Imagem retirada do site www.araquem.com.br

As imagens são formas que se materializam a nossos olhos graças à existência da luz, que também é um outro estado vibracional da própria matéria, donde se conclui que tudo o que vemos são manifestações da energia-luz, e o que não vemos seria simplesmente uma ausência desse fenômeno.

Porém, tudo é informação: até mesmo a eletricidade (Marshal MacLuhan), e, segundo as descobertas científicas, tanto o átomo pode ser um corpúsculo material como uma probabilidade ondulatória.

Desta feita, a fotografia também nos reporta a uma modalidade dual similar: é um instante “congelado” da matéria; é a probabilidade quântica de um momentum capturado, de um elétron acusado ali, aqui ou acolá, como o são também as imagens eleitas para fazerem o fio condutor das histórias em quadrinhos, “mães” da fotografia e do cinema. Desde o advento da fotografia, as evoluções técnicas aliadas à criatividade e às melhorias tecnológicas possibilitaram que a foto se tornasse um dos mais utilizados recursos de registro social: de um simples fato corriqueiro, até festas e casamentos, passando pela publicidade e aportando como linguagem artística, a fotografia é um dos símbolos mais importantes da humanidade do século XX.

A imagem fascina a mente humana, e o instante em que se pode capturar um momentum faz dos fotógrafos “cientistas” e artistas ao mesmo tempo. Isto porque, como na observação científica da ciência quântica, o posicionamento e caracterização da micropartícula que surgirá (ou como onda ou como partícula) dependerá igualmente do observador. Assim, pode-se dizer que tanto os autores de histórias em quadrinhos, como os fotógrafos são agentes demiurgos que “elegem” um instante da vida fluída, paralisando-o e atestando-o como registro atemporal.

Mas, esta eleição também se pontua por um status estético a que o autor-artista se afina de acordo com o que ele quer narrar. Por exemplo, numa história em quadrinhos, cada imagem se “congelará” como que num ponto-chave, que irá transmitir a informação coadunada de sua seqüência. Assim, mesmo se elegendo racionalmente as cenas continuadas, por detrás de tal composição, o fator emoção será a tônica principal, neste jogo de quadros e seqüências invisíveis, cujas informações estão sempre em suspenso, completadas gestalticamente pelo olhar atento do leitor, sua empatia e envolvimento com a narrativa, e a sinergia do roteiro com o seu mundo informacional e emocional (previamente elaborado por um autor que igualmente raciocina e se emociona). Com a fotografia, outro modo se dá: toma-se aqui como exemplo a arte fotográfica de Araquém Alcântara, em especial no seu livro Terra Brasilis. São imagens não apenas de um país, mas também de uma autoralidade, de uma mente tanto racional como emotiva.

O fotógrafo, em um programa transmitido pelo canal TVSenac, explica como trabalha seu olhar ao eleger determinada cena que servirá de foto. Araquém esclarece que o trabalho do fotógrafo vai muito além do que aparenta, pois desde a escolha e organização de todo seu material necessário até o tempo gasto no local eleito para as fotos, incluindo a busca e paciência do fotógrafo em aguardar o momento preciso em que “capturará” o instante, por exemplo, de uma ave, o profissional-artista deve cultivar em si e estar imbuído de um entregar-se devotivo que é ao mesmo tempo desenvolvido tanto pela tecnicalidade como familiaridade e amor à profissão. Aliás, qualquer trabalho, se abraçado com autenticidade se torna parte do ser que o pratica, o que se conclui que a profissão passa a ser uma autêntica forma de ser e de agir pessoal, corroborando o sentido e significado original do vocábulo “arte”, que em latim (ars) significa exatamente a maneira autêntica de ser e agir: logo, o fotógrafo também é um artista.

O exemplo dado por Araquém pode ser transplantado a qualquer outro profissional, especialmente os conectados diretamente à produção da cultura artística (e até mesmo às pessoas que produzem os materiais que são usados pelos autores-artistas, como os filmes, papéis, máquinas fotográficas, elementos químicos retrabalhados e outros, guardadas as proporções do grau de liberdade e “autoralidade” a que cada profissional pode ter).

Ao se folhear o livro de Araquém, percebe-se uma beleza intrínseca nas imagens, que dispensam as palavras (fonemas) a que estamos habituados. Porém, dependendo da forma que se podem colocar os textos, e suas explanações, o enriquecimento informacional pode se desdobrar e alcançar outros significados (é isto o que costuma acontecer com as histórias em quadrinhos atuais). Por outro lado, uma foto meramente jornalística tem seu significado em redundância ao estar legendada por uma explicação escrita e replicatória como costuma ocorrer nos jornais diários. Isto talvez se dê por uma falta de confiança na compreensão imagética, e talvez remonte à extremada valorização que se deu à palavra escrita no ocidente, especialmente desde que a ciência cartesiana começou a tomar as rédeas atrelando à ciência a escritura racionalizada, e também aos primórdios dos jornais que não traziam as imagens juntas ao texto. No Brasil, a tecnologia das prensas rotativas só foram mais bem viabilizadas e atualizadas há poucos anos, quando afinal começaram a ser inseridas nos jornais fotos coloridas e não somente em preto e branco.

A imagem tem um poder informacional único (fig. 1) e que também toca uma outra parte da mente humana, aquela em que o fator racional ainda carece de explicação, pois não consegue penetrar totalmente em seu íntimo: o emocional.

Fig 1: Fotos de Araquém (“capa” de seu site em http://www.araquem.com.br)

É para isso que o livro Terra Brasilis existe: para trazer imagens como informação visual, despertando o senso estético no ser humano, e não só, como também para despertá-lo a outras formas (de ver e viver) a natureza e a própria interação do homem com ela. As fotos não são meramente ilustrativas, pois advêm de uma alma que interagiu com os objetos sentindo-os e achando os momentos certos de registrá-los, bem como de revelá-los, mediante um pretérito aprendizado técnico aliado à criatividade e a um objetivo pessoal que ultrapassa a mera obviedade aparente. Ou seja, as fotos tiradas de Araquém e estampadas no livro podem até auxiliar numa transformação interna do ser humano que as “lê” (está comprovado por tomografia computadorizada que as imagens acionam áreas distintas dos hemisférios cerebrais, diferentemente de quando são lidos os fonemas, como estes que são lidos agora).

O único porém e que deve ser repensado, é a própria situação do ser humano face ao sistema capitalista em decurso, pois o livro é de alta qualidade gráfica, e por isso caro, e devido às políticas nacionais e internacionais (custo de matéria-prima e produção, editoração, impostos e outros), seu valor não é para a grande população brasileira, o que limita seu alcance. Futuramente, e com a domesticação dos computadores e os acessos mais facilitados à Internet, algumas fotos poderiam ser disponibilizadas na grande rede virtual, através de um site que se mantenha afinado com o Terra Brasilis “alimentando” assim as mentes (e corações) de uma maior gama de pessoas que não podem ter acesso à obra, ajudando-as numa melhor fruição das belezas naturais, promovendo assim uma melhor interação e fluição de suas mentes racional-emotivas.

Gazy Andrausconsciência e quadrinhosaraquém alcântara,fotografia,gazy andrausImagem retirada do site www.araquem.com.br As imagens são formas que se materializam a nossos olhos graças à existência da luz, que também é um outro estado vibracional da própria matéria, donde se conclui que tudo o que vemos são manifestações da energia-luz, e o que não vemos seria simplesmente uma...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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