Realizado em Belo Horizonte (MG) entre os dias 9 e 13 de novembro, o 7º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) mais uma vez transformou a capital mineira no palco do maior evento do gênero na América Latina.

Sediado novamente na Serraria Sousa Pinto, o evento foi movimentado e literalmente caloroso, repleto de atividades, lançamentos e oportunidades para o contato entre fãs e artistas dos quadrinhos. A prefeitura de BH garantiu a presença dos alunos da rede municipal de ensino durante os dias letivos (de quarta a sexta-feira), privilegiando o encontro de uma garotada verdadeiramente em polvorosa com as diversas manifestações da nona arte presentes ali.

Muito do enorme movimento e frisson gerados se devem ao homenageado da edição: Maurício de Sousa – empresário e artista cujo nome descarta apresentações. Não obstante, a Arena Carlos Trillo ficou repleta de pessoas para a primeira “conversa em quadrinhos” do evento, conduzida por Afonso Andrade, coordenador do evento.

Pouco depois o jornalista Sidney Gusman (editor-chefe do universohq.com e colaborador da Maurício de Sousa Produções) animou ainda mais as expectativas dos fãs com a revelação dos autores que farão as primeiras graphic novels com a Turma da Mônica. São eles: Vitor “Punny Parker” Cafaggi (à frente Turma da Mônica), Danilo “Necronauta” Beyruth (com o Astronauta), Shiko (Piteco) e Gustavo “Birds” Duarte (Chico Bento). A iniciativa dissidente da bem sucedida proposta dos livros MSP50 e desde já aguardada com ansiedade e otimismo.

Conservando a mesma intensidade no dia seguinte (10/11), o festival prosseguiu atraindo fãs da Turma da Mônica ansiosos por fotos e autógrafos com seu criador.

Embora esse ano contasse com um sistema de som para comunicar com relativo êxito o horário e local das atividades previstas na programação, uma certa, digamos, desorganização, pesou sobre o mesmo inicialmente – a partir deste dia, os responsáveis pelos estandes passaram a procurar a organização do festival para solicitar tais divulgações. Além disso, o impresso com a programação informava a necessidade de se retirar senhas para participar apenas das sessões de autógrafos de Maurício de Sousa, quando, na verdade, se tratava de uma regra geral da organização que, por vezes, gerou algum transtorno.

Naturalmente, a presença do mais influente quadrinhista brasileiro manteve o festival lotado. O carisma e simpatia de Maurício contagiam pessoas de todas as idades, ansiosas pelo contato mesmo após longa e demorada espera na fila.

Quase na totalidade dos casos, os estandes do FIQ 2011 conservaram o que está se tornando uma tradição a cada evento: ser a hora e a vez dos quadrinhos independentes! Embora a associação às editoras mainstream seja predominante no cenário internacional, o festival privilegia o contato com material independente, majoritariamente nacional.

Tais estandes exibiam pôsteres, banners e contavam com artistas fazendo caricaturas e desenhos, autores simpaticamente falando sobre suas obras para quem se dispusesse a ouvir. Muitas promoções aqueceram as vendas e tornaram os quadrinhos ainda mais atrativos para o público mais amplo.

Os espaços dedicados a Livraria Leitura e a Comix se mantiveram constantemente lotados, quase intransitáveis dado o excessivo número de pessoas por metro quadrado – pessoas estas que, em geral, estavam conhecendo e comprando quadrinhos por preços especiais – nesse sentido, os 20% de desconto da Comix sobre seu vasto estoque foi um chamariz e tanto!

O FIQ 2011 também se propôs a render homenagens à Coréia do Sul, mas foi no sábado (12/11), com a presença de artistas asiáticos que isso adquiriu maior notoriedade – para além das exposições fixas dos artistas coreanos – o festival contou também com exposições de páginas originais de vários artistas internacionais, vastos painéis sobre a obra de Maurício de Sousa e sobre o processo de produção de uma história em quadrinhos, do roteiro a arte-final, entre outras.

A sessão de autógrafos com Park Sang-Sun e Chon Kye-Young ao lado de Adriana Melo, Chiquinha e Érica Awano na Praça Sérgio Bonelli atraíram bastante gente, assim como a presença do consagrado Bill Sienkiewicz, artista de Elektra Assassina, que desde o dia anterior esbanjava simpatia. Outras presenças internacionais ficaram por conta da artista Jill Thompson e do roteirista Matt Fraction (Casanova).

Ao longo do festival pode-se perceber como muito de sua efervescência é atribuída a variedade e constância de opções de lazer. A gibiteca e a produção de quadrinhos ao vivo garantiram boa dose de entretenimento, seja para leigos ou apreciadores mais próximos da nona arte. A dinâmica de criação/improvisação de uma história em quadrinhos a várias mãos e olhares chamada OuBaPo, criada na França na década de 1960, também significou uma possibilidade de diversão no festival.

A presença de grandes artistas brasileiros também diz muito do sucesso do FIQ e assim destacamos: Gabriel Bá e Fábio Moon (Daytripper), Ivan Reis (Aquaman), Eddy Barrows (Asa Noturna), Wellington Srbek (Estórias Gerais), Joe Prado (A Noite Mais Densa), Eduardo Medeiros e Mateus Santolouco (Mondo Urbano), Will Conrad (Wolverine), Mike Deodato (Vingadores Sombrios), Mario Cau (Pieces), Will (Sideralman), Daniel Esteves (Nanquim Descartável) e Estevão Ribeiro (Pequenos Heróis) entre tantos outros talentos.

Com quase 90 sessões de autógrafo pré-programadas, muitos lançamentos, inúmeras conversas temáticas, painéis criativos e oficinas das mais diversas e por toda parte, o FIQ se manteve bastante ativo todos os dias pelo expediente proposto de 9h às 22h, levando os quadrinhos ao encontro de quem estivesse presente.

Com certeza essa edição foi histórica, e muitos dos frequentadores dos grandes eventos desse ano, principalmente os quadrinhistas, já levantaram o troféu para o FIQ como o melhor evento do ano sobre quadrinhos. A organização tem um grande desafio para 2013, pois o próximo FIQ já está sendo aguardado!

Galeria de Imagens:

Veja mais imagens no nosso álbum no Facebook, clicando aqui.

Dennis Rodrigocobertura de eventosAfonso Andrade,FIQ,Mauricio de SousaRealizado em Belo Horizonte (MG) entre os dias 9 e 13 de novembro, o 7º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) mais uma vez transformou a capital mineira no palco do maior evento do gênero na América Latina. Sediado novamente na Serraria Sousa Pinto, o evento foi movimentado e literalmente caloroso,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe