O ano acabou e com o seu final, o tão esperado maior evento de cultura pop da América Latina, a Comic Con Experience 2016, ou CCXP 2016. Com tanta expectativa e promessas, o desafio dessa terceira edição era superar as pequenas falhas das edições anteriores e ser o que o seu slogan tanto promete: uma experiência épica.

Realizada entre os dias 1 e 4 de dezembro em São Paulo, a Comic Con Experience 2016 cresceu e espanta pelo seu tamanho. O São Paulo EXPO, local aonde é realizado o evento foi praticamente todo ocupado, desde o prédio do estacionamento, espaço para retirada de credenciais e primeiras filas (inclusive para os interessados para o auditório Cinemark) até o enorme complexo de 100 mil metros quadrados.

Novidades na organização

Nota-se, pelo menos para quem foi nas edições passadas, que a organização se preocupou em resolver uma das grandes reclamações: a espera para entrar no evento.

Com a sua grandeza, a CCXP atrai milhares de pessoas que estão mais do que ansiosas para conferir as novidades e a fila da retirada das credenciais era sinônimo de desanimo. Não mais. Para amenizar, a organização enviou as credenciais via correio, e apenas as pessoas que deixaram para comprar na última hora é que precisaram retirar o crachá no local.

Nada de filas. Só que não.

Não adianta, por mais que a organização programe a sua logística, não há como escapar das filas (que também são épicas). Ir na CCXP significa ficar pelo menos 2 horas na fila. Mas para quem esperou o ano todo, isso é o de menos. E olha que dentro do evento também há fila para tudo, principalmente para entrar nos stands mais concorridos.

Com muito mais espaço ficou bem mais fácil de andar e circular pelo evento. Ponto super positivo para a organização, que também acertou em cheio de colocar o auditório Cinemark, o principal do evento, com uma boa distância dos stands, o que evitou os apertos da edição passada.

E quem reclamou que em 2015 demorou 1 hora e meia para fazer um pedido para comer, dessa vez se sentiu realizado. Além de mais opções, o evento contou com duas praças de alimentação, sendo que uma era dedicada à food trucks, e vários outros pontos espalhados pelo enorme pavilhão.

Para quem não é bom com mapas, a programação era constantemente anunciada em alto-falantes indicando qual convidado estaria em determinado auditório e o tema do bate-papo. E falando em auditório, a CCXP cresceu tanto que ocupou inclusive o mezanino do São Paulo EXPO. Os auditórios Ultra e Prime, localizados em um nível acima, ficaram maiores e mais estruturados. Em um primeiro momento, confesso que tive uma dificuldade para encontrá-los, talvez por não haver uma sinalização tão óbvia de que era necessário subir as escadas rolantes, ou devido à minha surpresa de saber que dentro do São Paulo EXPO havia um mezanino.

Stands épicos

Não dá para negar que as empresas vão para a CCXP e não economizam. Essa terceira edição foi a prova que o mercado consome cultura pop e as grandes marcas foram preparadas pra isso. Além das empresas que já estiveram nas edições anteriores, quem passou pela CCXP ficou surpreso em encontrar stands de tatuagem, da Duracell, Gillete, instrumentos musicais, Riachuello e muitas outras. Ou seja, foram empresas que ficaram de olho nas edições anteriores e perceberam o quanto é importante estar na CCXP. Sim, CCXP é sinônimo de venda.

Muito maiores e mais interativos. Marcas que já passaram pelo evento como FOX, TeleCine, Disney, Warner e etc, apostaram no tamanho e na interatividade com o público. Quase impossível ganhar algum brinde se você não entrasse para conferir as ações. Teve marca que trouxe Scape Room ou jogos de suspense e resolução de crimes, jogos gigantes, arcades e etc., mas as grandes apostas desse ano nos stands foram a realidade aumentada e os efeitos chroma key, o famoso fundo verde.

Se via de tudo nos stands, pista de skate, Just Dance, Ponte do Rio que Cai, Taikô, e muito mais, mas o grande destaque vai para a 20th Century Fox, que para promover o filme Assassin’s Creed montou uma pista de parkour com direito ao Salto de Fé. Grande acerto. Filas enormes para poder se jogar de costas do alto do stand.

Novidades épicas

A CCXP 2016 veio com novidades. Não só as marcas que aproveitaram o momento para promoverem lançamentos exclusivos, como a Hasbro que trouxe alguns colecionáveis que foram apresentados na San Diego Comic Con e só ficaram à venda durante os quatro dias do evento. Algumas editoras aproveitaram o momento para lançar títulos, como a Plataforma 21 que lançou o livro “O Diretor”, de Madeleine Roux.

Com a cultura pop em todas as suas vertentes, a CCXP acertou em cheio em trazer uma área dedicada à cultura pop japonesa. A Anime Experience fez a sua estreia no evento com a Bandai que deixou o público babando com as 12 armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real. Nesse mesmo espaço encontrava-se o camarim para os cosplayers, que são uma atração marcante no evento, o stand da JBC, um tatame para apresentação dos ninjas do grupo Ashura, trazidos pela Japan Fundation e até a JAC Motors estava lá!

A programação dos painéis foi para todos os gostos. Quem teve paciência de encarar as filas conseguiu ver os artistas internacionais que esbanjaram simpatia, como Vin Diesel e o seu impressionante desfio do manequim, conferir pré-estreias exclusivas e novidades divulgadas pela primeira vez durante o evento.

Um ponto a destacar foi a descentralização das grandes novidades para o auditório Cinemark. Sendo o palco principal, o auditório se manteve com os “medalhões” do evento, mas quem apostou nos auditórios Prime e Ultra também conseguiu ver de perto atrações como Frank Miller, Mark Pellegrino, EvannaLynch, Yaya Han e uma première especial de Sense8.

Artists Alley, o coração da CCXP

Inegável que uma das principais novidades da CCXP 2016 foi à alteração do espaço Artist’s Alley para o meio do evento. Se nas edições anteriores o espaço já era um dos mais queridos pelo público, agora literalmente virou o coração do evento.

Amplo, com corredores largos, painéis de destaque para alguns artistas convidados, mesas melhores e uma diversidade de talentos, o espaço reúne nomes desconhecidos que estão expondo, ou até mesmo lançando o seu quadrinho pela primeira vez, como medalhões nacionais e internacionais que estão no mercado há mais de quarenta anos.

Peter Kuper, Ariel Oliveti, Salvador Sanz, Simon Bisley, Eduardo Risso, Bill Sienkiewicz, Jae Lee, Alan Davis são alguns dos nomes internacionais que você poderia ter acesso direto para conseguir o seu tão sonhado autógrafo (bastava ter paciência para as filas) e no mesmo espaço artistas nacionais de peso como Gustavo Duarte, Adriana Melo, Luke Ross, Mateus Santoloco que trabalham para as grandes editoras americanas como Marvel e DC Comics. E ainda havia espaço para os artistas brasileiros independentes que formam fila como os irmãos Cafaggi, Lelis, Cris Eiko e Paulo Crubim e tantos outros.

Dos artistas que estavam na Artist’s Alley foram só adjetivos. Não houve um que não elogiasse a estrutura. Um investimento bem gasto, inclusive alguns se pagaram no primeiro dia. Editores também ficaram felizes em passar pelo espaço dedicado aos artistas. Houve até comentários que era o melhor local para se descobrir novos talentos no mercado nacional de quadrinhos. Títulos, gêneros e traços variados marcaram a produção que foi desde prints com ilustrações belíssimas, passando por quadrinhos bem elaborados editorialmente até boardgames.

Uma continuação épica

2017 está logo aí e promete ser um ano mais épico para os amantes da cultura pop. A quarta edição da Comic Con Experience já está garantida em São Paulo e acontecerá entre os dias 7 e 10 de dezembro, e também haverá uma edição no nordeste do Brasil, mais precisamente de 13 e 16 de abril no estado de Pernambuco em Recife.

Se a cada ano a Comic Con Experience surpreende por crescer e trazer mais convidados, a pergunta que fica é até aonde o evento vai conseguir chegar. Ser o maior da América Latina pelo jeito é pouco para a organização e percebe-se que a CCXP ainda quer chegar ao seu auge. Há no clima do evento a sensação de querer ser o maior e o melhor. Bom para o mercado, que tem cada vez mais a garantia de que o público quer consumir, bom para os fãs, porque ficam com a certeza de que vale a pena esperar o ao todo e fazer um alto investimento para entrar no evento.

Agora é esperar e perguntar: como ser mais épico em 2017?

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2016/12/ccxp-2016.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2016/12/ccxp-2016-150x150.jpgRenato Lebeaucobertura de eventosCCXP,Comic Con Experience,São Paulo ExpoO ano acabou e com o seu final, o tão esperado maior evento de cultura pop da América Latina, a Comic Con Experience 2016, ou CCXP 2016. Com tanta expectativa e promessas, o desafio dessa terceira edição era superar as pequenas falhas das edições anteriores e ser o que...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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