estão bastante joviais. Geoff Johns já provou por A + B o quanto conhece a História da DC e seus personagens. Johns goza ainda de talento e prestígio na Editora. Seu trabalho a frente do título dos Titãs e do Lanterna Verde dão prova do quanto ele é um escritor que conduz boas tramas. Jim Lee é Jim Lee. Nas mãos dessa equipe criativa, a palavra de ordem parece ser a de recorrer à fórmula de usar a tradição no caminho da modernidade, tal qual a reformulação de Flash e Lanterna Verde em meados do século XX, e ter sucesso.

Johns, que calca muito de seu trabalho na tradição, e Lee, eterno sinônimo de um grafismo moderno e arrojado, parecem ser, de fato, as pessoas certas, no título certo, para fazer a coisa certa, mas só tempo dirá. E, a despeito da rima, quem viver verá.

Que venha o evento Flashpoint, marco de tais mudanças. Para além do mundo dividido entre forças opostas, estou louco para ver se Ciborgue ficará na Liga em referência a sua participação na última temporada do desenho dos SuperAmigos, animação da qual Geoff Johns é fã confesso, e para saber se o Batman dessa Liga é Bruce Wayne ou Dick Grayson.

Dennis RodrigoartigosDC Comics,Flashpoint,Geoff Johns,Jim Lee,Liga da JustiçaRecentemente a DC Comics anunciou que irá zerar a numeração de suas revistas numa iniciativa com objetivo de projetar a Editora e seus personagens rumo a um tipo de modernidade, com heróis até então tradicionais dotados agora de ares mais modernos e audazes. De fato, a medida soa como...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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