
L&PM está lançando Batom na Cueca, do cartunista Nani.
Abaixo uma pequena descrição do autor e uma excelente entrevista realizada pela editora.
Nani, um dos maiores cartunistas brasileiros da atualidade, responsável por vinhetas da Rede Globo, dono de um humor ferino e que desconhece as barreiras do politicamente correto, volta à cena com Batom na cueca, livro de cartuns, charges e textos satíricos.
Sem papas na língua, temperado com muita pimenta e sacanagem, em Batom na cueca, Nani faz piada sobre libertinagem, sexo e traições: ‘Traição dá nisso. Na cueca: marca de batom da amante e marca de pé na bunda da mulher’.
“Precisamos do humor para não morrer de realidade.”
Confira entrevista com o cartunista Nani por L&PM Editores
Nani, um dos maiores cartunistas brasileiros da atualidade, roteirista da TV Globo e autor de inúmeros livros de cartuns, charges e textos satíricos, volta à cena com Batom na cueca e Humor politicamente incorreto, nos quais satiriza situações cotidianas, folclóricas até, com muita mordacidade, nenhuma compaixão e sem qualquer respeito pelo politicamente correto.
Em entrevista a L&PM Editores, Nani fala sobre seu início na profissão de cartunista, os anos de participação no jornal O Pasquim – o mais importante veículo de oposição à ditadura militar no Brasil –, a censura na época da ditadura e a censura atual, que para ele é velada. “O politicamente correto está contaminando toda a cultura”, afirma.

L&PM – Quando você começou a desenhar e como o humor entrou nos seus desenhos?
Nani – Como profissão, eu tive um estalo quando aos 13 anos, vendo uma revista de humor chamada Vamos Rir – que publicava cartuns estrangeiros variados –, eu disse: isso eu sei fazer. Na mesma hora sentei e fiz meu primeiro cartum, com um desenho (muito ruim) de dois piratas com ganchos, um dizia para o outro: “Conheço essa região como a palma da minha mão”. A partir daí, eu desenhava freneticamente nas horas vagas, bolando cerca de quarenta cartuns por dia. Procurava temas nos cartuns das poucas revistas que chegavam em Esmeraldas, cidade do interior de Minas, e no jornal O Cruzeiro, com influência do Millôr, Carlos Estevão e do Henfil. Daí que resolvi batalhar para ser cartunista, pois eu pensava: se há tantas pessoas desenhando humor é porque isso é uma profissão.
L&PM – Você começou a publicar seus trabalhos profissionalmente em Belo Horizonte. Quando aconteceu sua aproximação com O Pasquim?
Nani – Dos 13 anos aos 18 morei em Esmeraldas. Desenhando todos os dias, eu fui de certa maneira me formando como cartunista. Quando fui para Belo Horizonte, em 1969, encontrei O Pasquim nas bancas, ano em que o jornal havia surgido. Foi uma epifania, era naquele jornal que eu queria estar um dia. Aos 20 anos comecei a publicar no jornal O Diário, de Belo Horizonte. Meu humor chamou a atenção de um editor que me convidou para ir ao Rio de Janeiro para trabalhar no O Jornal. Ao chegar lá, tive contato com Henfil, que me mandou ir para a redação do Pasquim e me colar no Jaguar. “Jaguar sabe tudo”, me disse Henfil. E eu fui encher o saco do Jaguar. Fiquei no Pasquim até o seu final.
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