Inscrição de artistas estão abertas até esta sexta-feira, 5 de janeiro

Na próxima semana, a vitrine da Livraria da Rua, na região da Savassi de Belo Horizonte, receberá o Laboratório de Quadrinhos Potenciais, atividade que reúne onze artistas, entre quadrinistas e ilustradores, para discutir e trabalhar possibilidades das narrativas gráficas. O encontro será nos dias 10, 11 e 12 de janeiro, das 14h às 21h nas três datas. O acesso é gratuito e a classificação é livre.

A atividade, criada e coordenada pelo quadrinista Jão, não tem o intuito de funcionar como um curso ministrado por ele, mas de se constituir como uma oficina, no sentido de um lugar de ofício, em que várias pessoas trabalham juntas, inclusive o idealizador do Laboratório.

Ao longo de três dias, os participantes vão debater sobre a linguagem dos quadrinhos, realizar experimentações e exercícios, tanto individualmente como em conjunto, com o objetivo de cruzar fronteiras preestabelecidas pelo mercado. Como fruto desse processo será lançada a revista PARAFUSO nº1.

Depois de lançar o livro Baixo Centro (Editora Miguilim, 2015), primeira novela gráfica de Jão, o autor desejava percorrer caminhos diferentes dos traçados com essa publicação e, ao mesmo tempo, dar continuidade ao uso de alguns dos elementos e das descobertas que ela trouxe. A narrativa é formada por uma introdução de três páginas coloridas e outras 41 em preto e branco. Todas elas apresentam quadrinhos sem textos, forma que o artista escolheu para criar uma história de perseguição que tem a capital mineira como protagonista.

Para dar continuidade a essa trajetória de experimentações, Jão criou, no final de 2016, a revista PARAFUSO. A edição de estreia, numerada como 0, trouxe uma história de 26 páginas do quadrinista, intitulada Vigilantes. Propondo uma crítica à “justiça com as próprias mãos” sem textos, ele construiu uma narrativa de super-heróis, utilizando, como cenário, uma única esquina, vista a partir de um mesmo enquadramento.

Para o Laboratório de Quadrinhos Potenciais, o artista Jão se inspirou no OuBaPo, uma oficina de experimentações idealizada por um conjunto de autores na França em 1992. O grupo fundou a editora L’Association, com o intuito de desenvolver e publicar obras que fugissem das características clássicas das histórias em quadrinhos. Entre os objetivos estão contestar políticas de mercado, combater padrões editoriais e clichês relativos à nona arte, promover a valorização desse campo e a inovação.

O OuBaPo se configura como um jogo de restrições de trabalho. A partir da consideração de que os quadrinhos são uma “arte potencial”, as limitações têm como base os próprios elementos constitutivos dessa linguagem, como a narrativa, o texto e a imagem. São exemplos de restrições os quadrinhos “cegos” – que se utilizam apenas de balões –, os quadrinhos “mudos” – em que não há a presença de textos –, e narrativas que não possuem uma lógica definida, podendo proporcionar uma leitura plural, ou seja, em vários sentidos.

Com o Laboratório de Quadrinhos Potenciais, o público tem a oportunidade de acompanhar todo o processo proposto pela atividade, começando por três dias de encontro entre o coordenador da oficina e os dez artistas selecionados para trocas, discussões e, principalmente, para criar e desenhar histórias em quadrinhos.

Os quadrinistas e ilustradores participantes se reunirão em uma mesa posicionada na vitrine da Livraria da Rua, permitindo que as pessoas que passem pela calçada possam assistir à produção coletiva. Já para os interessados não somente em observar de perto, mas em participar como ouvintes, basta entrar na livraria. Depois da realização do Laboratório, as experimentações desenvolvidas nesse período serão reunidas em publicações.

O resultado previsto pela oficina reúne inquietações da trajetória do criador da iniciativa à sua vontade de produzir coletivamente. Ao mesmo tempo em que dá continuidade à proposta de experimentação inaugurada em 2016 com a revista PARAFUSO nº0, Jão propõe uma quebra na autoria individual do volume de estreia para que, no próximo exemplar, a obra seja um espaço de criação conjunta. A partir de restrições colocadas por esse artista para cada um dos quadrinistas e ilustradores integrantes do laboratório, o coordenador reúne ideias, processos e histórias dos participantes na revista PARAFUSO nº1 e em três zines, publicações que serão lançadas no primeiro semestre de 2018.

O Laboratório de Quadrinhos Potenciais é uma realização da produtora cultural Pulo Comunicação e Arte em parceria com a Livraria da Rua. O evento integra, ainda, a temporada FIQ, como uma das atividades que precede o Festival Internacional de Quadrinhos, que ocorre entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2018.

Laboratório de Quadrinhos Potenciais

Datas: 10, 11 e 12 de janeiro das 14h às 21h nos três dias de oficina
Acesso para o público: gratuito, com classificação livre
Participação na oficina: gratuita para selecionados por meio de formulário online
Inscrição de artistas: abertas até esta sexta-feira, 5 de janeiro, pela página do artista Jão
Resultado com os participantes: segunda-feira, 8 de janeiro, pela página do quadrinista Jão

Livraria da Rua
Rua Antônio de Albuquerque, 913 – Savassi
Belo Horizonte (MG)

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