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Parte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner

Muitas vezes, o óbvio não salta à mente humana, o que pede um trabalho árduo de investigação, até que, após ter-se dado inúmeras voltas, alcança-se o objetivo que se configura, em todo o caso, imprevisível.Mas atinge-se com outros olhos, outra roupagem: é como se o sacrifício da procura tivesse sido necessário.

Pode-se rememorar uma passagem bíblica, a do filho pródigo, que, desejoso de conquistar sua “liberdade” e desbravar o incógnito, se lança ao mundo afastando-se de sua família. Após circunvoluções com novas experiências (boas e más), eis que retorna ao lar, revigorado, saudoso, mas como que renascido.

Porém, talvez este “filho pródigo” jamais tivesse amadurecido para a vida, se não realizasse o ímpeto de sua alma, desbravando o que seu íntimo lhe pedira anteriormente. Seu pai, compreendendo isso, não obstaculizou, pois sabia ser uma etapa fundamental para seu crescimento!

O mesmo ocorreu comigo acerca do desvendamento das histórias em quadrinhos (HQ): antes de aprender a ler, eu via as páginas desenhadas e coloridas. Quando aprendi a leitura, consumia um gibi por semana.

Tornei-me autor independente, depois pesquisador, até chegar ao doutorado…e, embora eu tenha sabido que as histórias em quadrinhos são importantes como forma de arte e comunicação, algo ainda me remoía: alguma explicação cabal e definitiva faltava, como as que querem os cientistas que buscam a unificação de todo o conteúdo do universo por meio de uma resposta matemática, que se encaixe em quaisquer das questões.

Uma “fórmula” que contivesse a resposta alquímica do segredo do universo!
Isto me aconteceu na busca da questão acerca de um significado das histórias em quadrinhos e sua importância à humanidade.

Os quadrinhos foram vilipendiados, e só agora retomam sua posição: mas não seriam eles um enigma, um paradoxo? Têm vários nomes, várias denominações mundo afora: Comics, Banda Desenhada, História em Quadrinhos, Fumetti etc..e a maioria destes termos não satisfaz inteiramente, pois são incompletos, limitadores ou, às vezes, pejorativos.

Qual seria, então, a resposta definitiva, completa e total que traria a resposta conclusiva para o enigma que são as histórias em quadrinhos?

Enigma? Sim, pois muitos nem sabem que elas são importantes e não as valorizam…ao contrário, as ignoram. Assim, elas passam despercebidas, e até inócuas, atualmente, contrariando a forma como eram vistas na década de 1950, quando o governo norte-americano as considerou perigosas para a educação infantil.

Enquanto alguns as vêem serem apenas para crianças e de fácil leitura, outros as colocam em pedestais. Acadêmicos as destrincham e as situam como importantes, tal qual o cinema e as outras artes…ainda assim, algo falta!

Qual o nome único, aquele impronunciável ou que possa se contabilizar em 99 outros nomes, para esta arte estranha, paradoxal e excêntrica (a arte dos quadrinhos mostra que o potencial delas está nos vazios entre os requadros, entre as cenas desenhadas, portanto, os quadrinhos são ex-cêntricos: fora dos centros, em algum lugar no limbo), que brinca com as imagens, simula movimento, se mistura às palavras, mas que parece não despertar gosto aos adultos racionais que valorizam em exagero a ciência clássica, unilateral e anacrônica?

Descobri, através de um experimento próprio, pessoal, empírico, porque e o que são as HQ:

-Visualize-se como um bebê deixando o útero materno – como já advertiu Edgard Guimarães, em um artigo ao Intercom, explicitando que os bebês mamíferos giram a cabeça em vários ângulos, olhando, aprendendo a olhar, como uma câmara que abre e fecha os olhos: mas no caso dos seres vivos, a câmera vai fazendo isso sem fechá-los; vai montando um “quebra-cabeças” do que vê por associação contígua…vai aprendendo a ver por imagens, por seqüências…

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Parte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner

Mas imagine, como eu vi e imaginei, que o nosso olhar para a frente, ou para uma tela de cinema, ou de tv, ou de qualquer câmera, é apenas um olhar que tem um limite, que se insere geralmente num quadrângulo…ou imagine que nossos olhos são a câmera: os limites deles não são quadrangulares, mas fecham em uma área…agora, imagine que você é bebê e vai crescendo, e tudo o que vai vendo através dessa sua câmera (os olhos), vai sendo montado como num caleidoscópio, ora seqüenciado, ora caotizado, até que sua mente vai formatando e fazendo as ligações para lhe permitir entender o que vê e como vê…por seus olhos, meu amigo, representa-se a cena desenhada de cada quadrinho, a cada vez que eles se deparam com algo: nós vemos em quadrinhos, e a origem da arte foi a pintura rudimentar, a representação pictórica muitas vezes seqüenciada nas cavernas de nossos antepassados que ainda não falavam, embora emitissem sons!

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Página 4 da HQ “Quirte”

Os quadrinhos nasceram com o olhar, e residem primevos em nossa origem sensorial visual, graças à luz. Os quadrinhos, as histórias em quadrinhos, as bandas desenhadas, os fumetti, os mangás, são todos a mesma e única coisa, com vários nomes, mas vêm de uma mesma origem, sendo a primeira das manifestações, pois que ao desejarmos, criamos, e assim desenhamos (mental ou fisicamente), elaborando os desenhos simplificados, as escritas, para apressar uma manifestação comunicacional complexa.

Gazy Andrausconsciência e quadrinhosbanda desenhada,Comics,Fumetti,História em Quadrinhos,mangás,olhar quadrinhísticoParte da HQ “Quirte”, Spirit, de Will eisner Muitas vezes, o óbvio não salta à mente humana, o que pede um trabalho árduo de investigação, até que, após ter-se dado inúmeras voltas, alcança-se o objetivo que se configura, em todo o caso, imprevisível.Mas atinge-se com outros olhos, outra roupagem: é...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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