IMG_20141206_163542A experiência do entretenimento levado a sério

A CCXP realmente mudou o patamar de eventos no Brasil? Foi épico? Um divisor de águas?

Muita coisa pode ser explicada com as palavras de Ivan Costa, sócio da Chiaroscuro Studios e um dos organizadores da Comic Con Experience, em sua apresentação na coletiva de imprensa do CCXP, “o Experience no nome do evento é a experiência do encantamento”, ou seja, a intenção era impactar. E por esse prisma o objetivo foi totalmente alcançado.

Para quem nunca foi em uma Comic Con internacional, com certeza não terá como comparar no mesmo nível, mas se é frequentador de outros eventos que ocorrem pelo Brasil, pelo menos terá uma base da grandiosidade que foi a CCXP. Para se ter uma ideia, Afonso Andrade, um dos organizadores do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos – que acontece bienalmente em Belo Horizonte (MG), e que é considerado por muitos como o melhor evento sobre quadrinhos do Brasil, conversou com o Impulso HQ durante a CCXP e confirmou que se o FIQ não tivesse um outro perfil de público e se fosse em São Paulo, eles estariam com sérios problemas.

IMG_20141204_114503Sim, Afonso está certo, é um outro público. A CCXP teve a postura de não se limitar a uma só temática. Desde o começo eles frisaram que seu foco é a cultura pop, ou seja, tudo relacionado à entretenimento (cinema, TV, quadrinhos, games, licenciamento). Logo, não é de se espantar a quantidade de público nos quatro dias.

Diversão e business
E se a CCXP tinha o seu viés de negócio, esse foi marcado pelo Business Summit, um encontro com os profissionais do mercado que prometia reunir cerca de 200 líderes, executivos e criadores de diferentes áreas do universo da cultura pop. Essas atividades era quase que como um “evento paralelo” realizado no Auditório Business (com capacidade para 200 lugares), e que contava com uma programação tão interessante que se fosse aberta para o público, também haveria filas para entrar. Exatamente, esse era o único auditório que não era aberto ao público, para entrar era necessário ter comprado antes a credencial business (R$940,00).

IMG_20141206_175916O formato inédito no Brasil também atraiu a atenção de grandes estúdios internacionais como Warner Bros., Marvel Studios, Paramount, 20th Century Fox e Sony. Todos trouxeram novidades para o evento, dando mais credibilidade à CCXP. E credibilidade significa mais público.

Entretenimento levado a sério

A organização nos quatro dias também demonstrou um profissionalismo que em poucos eventos se vê. Se o Omelete tem como slogan “entretenimento levado a sério”, a organização a CCXP levou isso à risca. Uma equipe de 500 voluntários bem treinados e bem dispostos. Balcão de informações com folhetos com a programação sempre disponível. Banheiros limpos (até mesmo no fim do dia). Separação das áreas de meet and greeting e dos pontos estratégicos para carregar celular separado da área principal. Uma ampla e excelente praça de alimentação com variedades de opções, também separada da área principal dos expositores, o que é muito bom para evitar sujeira nos corredores principais.

IMG_20141207_173656Outro diferencial da CCXP é o que ela conseguiu atrair para si: mídia. Várias equipes de emissoras de TV, jornais impressos, rádios e revistas de grande circulação. Não é sempre que um evento de cultura pop consegue ficar no centro das atenções das grandes mídias.

E se na abertura os organizadores tinham como desafio “provar” que o público que eles focaram era consumidor, isso podia ser comprovado nos corredores. Muitas sacolas, muitas compras. E não era porque estava tudo muito barato, pelo contrário, nos stands das editoras não se viam grandes descontos e dos colecionáveis não se via desconto algum. Mesmo assim, as compras eram constantes.

Tudo foi perfeito?
Quase. Não houve nenhum erro que pudesse gerar repercussão, mas algumas coisas poderiam ser evitadas. Por exemplo, no Artists’ Alley, não haviam uma rede de internet dedicada para os artistas, e nos dias de principal movimento o sinal estava fraco ou quase inexistente. Por duas vezes vi quadrinhistas perdendo vendas por causa disso.

IMG_20141207_151916Falta de informação de como funcionaria a fila para os painéis e para as masterclasses. Por exemplo, ao término de algumas masterclasses, era pedido para os presentes saírem do auditório para dar espaço para os que estavam do lado de fora esperando a próxima atração, chegando até a informarem que você deveria ir para o final da fila caso quisesse ver a próxima atividade também. Para o auditório Thunder, aonde aconteceram os principais painéis, você já poderia ficar a tarde toda e ver tudo.

Conversando com Ivan Costa, ele informou que o auditório Thunder seguia as mesmas regras das Comic Cons internacionais, aonde as pessoas viram a noite justamente para garantir o seu lugar e não sair mais. Outro ponto foi a imprensa também ter que pegar fila, não houve privilégios. “Tivemos mais de 1200 inscrições de imprensa. Se liberássemos a entrada deles nos painéis, a CCXP seria um evento de mídia e não do público final”, completou Ivan.

O valor do ingresso valia a pena?
Foi um evento de alto nível, isso foi, sem sombra de dúvidas. Mas se vale a pena, isso vai muito da experiência que você pretende ter. Lembre-se, a experiência aqui vale de tudo, desde ver os artistas internacionais e garantir o seu autógrafo e/ou foto até ver em primeira mão o filme do Hobbit. Vale lembrar que o preço da meia-entrada nos dois primeiros dias foi de R$ 80 e no fim de semana, R$ 100.

O evento foi um divisor de águas? Possivelmente. Ainda há muita euforia e empolgação no ar para tomar conclusões tão emblemáticas, mas é certo que agora temos outro nível de eventos. O patamar agora é outro. Ele foi elevado e as outras empresas produtoras de evento terão que correr e se superar em 2015, pois agora os termos de comparação são outros.

IMG_20141207_191601A próxima Comic Con Experience já está confirmada, será de 3 a 6 de dezembro de 2015. Vale lembrar que os organizadores revelaram que tem um contrato de três anos com o Expo São Paulo, o que pode já ser uma garantia de realização da CCXP 2016.

Para finalizar, vou encerrar citando o nossa última postagem da nossa cobertura em tempo real da CCXP, que pra mim resume a minha experiência:

Na van gratuita que leva até o metrô está tocando “I am glad you came”, enquanto os voluntários dizem até o ano que vem. Coincidência interessante não?

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/IMG_20141207_190243-1024x689.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2014/12/IMG_20141207_190243-300x300.jpgRenato Lebeaucobertura de eventosCCXP,Comic Con ExperienceA experiência do entretenimento levado a sério A CCXP realmente mudou o patamar de eventos no Brasil? Foi épico? Um divisor de águas? Muita coisa pode ser explicada com as palavras de Ivan Costa, sócio da Chiaroscuro Studios e um dos organizadores da Comic Con Experience, em sua apresentação na coletiva...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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