IMG_20141204_123344Muitas histórias e uma única paixão: cultura pop

Foram quatro dias seguidos. Foram quatro dias em que a cidade de São Paulo recebeu a maior feira de cultura Pop da América Latina. Foram quatro dias em que a Comic Con Experience, ou apenas CCXP, mudou o cenário de eventos no Brasil.

A expectativa estava grande. Tão grande quanto o evento: mais de 70 expositores, 218 quadrinistas nacionais e internacionais (superado a San Diego Comic Con deste ano), pré-estreias de filmes e séries, lançamentos de livros, painéis com artistas internacionais, sessão e fotos e autógrafos com artistas e autores, atividades nos stands e muito conteúdo exclusivo. De acordo com a divulgação oficial dos organizadores, foram mais de 80 mil pessoas em quatro dias de evento, catapultando a CCXP 2014 a se tornar a maior primeira edição de um evento realizado no Brasil.

IMG_20141204_104036Foram tantas as atrações e atividades que iremos dividir essa matéria em três partes: os dois primeiros dias, o final de semana e as nossas considerações finais.

A CCXP 2014, oficialmente, ocorreu de 4 a 7 de dezembro no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (antigo Centro de Convenções Imigrantes), um espaço de 39 mil m² todo preparado para receber visitantes que estavam prestes a conhecer um novo modelo de evento de cultura pop no país. Mas, a CCXP começou muito antes. A primeira notícia veio no dia 25 de janeiro como um presente para a cidade de São Paulo, mas sem muitas informações, apenas como mais um evento. E de fato, até a CCXP acontecer definitivamente, ainda era um evento em que a maioria não sabia o que esperar.

IMG_20141204_112716Mas, não foi em janeiro que a CCXP nasceu. Foi antes, muito antes. Durante a coletiva de imprensa Érico Borgo, sócio do site Omelete e um dos idealizadores da CCXP, deixou claro que o evento é a realização de um sonho, um sonho iniciado em 2007 quando ele visitou a sua primeira Comic Con. De lá para cá, e após várias outras Comics Cons pelo mundo afora, a motivação foi crescendo e a união de outros profissionais com outras histórias, mas com os mesmo objetivos e paixão, possibilitou a concepção da CCXP, que começou como um evento bem menor e que cresceu durante o ano.

Na coletiva os organizadores comentaram que todos os envolvidos entraram primeiro com o coração, e nem eles sabiam a proporção que o evento estava tomando. “Vocês nunca viram um evento desse tipo no Brasil”, essa foi a frase que define a coletiva e o espírito da CCXP, um espírito que se traduz no “experience”, que denota que o evento queria ser uma marco, um divisor de águas (#vaiserepico).

IMG_20141204_134544Mas será que a CCXP é apenas uma diversão de nerds que resolveram fazer um encontro? Não. A CCXP é negócio, é business, é um investimento que terá um capital de retorno a longo prazo. Pensando como negócio, o evento foi uma atitude pioneira. Sim, a CCXP é um evento voltado para o público final, mas antes de tudo é um negócio (um negócio arriscado).

Durante a coletiva ficou claro que o maior desafio que a CCXP iria enfrentar era explicar para o mercado o que é uma Comic Con, e que o público de cultura pop é consumidor. Literalmente a CCXP teve que “provar” que há negócios por trás da diversão, e sendo a primeira edição, muita coisa tem que ser constatada para se afirmar que o evento foi um sucesso completo. “A reação do público é o que vai definir o que virá a seguir”, disse Ivan Costa, um dos sócios da Chiaroscuro Studios e também da CCXP.

IMG_20141204_152941Outro ponto a ser observado foi o cuidado que os organizadores tiveram em realmente ser um evento de cultura pop. “Queremos respeitar cada tipo de público”, disse Érico Borgo, que entre outras coisas explicou que a atenção foi dada tanto para quem iria participar do evento como cosplayer, por exemplo, como para quem apenas iria visitar. De acordo com ele, a ideia de um espaço para camarim surgiu de uma reunião com os próprios cosplayers que explicaram que seria bom ter um lugar aonde eles pudessem guardar as suas roupas e ainda contar com espelhos.

Borgo também foi o responsável por fazer os contatos com os artistas internacionais, e ele explicou a dificuldade dessa tarefa e a tão temida cláusula de saída obrigatória que permite que os convidados desistam do evento.

Quem achou que os quadrinhos ficariam em segundo plano, esse foi um temor que logo de cara foi deixado de lado. Ivan Costa que foi um dos responsáveis pela vinda de quadrinhistas internacionais, explicou que muitos artistas quiseram vir, e por causa disso, a CCXP já conta com uma pré-lista de convidados para as próximas edições.

IMG_20141204_113923E, é claro, para um evento desse tamanho, o maior temor foram os erros que poderiam acontecer. Mas, para uma primeira edição, que erros seriam esses? Nem os organizadores sabiam. “Vamos descobrir durante o evento aonde vamos errar”, disse Borgo. Houve erros? Sim. Pequenos, para não dizer mínimos. Abordaremos eles no nosso último texto sobre a CCXP.

Ok, mas e os dois primeiros dias, que foram bem mais “tranquilos”? Vejam bem que as aspas aqui foi mera ironia. Na quinta-feira já havia um público considerável, o que fez a expectativa aumentar para sábado e domingo. Logo no fim do primeiro dia, teve artista do Artists’Alley comentando que já tinha conseguido recuperar o investimento e no espaço dedicado aos pequenos expositores, o Stores Alley, também teve muito movimento.

Para um primeiro dia, a quinta-feira estava com uma programação excelente, incluindo até o painel dos estúdios Paramount, que contaram algumas novidades para 2015, e os convidados internacionais Sean Astin e Edgar Vivar também atraíram muitos fãs. Não houve filas de horas para entrar no auditório Thunder (com capacidade para 2000 lugares) e a movimentação pela feira estava boa, apesar do período da tarde já haver filas nos stands da editora Panini e da Comix Book Shop.

IMG_20141204_145115Sexta-feira a programação foi mais diversificada e mais concorrida. A primeira atração no Auditório Ultra (capacidade para 400 lugares) começou um pouco atrasada, e a Masterclass “O Papel do Editor” com Sidney Gusman acabou passando do tempo, o que consequentemente fez as outras atrasarem e acabando confundindo as filas para os dois Masterclass seguintes, “Design de Personagens” com Cameron Scott Davis e “Roteiro” com Scott Snyder, esse último com uma fila de espera de mais de uma hora. Já no auditório principal, Marvel Heroes 2015, Star Wars e World of Warcraft, 20th Century Fox, Porta dos Fundos e a exibição especial da nova série da Netflix, Marco Polo, foram as grandes atrações. Vale lembrar que sexta-feira apesar de ser concorrida, você conseguia ficar na fila e entrar no auditório sem muita espera.

A CCXP em seus dois primeiros dias deixou o público e expositores muitos satisfeitos, e já mandava o recado do que viria em seu final de semana: entretenimento é business.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/IMG_20141204_1233441-1024x745.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/IMG_20141204_1233441-300x300.jpgRenato Lebeaucobertura de eventosCCXP,Comic Con ExperienceMuitas histórias e uma única paixão: cultura pop Foram quatro dias seguidos. Foram quatro dias em que a cidade de São Paulo recebeu a maior feira de cultura Pop da América Latina. Foram quatro dias em que a Comic Con Experience, ou apenas CCXP, mudou o cenário de eventos no...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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