Em 1992 embalado pelo sucesso do filme Batman Returns de Tim Burton, com produção de Bruce Timm e Paul Dini, a Warner Bros dava início a uma de suas mais bem sucedidas séries animadas, baseada no personagem criado por Bob Kane 1939 e que, por conseqüência, trazia da mesma forma aquela que seria, quiçá, a melhor leitura (ou seria releitura?) do Universo DC na mídia televisiva. Batman The Animated Series foi apenas o começo de quase quinze anos de animações consideradas por muitos o que há de melhor da casa de Batman, Superman, Lanterna Verde e Cia!

Em 1986, foi ao ar a quarta e última temporada do desenho dos Superamigos, chamada de Guardiões da Galáxia numa tradução literal. Essa série, cujas aventuras (galhofas ou não) embalaram as manhãs de verdadeiras gerações de fãs de super-heróis, foi encerrada com certa “seriedade”, contando histórias mais “maduras” e retratando os a Liga da Justiça segundo o estilo do desenhista José Luiz Garcia-Lopez.

Mesmo causando boa impressão nos fãs da época, os caminhos dos principais personagens da DC Comics em versão animada estavam se fechando para uma pausa de quase sete anos.

Foi somente após o segundo filme do Homem Morcego dirigido por Tim Burton, que, mesmo entre erros e acertos de interpretação da mitologia do personagem, alcançou considerável sucesso junto ao público e abriu as portas para uma nova tentativa de levar para a telinha as aventuras de um super-herói DC, o Batman, obviamente.

O “character designer” (o estilo de retratação dos personagens na animação) foi desenvolvido pelo produtor e artista Bruce Timm, que se inspirou nos episódios da lendária animação do Superman feita pelos Irmãos Fleisher nos anos 1940 do século passado, cuja qualidade é lembrada pelos fãs mais interessados e que ainda hoje inspira respeito pelo capricho e esmero.

Traços limpos e formas angulares projetavam personagens de aspecto clássico em cenários que flertavam entre elementos característicos desde vestimentas, arquitetura e veículos da década de 40 e 50 simultaneamente com tecnologias futurísticas.

É curiosa a maneira como tanto um clima verdadeiramente noir retratado com competência está em harmonia com uma nave em forma de morcego que realiza aterrissagens verticais na Gotham sombria e taciturna idealizada pela produção do desenho.

A supervisão dos roteiros para os episódios, adaptados diretamente das mais significativas HQs de Batman, coube a Paul Dini, escritor com passagens bem sucedidas por animações como Caverna do Dragão, He-Man e Tiny Toons entre outras.

Do elenco cuidadosamente escalado por Andréa Romano, merece destaque a apresentação do ator/dublador Kevin Conroy, dono de uma voz dignamente cavernosa para Batman e dissimuladamente divertida para Bruce Wayne, além de grata surpresa do trabalho sublime de Mark Hammil, o eterno Luke Skywalker de Star Wars, por trás da interpretação do Coringa, antagonista máximo do herói. Com tal capricho, a animação alcançou sucesso imediato, ao som da mesma trilha sonora “épica” composta por Danny Elfman para o longa-metragem.

Batman The Animated Series teve três temporadas, exibidas nos EUA entre 6/9/1992 até 12/11/1994 e narra as aventuras do Batman notoriamente no começo de sua carreira de combatente do crime. Fãs mais atentos notarão que se trata de algo entre o ano II e III do personagem a partir de elementos como a presença de Robin (Dick Grayson trajando um uniforme muito próximo ao Robin Tim Drake, o terceiro jovem a envergar o manto de Tordo e mais moderno dos quadrinhos) em algumas aventuras, um certo clima de atrito com a polícia de Gotham (em especial com o rabugento tenente Harvey Bullock), a elipse amarela no símbolo (existem flash backs que mostram o herói sem a parte amarela, tal qual o traje mostrado em Ano I) e até certa “inexperiência” do personagem, que faz verdadeiramente evoluir a cada episódio – tais episódios tem a graça de ir apresentando gradativamente a vasta galeria de vilões do Batman, cometendo seus primeiros crimes.

Além da trilha sonora sensacional, essa esmerada versão do Homem Morcego herdou outras influências do universo concebido por Burtom em seus filmes – Harvey Dent, que no devido tempo irá se tornar o Duas Caras possui traços do ator negro Billy Dee Willians, o Lando Calrisian de Star Wars, que fez uma pequena ponta como o promotor público de Gotham no primeiro filme. O deformado Pingüim de Batman Returns também está presente e a Mulher-Gato é loira, tal qual Michelle Pheifer (Felizmente, o Bruce Wayne da série animada não tem nada de Michael Keaton, mas muito dos quadrinhos, em que é forte e habilidoso devido ao longo auto-imposto treinamento).

Batman The Animated Series apresentou, além do já referido surgimento de praticamente todos os grandes inimigos do personagem (nem o obtuso Maxie Zeus foi esquecido e houve tamanho empenho na criação de boas histórias que as versões foram tão primorosas e arrojadas que, não por acaso, passaram a vigorar oficialmente na cronologia dos quadrinhos, como é o caso do Senhor Frio), inovações como a cativante e apaixonada Arlequina (também incorporada ao universo “impresso”) e novas aventuras e situações que desafiaram a mente do maior detetive do mundo.

Batman deteve espiões, mafiosos, lutou contra ninjas vingativos relacionados a seu treinamento no extremo oriente e ainda interagiu (ainda que timidamente no início) com elementos do vasto Universo DC.

Em alguns episódios a cidade do Superman, Metrópolis, é citada e em certa aventura podemos ver, em flash back, o treinamento do jovem Bruce pelo mágico Zatara, pai da maga Zatanna, com quem Batman tem uma amizade, digamos, colorida. A construção e evolução do personagem apresenta até mesmo a origem do Batmóvel, o mais famoso carro do mundo, num episódio em que ficamos sabendo que ele foi aprimorado por um talentoso mecânico, alvo do interesse maligno do Pingüim.

A série apresentou episódios com referências à obra do mestre do cinema Alfred Hitchcock e pessoas relacionadas ao universo do personagem, como o ator Adam West, ator marcado pela interpretação de Batman no seriado da década de 1960.

West emprestou sua voz a um personagem amargurado e derrotado que, como ele próprio, foi vítima de do personagem a quem deu vida numa série de TV, o Fantasma Cinzento – no universo DC Animated, Batman se inspirou no Fantasma e não no Zorro como ocorre nos quadrinhos.

Ao longo de 85 episódios Batman enfrentou todo tipo de desafio mental, físico e emocional. Algumas histórias são adaptações extremamente bem feitas de quadrinhos clássicos, em especial da fase clássica escrita por Denny O’Neil e ilustrada por Neal Adams, que apresentaram o Batman devidamente sombrio após os róseos e enlouquecidos anos influenciados pelo antológico seriado dos anos 1960 como a seqüência em se dão as primeiras aparições de Tália, filha do Eco-Terrorista R’As Al Ghul.

E se nos primeiros episódios víamos coisas como o Coringa escapando do Asilo Arkam montado num foguete-árvore de Natal, a evolução do personagem impôs a seriedade que os fãs esperaram tantos anos para ver.

No Brasil, o desenho foi exibido na TV aberta pelo SBT inicialmente nas manhãs de domingo de 1994 com o título de “O novo Batman”. Reza a lenda que o próprio Silvio Santos teria se interessado e acreditado tanto no potencial do desenho para o sucesso que teria exigido a mais caprichada dublagem para animação.

Não obstante, a versão brasileira foi feita nos estúdios da renomada Herbert Ritchers contando com as vozes do veterano Márcio Seixas para Batman/Bruce Wayne – indicado pelo próprio Homem do Baú, ainda segundo a lenda – Alexandre Moreno como Robin/Dick Grayson, o saudoso Darci Pedrosa como Coringa – que, curiosamente, também dublou com excelência o palhaço do crime no filme de 1989 – Garcia Neto como Thomas Wayne, José Santa Cruz como Bullock, Isac “Wolverine” Bardavid como Comissário Gordon, Paulo Flores como Killer Croc entre tantos outros talentos.

A mudança constante na grade de programação da emissora, infelizmente, impediu que o desenho emplacasse mais como, de fato, tinha potencial para fazê-lo.

Batman The Animated Series apresentou o personagem como todos queriam ver há tempos, sustentando-se sobre uma estrutura simples: adaptar boas HQs para mídia televisiva com os ajustes certos, as formas mais eficazes de fazer a passagem, a leitura da mídia quadrinhos para a TV, conciliando tudo em narrativas que funcionaram muito bem na quase totalidade dos episódios.

Com uma equipe talentosa, bom senso e boa vontade, lograram notável êxito. Isso foi só começo da jornada da DC nas animações. Semana que vem, nesse mesmo Bat-site, você nos acompanha pela segunda parte da história do Universo DC Animated, com a saga apresentada nas temporadas de Batman e Robin Adventures e nos especiais para TV.

Dennis RodrigoartigosBatman,Bruce Timm,DC Comics,Jose Luiz Garcia Lopez,Paul Dini,The Animated Series,Tim Burton,Warner BrosEm 1992 embalado pelo sucesso do filme Batman Returns de Tim Burton, com produção de Bruce Timm e Paul Dini, a Warner Bros dava início a uma de suas mais bem sucedidas séries animadas, baseada no personagem criado por Bob Kane 1939 e que, por conseqüência, trazia da mesma...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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