Amor aos quadrinhos e uma vida dedicada a produção pontuaram o execelente bate-papo que aconteceu em São Paulo

Mais do que uma visão diferenciada, quem foi ao bate-papo com Françoise Mouly, editora de arte da revista The New Yorker, pode conferir uma história de vida dedica ao amor pelos quadrinhos.

Ocorrido no último dia 26 de maio, o evento fez parte do II Encontro Quadrinhos na Cia., que marca três anos de existência do selo dentro da editora Companhia das Letras, que trouxe além de Françoise Mouly, seu marido, o quadrinhista Art Spiegelman para uma sessão de autógrafos.

Com o auditório da Livraria da Vila (unidade Higienópolis) lotado de admiradores, o bate-papo foi conduzido pelo jornalista e tradutor Érico Assis que conduziu a atividade de maneira natural, com perguntas interessantes e curiosas sobre a carreira de Françoise.

Durante uma hora e meia os presentes puderam saber mais sobre a profissional que há 30 anos mora em Nova York e é responsável pelas capas de uma das publicações mais importantes dos Estados Unidos e também está a frente da editora Toon Books, que ela criou em 2008.

Depois de deixar a França e o seu curso de arquitetura, Françoise revelou que ao chegar em Nova York ela ficou fascinada com a cidade e lá teve o seu primeiro contato com os quadrinhos nas tiras dominicais, e como ela descobriu um verdadeiro amor pela arte impressa, chegando a ter uma prensa tipográfica em seu apartamento.

Desse amor, surgiu de forma orgânica a produção impressa e assim nascia a publicação RAW, que tinha a função de ser uma mídia que apresentasse as diferentes formas de se produzir quadrinhos e os seus diferentes estilos gráficos. Com mais de dez anos de vida, RAW passou por várias fases e teve um papel importante na década de 1980, pois serviu como vitrine para vários novos artistas que depois seriam ícones mundiais dos quadrinhos.

Françoise estava muito a vontade no bate-papo e disse que sempre achou que grandes jornais e revistas deveriam publicar quadrinhos e que nunca se candidatou para trabalhar na The New Yorker. Atualmente trabalhando como editora ela percebe que isso é um processo complicado tanto para o desenhista como para o editor.

Apesar de cuidar das capas (tiras e charges são um departamento diferente dentro da revista), ela sempre está em contato com os quadrinhistas que se demonstram empolgados com o convite de ilustrar a capa da revista: “É gratificante para eles ter a sua arte na capa da The New Yorker. Elas geralmente são provocativas. No começo isso foi complicado, mas agora a editora espera que elas sejam assim”, disse Françoise.

E para quem acha que Françoise não enfrenta situações difíceis enganou-se. Já imaginou ter que falar não para Robert Crumb? Afinal que editor não teve que dar a notícia que a capa não pode ser usada?

“A rejeição sempre é a pior parte. Tenho que ser muito educada no momento de explicar o porquê a capa não foi aceita, pois eu lido com artistas”, não deixou de comentar a editora que soube aproveitar muito bem o material negado pela revista. A editora reuniu no livro intitulado “Blown covers” (ainda sem previsão para o Brasil) algumas das ideias mais polêmicas e que foram rejeitadas para as capas da The New Yoerker porque poderiam soar ofensivas ou até por serem muito chocantes.

“Fico muito feliz em poder publicar boas ideias que não foram aceitas. Tive uma longa conversa com a revista para poder publicar as fotos para evitar processos. O livro foi feito para uma nova geração que é mais interessada no processo e no contexto da capa e no por que dela ser aprovada ou não”, revelou a editora que começou a iniciativa como um Tumblr na internet.

Antes de iniciar a parte final do bate-papo abrindo espaço para os que estiveram presentes, Érico Assis ainda perguntou sobre os projetos paralelos de Françoise que desenvolve em sua editora HQs projetos voltados para crianças que estão na fase de aprender a ler e como os quadrinhistas encaram o desafio de criar algo que impõe uma limitação de palavras.

A ótima iniciativa da Quadrinhos na Cia. proporcionou para todos aqueles que foram um noite em que se pode conhecer mais uma profissional cujo o seu amor pelas histórias em quadrinhos possibilitou uma carreira sólida e de sucesso, que não deixou de revelar nada, inclusive sobre os seus três casamentos com Art Spiegelman. E sempre é essencial conferir a possibilidade de ver os quadrinhos sobre outro ponto de vista. Incrível!

Uma curiosidade:
a arquitetura teve um papel fundamental no modo de ver uma HQ para Françoise. A artista revelou que sua formação sempre a fez ver os quadrinhos como um “objeto impresso”, e a partir desse conceito nasceu projetos como Breakdowns, em que ela sentia que era um objeto real.

Não deixe de conferir as fotos no nosso albúm no Facebook, clicando aqui.

Renato Lebeaucobertura de eventosArt Spiegelman,Encontro Quadrinhos na Cia,Françoise Mouly,Quadrinhos na CiaAmor aos quadrinhos e uma vida dedicada a produção pontuaram o execelente bate-papo que aconteceu em São Paulo Mais do que uma visão diferenciada, quem foi ao bate-papo com Françoise Mouly, editora de arte da revista The New Yorker, pode conferir uma história de vida dedica ao amor pelos quadrinhos. Ocorrido...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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