No Brasil, os animes e mangás começaram graças a duas franquias: Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z. Enquanto CDZ apresentava o mundo oriental de animações, DBZ fixava o espectador nesse mundo.

Há alguns meses você conferiu aqui no Impulso HQ um texto comentando sobre as diferenças entre o saudosismo e a realidade com Cavaleiros do Zodíaco, agora chegou o momento de falar sobre seu rival e companheiro, porém partindo de um ponto muito simples: Dragon Ball é o mangá shonen de porrada definitivo!

Depois de uma declaração no mínimo polêmica como essa, existem dois tipos de leitores para ler até o final do texto: aquele que concorda veemente e aquele que discorda e apontará Naruto, One Piece ou quaisquer outros mangás como muito melhores. Antes de quebrarem a sessão de comentários com essa guerra, leiam ao resto deste texto.

Antes de tudo, temos que pensar. O que seria um “shonen de porrada”?

No geral, essa categoria se aplica a qualquer mangá, voltado demograficamente a garotos entre 12 e 17 anos, que tenha como um de seus principais focos, as lutas. Naruto, One Piece, Cavaleiros, Bleach, Boku no Hero são apenas alguns dos inúmeros exemplos. Na realidade, é uma fórmula simples e tão bem aproveitada que até mesmo mangás de comédia que começam a perder a graça acabam se tornando mangás de porrada, como aconteceu com Katekyo Hitman Reborn.

Mas se essa fórmula é tão simples quanto parece, porque Dragon Ball seria melhor do que os outros? Talvez por conta da história envolvente? Dos personagens cativantes? Dos combates bem desenhados?

Não. Dragon Ball acerta porque o foco dele é total e completamente as lutas!

Quando olhamos Goku, por exemplo. Desde o começo, ele pode ser definido como um garoto simples e ingênuo que quer treinar e ser uma pessoa mais forte. E é apenas isso. Não é demérito nenhum. Sua simplicidade é algo cativante e todo mundo acaba se sentindo próximo a um personagem tão querido, mesmo sem profundidade.

E não só ele, mas todos os personagens de Dragon Ball podem ser resumidos com frases curtas e, com exceção dos que em sagas passadas foram vilões, praticamente se mantém a mesma pessoa, apenas escalonando cada vez mais seu poder.

Durante todo o decorrer do mangá, dá pra ver o esforço de cada personagem em treinar de verdade superando seus próprios limites de uma forma que não seja tão forçada a ponto de parecer do nada. É algo natural. Até mesmo em relação aos famosos treinos com gravidade aumentada acaba sendo uma progressão aceitável porque começa com um valor bem mais baixo e vai aumentando com o passar da necessidade.

Outra questão interessante é como a raça dos Saiyajin foi bem pensada. Seres orgulhosos que ficam mais poderosos cada vez que escapam de uma situação mortal acaba fazendo com que o famoso “discurso do vilão” falando sobre as fraquezas dos heróis e coisas assim seja um erro muito maior do que em outras séries.

Outro fator que todos os personagens têm em comum é a vontade de lutar e seu orgulho como lutador. Após o primeiro Torneio de Artes Marciais, é possível ver que o principal motivo pelo qual todos eles lutam é simplesmente porque gostam de lutar. Ao citarmos os principais vilões da Saga Z, podemos analisar que isto ocorre com toda a patrulha Ginyu, com Cell e com Majin Boo. Boa parte dos combates acontecem, principalmente, porque eles gostam disso. E só.

Os vilões também não fogem deste orgulho do combate. Todos os antagonistas desde o início da fase clássica do Goku querem “provar para o mundo o quão poderosos são” sendo que a maioria desses o faz por meio da força bruta.

Porém, um dos pontos curiosos da história é o fato de salvar planetas, seja a Terra ou Namekusei, é algo “acidental”. O foco dos personagens, principalmente do Goku, é simplesmente a emoção de ter alguém pra lutar. Longe de dizer que ele é uma pessoa fria, que não se importa com as mortes que ocorreram nem nada do gênero, mas, a real intenção dele em grande parte de suas lutas é testar seu poder na busca de ser mais forte. É uma obsessão pela luta que acaba acidentalmente salvando todo mundo.

Goku não é o salvador do mundo intencionalmente. E não tem problema nisso.

Ele acaba sendo um personagem interessante justamente por sua ingenuidade não fazer com que perceba o nível dos problemas ao seu redor, querendo apenas provar que é mais forte do que seus adversários. Se analisarmos friamente as lutas dele contra Picollo, Picollo Jr., Freeza, Cell e Majin Boo, podemos ver claramente isso. Ele apenas quer testar sua força como guerreiro.

Apenas pra citar um dos casos, ele já esperou o antagonista se recuperar para poder lutar de verdade. E aqui, podemos incluir também o Vegeta, que fez o mesmo. Inclusive, em entrevista, o próprio criador, Akira Toriyama, disse que não gostava do “símbolo de altruísmo” que seu personagem acabou virando na série animada.

Dragon Ball sempre soube fazer lutas e a ideia do mangá é justamente esta jornada de se tornar o ser mais poderoso, até por isso a história não é tão profunda quanto poderia ser. E por este motivo, Dragon Ball é o shonen de porrada definitivo.

Dragon Ball, o shonen de porrada definitivohttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2019/04/dragon-ball-shonen.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2019/04/dragon-ball-shonen-150x150.jpgMatheus ZucaartigosDragon Ball,ShonenFacebook Twitter Instagram Youtube No Brasil, os animes e mangás começaram graças a duas franquias: Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z. Enquanto CDZ apresentava o mundo oriental de animações, DBZ fixava o espectador nesse mundo. Há alguns meses você conferiu aqui no Impulso HQ um texto comentando sobre as diferenças entre o saudosismo...O Impulso HQ é um site e canal no YouTube dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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