O Gênio em Concurso
Por Mariá Coelho | 12 março de 2010Cartaz de divulgação é uma foto novela, clique na imagem para ampliá-lo
Como não há nenhuma peça em cartaz que faça relação direta entre teatro e quadrinhos, lá vou eu na minha “heróica e mesopotâmica missão” (espero que o Macaco Simão não me cobre os direitos autorais por usar uma interjeição literária dele) de achar pelo em ovo e fazer essa relação.
Dessa vez não foi nada difícil! A peça que eu fui ver me lembrou muito quadrinhos no que se refere à construção e caracterização dos personagens. Vou começar do começo!
A peça se chama “O gênio em concurso” e é uma adaptação de uma peça que um dramaturgo brasileiro (Joaquim Manuel Macedo) escreveu em 1862: A Torre em concurso.
O grupo Teatro Meio pegou esse texto pré-histórico (brincadeira!) e promoveram algumas adaptações, mas a trama e os temas tratados permanecem.
É assim: uma cidadezinha medíocre do Brasil, dessas que nem no mapa aparece, resolve fazer algo significante para tornar a cidade conhecida, de quebra rica e presente em todos os mapas.
No original é uma torre de uma igreja, na adaptação é um pólo de informática. Para isso quer que um estrangeiro seja o responsável, porque, segundo os políticos locais, o que vem de fora é sempre melhor.
Sim, esse texto foi escrito no século XIX e permanece muito atual. O quadro político é composto por: um presidente covarde que é controlado pela irmã megera e é manipulado pelos 2 principais partidos, um velhote conservador (que conserva principalmente a capacidade de enganar o povo), um delegado déspota, uma professora burra e prepotente e um riquinho, metido a fino, que é na verdade um pilantra com um discurso pomposo.
Bom, mas sobre a peça em si você pode ver mais no site do grupo, clicando aqui. Lá tem também fotos, trechos da peça e tudo sobre o grupo e o Teatro Lá em Casa (sede do grupo). Abaixo um trecho da peça.
Eu fiz meu trabalho de casa e entrevistei o pessoal do grupo Teatro Meio. Ficou bem informal, então não vou colocar aqui em forma de entrevista. Ainda não sou uma “Marília Gabriela”, mas eu chego lá. Aguardem….
Como já disse essa peça não foi inspirada em HQ (tirando o cartaz de divulgação que é uma foto novela), mas correlações TÊM de ser possíveis (hahaha)! Para mim as duas paralelas se cruzam (sim, porque não. Eu dou nó em paralela) na caracterização de personagem. Muitos quadrinhos fazem o sucesso que fazem por conta da força dos seus personagens.
É o caso do “Mafalda”, “Calvin e Haroldo”, “Hagar”, “Snoopy”, “Garfield”, “Turma da Mônica”, ” SpyX Spy” e muitos outros. Nessa peça os personagens sustentam todo o espetáculo e não a trilha sonora (que é muuuuito boa), a iluminação e o cenário (que não existe, praticamente).
Todos esses elementos estão bem definidos, bem caricatas, marcantes e cada personagem é representado por vários atores. Eles se revessam na interpretação, ou seja, a personagem Fau é interpretada hora por uma atriz, hora por um ator, hora por outra atriz. Não existe um personagem correspondendo a um só ator que o interpretará o tempo todo.
E isso faz da peça um grande show. Graça aos figurinos básicos que o elenco usa para interpretar os personagens (que constitui basicamente em perucas) é possível essa grande rotatividade, que intensifica a comicidade da peça.

A peça é muito divertida. Parece até resultado de uma gostosa e descontraída brincadeira entre atores, mas para que ela ficasse assim a galera estudou muito sobre o humor, viu filmes, peças de comédia, leram romances cômicos, enfim estudaram o que era engraçado e porque era engraçado e aprenderam direitinho.
O humor da peça não é daquele tipo “refinado”, é mais um humor “bagaceira”, como uma atriz começou. De tão esdrúxulas que são certas cenas o expectador pode ter aquela sensação de “vergonha alheia” e comentar consigo “Que corajosos que são esses atores de se exporem a esse papel.
Ainda bem que não estou no lugar deles, e isso fará com que tudo se torne ainda mais engraçado, afinal, a gente adora rir dos outros, não é mesmo? É como falam por aí “pimenta no nariz (é nariz mesmo, tá? eu não falo palavrão aqui
) dos outros é refresco”.(hahahaha)
Eu aconselho aos leitores que percam ou ganhem seu tempo vendo essa peça.
Acredito que vocês não vão se arrepender. Além de a peça ser ótima, o lugar (Teatro Lá em Casa) é muito aconchegante e confortável. Só para vocês terem uma idéia a platéia assiste à peça acomodada em confortáveis poltronas. Oiá que beleza!
Então, se você não vai fazer nada esse fim de semana ou estava pensando em fazer o de sempre, ou sei lá o que você planejou, mude seus planos e sua vida (exageraaaaada!) e vá ver essa peça. Ou não, mas depois não diga que eu não avisei.
O Gênio em Concurso
Direção Alex Brasil
Com o Grupo de Teatro Meio (Lívia, Tatiana, Igor, Miguel e Paulo)
Sonoplastia Toddy e Felipe
Sábado às 21 hrs ( R$ 30 inteira 15 meia )
Domingo às 19 hrs ( R$ 25 inteira, 12,50 meia)
Teatro Lá em Casa:
Rua Lopes de Oliveira 635, Barra Funda, São Paulo – SP
Próximo ao Metrô Marechal Deodoro
Informações e reservas: (11) 7628-9995


