26º Ângelo Agostini: Como foi
Por Renato Lebeau | 3 março de 2010
No último sábado, dia 27 de fevereiro, mais uma festa em comemoração aos quadrinhos aconteceu na capital paulista, trata-se da vigésima sexta edição do prêmio Ângelo Agostini, orgazinada pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP).
A festa que visa premiar aos melhores do quadrinho nacional do ano de 2009, teve entrada franca, foi realizada no Senac Faustolo e começou a 13h, com uma série de atividades programadas.
Essa edição foi representativa, pois relembrou os 100 anos do falecimento de Ângelo Agostini, responsável pela realização da primeira história em quadrinhos, em seqüência e com uma personagem fixa que se tem registro no nosso país.
A cerimônia foi iniciada por Worney Almeida de Souza, um dos grandes responsáveis pelo prêmio durante a sua história, que falou sobre a premiação, quem foi Ângelo Agostini, o motivo da existência do prêmio, que começou para homenagear os mestres dos quadrinhos nacional e depois que se incorporou as outras categorias.

Marcos Venceslau participando da HQ gigante
Worney também apresentou as outras atividades que estavam acontecendo simultaneamente como a banca de venda de revistas independentes de autores nacionais organizada pelo Coletivo Quarto Mundo e criação de uma HQ coletiva gigante que teve um tema escolhido no início das atividades, onde os presentes foram convidados a participar desenhando.
E para começar as atividades teve a exibição do filme Deu no New York Times, que foi produzido em 1987, tem argumento, roteiro, direção e também é encenado por um dos grandes nomes dos quadrinhos brasileiros, o Henfil.

Devido a sua morte em 1988, infelizmente o cartunista não pode ver o resultado de sua película que segundo Worney pode ser classificada como uma chanchada política, uma sátira ao regime político e aos partidos da época. A produção é considerada rara e atualmente é difícil de se encontrar.
Quem gosta de política, e entende sobre o regime que o Brasil já viveu, e também se diverte com cenas cheias de sarcasmo com certeza vai apreciar o filme pelo exagero da caracterização dos personagens e é claro, saber que foi a obra de um dos grandes mestres dos quadrinhos e ainda poder vê-lo atuando pode ser um outro atrativo.
Dando continuidade a premiação foi à vez da palestra “A Divulgação dos Quadrinhos na Internet?”, que teve a participação de profissionais que divulgam os quadrinhos através de sites, blogs e programas de TV, como Carlos Costa (HQ Maniacs), Fábio Sales (HQ Além dos Balões), Paulo Ramos (Blog dos Quadrinhos), Renato Lebeau (Impulso HQ), Rodrigo Febrônio (Banca dos Quadrinhos) e Sidney Gusman (Universo HQ). A mesa foi mediada pelo quadrinhista Bira Dantas.

Da esquerda para a direita: Renato Lebeau, Rodrigo Febrônio, Sidney Gusman, Bira Dantas, Paulo Ramos, Fábio Sales e Carlos Costa. (foto de Maurício Moraes)
Cada um se apresentou, comentou sobre a idade e o perfil do seu veículo de comunicação. Com a participação da platéia, ficou claro que todos não vivem da divulgação e que exercem alguma atividade remunerada para viverem no seu dia a dia.
Foi comentada a dificuldade de se manter sempre atualizada uma página de Internet ou manter semanal um programa de TV, além dos critérios para a escolha de uma notícia sobre HQ. Segundo Paulo Ramos, o critério jornalístico é subjetivo, portanto é uma questão de escolha e pincelagem quando se escolhe um assunto para investigar e escrever, já que sua página trata-se de um veículo jornalístico sobre HQ.
Sideney Gusman que é editor chefe do site Universo HQ também deixou claro que a página tem o foco jornalístico, portanto é exigido dos colaboradores um bom texto, uma revisão ortográfica antes das matérias serem publicadas e que dificilmente o site aceita matérias prontas enviadas via e-mail.

O bate papo ficou centrado na dificuldade da atualização e como é difícil de conseguir uma notícia, que o profissional tem que correr atrás, ligar, mandar e-mail, a responsabilidade de se escrever para o público que não é de quadrinhos, no caso Paulo Ramos, Carlos Costa e o também citado Télio Navega, já que seus sites estão atrelados a grandes portais como UOL e Globo.com, e é claro o resultado de tanta luta.
Um dos exemplos de resultado é o caso do site HQM de Carlos Costa, que depois de algum tempo evoluiu para uma editora e já vem publicando alguns títulos.
Terminada a palestra foi à vez dos quadrinhistas apresentarem e divulgarem os seus lançamentos. Subiram no palco do Senac Faustolo quadrinhistas já conhecidos pela maioria do público como Laudo Ferreira e Bira Dantas, e alguns que estão começando a ter o seu nome reconhecido como Leandro Robles, e é claro como o espaço é democrático, quem está começando também teve a sua oportunidade de mostrar o seu trabalho.

Leandro Robles divulga a publicação Macaco Albino
E falando em mostrar o seu trabalho, quem subiu no palco para explicar o seu foi Alexandre Gallão, estudamte de Pós-Graduação de Marketing de Serviço/Faap, que estava no evento realizando uma pesquisa de quadrinhos para avaliar e analisar o consumo de produtos licenciados de personagens de quadrinhos através do público adulto.
Quem quiser colaborar com Alexandre Gallão respondendo a sua pesquisa, o questionário que é simples e rápido de responder está disponível online, clicando aqui. A monográfia estará finalizada até agosto desse ano e para quem quiser se informar melhor sobre o assunto ou sobre o resultado da pesquisa pode entrar em contato com Alexandre pelo e-mail, clicando aqui.

Bira Dantas divulga Camiño di Rato
Worney voltou ao palco para iniciar a cerimônia de entrega dos prêmios, mas antes tivemos um momento solene. Como já é uma tradição, Worney explica sobre o dia 30 de janeiro e como todo profissão tem o seu padroeiro, e para os quadrinhistas foi eleito o Santo Agostini. O público recebeu os chamados santinhos que foram distribuídos e depois ao som da gaita de Bira Dantas, Worney leu a oração do quadrinhista.
Obviamente que se trata de uma brincadeira e para quem estiver se perguntando, Ângelo Agostini foi canonizado pelos quadrinhistas devido a sua importância histórica e o texto da oração é bem engraçado.
Continuando o seu discurso Worney Almeida de Souza que representa a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP), rebateu as críticas que o prêmio recebeu, comentando que a votação é realizada entre profissionais da área, amadores, estudiosos e aficionados pelos quadrinhos, que obviamente que votaram nos seus profissionais prediletos.

Worney lê a oração do qudrinhista ao som da gaita de Bira Dantas. (foto de Maurício Moraes)
Também comentou que o prêmio não é fruto de coleguismo e que o resultado é a soma dos votos, e que não adianta reclamar se não votar. Worney também aproveitou a oportunidade e convidou a todos as reuniões da AQC-ESP, comentando que elas são livres, gratuitas e que qualquer um pode ajudar na realização da premiação e comprovar que a comemoração em homenagem aos melhores do ano, que leva o nome de Ângelo Agostini, continua sendo realizada de maneira idônea.
Falando sobre reflexo da votação, ou seja, o resultado dos melhores de 2009, abaixo segue cada categoria e o nome dos respectivos vencedores:
Melhor Desenhista – Adauto Silva;
Melhor Roteirista – Laudo Ferreira Júnior;
Melhor Cartunista – Sivanildo Sill;
Melhor Lançamento – Roko-Loko – Hey Ho, Let´s Go! (Editora Rock Brigade);
Melhor Fanzine – QI (Edgard Guimarães);
Troféu Jayme Cortez – José Salles (Editora Júpiter II);
Mestres do Quadrinho Nacional: Franco de Rosa, Henrique Magalhães e Rodval Mathias.

Will entrega o prêmio de melhor desenhista a Primágio que representava Adauto Silva
Outra tradição da premiação é sempre chamar algum convidado para a entrega do troféu para o vencedor, assim é uma forma de homenagear também quem sobre ao palco para ter a oportunidade de dar em primeira mão, os parabéns ao profissional pela conquista.
Esse ano Will entregou o prêmio de melhor desenhista a Primágio que representava Adauto Silva, que não pode comparecer à cerimônia.
O jornalista Paulo Ramos entregou o de melhor roteirista a Laudo Ferreira Júnior.

Laudo Ferreira Júnior agradece o prêmio de melhor roteirista
Bira Dantas passou o troféu para as mãos de Anita Costa Prado que representou o ganhador da categoria Melhor Cartunista, Sivanildo Sill.
Fábio Salles entregou o prêmio de Melhor Lançamento para Márcio Baraldi pelo álbum Roko-Loko – Hey Ho, Let´s Go! (Editora Rock Brigade). O cartunista agradeceu a todos e enfatizou o fato de que, assim como ele, existem vários quadrinhistas que lutam há mais de 20 anos e que se agora eles são agraciados com prêmios, isso é reflexo de uma longa caminhada em uma trajetória difícil de se percorrer.
Márcio Baraldi com o prêmio de melhor lançamento de 2009
Marcos Venceslau entregou o premio de melhor fanzine para Edgar Guimarães com a sua publicação QI, que já tem até um sistema de assinatura o que propicia o autor imprimir uma quantidade sobre demanda de cada edição.

Anita Costa Prado agradece o prêmio concedido a Sivanildo Sill que não pode comparecer
O Troféu Jayme Cortez foi entregue por Roberto Guedes a José Salles por seu trabalho com a Editora Júpiter II. Para quem não sabe o Troféu Jayme Cortez homenageia os profissionais que incentivaram de alguma forma a produção nacional de quadrinhos.
Edson entregou um dos prêmios de Mestres do Quadrinho Nacional a Gazy Andraus que representava o editor e quadrinhista Henrique Magalhães, que infelizmente não pode comparecer a cerimônia.
Suzi que representava o Senac entregou o outro prêmio na categoria Mestres do Quadrinho Nacional para Rodval Mathias.

José Salles agradece o prêmio Jayme Cortez pelo seu trabalho com a Júpiter II
E para encerrar cerca de sete profissionais subiram ao palco para entregar mais um premio na categoria Mestres do Quadrinho Nacional, mas dessa vez para Franco de Rosa, que agradeceu muito a presença dos amigos e dos familiares e não deixou de comentar que Worney merece ser lembrado também pela sua dedicação ao prêmio Ângelo Agostini.
Com o fim da entrega dos prêmios Worney subiu mais uma vez ao palco, mas para concluir o encerramento da cerimônia e lembrar que em 2010 a premiação estará de volta e que espera a presença de todos. Relembrou mais uma vez a execução da HQ gigante que estava em produção e sobre a banca de quadrinhos do coletivo 4º Mundo.
Terminado esse encontro em comemoração ao quadrinho nacional os quadrinhistas conversaram e posaram para fotos e aproveitaram para conversar com o público presente, dar autógrafos ou rever os conhecidos.

Gazy Andraus agradece em nome de Henrique Magalhães pelo prêmio de Mestre do Quadrinho Nacional
Foi uma tarde muita boa e com certeza o Ângelo Agostini ainda é um dos prêmios de quadrinhos mais importantes do Brasil, e que com certeza a cada ano que passa ele ficará mais significativo no calendário dos quadrinhistas nacionais.
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Não posso esquecer que o sábado não terminou por ai. Quem conseguiu dar uma esticada e ir até a HQMix Livraria pode acompanhar o lançamento de Camiño de Rato nº3 com capa de Júlio Shimamoto. Quem estava autografando os exemplares era Bira Dantas e Gonçalo Jr., que participaram da edição com uma HQ.
Este post de cobertura fica por aqui e até o próximo evento.
Galeria de Imagens
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VALEU, TIO RENATOOOOOOOO!!!!FOI BONITOOOOOOOOOOOOOO!!!!
ABRACAO
Leandro: quem escreve é Durval. Aviso-o que não respondi seu recado por estar sem seu telefone. Aguardo-o próxima terça.