A seguir a sétima parte da entrevista.
Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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O trabalho de Druillet é tomado por imagens místicas, figuras religiosas profanas e deuses antigos. Tanto Yragael como Vuzz e LoneSloane são personagens cercados de simbolismos herméticos, as histórias populadas por “padres loucos” (Yragael) magos doentios, homossexuais e violentos (Vuzz) e deuses negros (LoneSloane). sua arte transmite uma sensação grandiosa, remetendo a símbolos místicos, magia, cabala, magia do caos. Ídolos enterrados no tempo ao lado de grandiosas e assustadoras estatuas povoam seus mundos, tomados por bárbaros e magos.
Eu já havia escutado que o próprio Druillet colocava o que Austin Osman Spare chamou de “sigils”, símbolos mágicos que devem ser carregados de poder através de rituais, em meio aos detalhes barrocos e complexos de seus quadros. Assim, a intenção do “sigil” iria se espalhar no inconsciente de quem lesse seus livros, tendo a magia carregada por centenas de milhares de leitores. Era hora de confirmar se o boato era verdade.
Pergunto a Druillet se ele tem alguma visão metafísica do mundo, se ele tem uma visão espiritual de sua existência e se já praticou magia, como tenho ouvido por rumores, há anos.
“Não sou religioso, ao menos não da maneira vista tradicionalmente. Não sou também contra a religião, mas sim contra os fanáticos, sejam eles católicos, judeus ou muçulmanos. Eu respeito as pessoas que tem uma crença, como algo pessoal, mas quando as pessoas tentam fazer disso um instrumento de poder, é terrível. Na Bíblia há uma frase que é terrível, “Crescei e multiplicai-vos”, isso quer dizer “O quão mais forte vocês forem, o quão maiores vocês forem, mais vocês irão destruir as outras religiões e os que forem diferentes de vocês”.











