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foto: Custódio

Além da pamonha de Piracicaba, a cidade da pamonha tem cartunistas. Sou um deles. Cartunista, não pamonha.

Meu nome é Érico San Juan, cartunista há dezoito anos. Nascido, criado e rodado em Piracicaba.

Por incrível que pareça, esse nome não é um pseudônimo. Se me chamasse Don Juan, minha vida seria mais fácil em outro departamento. Mas deixa pra lá.

Não nasci cartunista, como a maioria dos amigos de fé e irmãos camaradas. Quem nasceu desenhista foi um irmão de sangue, o Fábio. Na infância, eu enchia o saco do mano na mesa da cozinha, desenhando meus garranchos, enquanto ele tentava se concentrar na lição de casa.

Até os doze anos, produzi centenas de gibis com uma tal “Turma do Lup-Lup”. O nome foi emprestado de uma catarata explorada por Tio Patinhas e seus sobrinhos, num gibi comprado em 1982.

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Gibis feitos aos 10 e 12 anos

Outras influências definitivas foram as crônicas de Fernando Sabino, descobertas num volume da coleção Para Gostar de Ler, da editora Ática. E o Gênio do Crime, de João Carlos Marinho.

Em Piracicaba, desenhistas como Edson Rontani, que publicava charges do caipira Nhô Quim, antes e depois dos jogos do XV de Piracicaba. E Carla Guimarães, no suplemento infantil do maior jornal da terrinha. Ela criava personagens ao estilo Mauricio de Sousa.

Mal sabia eu que começaria a carreira de cartunista no mesmo suplemento, aos quinze anos. Com Rontani estrelando a última página do tablóide, numa seção de curiosidades ilustradas.

Na fase aborrecente, além de criar tiras de peixes para o suplemento infantil do jornal (natural, Piracicaba tem um rio…), conheci os fanzines, espécie de pais xerocados dos atuais blogs. Eram os anos 90.

Fui saindo da beira do rio e frequentando eventos do gênero. Editores, desenhistas, roqueiros e demais malucos de plantão trocavam idéias sobre tudo, ou quase.

Desse tempo, restam uma penca de amigos doutores, atuantes em universidades, que levam os quadrinhos mais a sério do que eu próprio. Restam também alguns fanzines que esses doutores ainda acham interessantes.

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Fanzine Só Uma?

O mais marcante desses zines foi o Só Uma?. Era um gibi formato “meio-ofício”, espécie de catálogo de quadrinhistas de todos os gêneros, com uma página cada. O cúmulo da loucura veio numa edição comemorativa de um ano do zine.

A capa trazia uma bandeira do Brasil estilizada, recortada, colada e coisada detalhe a detalhe. Tudo plastificado e cartonado. Cinquenta exemplares personalizados!!

Essa polivalência criativa veio da infância, desde os gibis do Lup-Lup. Combinava texto e desenho, observava todos os aspectos de um projeto, embalava tudo para consumo. E ainda arrumava espaço para dizer as coisas de um jeito especial, pessoal. Ser “só” desenhista ou “só” escritor não dava pé. E colocava mãos à obra.

Na adolescência, eu desenhava tiras, escrevia artigos sobre quadrinhos e inventava fanzines.

O tempo e a saída do casulo me trouxeram outras experiências relacionadas.

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Participação nos livros Central de Tiras e Os Quinze de Piracicaba

A habilidade para projetos e o incentivo dos novos amigos me motivaram a produzir páginas e jornais de humor (projeto Rio), organizar exposições (PiraTiras, para o Salão de Humor de Piracicaba) e chamar artistas para desenharem a sua cidade (SketchCrawl).

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“Cartuns fotrográficos” na Revista MAD

Nos últimos dois anos, também produzi para revistas como a Mad (textos) e Monet (quadrinhos). E invisto num novo jornal de humor, o Caricaras.

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Capa do Jornal Caricaras

A capa do jornal é uma caricatura do leitor. Uma capa é diferente da outra, todas personalizadas. A distribuição do Caricaras é feita em festas e eventos. A cada seis meses pinta uma edição nova. Era pra ser uma edição só, já está na quinta. Também, quem não gosta de aparecer na capa de um jornal?

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Tira Dito, o Bendito

No meio do rodamoinho, o gosto pela produção de tiras sobreviveu. Como o sonho de ser um Millôr Fernandes nunca me abandonou (um cara que escrevia “bem” e desenhava “mal”), em vários momentos os meus quadrinhos para jornal refletiram essa pretensão.

Em algumas séries de tiras, no entanto, deixei de viajar na maionese. Descobri haver um leitor do outro lado.

Dito, o Bendito foi a tira mais “pura” que fiz (e bota aspas nisso). O neguinho sambista-protagonista é um Zé Carioca sem bico de papagaio. Além do Jornal do Piracicaba, Dito saiu em coletâneas de tiras da Via Lettera (Central de Tiras) e da Imprensa Oficial de São Paulo (Os Quinze de Piracicaba).

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Tira Um Pamonha de Piracicaba

Um Pamonha de Piracicaba é a tira mais recente, um produto do novo século. Feita em traço vetorial e utilizando o próprio autor como protagonista. Individualista e moderninha. A tira ganhou até prêmio num salão de humor em Santos, em 2008.

O que prova o óbvio: pamonha de casa não faz milagre…

Renato Lebeaucaminho do artistaÉrico San Juan,editora Ática,Edson Rontani,fanzine,Gênio do Crime,João Carlos Marinho,Mauricio de Sousa,Pamonha de Piracicaba,Piracicaba,Turma do Lup-Lup,XV de Piracicabafoto: Custódio Além da pamonha de Piracicaba, a cidade da pamonha tem cartunistas. Sou um deles. Cartunista, não pamonha. Meu nome é Érico San Juan, cartunista há dezoito anos. Nascido, criado e rodado em Piracicaba. Por incrível que pareça, esse nome não é um pseudônimo. Se me chamasse Don Juan, minha...IMPULSO HQ é um site que se propõe a discutir histórias em quadrinhos e assuntos derivados como cinema, games e cultura pop em geral.