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Parte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner

Os “espaços” entre uma cena e outra da realidade que nossos olhos vêem; os espaços do entreolhar, das piscadelas, os “vãos” desses momentos são os mesmos que existem entre os quadrinhos desenhados…nós transportamos nossa realidade nas páginas decupadas de uma história em quadrinhos!

Creio que consegui unificar a complexidade da questão, resumindo a importância das HQ e as situando como parte integrante de nossa existência: elas são metaforizações do que nossos olhos vêem. Talvez por isso tal obviedade gritante até então não tenha sido ainda codificada, já que está bem à frente de nosso nariz!

Mas, às vezes, como na HQ semi-abstrata do autor espanhol Rubéns, não conseguimos enxergar além de nossos narizes!
E assim, desconsideramos a expressão dos quadrinhos, por serem tão naturais em nós, como arte: elas são parte da existência manifestada, portanto, não são “especiais”! Ah, não são?

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Então nada mais é especial: ou tudo ou nada…ou se percebe a realidade como um incessante milagre após o outro…ou se menospreza esta percepção, crendo que tudo é parte de uma engrenagem natural, fria, racional, e por isso, sem que nos cause estupor…foi assim que entramos na realidade da frieza intelectual, do mundo científico que se auto-sustenta (mas isto foi quebrado pela emergência da física quântica).

Foi por isso também que criamos um mundo feio, alternativo, frio, em que as pessoas se digladiam ou se mostram indiferentes, na maioria das vezes.

Podemos escolher – como já deixou explicitado Charles Darwin, que se apercebeu ter perdido a sensibilidade artística, devido a ter dedicado grande parte de seus anos de vida à meticulosidade fria e racional da pesquisa científica unilateral – , nós podemos perder a sensibilidade…como Darth Vader de Guerra nas Estrelas pendeu para o outro lado da energia!

Então, caros, os quadrinhos, sim, podem ser uma arte…a Nona Arte, se preferirem:

As matérias ensinadas nas escolas medievais eram representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio (gramática, retórica e dialética) e quatrívio (aritmética, geometria, astronomia e música). Juntas formavam as sete artes liberais. Como se pode ver, as sete artes da idade média nada têm a ver com as sete artes do século XX.

Por que nas escolas, quando se fala em aula de Educação Artística ou simplesmente aula de Arte, é tão comum que se estude e trabalhe com pinturas e artes plásticas e tão raro que naquela aula seja dada importância para a DANÇA, o TEATRO, a LITERATURA, a MÚSICA, a FOTOGRAFIA e o CINEMA? 1*

Celso, ainda neste artigo cujo trecho está citado acima, questiona igualmente se o rádio poderia ser uma forma de arte, e fala das histórias em quadrinhos. O articulista não quer limitar a questão das nove artes, mas as expande.

Dessa forma, não importa qual seria a escalação das histórias em quadrinhos no rol da fama das artes; e nem se elas são consideradas “oficialmente” ou não.

O que importa em realidade é que há um pressupostopara colocar as HQ como forma de expressão necessária e vinculada a cada um de nós, como uma arte legitimada ontologicamente: uma necessidade cuja obviedade não foi percebida; as HQ sempre se encontraram (e ainda se encontram, e decerto sempre se encontrarão) potencialmente à frente de cada par de nossos olhos, num limite da acuidade visual estabelecido pela visão, fisiológica e psiquicamente formatada: com a única diferença que elas, as HQ, representam na forma de desenhos.

Assim, vemos que as nove artes atuais: Pintura, Dança, Teatro, Literatura, Música, Fotografia, Cinema, TV e a inserção das Histórias em Quadrinhos, são símbolos de uma teorização, com base intuitiva, e que ainda não foi percebida.

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Página da HQ “Os 300 de Esparta”, de Frank Miller

As HQ se posicionaram, até agora, como a última das artes, a nona, embora tenham sido a primeira, em instância fisiológica e psíquica, pois nasceram com os nossos olhares (e nas cavernas com os desenhos rupestres)!

Dessa forma, posso não ter conseguido achar um nome mais adequado a elas (História em QuadrArtes, talvez?), mas consegui identificar que são a primeira manifestação, ainda de acordo com a fisiologia sensorial, e que a elas devemos muito respeito e consideração…resta sabermos se os outros que não vêem isso, possam começar a ver…como já vêem – se se aperceberem – em quadrinhos!

Gazy Andraus, 12 de março de 2007 (atualizado em abril de 200).

1*Vallin, Celso. Educação, Arte e Vida.  Sua Escola a 2000 por hora. http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.aspx?id=47

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