Sucesso. É raro começarmos um post de cobertura com essa palavra, mas não há melhor que defina como foi a segunda edição do Marvel Day, realizada no dia 28 de maio, na loja Coleciona Brinquedos, em São Paulo.

Se na primeira edição do evento a equipe do site Marvel 616, já tinha realizado um trabalho muito bom, dessa vez Coveiro, Eddie, João e Cammy, editores do site, se superaram e marcaram a presença garantida do Marvel Day no calendário de eventos sobre quadrinhos no Brasil. Além de ser um evento completo, com atrações de alto nível, os organizadores ainda prometiam uma surpresa para o fim do dia.

Parece exagero, mas não é. Vamos começar com os fatos local e organização: a loja Coleciona Brinquedos mais uma vez foi o cenário para um dia cheio de atividades sobe quadrinhos da Marvel. Não há fã que não se sinta realizado ao entrar em um ambiente repleto com os seus personagens favoritos desde a vitrine de entrada até o andar abaixo. As canecas da Marvel realmente foram à sensação do dia. A organização foi impecável. Nada saiu errado. Tudo começou no horário certo e acabou no devido tempo. Apesar de o público sempre querer mais tempo para as perguntas, os organizadores acertaram em não tomar o tempo de outras atividades e manterem a programação original.

Homem-aranha e suas peripécias na entrada da loja Coleciona Brinquedos

Programação essa que foi repleta de atividades. Mais uma vez a exposição de action figures esteve presente, e quem gosta de relembrar os tempos de criança ou até mesmo admirar os bonecos não saiu insatisfeito. Sorteios de encadernados da Panini, concurso de cosplays e de desenho, alunos representando a escola Impacto Quadrinhos desenhando ao vivo e DJ nos intervalos animaram o público.

Aliás, o que mais marcou nessa segunda edição foi a presença de mais de 300 pessoas dentro da loja. O interessante foi ver como o evento atraiu um público de idade mista, e que as camisetas de super-herois foram praticamente o uniforme de cada um. Até o amigão da vizinhança, o Homem-Aranha, esteve presente, fazendo até algumas peripécias na entrada da loja.

Alunos da escola Impacto Quadrinhos fazaim desenhos ao vivo

Possivelmente a maioria foi atraída pela qualidade dos convidados das palestras. O especialista em action figures Eder Pegoraro, os editores dos títulos Marvel no Brasil, Fernando Lopes, Rogério Saladino e Paulo França, e o quadrinhista Luke Ross.

Às 14h as cadeiras estavam todas ocupadas para a abertura das palestras. Havia gente do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, interior de São Paulo, Barueri e Campinas.

Coveiro, Eddie e Cammy na abertura do II Mday

Coveiro, Cammy e Eddie (João não pode estar presente nessa edição), fizeram as honras e agradeceram a todos os presentes. Coveiro falou sobre a proposta do site e como eles estão quebrando a barreira da Internet e de como surgiu a ideia da segunda edição, que foi já motivada no período pós-evento do primeiro Marvel Day, com todo o apoio de Fernando Campos, proprietário da loja Coleciona Brinquedos. Coveiro também agradeceu o apoio da editora Panini, da Hasbro e da revista Mundo dos Super-heróis, que doaram produtos para o sorteio dos kits.

Coveiro finalizou dizendo que a proposta do Marvel Day é sempre aumentar e ficar melhor e passou a palavra para Eddie que explicou o regulamento dos concursos, dos sorteios e toda a programação do evento. Cammy falou sobre mais sobre o site e como ele é uma porta entre o leitor, editor e profissionais dos quadrinhos.

Eder Pedoraro

A primeira palestra foi com Eder Pegoraro, que há três anos escreve na revista Mundo dos Super-heróis sobre actions figures, ou se preferirem, figuras de ação. Mostrando um profundo conhecimento sobre o assunto, Pegoraro falou desde o princípio com os bonecos de chumbo em 1964 da empresa Hasblo, que foram desenvolvidos para se diferenciarem das Dolls, as bonecas. No Brasil os primeiros bonecos chegaram em 1970 com o personagem Falcon, figura bem masculinizada para se diferenciar da Barbie.

Umas das coisas mais interessantes da palestras foi descobrir que até 1978, aqui no Brasil, as action figures não eram diferenciadas como Marvel e DC Comics. As figuras de vinil dessa época vinham em uma embalagem que apresentavam os personagens das duas editoras.

Quem foi ficou sabendo de algumas curiosidades. Você sabia que a primeira figura de ação do Pantera Negra no mundo foi produzida no Brasil pela empresa Guliver? Pois é, isso e muito mais foi apresentado na palestra que foi ilustrada a todo o momento, inclusive mostrando alguns bonecos que apresentavam os personagens em situações meio improváveis como o Hulk dirigindo uma BMW e o Homem de Ferro e Thor dirigindo uma moto movida à fricção.

Pegoraro também explicou como em 1993 a empresa Toy Biz salvou a Marvel de decretar falência, e como ela produziu bonecos em diferentes escalas, e como a coleção Marvel Legends iniciou o boom do colecionismo no Brasil. Em 2006 a Toy Biz mudou de nome para Marvel Toys.

Com tanto conhecimento sobre action figures, Pegoraro é digno de empunhar o Mjolnir

Pegoraro explicou que para um colecionador as actions figures são uma obra de arte como uma escultura, e deu algumas dicas para quem pretende começar uma coleção: primeiro tenha paciência. Algumas figuras são raras, mas não impossíveis de se achar. Conheça o que você está colecionando. Leia quadrinhos.

Antes de abrir para as perguntas ele deixou o seu recado: “O ato de colecionar é naturalmente egoísta. Colecione o que você gosta. O mais importante que o colecionismo me trouxe foram grandes amizades. Saiba apreciar de acordo com a sua época”.

Para mais informações sobre Eder Pegoraro e actions figures acesse www.saladejustica-br.com ou acompanhe a sua coluna fixa na revista Mundo dos Super-heróis. Nesses dois canais ele fala sobre lançamentos e coleções.

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Os editores Marvel no Brasil: Paulo França, Fernando Loper e Rogério Saladino

A segunda palestra foi com os editores dos títulos Marvel no Brasil, Fernando Lopes, Rogério Saladino e Paulo França. Aguardada por muitos, principalmente por se passar um ano depois da revolução anunciada no ano passado, e é claro que essa foi logo a primeira pergunta. “As mudanças atenderam as expectativas. A proposta principal era diversificar. Por exemplo, a revista Universo Marvel se mantinha com dificuldades nas bancas. Nesse sentido foi uma guinada positiva, X-men Extra por exemplo, tinha um problema com o seu mix de histórias, e hoje ela é uma das que mais agradam os leitores. Eu não gosto de usar a palavra revolução e sim reforma.”, disse Rogério Saladino, editor dos títulos Homem-aranha, X-men, X-men Extra e Marvel Ultimate.

Sobre quais serão as novidades para o segundo semestre para os quadrinhos Fernando Lopes, editor Sênior, adiantou: “Os quadrinhos vão acompanhar o que vai acontecer nos cinemas. Além do novo título estrelado pelo Capitão América, em julho está previsto dois encadernados reunindo as vinte primeiras histórias do personagem, mais o álbum Projects Marvels”.

Lopes também falou de outras ações como álbuns de figurinha, que não acontecem com muita frequência, mas não é por falta de sugestão dos editores, e sim por uma decisão da Panini. Sobre capas alternativas ele explicou que aqui no Brasil elas não causam reflexo nas vendas, e que as publicações Thor e Homem de Ferro, Vingadores e Novos Vingadores estão bem nas bancas.

Sobre uma possível interrupção na série Biblioteca Histórica Lopes afirmou: “Se alguém disse que os Maiores Clássicos foi cancelada, esse alguém não fui eu. Se eu não falei então a informação está errada”.

Lopes também adiantou que uma surpresa está sendo preparada para os fãs dos X-men, mas que ela só será revelada no momento oportuno. Com o final da saga dos Hulks, na revista Universo Marvel, quem entra no lugar é Demolidor com a saga Terra das Sombras.

Ao ser questionado sobre como é escolhido o mix para cada publicação, Lopes respondeu: “O mix é escolhido de acordo com os desdobramentos das histórias. Temos que levar em conta as grandes sagas, e é claro o que está acontecendo no mercado. Também ficamos atentos no que os leitores querem ler. Twitter e os fóruns de discussão são instrumentos que os leitores usam e que nós acompanhamos para dar um feedback. O importante é que não tem achismo. Quem se guia pelo achismo é sinal que não sabe o que está fazendo, e nós sabemos o que estamos fazendo. Toda publicação tem que ter uma história carro chefe que reboque as outras. Só assim o leitor não se sente tapeado”.

Também foi mencionado durante a palestra que na época de lançamento de filmes de super-heróis, o aumento de venda é de 30%, mas que isso logo depois volta ao normal, por isso esse é um momento ideal para se lançar encadernados e edições especiais.

Os vencedores da brincadeira de peruntas e respostas sobre personagens Marvel

E para concluir eles mencionaram que a compra da Marvel pela Disney talvez represente uma renovação de leitores, desde que seja pensado que esse público precisa de edições menores e mais baratas.

Para finalizar a atividade os organizadores do evento propuseram aos editores uma brincadeira de perguntas e respostas com três convidados.
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Ganhadora do concurso cosplay com o seu poder “owwnnn que gracinha”

A atividade seguinte foi o desfile de cosplay, que pode ser chamada também de a Saga dos Simbiontes. Tivemos a presença de Venom, Carnificina, o Anti-venom, o novo Venom. Para completar a galeria de vilões apareceram o Caveira Vermelha com o seu cubo cósmico e a Miss Marvel (vingadora sombria). Para equilibrar a situação estavam presentes o Homem-aranha noir e a Miss Marvel (com o poder owwwnnnn).

Luke Ross

Em seguida foi mais uma excelente palestra de Luke Ross, que não escondeu nada de seu processo de produção. Com muita gentileza ele agradeceu os presentes de estarem em um sábado em uma loja cheia de pessoas só para verem ele falar como ele trabalha. De forma muito descontraída Luke começou com o início de sua carreira em 1991, trabalhando no título A Turma do Arrepio da editora Globo.

Depois de sua ida para o estúdio Art Comics, em 1995, recebeu o convite da Marvel para um fill in (desenhista substituto para tapar buraco). Logo em seguida veio convite para ser desenhista regular. Em 1999 sua rotina de produção era de três revistas mensais, ou seja, um ritmo alucinante e extremamente desgastante. Foi quando ele decidiu dar uma parada e juntos com outros desenhistas abriu a escola Impacto Quadrinhos.

Depois de um tempo como professor, ele voltou a trabalhar como quadrinhista recebeu o convite para morar na Flórida para trabalhar na editora Cross Gen. Lá ele conviveu com profissionais renomados e foi um período onde seu traço mudou e amadureceu.

Luke falou de todas as etapas de produção com o qual ele lida. Explicou que quando recebe um roteiro primeiro ele faz um layout das páginas no formato A5, escaneia, e depois aumenta para o formato A3. O quadrinhista explicou que criou várias maneiras de produzir e agilizar o processo de produção, para manter o prazo e manter a qualidade:

“Faço os layouts e thumbnails para poder visualizar melhor a dinâmica da história. O desenho comunica, e eu preciso entender o que ele fala. Às vezes faço um boneco para ver como funciona a transição das páginas. Sempre tento ler com os olhos do leitor, porque é ele quem eu quero agradar”, comenta Luke.

E o quadrinhista falou mais como funciona o seu dia a dia: “O método de agilizar o processo eu desenvolvi sozinho. Ao longo do tempo fui evoluindo o meu traço e colocando mais detalhes, mas a perfeição é inimiga do dead line”, comenta Luke ao ressaltar a importância de que o quadrinhista tem que entregar a página no prazo combinado.

Sobre a sua autonomia em interferir nos roteiros, Luke explicou que ele tem essa oportunidade sim, mas que isso leva muito tempo, e que normalmente ele prefere não interferir, e completou que não gosta de trabalhar com roteiros já desenhados.

O quadrinhista que tem uma média de produção de 5 a 6 páginas por semana, para explicar melhor o seu processo apresentou folhas em formato A3 para o público e imagens que exemplificavam como ele usa a referencia fotográfica. Luke afirmou que não é pecado algum usar uma foto como referência, e ainda deu como exemplo os tecidos e dobras de roupas, que são as suas maiores dificuldades.

Luke esteve recentemente no estúdio da Marvel Comics, onde teve acesso ao material do filme Capitão América, o quadrinhista foi responsável pela história em quadrinho que serve como prelúdio do filme do primeiro vingador. O quadrinhista não quis falar muito sobre esse assunto, dizendo que não preferia arriscar nada, e brincando disse que achava que o material ela enviado para ele pelo FBI de tão sigiloso era o conteúdo.

O público também questionou o por que do nome Luke Ross, e Lucianos Queiroz explicou que o seu nome artístico surgiu porque em seus primeiros trabalhos publicados fora do País seu nome era escrito errado. Depois da terceira ou quarta tentativa errada, ele preferiu mudar seu nome.

Finalizando a sua palestra, Luke falou sobre quem está começando agora e tem um estilo muito pessoal, pode ter um pouco de dificuldade de entrar no mercado de trabalho, portanto é sempre bom ficar de olho o que as grandes editoras estão pedindo. Mas ele deixa claro que não basta ser bom no traço para entrar no mercado de HQ, é necessário ser um bom profissional e responsável. Entregar a arte no prazo conta muito.

Depois de ser muito aplaudido, Luke ganhou uma caixa exclusiva para guardar revistas de histórias em quadrinhos do evento Marvel Day e foi jurado no concurso de desenho. O quadrinhista comentou o desenho de cada ganhador, e depois fez uma sessão de autógrafos.

Para encerrar o II Marvel Day, Coveiro fez a revelação que tinha prometido no começo do dia. O site Marvel 616 fez uma parceria com o Fest Comix, um dos grandes eventos de quadrinhos que acontecem em São Paulo. A equipe ficará com a tarefa de cuidar de algumas palestras que acontecem dentro do Fest Comix, e o primeiro convidado que eles já confirmaram é Mike Deodato Jr., que estará presente para falar do seu trabalho e trazer o livro produzido em homenagem a sua carreira nos quadrinhos.

Os organizadores agradeceram a todos e deixaram como certo a realização de uma terceira edição do Marvel Day, para 2012 e quem sabe maior e com mais dias. Essas e outras perguntas de como será o terceiro Marvel Day e a parceria com a Fest Comix, você verá amanhã, aqui no Impulso HQ, onde publicaremos uma entrevista com os editores do Marvel 616.

Um dia repleto de atividades para os fãs de quadrinhos Marvel. Se você também é um apaixonado pelos personagens da Casa de Ideia e não pode ir, infelizmente perdeu um dos melhores eventos do ano sobre quadrinhos que aconteceu. Agora é esperar 2012 e aguardar as novidades do MDay que com certeza será outro sucesso.

Galeria de Imagens:

Renato Lebeaucobertura de eventosaction figures,cammy,coleciona,coveiro,eddie,Eder Pegoraro,Fernando Lopes,Luke Ross,Marvel,marvel day,Panini,Paulo França,Rogério SaladinoSucesso. É raro começarmos um post de cobertura com essa palavra, mas não há melhor que defina como foi a segunda edição do Marvel Day, realizada no dia 28 de maio, na loja Coleciona Brinquedos, em São Paulo. Se na primeira edição do evento a equipe do site Marvel 616,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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