A revista GIBI vai comemorar setenta anos de seu lançamento e quatro especialistas em quadrinhologia prestam homenagem a essa publicação fundamental. O lançamento será no próximo sábado, dia 14 de abril, na loja Gibiteria, a partir das 16h.

O livro GIBI – a revista sinônimo de quadrinhos –, dos autores Waldomiro Vergueiro, Roberto Elísio dos Santos, Paulo Ramos e Nobu Chinen, é uma publicação teórica que fala sobre a revista que tem grande importância para a história das HQs nacionais, tanto que tornou a palavra sinônimo de história em quadrinhos no Brasil.

O Impulso HQ conversou com Nobu Chinen para saber um pouco mais sobre o livro faz um registro histórico dessa publicação que foi lançada originalmente durante a ditadura Vargas, e que atravessou décadas marcando gerações, criando o hábito – hoje natural e óbvio – de ir até a banca de jornais comprar uma revistinha.

Impulso HQ: Quanto tempo de pesquisa para a produção do livro?
Nobu Chinen:
A partir da decisão de se publicar um livro sobre o Gibi, creio que cerca de um ano. Variou os autores pela natureza do capítulo que cada um ficou incumbido de fazer.

IHQ: Como os quatros pesquisadores se dividiram para descobrir a história da revista GIBI?
N.C.:
O livro é dividido em quatro partes: 1) panorama geral das publicações em quadrinhos que antecederam o lançamento do Gibi; 2) a revista Gibi, lançada em 1939 e que durou até os anos 60; 3) a nova fase do Gibi, de meados da década de 70; 4) o papel de Roberto Marinho como editor de revistas em quadrinhos.

Cada um dos autores ficou responsável por um capítulo. Respectivamente: Roberto Elísio; eu; Waldomiro e Paulo.
Além desses capítulos, há depoimentos de personalidades ligadas aos quadrinhos que comentam sobre o Gibi. Basicamente é isso.

IHQ: O leitor vai encontrar alguma polêmica sobre a revista?
N.C.:
O que poderia ser polêmico já foi abordado em outras obras que foi o fato de Roberto Marinho ter “tomado” de Adolfo Aizen todos os personagens que eram do King Features. O livro mostra como isso foi explorado pelo Gibi e pelo Globo Juvenil, que era a outra publicação de Roberto Marinho. Acho que fora isso, não tem nada que possa ser considerado polêmico. Talvez a própria personalidade do editor.

IHQ: Analisando o mercado de HQ nos dias atuais, a revista GIBI teria espaço?
N.C.:
Não respondo pelos outros autores, mas na minha opinião não. No entanto, antes de mais nada, é preciso notar que a revista Gibi passou por diferentes fases e o modelo com que ela fez mais sucesso foi a versão mensal, com histórias completas, mas sempre com vários personagens.

Foi esse formato que, de certa forma, definiu e continua servindo de padrão para as revistas em quadrinhos no Brasil. Nos anos 50 ela teve uma fase em que só publicou faroeste. Então, não sei qual dos Gibis poderia dar certo ou não.

O fato é que, historicamente, publicações de vários autores, por algum motivo, não têm durado muito no Brasil. Tivemos excelentes experiências em diferentes épocas: Grilo, Patota e Eureka nos anos 70; Circo, Animal e InterQuadrinhos nos anos 80; mais recentemente: Front, Ragu. Todas tiveram uma certa projeção, angariaram leitores, reveleram autores mas, tiveram vida relativamente curta. Não sei se o problema é do leitor que prefere se identifica r com um único personagem ou autor ou se é complicado em termos editoriais administrar vários artistas.

A própria tentativa de relançamento do Gibi Semanal, nos anos 70, durou menos de um ano, embora tenha deixado “filhotes” como o Almanaques Nostalgia e Atualidade, que foram um pouco além.

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Vale lembrar que os autores contam a história da revista GIBI sem se prenderem a uma rememoração puramente saudosista, e analisam o mercado cultural da época da publicação e as mudanças que a revista gerou, além de apontarem a influência que diferentes contextos históricos tiveram no seu desenvolvimento.

O livro GIBI – a revista sinônimo de quadrinhos tem 110 páginas e o preço é  de R$28,00. A publicação marca a estreia do novo selo Sobre HQ da Via Lettera Editora, que se propõe a publicar livros teóricos sobre histórias em quadrinhos.

Gibiteria
Praça Benedito Calixto, 158 – 1° andar – loja 11 – Pinheiros
São Paulo – SP

Renato Lebeauagendaentrevistasgibi,Gibiteria,Nobu Chinen,Paulo Ramos,Roberto Elísio dos Santos,Via Lettera,Waldomiro VergueiroA revista GIBI vai comemorar setenta anos de seu lançamento e quatro especialistas em quadrinhologia prestam homenagem a essa publicação fundamental. O lançamento será no próximo sábado, dia 14 de abril, na loja Gibiteria, a partir das 16h. O livro GIBI – a revista sinônimo de quadrinhos –, dos autores...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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