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No final de semana dos dias 18 e 19 de outubro, aconteceu o Pixel Show em São Paulo, e no domingo, dia 19, o premiado quadrinista Rafael Grampá deu uma palestra e o Impulso HQ esteve lá para conferir.

Grampá já começa a palestra esclarecendo algumas coisas. Afirma estar nervoso, “porque nenhum lugar te prepara para falar para quase 3.000 pessoas”, admite ser um cara que deixa tudo para em cima da hora. Não foi diferente com a palestra. Resolveu fazer e falar sobre sua trajetória, não como uma forma de dar conselhos de carreira ou ser uma palestra de autoajuda, mas para mostrar e provar como o que algumas coisas são feitas para acontecer. Mostrar como gostos, memórias e preferências podem sumir da sua vida, mas depois retornam e te mostram que aquilo que você procura já estava com você desde o começo.

Primeiro desenho do Batman que Grampá fez com 3 anos de idade. A segunda imagem, como o desenho ficou depois que seu irmão ajudou a melhorá-lo.
Primeiro desenho do Batman que Grampá fez com 3 anos de idade. A segunda imagem, como o desenho ficou depois que seu irmão ajudou a melhorá-lo.

Rafael cresceu morando no fundo de uma transportadora e garagem de caminhões. Desde pequeno tem essa paixão por caminhões pois passava boa parte de seu tempo brincando com o irmão e amigos em cima dos caminhões. Os caminhões se transformavam no que fosse necessário: barco, nave, prédio. Tanta era paixão por caminhões que um de seus filme preferidos de infância era “Comboio”.

Foi na infância também que começou a rabiscar. Começou com um fascínio pelo Grilo falante, personagem de Pinóquio. Rafael disse que admirava muito aquele grilo que falava e ressaltou como esse grilo, essa vozinha no pé do ouvido, começa a falar com ele também posteriormente em sua vida. Lembra que da primeira vez que desenhou o Batman e foi mostrar a sua mãe, com ela admirada exclamando “Que burrinho lindo”! Ficou tão bravo com a mãe não ter visto o Batman que prometeu aprender a desenhar para as pessoas entenderem o que ele desenhou!

rafael-grampá-zupiCresceu assim, desenhando e admirando, Turma da Mônica, Marvel, DC. Marcou como algumas coisas que assistiu durante sua vida definiram seu gosto e sua opinião do que é “cool”. Lembra como o clipe “Thriller” do Michael Jackson foi marcante: “Esse negócio é muito feio, mas é lindo”!

Lembra também como se apaixonou pelos enquadramentos e ângulos de câmera de “Pulp Fiction”. Depois, ao pesquisar sobre as influências de Tarantino, descobriu que uma era o diretor Sam Peckinpah, o mesmo diretor de um de seus filmes favoritos de infância, “Comboio”. Aqui despertava sua aspiração por filmes e animação.

Aos 18 anos teve o seu primeiro trabalho em HQ publicado, e logo posteriormente, foi demitido. Foi aqui que, depois de alguns anos seguindo suas influências cinematográficas, conseguiu um emprego no famoso estúdio de publicidade Vetor Zero/ Lobo. Nessa época começou a estudar e praticar seu próprio traço, soltando-o mais e trabalhando com nanquim, produzindo ilustrações mais figurativas e simbólicas.

rafael-grampá-zupi2Ficou no estúdio até meados de 2005, quando o “grilo falante” dele começou a falar no seu ouvido para ele voltas a fazer quadrinhos. Apesar da certa estabilidade financeira , foi pedir demissão e seu chefe “ou não conseguiria mais dormir”. Ao ouvir a razão, seu chefe na época riu na sua cara! O mercado de quadrinhos nacional hoje está melhor e crescendo mas, ainda assim não oferece segurança nenhuma, imagine em 2005. Mas, Rafael Grampá precisava fazer o que aquela vozinha sua mandava.

Teve então sua segunda aventura com os quadrinhos em uma história curta de 4 páginas em uma coletânea de uma editora americana independente. Logo veio o convite para participar de uma antologia independente chamada “5”, em 2007, juntamente com, hoje grandes nomes dos quadrinhos nacionais, Fábio Moon e Gabriel Bá. Inscreveram a antologia na premiação Eisner, o Oscar do mundo das hqs, como quem não quer nada.

Continuou fazendo suas hqs, agora focando em um projeto mais volumoso, a graphic novel “Mesmo Delivery”, contando a história de um caminhoneiro e uma carga muito especial. Aqui ele brinca e ressalta como a vida dá voltas, mostrando a relação do tema de sua primeira graphic com sua paixão por caminhões.

DSC02461Pouco depois veio uma bomba. A antologia “5” havia ganho o prêmio Eisner. Rafael, junto com os Gêmeos Bá e Moon, tinham acabado de se tornar os primeiros ganhadores brasileiros do prêmio Eisner. Acabou imprimindo do próprio bolso a “Mesmo Delivery” e levando junto para a premiação, onde exibiu para alguns artistas e editores do meio de quadrinhos, rebendo vários elogios e críticas positivos para seu p´roximo trabalho. Assim, quando eventualmente sua graphic novel foi lançada oficialmente no ano seguinte, ela já tinha uma certa expectativa e “pedigree” devido ás recomendações e avaliações positivas dos outros profissionais do meio, adicionado o fato de ter ganho um Eisner.

“Mesmo Delivery” fez tanto sucesso que acabou se tornando um projeto para o cinema nacional. E não parou por aí. Assinou um contrato com a Dark Horse para produzir outra graphic novel e se possível um projeto para filme baseado no mesmo. Assim nasceu “Furrywater”.

rafael-grampá-zupi5Grampá começou a atrasar com a entrega de “Furrywater”. A sua vozinha no ouvido, ou como ele a apelidou, “encosto da arte”, começou a atormentá-lo novamente. Dessa vez para perseguir algo com motion graphics ou live-action. Dai veio sua decisão: ele percebeu que não tinha nascido para fazer quadrinhos. “Porque para fazer quadrinhos você tem que ser dedicado. Tem que ter uma rotina. Tem que produzir todo dia ou você não faz dinheiro. E eu não sou assim. De vez em quando eu quero ter a minha liberdade, sair, fazer outras coisas que estou a fim.”

Mas, Grampá seguiu sua voz e logo achou mais sucesso. Foi selecionado entre artistas dos mais diversos campos no mundo inteiro para fazer uma campanha com a marca de vodka Absolut. “Nunca fiquei tão bêbado na minha vida”, conta rindo ao relatar que eles mandavam caixas e caixas de vodka de cortesia após o sucesso da campanha. Com o sucesso veio outra proposta da Absolut: um projeto na mídia que o Grampá quisesse. Grampá começou a pensar e ouvir seu encosto e o projeto começou a tomar forma de animação 3d. Uma história sobre um detetive com a capacidade de ver e ouvir Daimons, seres de outra realidade que sussurram suas vontades e idéias nos ouvidos das pessoas.

No telão principal é exibida a animação final dessa história: “Dark Noir”.

Após a animação, Grampá conclui: “Faça o que essa voz sussurra para você e você achará sua realização”.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/10/DSC024361-1024x583.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/10/DSC024361-300x300.jpgFrancesco Lobocobertura de eventosPixel Show,Rafael GrampáNo final de semana dos dias 18 e 19 de outubro, aconteceu o Pixel Show em São Paulo, e no domingo, dia 19, o premiado quadrinista Rafael Grampá deu uma palestra e o Impulso HQ esteve lá para conferir. Grampá já começa a palestra esclarecendo algumas coisas. Afirma estar nervoso,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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