Como texto interessante de sexta-feira selecionei uma entrevista com um dos grandes mestres nacionais de quadrinhos, me refiro ao criador de personagens que estão marcados na infância de muitos leitores, e que fazem a alegria até hoje com as suas peripécias, Ziraldo.
A entrevista é de autoria de Wellington Srbek, pesquisador, roteirista e editor de quadrinhos e foi retirada do site Mais Quadrinhos que sempre tem textos interessantes sobre o universo das HQs, abaixo segue a entrevista.
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Visto no Mais Quadrinhos
Uma das mais significativas experiências dos quadrinhos brasileiros foi a série Pererê, produzida entre 1960 e 1964 por Ziraldo e uma equipe de desenhistas (que aparecem na imagem que ilustra esta postagem, “curtindo” a edição de estréia da revista).
Aproveitando a data de aniversário desse importante escritor, ilustrador e humorista brasileiro, reproduzo aqui a entrevista que fiz com Ziraldo, em 1999, para a realização de minha dissertação de mestrado.
Qual era sua autonomia criativa em relação ao editor da revista?
Era total. Era uma revista infantil. Eu podia contar as minhas histórias como quisesse. A revista era até um pouco, digamos, “comunista” para a época. O editor nem ligava. Vai ver, nem lia. A revista fazia o maior sucesso. Bastava isto pra ele.
Descreva o processo de criação da revista: prazos e profissionais envolvidos.
Eu fazia a revista com três meses de antecedência. Ou quatro, não me lembro. Tanto que fui dispensado em dezembro e a revista foi até abril de 1964. Acabou quando tinha que acabar. Eu bolava as histórias, fazia tudo a lápis. Tinha três profissionais comigo. Um fazia o nanquim em cima do meu traço. Nunca aprendeu a fazer o traço. Chamava-se Paulo. Morreu logo depois que a revista parou.
O outro era um famoso e grande letrista de HQ de todas as publicações brasileiras, trabalhara na Ebal, no Globo, em toda parte. Um craque. Chamava-se João Barbosa. Também já morreu. O outro era o que indicava as cores no overlay, com papel de seda e lápis de cor. O cara do fotolito tinha que adivinhar a proporção das cores. Este se chamava Heucy Miranda. Aliás ainda se chama, aprendeu a desenhar tudo, é um grande animador de desenho animado e desenha o Pererê melhor do que eu. Uma figura!!!
Qual era a tiragem e o percentual de vendas da Pererê, entre 1960 e 1964?
Acho que vendia 130.000 em 1963. Vendia igual à Luluzinha e mais do que as revistinha da Abril. Maurício ainda não existia como fazedor de revista.
O que há de sua infância em Caratinga (MG) na criação das HQs da revista?
Tudo.





O assunto viraria tabu para a imprensa. Após dar início a uma série de reportagens sobre a revolta na “Folha do Povo”, Aparício Torelly, o Barão de Itararé, foi espancado e abandonado, nu, em plena Nossa Senhora de Copacabana.




