Uma das atrações do 27º Troféu Angelo Agostini que aconteceu no último sábado, dia 5 de fevereiro, foi a palestra com Marcelo Cassaro e Petra Leão, membros da equipe de roteiristas da Turma da Mônica Jovem, um fenômeno editorial que conseguiu atingir a marca de 400 mil exemplares de uma edição.

Mediada por Worney de Almeida, representante de AQC, e intitulada “O Universo da Turma da Mônica Jovem”, a palestra teve uma hora de duração e no final teve o espaço aberto para as perguntas do público e sessão de autógrafos.

O público marcou presença e durante todo o tempo demonstrou interesse no processo de produção de um roteiro para a Turma da Mônica Jovem. Worney abriu a palestras com perguntas relacionadas a carreira dos dois profissionais e como eles receberam o convite para escrever as histórias da turminha mais conhecida no Brasil em sua versão jovem.

Cassaro revelou que o começo de sua carreira foi nos Estúdios Maurício de Sousa, e depois foi para a Editora Abril onde foi editor e depois veio a Holy Avenger, trabalho com o qual ficou bastante conhecido e que devido a ele recebeu o convite do para trabalhar nessa nova versão da Turma da Mônica.

Petra também falou sobre o início da sua carreira que foi em revistas de animação e depois da sua participação na Holy Avenger, trabalho pelo qual ela acredita que também foi chamada para a Turma da Mônica Jovem. “Também tem o fato de eu ser mulher. Sou a única menina que escreve para a turma em sua versão jovem. Fora eu tem só uma outra roteirista que trabalha com a turma clássica”, revela Petra que completa de maneira animada: “Nas reuniões de roteiristas ficam duas dúzias de marmanjos e eu”.

De maneira descontraída Cassaro e Petra falara sobre a importância do roteiro e o que é ser um profissional roteirista: “Me perguntam o que eu faço quando eu digo que sou roteirista. Até perguntaram se sou eu que escrevo as “letrinhas” nas revistas”, disse Petra. E Cassaro completa: “As pessoas não entendem que existe um profissional que inventa as histórias em quadrinhos, antes dela ser passada em forma de texto, ou se for no caso do estúdio do Maurício, em forma de rascunho”.

Petra exemplificou mais como deve ser apresentado um roteiro nos Estúdios Maurício de Sousa. “Você não precisa desenhar bem, eu mesmo não desenho nada. Mas você deve dividir por página cada quadro e colocar o que acontece lá dentro, como os personagens, suas expressões e os cenários”. Segundo Petra a forma de apresentação do traço varia assim como a técnica do roteirista, mas o que importa é se você saber narrar uma história.

Worney também questionou como acontece o processo de aprovação do roteiro, se essa é uma questão que o Maurício de Sousa resolve pessoalmente, e Cassaro explicou: “Fazemos em torno de 120 páginas por mês. O Maurício sempre está presente e acompanha todo o processo e é ele quem toma as decisões importantes. É muito bom esse acompanhamento porque não podemos errar. Trabalhamos com 3 desenhistas. Se o roteiro não estiver bom é o trabalho de um mês perdido”.

Sobre a antecedência de produção Cassaro revelou: “o ideal é ter a história escrita quatro meses antes. Foi assim com a publicação Cebola Jovem”, e Petra completa: “E teve gente falando que foi inspirado no Tron! Eu nem imaginava quando acabei de escrever o Cebola Jovem que iam fazer um novo filme. Foi pura coincidência”.

Entrando no quesito se a Turma da Mônica Jovem é um mangá, Cassaro foi bem direto: “O Maurício de Sousa sempre quis um híbrido. Turma da Mônica Jovem não é um mangá. É a turma do Maurício com um toque de mangá”.

Cassaro também explicou que as características dos personagens de Maurício de Sousa foram mantidas e algumas acompanharam o tempo. “Não dá para falar que o Cebola ainda tem problema de trocar letras e que o Cascão não toma banho. Mas o Cebola ainda se enrola quando está nervoso, e o Cascão se pudesse ficar cinco dias sem tomar banho ele ficaria”, exemplifica Petra, que também fala sobre a aparição dos personagens secundários. “No começo não era hora deles aparecerem. Era preciso primeiro criar todo o universo para os personagens principais. Agora é um bom momento deles aparecerem”.

Petra também falou sobre a oportunidade de trabalhar com personagens em uma idade entre 14 e 15 anos e como os hormônios são significativos nessa fase: “É uma oportunidade de explorar situações de adolescentes. As vezes coloco muita coisa que eu vi e que ainda vejo. Claro que tomamos cuidado pois a turma jovem é lida por pessoas de todas as idades. Temos que ir devagar, pegando leve”, afirma Petra que teve a sua frase completada por Cassaro quando ele informou que no começo a turma tinha em mente um público adolescente, mas que hoje 50 % dos leitores da revista são crianças de até 10 anos, 30% são adolescentes e 20% adultos.

“Um mangá shonen você não vai ver na Turma da Mônica Jovem. O Mauício sempre tem a preocupação se uma criança pequena conseguirá ler. Sempre lidamos com muito humor e brincadeiras. Nossos diálogos funcionam de maneira diferente da Turma da Mônica clássica porque as histórias da Turma da Mônica Jovem são longas”, disse Petra quando perguntada sobre como são pensados os roteiros para a turma jovem e completa: “Cada edição tem que tratar de um tema importante, por exemplo, a obesidade na adolescência e a anorexia serão questões da próxima edição”.

Dando continuidade as perguntas relacionadas ao tema mangá, Cassaro revelou que pouca coisa influencia no roteiro, e sim que por ser mangá as histórias são em preto e branco, os roteiros são mais longos, e o estilo narrativo que pede algo mais cinematográfico. Lembrando sempre que os personagens que devem ser mais profundos e menos caricatos.

Petra e Cassaro disseram que o encontro com os personagens da Turma da Mônica Jovem com os do mestre do quadrinho japonês Osamu Tezuka, que já havia sido noticiado por Maurício de Sousa, vai acontecer ainda nesse ano. Eles contaram que ano passado a equipe fez uma viagem para o Japão para conhecer mais e participar das reuniões e informaram que o roteiro já está na metade. Está previsto que a história sairá no periódico mensal em duas partes, mas é claro só depois da aprovação do estúdio de Tezuka também.

Por fim eles afirmaram que o Estúdio Maurício de Sousa recebe muitos pedidos para desenvolver uma animação da Turma da Mônica Jovem, e que o canal Cartoon Network tem interesse em exibi-los, mas que não existe nada em produção. “O que eu vi foi um trecho de um teste feito por uma produtora, que eu não vou falar, em 3D e Motion Capture que me agradou bastante”, disse Cassaro.

Com a ativa participação do público, o tempo passou depressa e Worney abriu o espaço para perguntas, e no meio dos presentes, havia fãs de Marcelo e Petra da época em que eles trabalham Holy Avenger. Teve até fã que levou a filha e ganhou um autógrafo do “Paladino”.

E não perca aqui no Impulso HQ, a cobertura de completa de como foi a 27º Troféu Ângelo Agostini. Em breve.

Renato Lebeaucobertura de eventosAngêlo Agostini,Marcelo Cassaro,Mauricio de Sousa,Petra Leão,Turma da Mônica Jovem,Worney de AlmeidaUma das atrações do 27º Troféu Angelo Agostini que aconteceu no último sábado, dia 5 de fevereiro, foi a palestra com Marcelo Cassaro e Petra Leão, membros da equipe de roteiristas da Turma da Mônica Jovem, um fenômeno editorial que conseguiu atingir a marca de 400 mil exemplares de...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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